A Conmebol sorteou os oito grupos na noite desta segunda-feira. Foto: Daniel Duarte/AFP
Há quem diga nos bastidores da Conmebol que o sorteio dos grupos da Libertadores 2025 pode ter sido um dos últimos nesse formato. Alguns dirigentes estão seduzidos e encantados com o formato de disputa inaugurado nesta temporada pela Uefa Champions League: uma etapa de pontos corridos com 36 clubes, fase de repescagem em mata-mata e depois oitavas, quartas, semi e final única.
A Conmebol gosta de se alinhar à Uefa. Os últimos exemplos disso são o calendário do torneio ao longo de toda a temporada, os sorteios na fase de mata-mata, o cancelamento do gol qualificado fora de casa e a mudança das decisões em ida e volta para final única.
Enquanto a possibilidade de alteração engatinha, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) passou por uma saia justa causada pelas bolinhas do sorteio. A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, não foi a Luque, no Paraguai, em protesto contra o ato de racismo contra o atacante alviverde Luighi na Libertadores Sub-20. Ironicamente, o Cerro Porteño caiu na chave do Palmeiras. Há pelo menos três casos de racismo em visitas ao adversário.
O presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, fez um discurso contra o crime e prometeu ações conjuntas com os governos dos 10 países filiados à entidade, mas as palavras não convenceram, principalmente, os representantes do Palmeiras na competição.
Pela primeira vez, o Brasil será representado por dois nordestino: Bahia e Fortaleza. O país pode emplacar a sétima conquista consecutiva desde 2019, quando o Flamengo iniciou a sequência. Houve o bicampeonato do Palmeiras (2020 e 2021), mais uma taça rubro-negra (2022) e as conquistas inéditas do Fluminense (2023) e do Botafogo (2024). A seguir, analiso os oito grupos da corrida rumo à Glória Eterna. Três cidades são candidatas a receber a final, em 29 de novembro: Brasília, Lima e Montevidéu.
Grupo A
Botafogo, Estudiantes-ARG, Universidad de Chile-CHI e Carabobo-VEN
O campeão vigente não é eliminado na fase de grupos desde o Atlético Nacional da Colômbia, em 2017. Portanto, esse é o primeiro tranquilizante para o supersticioso Botafogo. Por sinal, o Estudiantes estava no grupo alvinegro naquela edição e também ficou pelo caminho à época. O time argentino conta com o centroavante Lucas Alario, ex-Internacional. A Universidad de Chile conta com Charles Aránguiz, um velho conhecido do Internacional. O Carabobo não assusta.
Palpite: Estudiantes e Botafogo
Grupo B
River Plate-ARG, Independiente del Valle-EQU, Universitario-PER e Barcelona-EQU
Do ponto de vista histórico, o grupo é forte pelo seguinte motivo: todos os quatro clubes chegaram pelo menos uma vez à final. O River Plate é tetracampeão continental. O técnico Marcelo Gallardo é responsável por dois deles. O Del Valle disputou o título em 2016 e perdeu para o Atlético Nacional da Colômbia. O Universitario perdeu a decisão do título de 1972. O tradicional Barcelona perdeu a Copa Libertadores da América nas versões de 1990 e em 1998.
Palpite: River Plate e Independiente del Valle
Grupo C
Flamengo, LDU-EQU, Deportivo Táchira-VEN e Central Córdoba
Tri continental, o Flamengo vai subir o morro para enfrentar a LDU, campeã de 2008, em Quito, a 2.800m de altitude. O time rubro-negro não enfrenta o Deportivo Táchira desde a Libertadores de 1991, quando o jovem técnico Vanderlei Luxemburgo comandava a equipe carioca. O Central Córdoba não é de Córdoba. A base do clube é o Estádio Único Madre de Ciudades, em Santiago del Estero. Inaugurada em 2021, o a arena é uma das mais modernas do país.
Palpite: Flamengo e LDU
Grupo D
São Paulo, Libertad-PAR, Talleres-ARG e Alianza-PER
O Libertad tem histórico de semifinais. Ficou entre os quatro em 1977 e de 2006. Conta com os intermináveis centroavantes Óscar Cardozo e Roque Santa Cruz. O Talleres é velho conhecido do São Paulo. Eliminou o tricolor na Pré-Libertadores em 2019. No ano passado, o time paulista avançou às oitavas ao derrotar o adversário. O Alianza Lima foi semifinalistas nas versões de 1976 e de 1978. Eliminou o Boca nesta edição e tem Barcos e Guerrero no elenco.
Palpite: São Paulo e Talleres
Grupo E
Racing-ARG, Colo-Colo-CHI, Fortaleza e Atlético Bucaramanga-COL
Atual campeão da Sul-Americana e da Recopa, o Racing é o favorito. Ostenta o título de 1967 e voltou a impor respeito ao superar Cruzeiro e Botafogo em finais. Campeão em 1991, o Colo-Colo é comandado por um técnico de chegada. Jorge Almirón levou o Lanús e o Boca Juniors ao vice nas temporadas de 2017 e de 2023, respectivamente. O Atlético Bucaramanga ocupa a zona de rebaixamento no Apertura do Campeonato Colombiano. Esteve nas oitavas em 1998.
Palpite: Fortaleza e Racing
Grupo F
Nacional-URU, Internacional, Atlético Nacional-COL e Bahia
É o grupo mais forte, marcado por reencontros. São três campeões continentais. O Nacional conquistou o bicampeonato, em 1980, justamente contra o Internacional. Uma das atrações do time comandado por Martin Lasarte é Jeremía Recoba, filho do craque Álvaro Recoba. Bicampeão continental, o Atlético Nacional ostenta um goleiro de grife: David Ospina. A coincidência é Bahia e Inter no mesmo grupo, como em 1989. Duelaram também nas quartas.
Palpite: Internacional e Bahia
Grupo G
Palmeiras, Bolívar-BOL, Sporting Cristal-PER e Cerro Porteño-PAR
Como se não bastassem três episódios de racismo em visitas do Palmeiras ao estádio do Cerro Porteño, a última delas direcionada ao jovem Luighi, as bolinhas do sorteio causaram um climão para a Conmebol ao alocar os dois times na mesma chave. Leila Pereira nem foi ao evento para marcar posição. O Bolívar joga na altitude de La Paz (3.600m) e tem parceria com o Grupo City. O Sporting Cristal foi vice na edição de 1997 ao perder o título para o Cruzeiro.
Palpite: Palmeiras e Bolívar
Grupo H
Peñarol-URU, Olimpia-PAR, Vélez Sarsfield-ARG e San Antonio-BOL
Três campeões continentais. O Peñarol voltou a ser gigante ao despachar o Flamengo nas quartas e alcançar as semifinais. O Olimpia, do treinador Martin Palermo, posa de gigante adormecido, acostumado a despertar em jogos grandes, como nas oitavas diante do Flamengo, em 2023. O Vélez Sarsfield entra como melhor argentinos. O favorito a terminar em primeiro. O San Antonio Bulo Bolo, do técnico brasileiro Thiago Leitão, é o atual vice-campeão boliviano.
Palpite: Vélez Sarsfield e Peñarol
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