Interino, Marcão (C) classifica o Flu para as qurtas da Libertadores. Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC
Marco Aurélio de Oliveira, o Marcão, é do tempo em que futebol se ganha no meio de campo. Assim ele ajudou o Fluminense a conquistar dois títulos importantes nos tempos de volante. Justamente o recado deixado pela Espanha na conquista da Copa do Mundo de 2026, não é mesmo?
Em 1999, Marcão formava um par de volante com Valber sob o comando de Carlos Alberto Parreira. À frente deles, Marco Brito, Yan e Roger Flores. Magno Alves era o centroavante raiz na campanha.
Em 2005, Marcão usava a braçadeira de capitão na campanha da conquista no Campeonato Carioca. O setor de criação era outro ponto forte daquele time tricolor: Marcão, Arouca, Maicon e Preto Casagrande formavam o quarteto de Abel Braga responsável por abastecer Leandro Guerreiro e Tuta.
Marcão pendurou o par de chuteiras, virou assistente, é novamente treinador interino do Fluminense e o passado o ajuda a sobreviver em mais um período de transição nas Laranjeiras. A formação usada em Mendoza, na Argentina, na classificação contra o Independiente Rivadavia, lembra o modelo no qual ele jogava no Fluminense de 1999.
Marcão apostou em dois volantes marcadores e criativos: Hércules e Martinelli. A linha de três organizadores contava com um falso ponta, ou seja, o uruguaio Canobbio, um meia clássico que estava em baixa com Luis Zubeldia, o camisa 10 Paulo Henrique Ganso, e um ponta-ponta, o veloz e driblador Soteldo. Na frente, o experiente Hulk.
Essa formação do meio de campo para a frente nunca havia sido usada no início de uma partida até a vitória por 3 x 2 contra o Palmeiras. Se foi intuição ou sabedoria de quem esteve no gramado, só Marcão para responder. O fato é que deu liga nos dois jogos sob a batuta do técnico interino. Ele fez do meio de campo um pilar para estancar a crise.
Contra o Palmeiras, o volante Martinelli é quem cruza a bola para Germán Cano fazer o gol da vitória tricolor no Maracanã. Nessa terça-feira, Hércules é o protagonista do lançamento para o gol de Serna no momento mais tenso da partida. Canobbio havia recebido cartão vermelho. A expulsão ressaltou uma característica.
O Fluminense resgatou a alma e a resiliência nos dois jogos com Marcão. O time ficou duas vezes atrás contra o Palmeiras, buscou o empate e a virada. Resistiu em Mendoza com um jogador a menos, sofreu o gol do empate praticamente no último lance das oitavas de final, mas resistiu na decisão por pênaltis e avança às quartas de final.
Passou de fase porque tem goleiro! Fábio é fora da curva. Criticado por insistir na média de idade elevada para os padrões atuais do futebol, o Fluminense entrou em campo com média de 32,4 anos contra 27,4 do adversário.
A formação tinha três quarentões: Huk, Thiago Silva e Fábio. Coube ao mais velho deles o papel de herói. Aos 45 anos, Fábio defendeu duas cobranças e mais uma vez deu tapa com luva no etarismo do futebol.
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