“The Last Dance” e um Flamengo que não pode ser refém para sempre de 10 heróis

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Se você viu a série The Last Dance disponível no Netflix, sobre o Michael Jordan e aquele fantástico Chicago Bulls hexacampeão da NBA nos anos 1990, entenderá o que vou dizer: cada jogo do Flamengo mostra que essa pode ser a última temporada do time repetindo titulares do ano da graça de 2019.

Nove deles ainda são intocáveis — Diego Alves, Willian Arão, Rodrigo Caio, Filipe Luís, Gerson, Everton Ribeiro, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol. Reserva na era Jorge Jesus, Diego passou a ser o décimo herói a ter cadeira cativa com Rogério Ceni. O esforço hercúleo da diretoria para mantê-los é louvável, raríssimo no futebol brasileiro, mas não há cláusula no contrato (imagino) que exija sempre presença de todos eles na equipe ao mesmo tempo.

O empate com Unión La Calera expôs problemas que passam pelo gramado sintético, as ausências dos lesionados Rodrigo Caio e Gerson e questões de ordem técnica. Porém, está cada vez mais claro que a formação daquele Flamengo de 2019 precisa de atualizações em 2021. Algumas peças não merecem, neste momento, lugar permanente entre os titulares. E os problemas vão muito além da frágil defesa.

Everton Ribeiro e Bruno Henrique têm excelentes serviços prestados. Fazem parte da história do Flamengo. Ponto. Lamentavelmente, ambos não vivem boa fase. Por que continuam “imexíveis”? De vez em quando, Rogério Ceni precisa desapegar dos 10 titulares em jogos importantes. Não pode ser refém dos mesmos caras sempre. Quem está mal, hoje, deve melhorar amanhã com um pouquinho de reflexão no banco de reservas. E quem pede passagem, casos de Pedro e Vitinho, por exemplo, podem entrar e transformar o time.

Há problemas graves na defesa também. A começar pelo gol. Diego Alves é ótimo, mas se machuca muito. Hugo Souza e os outros jovens arqueiros rubro-negros ainda não transmitem segurança. Talvez seja hora de ir ao mercado contratar um profissional experiente para fazer sombra a Diego Alves. Ou a diretoria deseja repetir 2017, quando a falta de um camisa 1 minimamente qualificado custou o título da Copa do Brasil contra o Cruzeiro?

Os problemas também estão na lateral direita e na zaga. Isla aparenta não estar lidando bem com os problemas pessoais extracampo. Não tomarei susto se ele, inclusive, pedir rescisão de contrato. Justamente no ano em que o Flamengo abriu mão da volta de Rafinha.

O empate com o Union La Calera mostrou mais. Hoje, o Flamengo só tem um zagueiro: Willian Arão. Que não é zagueiro. Rodrigo Caio vive entregue ao departamento médico. Gustavo Henrique não se firma. Bruno Viana comete falhas bizarras. Léo Pereira… Quem poderia dar uma força nesse momento terrível da retaguarda foi vendido ao Bragantino, o menino Natan.

Resumindo: o Flamengo precisa de um gol, de um zagueiro e de rever a “intocabilidade” de Everton Ribeiro e Bruno Henrique. Como escrevi no inicio, The Last Dance mostra um Chicago Bulls viciado em um quinteto espetacular — Luc Longley, Dennis Rodman, Ron Harper, Scottie Pippen e Michael Jordan — responsável pelos últimos três dos seis títulos da franquia. O croata Toni Kukoc pedia passagem, mas o quinteto era intocável. Mas chegou um momento em que algumas estrelas começaram a perder o foco. Eles atuavam no limite. As vitórias e conquistas estavam cada vez mais difíceis. A distância para os concorrentes diminuiu. Até que a formação histórica precisou passar por profundas e drásticas transformações.

Foi desfeita.

Fica a dica da série, Rogério Ceni. Certamente o goleiro rubro-negro de ter assistido e prestado bastante atenção em cada palavra do colega dele de profissão, o técnico Phil Jackson.

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Marcos Paulo Lima

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