As quatro estações da gestão no futebol brasileiro

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Dois mil e vinte e dois começa com quatro estações bem definidas no modo de administrar times brasileiros: há o inverno do Flamengo; o outono de Palmeiras e Atlético-MG; o verão do Corinthians; e a primavera oferecida pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

Quem inveja a festa do Flamengo no verão carioca para recepcionar Paulo Sousa, técnico português egresso da seleção da Polônia, talvez esqueça como foi o inverno pelo qual o clube passou para mudar de patamar. Há nove anos, o então presidente Eduardo Bandeira de Mello e seus pares deram início a um período de hibernação rubro-negra no mercado. A gestão começou com a devolução de Vágner Love ao CSKA Moscou. Era impossível mantê-lo, pagá-lo.

O Flamengo conquistou a Copa do Brasil (2013) e o Carioca (2014), mas o inverno rubro-negro era rigoroso. Houve dificuldade nas duas temporadas. Risco de rebaixamento antes do fim da era do gelo. A contratação de Paolo Guerrero na metade de 2015 finalmente marcou a mudança de estação.

A nova gestão do Corinthians dizia se inspirar no Flamengo, mas não se submeteu ao inverno rigoroso. O presidente Duílio Monteiro Alves até consultou o ex-presidente rubro-negro Eduardo Bandeira de Mello. Porém não aguentou hibernar. Mudou de estação no primeiro vento. Saltou para o verão e aqueceu o mercado com investimentos fora da realidade econômica de um clube quebrado. Contratou os caros Giuliano, Renato Augusto, Roger Guedes, Willian e Paulinho e queimou etapas.

Atlético-MG e Palmeiras desfrutam o outono. Colhem os frutos de parcerias bem-sucedidas. Bicampeão da Libertadores, o Palmeiras é estável financeiramente. A Crefisa, uma das firmas da presidente Leila Pereira, investe no clube. Garante mais fôlego econômico. Mesmo assim, o controverso modelo volta e meia é colocado em xeque.

Protagonista do triplete em 2021, o Atlético-MG aposta em uma sociedade alternativa. Funciona como pré-SAF. Dificilmente teria sucesso sem a grana do mecenas Rubens Menin e dos fiéis escudeiros Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador. Sem os 4 R’s, palavras do presidente Sergio Coelho, o Galo estaria na Série C do Brasileirão.

Por último, há os clubes imersos na primavera das Sociedades Anônimas do Futebol. Times falidos achando que tudo são flores na estação da SAF. Investidores como Ronaldo (Cruzeiro) e John Textor (Botafogo) injetam grana e tacam fogo no parquinho. Presidentes viram bibelôs. Sem poder de decisão. Até quando aceitarão ter o ego ferido?

Não existe fórmula do sucesso no mundo passional do esporte. Há quatro estações a escolher. É direito de cada clube optar entre o inverno do Flamengo, o verão do Corinthians, o outono de Atlético-MG e Palmeiras ou a primavera da SAF. Mas recomenda-se, também, assumir as consequências no quebrado, mas sempre criativo futebol brasileiro.

Coluna publicada na edição impressa de sábado (8.1.2022) do Correio Braziliense.

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Marcos Paulo Lima

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