Flamengo também tem direito a se abrir a “desconhecidos” como Juninho

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É no mínimo curiosa a desconfiança, e até um certo desdém, em relação ao investimento do Flamengo em Juninho do Qarabag do Azerbaijão. Sim, como diria Bruno Henrique, há um novo patamar de contratações desde o começo da guinada financeira do clube carioca, porém os ricos também têm o sagrado direito de abrir os olhos ao bom, bonito e às vezes não tão barato mercado alternativo. A transferência para o Ninho do Urubu custará € 5 milhões, o equivalente a R$ 31,5 milhões.

A aposta em desconhecidos, e até anônimos no Brasil, não é — e jamais será — exclusividade do time rubro-negro. Torceram o nariz para Tiquinho Soares quando o Botafogo o contratou. Igor Jesus desembarcou no Glorioso como o famoso quem??? De repente, ele virou solução para a Seleção Brasileira nas Eliminatórias para a Copa de 2026.

O São Paulo buscou André Silva no Vitória de Guimarães. O reforço fez gols importantes. O Corinthians pescou Júnior Moraes no aquário do Shakhtar Donetsk no início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Apostou em Jonathan Cafu, jogador à época do Al Hazm da Arábia Saudita.

Deyverson era um ilustre desconhecido quando chegou ao Palmeiras com passagens por Alavés e Levante na Espanha. Assumiu protagonismo, especialmente, nas conquistas do Brasileirão e no tricampeonato alviverde na Libertadores. O Internacional investiu em Wanderson do Krasnodar.

Em 2011, o Cruzeiro contratou Brandão. O catarinense tinha carreira internacional no futebol francês e ucraniano, mas era pouco conhecido no Brasil. O Flamengo repatriou Eduardo da Silva depois de o atacante, quase anônimo no país, passar por Dínamo de Zagreb, Arsenal, Shakhtar Donetsk e de construir história na seleção da Croácia ao participar da Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

O ídolo do Atletico-MG saiu Givanildo do Brasil e voltou Incrível Hulk depois de defender Porto, Zenit São Petersburgo e Chelsea na Europa, de brilhar no mercado asiático no futebol japonês e chinês, e de disputar a Copa do Mundo de 2014 pelo Brasil. Ainda sob desconfiança, Hulk construiu a própria história em 2021 no Triplete do Galo ao levá-lo aos títulos do Campeonato Mineiro, da Copa do Brasil e do Brasileirão, e de cair nas semifinais da Copa Libertadores da América.

Em vez de pré-julgar a contratação de Juninho e condená-la ao erro antes mesmo de o jogador pisar no Ninho do Urubu e estrear com a camisa do Flamengo, recomenda-se esperar. É no mínimo de bom tom dar tempo ao tempo.

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Marcos Paulo Lima

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