De Sylvinho a Flick: o contraste na Euro entre os ex-auxiliares de Tite e Low

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O futebol prega umas peças interessantes. Conversemos sobre dois auxiliares de técnicos badalados do mundo da bola. Sylvinho foi auxiliar de Tite na Copa do Mundo de 2018. Teve oportunidade no Corinthians, mas o presidente Duílio Monteiro Lopes não teve força política para mantê-lo no cargo e o despediu com 43 partidas à frente do clube paulista em 2021. O time disputou 73 jogos em toda a temporada. Portanto, ainda havia muito chão pela frente.

Sylvinho deu as costas ao futebol brasileiro. “Exilou-se” na Albânia. Fala belo trabalho nas Eliminatórias para a Eurocopa. Se ninguém o valoriza aqui, há quem o deseje muito no Velho Continente. Em cinco jogos, o treinador acumula três vitórias, um empate e uma derrota para a Polônia na estreia. Neste domingo, ele deu o troco. Derrotou a trupe de Robert Lewandowski liderada pelo português Fernando Santos por 2 x 0 e lidera o Grupo E.

A Albânia tem 10 pontos. Está na frente de potências da Europa como a República Tcheca e a própria Polônia. A quatro rodadas do fim da fase classificatória, se dá o direito de sonhar com a segunda participação na Eurocopa em oito anos. Seria um baita feito. Sylvinho não conseguiria nada inédito. A Albânia esteve na fase de grupos do torneio em 2016, na França. O técnico italiano Gianni De Biasi conseguiu a proeza.

Quem não dava nada por Sylvinho, ignorado até para o cargo de técnico interino da Seleção depois de trabalhar com Tite em uma Copa do Mundo, agora começa a olhar para o profissional com o mínimo de valorização. Um pouco de dor de cotovelo até.

Em contrapartida, quem esperava muito de um outro ex-auxiliar de técnico badalado está amargamente arrependido. Hansi Flick foi auxiliar de Joachim Low na seleção da Alemanha na conquista do tetracampeonato mundial em 2014, no Brasil. Assumiu a esquadra germânica com grife depois de levar o Bayern de Munique ao título da Champions League na temporada de 2019/2020 contra o Paris Saint-Germain de Neymar, em Lisboa.

A passagem de Flick pelo cargo acabou com um fracasso retumbante neste domingo depois de mais uma derrota para o Japão: 4 x 1. Os nipônicos também triunfaram na fase de grupos da Copa do Mundo por 2 x 1. Anfitriã da Eurocopa em 2024, a Alemanha vive uma crise sem precedentes. O país foi eliminado na primeira fase da Copa do Mundo em duas edições consecutivas. De quem muito se esperava não veio nada.

Sylvinho e Hansi Flick provam que as aparências enganam. O Corinthians menosprezou o potencial de Sylvinho para continuar o trabalho e nota a evolução do treinador à frente de uma seleção de terceira linha na Europa. A Alemanha acreditou em Flick para assumir o legado vencedor de Low e procura treinador a nove meses de receber a Eurocopa. Há quem considere ciência exata, mas a lógica do futebol é não ter lógica.

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Marcos Paulo Lima

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