Flamengo de Leonardo Jardim desafia o evangelho da posse de bola

Compartilhe

Leonardo Jardim é contra a posse de bola estéril. Afirmou isso depois da vitória do Flamengo por 3 x 0 contra o Botafogo no Estádio Nilton Santos pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro.

O discurso é coerente com os números. Sob o comando de Filipe Luís, o time rubro-negro encerrou a Série A no topo do ranking da retenção com 62,1%.

São apenas duas exibições na elite às ordens do português, mas a estatística vai diminuindo. A média da equipe carioca está na quinta posição com 56,4%, atrás do Vasco (58,4%), Internacional (58,4%), Fluminense (57,9%) e do Corinthians (57,6%).

Um outro dado oferece um panorama ainda mais explícito de como Leonardo Jardim pensa o jogo. No ano passado, a média da posse de bola do Cruzeiro foi de 47,7% na campanha do terceiro lugar no Brasileirão. Encerrou em 14º lugar no ranking.

Com Tite, o Cruzeiro já é oitavo nesse quesito com 54%. Em contrapartida, o time celeste iniciou a rodada na lanterna e com o segundo pior ataque: quatro gols, na frente apenas dos três do Inter.

Curiosamente, o Flamengo teve mais posse de bola do que o Botafogo. A expulsão do zagueiro Alexander Barboza ajuda a explicar o controle da partida.

O Flamengo foi eficiente no 11 contra 11 e aproveitou a superioridade numérica em campo para se impor no jogo sem ser estéril.

Havia aberto 2 x 0 no placar na etapa inicial com os gols de Samuel Lino e de Léo Pereira numa cobrança de falta, e ampliou no segundo tempo com o centroavante Pedro.

Camaleão, o Flamengo foi o time da posse de bola contra o Botafogo e sem ela no duelo com o Cruzeiro. Em vantagem contra o time celeste graças ao gol relampado de Pedro, o time preferiu blindar a defesa à espera do gatilho de desespero do Cruzeiro.

Arriscou sofrer o empate no fim do jogo e nos acréscimos, mas o aguardado contra-ataque se apresentou no golaço de Carrascal.

O Flamengo encerrou aquela partida com 44% de posse de bola e fez dois gols. O Cruzeiro terminou com 56% e perdeu a partida.

Um dos sinais do início do trabalho de Leonardo Jardim é a objetividade, um dos méritos, por exemplo, daquele Liverpool de 2019 do alemão Jurgen Klopp, com Salah, Roberto Firmino e Mané insanos nos contra-ataques.

O pensamento dele parece caminhar nessa direção. Mas como canta Renato Russo na canção do Legião Urbana, ainda é cedo.

Leia também

Guia da 6ª Rodada do Brasileirão 2026: análises, palpites e onde ver

X: @marcospaulolima

Instagram: @marcospaulolima.jor

Marcos Paulo Lima

Publicado por
Marcos Paulo Lima
Tags: Análise tática Botafogo Campeonato Brasileiro Cruzeiro estatísticas do Brasileirão Flamengo Futebol brasileiro Leonardo Jardim Pedro posse de bola

Posts recentes

  • Esporte

Champions League vs Copa: o abismo que engoliu Ancelotti e Tuchel

Dallas — A Copa do Mundo puniu dois técnicos campeões da Champions League. Ambos estreantes…

2 dias atrás
  • Esporte

Espanha x Argentina: 1ª final de Copa entre os campeões da Europa e da América

Dallas — A Copa do Mundo terá pela primeira vez uma final entre os campeões…

2 dias atrás
  • Esporte

Copa 2030: Brasil mira títulos supérfluos e ignora a crise de identidade

  Dallas — Depois de cobrir a classificação da Espanha contra a França, no Texas,…

3 dias atrás
  • Esporte

Espanha transforma prata e ouro olímpico em final de Copa do Mundo

Dallas — A Espanha não fez rodeio na terra dos cowboys. Atual campeã olímpica nos…

3 dias atrás
  • Esporte

Semifinais da Copa ajudam a explicar por que o Brasil caiu nas oitavas

  Dallas — As semifinais da Copa do Mundo ajudam a explicar por que o…

4 dias atrás
  • Esporte

Podcast | Fast Foot #8: Balanço das quartas e a prévia das semifinais

  Chegamos com mais um episódio do Podcast Fast Foot do Correio Braziliense na Copa do…

4 dias atrás