Memphis Depay está liberado para voltar a treinar a partir desta terça. Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
A Democracia Corinthiana (ou dessa vez é Anarquia Corinthiana?) ganhou uma nova voz. A primeira nasceu no vestiário. Esta pode ter começado na arquibancada com atos inaceitáveis como a pressão contra o presidente Osmar Stabile e inclusive a família do mandatário do segundo clube mais popular do país.
Nos anos 1980, jogadores do Corinthians reivindicaram participação nas decisões do clube e transformaram o movimento em um dos capítulos mais emblemáticos da história alvinegra. Quatro décadas depois, Memphis Depay virou personagem de outra demonstração de força coletiva.
O Corinthians havia decidido não renovar com o holandês. A decisão parecia encerrada. A torcida reagiu. A negociação foi reaberta. O jogador aceitou reduzir em cerca de R$ 13,7 milhões o custo do novo acordo. A diretoria refez a equação financeira. O CORI analisou os novos termos e deu parecer favorável na noite desta segunda-feira.
Osmar Stábile saiu da reunião bancando a permanência. Memphis Depay fica.
A torcida não assinou o contrato. Não participou da reunião do CORI nem colocou a caneta na mão do presidente. Mas fez algo importante: levou o Corinthians de voltar à mesa.
É aí que a comparação com a Democracia Corinthiana ganha sentido.
Não é a mesma democracia. Na primeira, os jogadores reivindicavam participação nas decisões. Agora, a torcida mostrou outra forma de participação: tornou politicamente mais difícil sustentar uma decisão considerada impopular.
A permanência de Memphis Depay não foi decidida apenas pela pressão popular. A conta precisou fechar. O jogador cedeu. A diretoria refez os cálculos. O CORI deu o aval. O presidente assinou.
Mas a reação da torcida ajudou a mudar o ambiente da decisão.
E talvez essa seja a história mais interessante por trás da permanência do holandês.
O Corinthians não apenas renovou com um dos jogadores mais importantes do elenco. Recuou de uma decisão apresentada inicialmente como definitiva depois de perceber o tamanho da resistência em torno dela.
A primeira Democracia Corinthiana deu voz aos jogadores.
A de agora pode estar mostrando o peso da voz da torcida.
Memphis Depay fica.
O povo falou.
E o Corinthians ouviu na marra.
Que depois a mesma torcida favorável a essa renovação não reclame do provável aumento da dívida do clube e assuma a parcela dela na conta da pressão popular pela permanência do ídolo holandês.
Além da irresponsabilidade do Corinthians do início ao fim na relação econômica com Memphis Depay, considero inaceitáveis as ameaças ao presidente Osmar Stabile, reveladas pelo próprio dirigente à imprensa na saída da reunião do CORI. Desumano.
Estamos diante de uma nova “Democracia Corintiana” ou sendo apresentados à “Anarquia Corintiana”?
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