Brasiliense 2 x 0 Gama: as nuances táticas da merecida vitória amarela

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Tarta comemora o primeiro gol do Brasiliense em cobrança de pênalti. Foto: Lucas Bolzan/FFDF

Saída de bola não aceita desaforo. O Gama teve a audácia de construir pessimamente mal uma retomada de posse no campo defensivo e destravou um clássico até então truncado neste domingo, no Estádio Serejão, em Taguatinga, pela penúltima rodada do Campeonato do Distrito Federal. Estive no estádio e vi o líder Brasiliense vencer com justiça por 2 x 0 e deixar o rival sob pressão na última rodada na primeira fase do Candangão.

O recordista de títulos no segue no G4, mas tem de derrotar o Capital no Bezerrão, em 8 de março, para ir às semifinais sem depender de uma combinação de resultados. A equipe alviverde pode até passar com empate ou derrota. Para isso, ironicamente, o Brasiliense precisa segurar o Paranoá na rodada derradeira. Não perder é questão de honra no caso amarelo: o Jacaré jamais conquistou o título local invicto. O Capital pode até entrar em campo classificado contra o Gama se derrotar o Brasiliense nesta quarta-feira, em duelo adiado da sexta jornada.

Brasiliense e Gama protagonizaram um primeiro tempo digno de dois times fora de série nesta temporada. Ambos estão ausentes dos torneios nacionais. Ruim, a etapa inicial foi salva por uma sucessão de erros do sistema defensivo alviverde. A saída de bola a três bugou. O zagueiro Wellington procurou Moisés. O volante escorregou ao repassar a pelota no fogo para Pedro Romano. O beque se atrapalhou ao correr para trás, perdeu a disputa para Gui Mendes e viu o goleiro Renan Rinaldi sair precipitado e atabalhoado do gol ao cometer pênalti. Tarta regia o meio de campo livre, leve, solto e foi premiado com o gol. Cobrou forte no canto direito do goleiro e não deu chance de defesa.

O lance não é aleatório. O Brasiliense forçou o erro do Gama por um motivo simples: o técnico Luiz Carlos Winck estudou a saída de bola do Gama. Marcos Júnior e Gui Mendes estão no cerco a Moisés e a Pedro Romano porque foram treinafos para isso. O lance estava desenhado.

Embora o jogo desse aparência de equilíbrio, o Gama jogava mal. Atacava com apenas três jogadores. Nunes era domado pelos zagueiros Keynan e Igor Morais. Guilherme Santos vigiava Willian Júnior. Ramon levou mais perigo porque atuava nas costas de Netinho. O lateral-direito avançava para apoiar ao lado de Tobinha e o atacante alviverde tentava explorar o espaço.

Glauber Ramos voltou para o segundo tempo em busca do empate. Taticamente, o Gama passou a atuar no sistema 4-2-4. O volante Luisinho deu lugar a Rafael Marcos. No primeiro lance, ele chutou forte e Matheus Kayser quase engoliu um frango. Rafael Marcos incomodou outra vez e o goleiro defendeu em dois tempos. Willian também incomodou  até Tobinha responder acertando o travessão de Renan.

Cada vez mais atirado ao ataque, mas sem profundidade, abusando de chutes de fora da área, o Gama se expôs aos contragolpes, não resistiu e sofreu o segundo nos acréscimos após uma trama entre Douglas e Rafael Longuine, que serviu Joãozinho para consolidar o triunfo com muita superioridade tática do início ao fim.

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Marcos Paulo Lima

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Marcos Paulo Lima
Tags: Brasiliense candangão clássico Gama Joãozinho Serejão Tarta

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