Salah celebra o 3º gol dele em Copas: 2 na Rússia e um no Canadá, Foto: Fran Santiago/Getty Images/AFP
Nova Jersey — Quando Mohamed Salah marcou o terceiro gol da vitória por 3 x 1 sobre a Nova Zelândia nesse domingo, em Vancouver, pela segunda rodada do Grupo G, não encerrou apenas uma partida da primeira fase da Copa do Mundo. O camisa 10 ajudou a eliminar uma maldição que perseguia o Egito havia quase um século.
Berço de uma das civilizações mais fascinantes da humanidade, terra dos faraós, das pirâmides e das 10 pragas narradas no livro do Êxodo, o Egito carregava uma incômoda praga moderna no futebol: jamais havia vencido um jogo em Copa do Mundo.
Foram participações em 1934, 1990 e 2018. Sete partidas disputadas. Cinco derrotas. Dois empates. Nenhuma vitória.
Até Salah.
Aos 34 anos, o maior jogador da história do futebol egípcio chegou aos Estados Unidos para disputar, provavelmente, a última Copa do Mundo. Dono de uma carreira brilhante na Europa, especialmente com a camisa do Liverpool, ele colecionou títulos, gols, recordes e prêmios individuais. Faltava apenas uma marca capaz de conectá-lo definitivamente ao imaginário nacional.
Ela veio na noite de Nashville.
Além do gol, Salah participou diretamente da construção da vitória do líder Egito e transformou uma página amarga da história da seleção em lembrança. Depois de décadas de frustrações, os Faraós encontraram o caminho da terra prometida nos Mundiais.
O simbolismo é poderoso.
Se as 10 pragas do Antigo Testamento marcaram a libertação de um povo, Salah parece ter eliminado a última praga futebolística da geração dele: a incapacidade egípcia de vencer na maior competição do planeta.
Aa história de Salah nunca foi apenas sobre futebol. No Egito, ele transcende o esporte. É ídolo nacional, símbolo de ascensão social e personagem capaz de unir um país de mais de 100 milhões de habitantes. A influência ultrapassa as quatro linhas.
A primeira vitória egípcia em Copas dificilmente será lembrada pelo resultado. Entra para o almanaque quase centenário do torneio como a noite em que Mohamed Salah, o Rei do Egito, finalmente libertou os Faraós de um fantasma que atravessou gerações.
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