O limitado São Paulo e o Atlético Nacional sem limite

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O São Paulo foi ao limite da sua capacidade nesta Copa Libertadores da América. Não deve ser criticado pela eliminação nas semifinais diante do Atlético Nacional nesta quarta-feira. A situação do futebol brasileiro, sim, é preocupante. Pelo terceiro ano consecutivo, o país não consegue chegar à final. Há quem atribua o jejum à situação da economia brasileira. Não acho.

O futebol brasileiro precisa deixar a mania de ser umbilical na Libertadores. Para de achar que todos os nossos representantes são favoritos. Precisa enxergar o que acontece nos jardins dos vizinhos sul-americanos, e não descobrir com a competição em andamento que tem muita gente jogando um bom futebol por essas bandas. O Atlético Nacional e o Independiente Del Valle, do Equador, que enfrenta o Boca nesta terça, são alguns casos.

Fiquei surpreso com gente descobrindo só a essa altura do campeonato, nas semifinais, que o Atlético Nacional tem um bom time. É a incurável miopia que piorou depois do 7 x 1. O trabalho ficou mais visível na conquista da Copa Sul-Americana de 2014. Apesar das trocas de comando, só melhora. Prova disso é a volta à final depois de 21 anos. A última foi em 1995, na derrota para o Grêmio.

Conversei neste ano com o técnico Reinaldo Rueda sobre o Atlético Nacional. Apesar do pouco tempo de trabalho, ele sabe muito bem o que quer. Perguntei se o time estava pronto para repetir o título de 1989. Ele driblou, mas cumpriu o primeiro projeto. “É prematuro falar isso. Mas é um sonho voltar à decisão, como em 1995, contra o Grêmio”.

E o time chegou porque há um pensamento definido independentemente das peças. Perguntei a Rueda porque o Atlético Nacional conseguiu ter a melhor campanha da primeira fase. “Há vários fatores. Excelentes jogadores, concentração, obediência ao modelo de jogo e à metodologia de treinos. Não há segredo. É o DNA do Atlético Nacional, uma filosofia, um estilo que sempre deu preferência ao futebol coletivo, organizado”.

A inspiração é o… “Barcelona, o time mais coletivo do mundo, na minha opinião, e que marcou época com um futebol atraente”, respondeu Reinaldo Rueda. Embora seja admirador do time de Luis Enrique, Reinaldo Rueda é fissurado no trabalho de um outro treinador. “Vicente del Bosque conseguiu o que parecia inalcançável. Levou a Espanha ao título da Copa do Mundo com um futebol coletivo, atraente. E uniu socialmente Castilla e Catalunha, uma Espanha dividida, por meio da seleção. Isso é muito histórico, considero transcendental”, comentou.

Reinaldo Rueda pensou o time. Se vai ser campeão ou não, as próximas semanas dirão. Mas que há uma filosofia bem definida no finalista colombiano, isso há. Boca Juniors ou Independente del Valle que se cuidem no episódio final.

Marcos Paulo Lima

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