Resistência para jogar na Bombonera do Sertão fez a diferença contra o Cruzeiro. Foto: Divulgação/Sousa
Há algo sagrado no futebol que se tornou profano no Brasil: o mando de campo. A vitória do Sousa-PB por 2 x 0 contra o Cruzeiro, e a consequente classificação do time paraibano para a segunda fase da Copa do Brasil resgatam o respeito à casa própria. O presidente do atual vice-campeão estadual, Aldeone Abrantes, precisou colocar a boca no trombone para manter o direito de receber o adversário mineiro no Marizão, arena carinhosamente chamada de Bombonera do Sertão, com capacidade para 14 mil torcedores. Sim, a condição do campo era ruim devido ao temporal, mas onde estava a cúpula do Cruzeiro para reivindicar a paralisação da partida e até mesmo o adiamento como aconteceu em Águia Branca, Espírito Santo, no duelo entre Real Noroeste e Cuiabá?
O dirigente do Sousa sofreu assédio antes mesmo do sorteio dos confrontos da Copa do Brasil para renunciar ao mando de campo. Vendê-lo. Tentado a assinar pré-contrato de transferência do direito de jogar em casa. Aldeone Abrantes foi cabra da peste. Além de resistir bravamente, ameaçou apontar, dar nome a quem ele acusava de “corretagem”.
“O Sousa vem sofrendo bullying, a palavra certa é essa, para poder negociar o seu mando de campo do jogo do Cruzeiro aqui no Marizão. Várias coisas já foram inventadas em relação à questão de laudos. Tudo o que foi pedido foi atendido. E até hoje continua a corretagem, são diversos os corretores que estão interessados na venda desse mando de campo”, detonou o cartola em um vídeo publicado nas redes sociais antes do confronto.
Sob pressão, Aldeone Abrantes partiu para o ataque e ameaçou: “Eu quero dizer para o Brasil e para o mundo, que o Sousa não venderá o mando de campo no Marizão. E se quiserem interditar o Marizão, vão interditar. Eu vou citar um por um quem são os corretores que estão ligando para a gente, doa a quem doer. Eu sei todos que estão interessados na transferência desse jogo”, intimidou o presidente do Sousa.
O dirigente deixou “corretores” e figurões da CBF de cabelo em pé com a ameaça de denunciá-los. Firme, bancou a realização da partida no município de 842 km² e 70 mil habitantes. Prometeu, cumpriu, recebeu os laudos na marra e eliminou o Cruzeiro em um dos maiores feitos da história do clube de 32 anos. Prova de que, apesar da cobrança de R$ 70 a R$ 200 pelo ingresso, valeu comprar a briga para jogar no endereço onde não perde há mais de um ano: 17 vitórias e dois empates.
“O jogo vai ser em respeito à nossa cidade, foi um direito adquirido pelo Sousa. Jogamos a Série D, Copa do Brasil contra o Goiás, o Campeonato Paraibano todinho, por que só agora? É muito estranho. Se quiserem tirar, eu sei por que estão tirando o jogo do Marizão”, avisou.
A coragem de Aldeone Abrantes incomodou gente graúda. O submundo do mercado da venda dos mandos de campo arriscou ficar exposto. A solução foi dar celeridade à papelada da partida no Marizão depois das ameaças do dirigente. Uma espécie de cala-boca diante de um iminente escândalo.
Em tempos da campeonatos estaduais itinerantes pelo país, com pequenos clubes cariocas, paulistas e mineiros abrindo mão do sagrado direito de jogar em casa para faturar um trocado com venda de mando de campo, Aldeone Abrantes mostrou coragem. Bateu o pé e deu baita exemplo. Dinheiro algum compra a felicidade de uma torcida ver o time do coração jogar debaixo do nariz, em pé com a cara grudada no alambrado ou sentado na arquibancada de concreto do estádio raiz. Isso, sim, é sentimento de pertencimento! O Sousa estreou na Copa do Brasil em 1995. Esperou 28 anos para avançar pela primeira vez à segunda fase.
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