Técnico do Atlético Nacional fala sobre a tragédia na Colômbia

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O relógio marcava 13h01 nesta terça-feira triste. Atencioso como sempre foi comigo desde que nos conhecemos em uma entrevista para o Correio Braziliense, o técnico do Atlético Nacional, Reinaldo Rueda, atende no segundo toque. Mal deu tempo de dizer alô. “Olá, Marcos! Como estão você e o povo de seu país? Estamos arrasados aqui na Colômbia”, antecipa-se o treinador colombiano campeão da Copa Libertadores da América neste ano e que decidiria a Copa Sul-Americana a partir desta quarta contra a Chapecoense.

Reinaldo Rueda conta que estava dormindo. O fuso-horário de Medellin em relação a Brasília é de menos três horas. O técnico soube do acidente com o avião que levava a Chapecoense à Colômbia por uma mensagem de celular enviada por um diretor do clube. O texto comunicava a tragédia e anunciava que a finalíssima da Copa Sul-Americana, com início nesta quarta, no Estádio Atanasio Girardot, estava cancelada.

“É muito cruel o que aconteceu com esses meninos, muito cruel. Estou abalado. É incrível o que eles fizeram nesta temporada. Estudamos muito a Chapecoense, estávamos preparados para uma final muito dura. É difícil aceitar que isso tenha acontecido. São duas notícias muito tristes em pouco tempo. Primeiro, a morte de Carlos Alberto (Torres), um ícone do futebol mundial que conheci pessoalmente na Copa de 2014. Agora, esse acidente com a delegação de um time de futebol”, lamentou Reinaldo Rueda.

O trinador conta que ontem, antes de dormir, estudava a biografia do técnico Caio Júnior. “Não o conheci pessoalmente, mas estava empenhado em desvendar sua trajetória, a filosofia tática, seus pensamentos sobre futebol. Como disse, seria um time difícil de ser batido”, reforçou.

Antes de se despedir, Reinaldo Rueda deu uma demonstração imensa de solidariedade e grandeza. “Sugeri à diretoria e aos jogadores que a Chapecoense seja proclamada campeã da Copa Sul-Americana. Não precisamos dividir o título. Esses meninos são heróis. O que eles fizeram na história do futebol brasileiro, sul-americano, mundial, precisa ecoar na eternidade”.

Marcos Paulo Lima

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