Octa do Real no Mundial deixa lição do Al-Hilal aos times brasileiros: jogar por uma bola faz mal à saúde

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Sete clubes brasileiros enfrentaram adversários europeus na final do Mundial de Clubes da Fifa desde que a entidade máxima do futebol assumiu definitivamente o torneio. Juntos, São Paulo, Internacional, Corinthians, Santos, Grêmio, Palmeiras e Flamengo fizeram quatro gols. O Al-Hilal sozinho balançou a rede do Real Madrid três vezes na decisão deste sábado, em Rabat, no Marrocos. Carrasco do Flamengo nas semifinais, o time saudita deu uma lição não somente no atual campeão da Libertadores, mas, principalmente, ao futebol brasileiro.

Enquanto os representantes do nosso país vão ao Mundial para jogar a final contra os europeus por uma bola, o time saudita simplesmente jogou bola. Claro, não há o peso de uma torcida brasileira sobre os ombros de Marega, Cuéllar, Carrilo e Vietto. Muito menos do técnico argentino Ramón Díaz. Sim, isso deixa o plano de jogo mais leve, prazeroso, divertido.

A obsessão por vencer um gigante europeu no Mundial de Clubes torneou os times brasileiros travados, escravos de uma fórmula: jogar por uma bola. São Paulo, Internacional e Corinthians conseguiram superar Liverpool, Barcelona e Chelsea assim, respectivamente, nas edições de 2005, 2006 e 2012 e virou mantra. Grêmio e Palmeiras apostaram nisso em 2017 e 2021 contra o Real Madrid e o Chelsea. O Flamengo peitou o Liverpool em 2019, mas sem a veemência do Al-Hilal na decisão deste sábado. Os gols sauditas não caíram do céu. Não foram obra do acaso e muito menos facilitados pela trupe merengue. Houve estratégia, construção, planejamento.

A decepção com o terceiro lugar do Flamengo é justamente porque o elenco mais cara da América do Sul tinha um pouquinho mais de recurso do que o Al-Hilal não para ser campeão, mas para romper, abolir com a maldita fórmula de jogar por uma bola. Em condições normais de temperatura e pressão, o campeão da Libertadores tinha cacife para eliminar o Al-Hilal com tranquilidade e mudar o comportamento dos times brasileiros em uma hipotética decisão contra o vencedor da Champions League. Vítor Pereira dispões de muitos recursos técnicos.

Dito isso, vamos à final. O título do Real Madrid é a tradução perfeita do que escrevi na coluna publicada neste sábado na página 10 da editoria de Opinião do Correio Braziliense. Sou contra a existência do Mundial de Clubes. Hoje, esse torneio é a Uefa Champions League. O torneio europeu está para o futebol como a NBA para o basquete. É o padrão mais elevado do jogo. O campeão da liga estadunidense não aceita desafiantes de fora dos limites dos Canadá e dos EUA.

Simplesmente porque há anos-luz de distância. Praticamente outro esporte. Há um abismo, também, entre a maioria dos campeões europeus e os adversários no Mundial de Clubes. Do ponto de vista técnico, isso torna a competição inútil. São 11 datas jogadas fora. Hoje, é uma torneio desnecessário. Serve para mimar países filiados à Fifa em troca de votos nas eleições. Vai piorar em 2025, quando a Fifa pretende inaugurar a Copa do Mundo de Clubes com 32 times.

O retrato disso é a reação blasé do Real Madrid quando o árbitro apita o fim da partida. Vinicius Junior acabou com o jogo, Valverde mostrou evolução, Benzema cumpriu seu papel e foi logo poupado para as oitavas de final da Champions League contra o Liverpool, todos receberam as medalhas e o troféu protocolarmente, entraram no avião e partiram de volta a Madrid com a sensação de que estiveram no Marrocos a passeio na disputa de um daqueles torneios de verão disputados na pré-temporada do Velho Continente. Não há prazer. Existe uma obrigação.

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Marcos Paulo Lima

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