Fluminense mostra relevância do repertório quando posse de bola e ofensividade não bastam

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Fernando Diniz tem um senhor mérito no Fluminense: a reciclagem de Paulo Henrique Ganso. Isso não é fácil no tempo em que um dos mantras mais repetidos no futebol pós-moderno reduz a importância de construtores à moda antiga como o jogador de 33 anos. Quem abre mão de maestros costuma afirmar que, hoje, o melhor meia é a roubada de bola no campo do adversário, ou seja, de preferência no último terço do campo. O tal do perde e pressiona virou o novo “camisa 10” nas palavras de técnicos de ponta como o alemão Jurgen Klopp do Liverpool.

Quem vê o desenho do Fluminense no início da vitória por 1 x 0 contra o The Strongest nota Ganso centralizado no sistema 4-2-3-1, atrás de German Cano. Na prática, ele atormentou a vida do time boliviano atuando na maior parte do tempo do meio para a ponta direita a fim de explorar e neutralizar o setor ocupado por Arrascaita, Robles e Saúl Torres.

O Fluminense tinha posse de bola, finalizava muito mais do que o The Strongest, viu Cano balançar a rede em impedimento, mas os pés não estavam tão calibrados como na exibição de gala contra o Flamengo na decisão do Campeonato Carioca. A solução foi usar a cabeça.

Quando a posse de bola, a agressividade e o toque de bola hipnotizante não bastam, a trupe de Fernando Diniz mostra repertório. Ganso está aberto na direita no lance do gol. Recebe a bola em uma jogadinha ensaiada para momentos de dificuldade e cruza com uma precisão milimétrica na cuca de Nino. O zagueiro surge de frente para o gol como se fosse um raio. Veloz, acerta uma cabeçada indefensável para Guilhermo Viscarra.

Ganso não foi o melhor em campo, mas mostrou que um camisa 10 à moda antiga pode ter mil e uma utilidades para um treinador criativo como Fernando Diniz. O meia errou mais passes do que de costume, desperdiçou gol, porém protagonizou o lance decisivo da partida com um cruzamento perfeito para Nino praticamente travestido de ponta direita.

O insatisfeito Fernando Diniz queria um placar mais dilatado. Sim, tem razão. Faltou precisão. Perfeccionismo à parte, o Fluminense inicia a fase de grupos muito bem. São seis pontos. Invicto, com 100% de aproveitamento. Um bom caminho para o aguardado duelo com o River Plate.

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Marcos Paulo Lima

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