Foco depois da folia: especialistas orientam como retomar os estudos

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Por Raphaela Peixoto

O fim das festividades de carnaval representa, para muitos brasileiros, a volta à rotina. Para os concurseiros, no entanto, essa retomada ganha contornos ainda mais decisivos: é hora de reorganizar o cronograma, recuperar o ritmo e afastar a culpa pela pausa. Especialistas ouvidos pelo Papo de Concurseiro reforçam que o retorno deve ser feito com estratégia, planejamento e equilíbrio — pilares essenciais para garantir produtividade a longo prazo.

Segundo os professores, é comum que os candidatos sintam ansiedade ou até remorso por terem interrompido os estudos. No entanto, Para o professor Diego Fontes, consultor legislativo federal e diretor das mentorias do Gran Concursos, essa percepção precisa ser revista. “É fundamental que o candidato se trate com gentileza e compreenda que momentos de lazer são inerentes à vida e não devem gerar culpa”, afirma Fontes. Segundo ele, o descanso faz parte do processo de preparação e pode, inclusive, contribuir para melhorar o desempenho cognitivo e emocional.

A professora de Língua Portuguesa Letícia Bastos reforça que o erro está não na pausa em si, mas na sua extensão. “a retomada não deve ser feita com culpa, mas com estratégia. Muitos candidatos encaram o período de pausa como um retrocesso, quando, na verdade, alguns dias de descanso podem até ajudar na consolidação da aprendizagem. O erro está em prolongar a pausa além do necessário”, afirma a professora.

O professor e mentor Eduardo Cambuy compara o retorno aos estudos à prática de exercícios físicos. Assim como na academia, que aumentar a carga de forma súbita pode causar “lesões”, no caso dos concurseiros pode gerar desânimo, queda de rendimento ou até abandono da preparação.

“Começar em um ritmo mais moderado e aumentar gradualmente a intensidade é a chave para evitar a desistência, a diminuição do ritmo ou a sensação de incapacidade. Ajuste a velocidade para recuperar o tempo perdido de forma consistente”, orienta Cambuy.

Antes de mergulhar novamente nos livros, a recomendação é fazer um diagnóstico realista da própria preparação. O candidato deve revisar o planejamento anterior, identificar quais disciplinas ficaram descobertas e redefinir metas possíveis para as próximas semanas. A orientação é evitar o estudo aleatório, que pode gerar sensação de improdutividade. Em vez disso, especialistas indicam reorganizar o cronograma com foco no que já vinha sendo trabalhado, ajustando a carga horária de maneira gradual.

“Não se trata de compensar o tempo perdido estudando dez horas por dia, mas de retomar a constância. Regularidade é mais eficaz do que intensidade excessiva”, explica Letícia. Ela sugere que, nas primeiras 48 horas, o estudante revise resumos, mapas mentais e questões já resolvidas. “Isso reacende o raciocínio e reduz a sensação de ‘desaprendi tudo’, que é comum após pequenas pausas”, afirma a professora.

Diego Fontes recomenda, nos primeiros dias, sessões de duas a três horas diárias de estudo. “A combinação de revisão e resolução de questões, com um volume de estudo menor, contribui para uma retomada mais suave e evita a sensação de sobrecarga e o consequente desânimo”, garante o professor.