TJDFT barra pressão de investidora sobre clubes do Forte União

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Enquanto a bola rolava na 16ª rodada do Campeonato Brasileiro, uma disputa jurídica nos bastidores de Brasília ganhava mais um capítulo fora das quatro linhas. A 2ª Vara Cível de Brasília concedeu uma liminar favorável ao Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (SINAFUT), proibindo que a Sports Media Entertainment S.A. — investidora do bloco Forte União (CFU) — condicione o repasse de verbas de direitos de transmissão a exigências burocráticas ou desistência de ações judiciais. O blog teve acesso ao documento.

A decisão do juiz Carlos Eduardo Batista dos Santos é imediata e fixa multa de R$ 50 mil para cada ato de descumprimento. O magistrado entendeu que a conduta da investidora configura uma “interferência externa indevida”, ferindo a autonomia das organizações esportivas.

Para entender o imbróglio, é preciso voltar à criação do Condomínio Forte União (CFU) em outubro de 2023. O grupo foi formado por clubes das Séries A e B para negociar coletivamente seus direitos de transmissão e propriedades comerciais.

  • O Investimento: A Sports Media (controlada pela Life Capital Partners) aportou aproximadamente R$ 2,6 bilhões para deter 20% das partes ideais do condomínio.

  • O Conflito: O SINAFUT alega que a investidora estaria praticando uma “coação estrutural”. Segundo o processo, a empresa estaria retendo o dinheiro que pertence aos clubes ao final de cada mês, exigindo em troca a assinatura de documentos internos ou que os times abandonassem medidas judiciais contra a gestão do bloco.

  • Poder de Veto: A acusação aponta que a arquitetura do condomínio é “leonina”, pois exige 90% de aprovação para temas essenciais, o que dá à investidora (com seus 20%) o poder de vetar qualquer decisão dos clubes.

Pressão via WhatsApp: O caso do Amazonas

Um dos pontos mais sensíveis da decisão cita o Amazonas Futebol Clube. De acordo com os autos, o CEO da investidora teria contatado dirigentes do clube via WhatsApp para pressioná-los a desistir de ações judiciais que buscavam transparência sobre contratos firmados com os bancos XP e BTG Pactual.

O clube formalizou uma queixa qualificando a abordagem como “intimidatória e coercitiva”. Para a Justiça, o uso de recursos financeiros — essenciais para o pagamento de salários e planejamento dos times — como instrumento de pressão excede os limites da boa-fé e da lealdade contratual.

A Lei Geral do Esporte em campo

A decisão se amparou na Lei Geral do Esporte (LGE). O texto garante que as organizações esportivas são autônomas para se autogovernarem, sem influências econômicas externas que ameacem a integridade do esporte.

O magistrado destacou que o poder de gerir a conta centralizadora das verbas deve ser um mecanismo de gestão compartilhada, e não uma arma de pressão contra a liberdade de decisão dos clubes.

O que acontece agora?

A decisão é uma tutela de urgência (provisória). A Sports Media será citada e terá 15 dias para apresentar s defesa. O processo conta ainda com a participação da Federação Nacional dos Atletas (FENAPAF) e da Associação Nacional dos Árbitros (ANAF) como interessados, além do Ministério Público como fiscal da lei.

O que diz a Sports Media

Sobre a referida decisão, em caráter de tutela de urgência, a Sports Media Entertainment (SME) informa que irá se manifestar nos autos do processo quando notificada. A empresa aproveita para reafirmar que não é responsável por qualquer distribuição de valores ou repasses de recursos aos clubes, feitos no âmbito do Condomínio Forte União (CFU), no qual, juntamente com as agremiações, a companhia é uma das condôminas. Portanto, nenhum preposto da SME condicionou a realização de repasses à regularização de assinaturas por parte dos clubes ou à adoção de outras providências.

A SME refuta veementemente qualquer alegação de pressão ou irregularidade na condução dos seus negócios junto aos clubes e reforça que age respeitando a legislação vigente no país, os contratos firmados entre as partes e as regras condominiais acordadas por todos os membros. Sports Media Entertainment.

X: @marcospaulolima

Instagram: @marcospaulolima.jor

Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima
Tags: Amazonas FC Bastidores do futebol Campeonato Brasileiro CFU Direito Esportivo direitos de transmissão finanças do futebol Forte União Justiça de Brasília Lei Geral do Esporte LGE Life Capital Partners SINAFUT Sports Media TJDFT

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