A sétima expulsão na carreira de Neymar, o recorde de Coutinho e o bom início de David Neres no Ajax

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O sétimo cartão vermelho na carreira de Neymar — o primeiro com a camisa do Barcelona — pode ter custado caríssimo. Provavelmente, o título espanhol. Acho que malandragem tem limite. É aceitável a interpretação do árbitro de que Neymar amarrou a chuteira na frente do marcador em uma cobrança de falta do Málaga para ganhar um tempinho. Velhos vícios do futebol brasileiro. Pode ser também que Neymar não teve intenção nenhuma de fazer cera. Pesou no primeiro cartão amarelo a má fama.

O segundo cartão amarelo seguido pela expulsão é indefensável. O aplauso irônico para o quarto árbitro foi pior ainda. Segundo a imprensa espanhola, o árbitro Gil Manzano relatou os aplausos na súmula. Se o comitê julgar adequado, pode casrigá-lo por dois jogos e tirá-lo do clássico de 23 de abril contra o Real Madrid. No lance crucial, Neymar deixou a bola de lado para ir no corpo de Llorente, do Málaga. O Barcelona tentava o empate. Buscava jogo com Neymar pela esquerda. E Neymar teve uma grave recaída. Com o empate do Real diante do Atlético no clássico de Madri, a trupe azul-grená tinha a chance de alcançar o arquirrival em número de pontos a duas rodadas do dérbi de 23 de abril, no Santiago Bernabéu. Enfraquecido pela expulsão de Neymar, sofreu o segundo gol do Málaga com requintes de crueldade: uma desmoralizante tabelinha dentro de sua área.

Não acho que Neymar evoluiu, amadureceu, está mais tranquilo, como alardeou-se depois das belíssima atuações do craque contra o Uruguai e o Paraguai, pelas Eliminatórias. Também não acho que ele retrocedeu. Gostemos ou não, o temperamento de Neymar é esse. Não tem sangue de barata. Paciência de Jó não é com ele. Quando apanha demais, vai ao limite. Quando não há espaço para ele jogar no seu cantinho predileto, o lado esquerdo, vai perdendo o espírito esportivo. Foi o que aconteceu neste sábado. Neymar tem o estopim curto. Ultimamente estava até longo, mas chegou ao limite.

Recaídas custam caro. Neymar sabe muito bem disso. Não era expulso desde 17 de junho de 2015, na derrota por 1 x 0 para a Colômbia. Aquele cartão vermelho teve efeito colateral na Seleção. Sem ele, o Brasil foi eliminado nas quartas de final. O Barcelona não depende de Neymar, mas a expulsão deste sábado pode ter custado o título do Campeonato Espanhol. Quem sabe até a tripleta. A final, o Barça está vivo na Copa do Rei da Espanha e na Champions League.

Os cartões vermelhos de Neymar na carreira
08/04/2017 – Málaga 2 x 0 Barcelona (Campeonato Espanhol)
17/06/2015 – Brasil 0 x 1 Colômbia (Copa América)
17/02/2013 – Santos 3 x 1 Ponte Preta (Campeonato Paulista)
30/09/2012 – Grêmio 1 x 1 Santos (Campeonato Brasileiro)
14/10/2011 – Atlético-MG 2 x 1 Santos (Campeonato Brasileiro)
06/04/2011 – Santos 3 x 2 Colo Colo (Copa do Brasil)
14/03/2010 – Santos 3 x 4 Palmeiras (Campeonato Paulista)

Por falar em expulsão, o brasileiro naturalizado português Pepe, que tem fama de carniceiro, quase deu a vitória ao Real Madrid no clássico contra o Atlético de Madri. O zagueiro truculento não recebe cartão vermelho (pasmem) desde 2011. Mas aí, apareceu o excelente Griezmann para estragar a festa do alagoano no Estádio Santiago Bernabéu.

Além de Neymar e de Pepe, outros brasileiros roubaram a cena neste sábado. Coadjuvante de Neymar na Seleção, Philippe Coutinho foi protagonista na vitória do Liverpool sobre o Stoke City, por 2 x 1. Chegou aos 29 gols na história da Premier League e quebrou o recorde de Juninho Paulista, tornando-se o maior artilheiro brasileiro do Campeonato Inglês. Reserva de Gabriel Jesus, Roberto Firmino assinou um golaço.

E o David Neres, hein? Voltou a brilhar neste sábado na goleada do Ajax por 5 x 1 sobre o Nijmegen, pelo Campeonato Holandês. Foi dele o segundo gol no massacre. E o Talisca? Que golaço de falta do baiano na vitória do Besiktas sobre Trobzonspor na vitória por 4 x 3 pelo Campeonato Turco. Ah, também teve gol do paraibano Tiquinho nos 3 x 0 do Porto em cima do Belenenses pelo Campeonato Português.

Marcos Paulo Lima

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