Amazônia: um paraíso de plantas não convencionais que alimentam

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Manaus – Quando o espanhol Francisco de Orellana desceu o rio Amazonas em busca de ouro, 41 anos depois do descobrimento do Brasil, certamente não imaginou que, cinco séculos mais tarde, a riqueza da região estaria contida na piscicultura e na botânica. Os peixes de sabor inigualável — 2.500 espécies — têm sido consumidos cozidos, fritos, assados ou defumados, como fazem os índios, intermitentemente, sem que haja risco de extinção.

Prato talo de vitória- régia com lichia.
Credito: Liana Sabo/CB/D.A Press. Brasil. Manaus. AM.

Já as frutas, ervas e raízes guardam alguns segredos que só agora começam a ser desvendados, como as Plantas Alimentícias Não Convencionais, cuja sigla é Panc (um termo criado pelo biólogo Valdely Kinupp). Elas não eram consumidas por falta de costume ou de conhecimento. “Existem 30 mil plantas comestíveis, mas apenas 150 se comem”, afirma o especialista professor do Inpa, para quem o homem “vive uma monotonia alimentar”. Kinupp é autor do livro Plantas alimentícias não convencionais (Panc) no Brasil, um guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas segundo a apresentação da obra publicada em dois volumes.

Degustando vitória-régia

Essencialmente amazônica, uma das Pancs que viraram moda é a vitória-régia. Influenciado pelas pesquisas de Kinupp, que vive num sítio nos arredores de Manaus, o chef nissei Hiroya Takano (foto) não hesitou em incluir a exótica iguaria no menu de seu Shin Suzuran, tocado por ele e a mulher, Maria Olinda, no bairro Nossa Senhora das Graças. Conhecido também como “aspargo do rio” ou “milho d´água”, o talo da vitória-régia que fica submerso (dura de 18 a 20 dias fora da água) é descascado e cortado em rodelas. Outras plantas são taioba, moringa jenipapo, batata-ariá e urtiga preparada como tempurá, como na foto ao lado.

Chef Hiroya Takano com prato de urtiga. Crédito: LianaSabo/CB/D.A Press. Brasil. Manaus. AM.

Hiroya herdou o restaurante do pai, que preferia vê-lo mecânico a ponto de mandar o filho aprender o ofício no Japão. Na volta, porém, trabalhou à noite por 15 anos, como ajudante de cozinheiro, porque os chefs nipônicos que vinham de São Paulo não se adaptavam à Amazônia. Autodidata, o chef Takano garante: “nunca saio da linha da culinária japonesa”, nem mesmo com as plantas exóticas. Ele serve vitória-régia com lichia (foto acima)e no sushi. Os pratos fazem parte do menu de degustação, que sai por R$ 150.

*A colunista viajou a convite da Abrasel-Amazonas.
Liana Sabo

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