Fifa The Best: a glória de Vinicius Junior contra pretextos e contextos

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Ancelotti, Infantino, Florentino e Vini: banquete da Fifa para o Real em Doha. Foto: Divulgação/Fifa

Antes tarde do que nunca. A coroação de Vinicius Junior, o melhor do mundo no Fifa The Best, é inquestionável. Questionável — e desnecessários — são os pretextos e os contextos do cabo de guerra entre os dois prêmios mais importantes do planeta. O atacante brasileiro e o Real Madrid estiverem no centro da guerra de vaidade e armadilhas das cerimônias da revista France Football, em 28 de outubro, e da Fifa, nesta terça-feira.

Florentino Pérez não é flor que se cheire. Encabeça o movimento pela criação da Superliga Europeia. Fracassou na primeira tentativa, em 18 de abril de 2021. O cartola e os parceiros Atlético de Madrid, Barcelona, Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Tottenham, Internazionale, Juventus e Milan foram freados pela Uefa. A entidade mudou a fórmula de disputa da Champions League na tentativa de se aproximar do modelo dos sonhos dos 12 rebeldes. Daí a troca da fase de grupos pela fase classificatória por pontos corridos em turno único.

O que isso tem a ver com Vinicius Junior? A candidatura dele a número 1 na Bola de Ouro da tradicional votação da revista France Football pode ter sofrido retaliações de alguns jurados justamente por esse motivo: a antipatia, o rei na barriga de Florentino Pérez na visão de alguns jornalistas-eleitores. Logo, Antes Rodri, do Manchester City, mesmo sendo vinculado à Superliga Europeia de Florentino Pérez, do que Vinicius Junior, xodó do cabeça do Real Madrid.

A intenção não era atingir Vinicius Junior, mas Florentino Pérez. Impor uma derrota a quem resiste e insiste em peitar a entidade máxima do futebol europeu.

Ex-secretário geral da Uefa, o atual presidente da Fifa, Gianni Infantino, observou o barraco à distância. Esperou o momento certo para mimar o clube mais poderoso do mundo. O técnico Carlo Ancelotti chegou a anunciar a ausência do Real Madrid no Super Mundial da Fifa, em 2025, nos Estados Unidos. Lembram? Alegou que a cota financeira para o evento era irrisória.

Florentino Pérez desmentiu o técnico italiano imediatamente. Publicou nota com o posicionamento final do clube. “O Real Madrid comunica que em nenhum momento foi questionada sua participação no novo Mundial de Clubes que a Fifa organizará na próxima temporada 2024/2025. Portanto, nosso clube disputará, tal como está previsto, essa competição oficial que encaramos com orgulho e com a máxima vontade para voltar a fazer sonhar nossos milhões de torcedores por todo o mundo com um novo título”.

O Real Madrid ganhou crédito com Infantino. Astuto e político, Infantino usou a primeira oportunidade para demonstrar gratidão ao Real Madrid pelo apoio ao Super Mundial. Em uma jogada de mestre, uniu o último ao agradável. Ele sabia desde a final da Champions League da presença do time merengue em Doha, no Catar, para a final da Copa Intercontinental. A festa de gala da Fifa costuma ser em janeiro, mas por que deixar para depois o que pode ser feito em dezembro com os principais personagens ali pertinho, disponíveis, sem risco de W.O.

Florentino Pérez, Carlo Ancelotti e companhia estavam lá. Houve até treino antes do protocolo. Infantino não ofereceu um jantar, mas um banquete árabe ao Real Madrid no Oriente Médio. Carvajal, Rüdiger, Toni Kroos, Bellingham e Vinicus Junior formaram metade da seleção ideal da Fifa. A contrário do que fez na Bola de Ouro, o clube não deu W.O. na festa de Infantino. Mesmo na véspera da decisão da Copa Intercontinental contra o Pachuca do México, os principais homenageados receberam o prêmio no palco.

A coroação de Vinicius Junior tem o contexto técnico de quem foi protagonista dos títulos do Real Madrid no Espanhol e na Champions League em 2023/2024; ativista no que diz respeito à luta do fluminense de São Gonçalo contra o racismo; e o político. Ele e o Real estavam inseridos em uma batalha sem trégua nos bastidores marcada por pretextos.

Vini Junior resistiu. O galático sai vitorioso e convicto de que o prêmio individual não depende exclusivamente do futebol. A guerra política e a fogueira de vaidades prejudicam performances. Vinicius Junior lembrará para sempre de 17 de dezembro de 2024: o dia em que o bairro Porto da Rosa, em São Gonçalo, conquistou o Fifa The Best contra tudo e (quase) todos.

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Marcos Paulo Lima

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