Um governo em conflito

Publicado em coluna Brasília-DF

Um governo, duas metas

O governo e a base aliada vivem hoje uma queda de braço em relação à votação da próxima semana, quando estará em análise a segunda denúncia de Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer. Os partidos desejam a vitória do peemedebista, mas não num patamar em que o presidente saia com fôlego para retomar a agenda de reformas, em especial, a da Previdência. Enquanto isso, no Planalto, o próprio presidente coordena o esforço para que o governo ultrapasse o patamar dos 257 votos, ou seja, metade mais um dos votos totais da Câmara para, no futuro próximo, ampliar isso em relação às reformas. É por aí que o jogo vai se dar nos próximos dias.

Os aliados querem o poder de empreender uma agenda mais voltada a temas com maior sintonia na sociedade, como a segurança pública, educação e cultura, deixando de fora aumento de alíquotas, ajustes fiscais e cortes. Daí, a necessidade de deixar Temer franzino no quesito votos em plenário.

Don Geddel I

O fato de a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se referir a Geddel Vieira Lima como chefe de organização criminosa não causou estranheza a muitos políticos. Afinal, ele comandava o PMDB da Bahia, assim como Eduardo Cunha e Sérgio Cabral dividiam o comando do Rio de Janeiro. Diz o Ministério Público que há outros “dons” por aí.

Don Geddel II

Os políticos que acompanham com uma lupa o caso de Geddel afirmam que, agora, o ex-ministro não terá como colocar o presidente Michel Temer nesse redemoinho. Afinal, se Geddel comandava, não tem como delatar
mais ninguém.

Onde mora o perigo

Deputados petistas aproveitaram o prêmio Congresso em Foco, concedido todos os anos a parlamentares eleitos pela imprensa, pela internet, e um júri seleto, para espalhar que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está “costeando o alambrado” do Planalto. Ou seja, “esperando a oportunidade”. Sinal de alta-tensão até quarta-feira, data da votação da denúncia
em plenário.

Sem saída

Deputados tucanos não veem mais possibilidade de união entre as diversas alas do partido. Alguém vai ter que pedir o boné. Quem? Eis a questão.

País em choque

A tragédia em Goiânia, onde um adolescente assassinou colegas na escola, reforçará uma campanha para maior controle de armas no país. A bancada da bala, porém, já tem um argumento. O menino é filho de policial e, ainda que houvesse controle, ele teria arma em casa.

CURTIDAS
PF independente/ Instituição mais aplaudida no 7 de Setembro, a Polícia Federal vai intensificar a campanha pela autonomia com a entrega de mais um documento com mais de meio milhão de assinaturas em prol da Proposta de Emenda à Constituição 412/2009, que regulamenta a autonomia funcional, administrativa e orçamentária da PF. A PEC está parada há oito anos na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Hora certa/ Pré-candidato ao governo de Minas Gerais, o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco, receberá o documento com as assinaturas das mãos do presidente da ADPF, Carlos Sobral. Ele irá acompanhado de líderes de movimentos sociais independentes, como Carla Zambelli (Nas Ruas) e Maurício Vidal (Movimento Brava Gente Brasileira), além de representantes do Orgulho Nacional, Movimento Brasil Livre e Mulheres da Inconfidência, todos com forte representação em Minas.

E o Renan, hein?/
O senador Renan Calheiros (foto) não perde uma oportunidade de fustigar Michel Temer. Ontem, mandou esta no Twitter: “Engraçado… Nunca soube que Geddel era o chefe. Para mim, o chefe dele era outro… era ouTro”. Assim mesmo, com T maiúsculo.

Sabática/ Destituída do cargo de líder do PSB, a deputada Tereza Cristina (MS) passou todo o jantar de entrega do prêmio Congresso em Foco ladeada por dois representantes do PPS, Rubens Bueno e Carmem Zanotto. Tereza, entretanto, ainda não definiu para qual partido irá. “Nos próximos 30 dias, não quero pensar nisso. Vou, primeiro, dar um tempo pra mim”, diz a deputada quase ex-socialista.

Dupla dinâmica/ De todos os representantes do DF no Congresso Nacional, apenas
dois senadores saíram agraciados do
Prêmio Congresso em Foco: Cristovam Buarque e Reguffe.