Categoria: Política
A íntegra da delação premiada dos 77 executivos da Odebrecht não sairá tão cedo. Do Supremo Tribunal Federal vem a informação de que serão dois a três dias apenas para protocolar todos os pedidos de abertura de inquérito que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve entregar ao STF nas próximas horas. Depois, o material seguirá para o ministro Edson Fachin. Ele terá que analisar tudo para despachar. Põe aí mais alguns dias. Por isso, há quem diga que o país só terá acesso à íntegra das delações daqui a 10 dias. Haja Rivotril para aqueles que têm certeza de que estão citados, mas seus nomes ainda não apareceram.
O presidente Michel Temer já fez circular entre os principais aliados que a Casa Civil, joia da coroa capitaneada pelo ministro Eliseu Padilha, não está aberta a indicações externas, ainda que o atual titular da pasta se veja na situação de ter que deixar o governo. Ali é terreno do presidente da República, destinada a detentores da mais absoluta e estrita confiança de Temer. É daí que virá um eventual substituto do atual ministro.
O recado se justifica. Às vésperas da apresentação dos pedidos de abertura de inquérito contra políticos mencionados na delação da Odebrecht, os partidos se assanham em busca dos cargos que podem ficar vagos na Esplanada. Em especial, miram os ministros “da Casa”, ou seja, aqueles acomodados no Palácio do Planalto.
Negociação
nas alturas
Os três senadores da Paraíba — Cássio Cunha Lima, do PSDB, José Maranhão e Raimundo Lira, ambos do PMDB — aproveitaram a viagem ontem com o presidente Michel Temer para tratar da reforma da Previdência. Cássio foi logo avisando que terá dificuldades em votar o aumento da idade da aposentadoria rural. “Fui autor da emenda que reduziu essa idade e também do dispositivo que fixou um salário mínimo para o produtor rural.”
Terra chamando
Embora o presidente
tenha se mostrado sensível aos argumentos dos senadores, Temer foi enfático ao dizer
que tudo tem que passar pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e equipe.
Oi, mais prazo
A aposta do governo é de que vem por aí uma prorrogação do prazo de recuperação da Oi. Ainda que seja, pelo menos, metade dos 180 dias que vencem ainda este mês.
São Francisco, fase 2
Ok, o governo comemora o fim de parte das obras da transposição, faz festa e lá vai.
Só tem um probleminha: quem entende do Rio São Francisco calcula que se não houver um investimento pesado em recuperação do curso d’água
e da mata ciliar, a alegria vai durar pouco.
Reza forte/ O presidente dos Correios, Guilherme Campos, passou a sexta-feira em Trindade (GO), onde está a Basílica do Verbo Divino, ponto de romaria de católicos. Diante das dificuldades dos Correios, fez o “milagre” de inaugurar ali uma agência da empresa.
Morde…/ O que o líder do PMDB, Renan Calheiros, quer do governo de Michel Temer é “carinho e cuidado com os interesses dele, especialmente, em Alagoas”, define um ministro. Afinal, Renan, apesar do desgaste político provocado pela Lava-Jato, planeja concorrer a mais um mandato de senador por lá e, ao mesmo tempo, reeleger Renan Filho (foto) como governador.
…Não assopra…/ A entrevista de Renan Calheiros ao Jornal Nacional foi lida no meio político como um sinal de que o jantar entre Temer e o senador ajudou a desanuviar o ambiente, mas não resolveu os problemas do parlamentar com o governo.
…E nem vai assoprar/ Há quem diga que, enquanto a Casa Civil estiver em período de interinidade, Renan manterá a corda esticada.
O movimento é no sentido de afastar qualquer chance de indicação do grupo de Eduardo Cunha ao governo.
Embora o presidente Michel Temer tenha prometido ao PRB a transferência da Pesca do Ministério da Agricultura para o Ministério de Indústria e Comércio, a poderosa Frente Parlamentar do Agronegócio se mobilizará contra a mudança. A briga vai começar na comissão especial que tratará desse tema, seguindo depois para os plenários da Câmara e do Senado. Caberá ao governo tentar encontrar maneiras de evitar que o Planalto sofra alguma baixa na base aliada por causa dessa disputa.
O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, se reuniu hoje à tarde com o diretor geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra. Convidado oficialmente a permanecer no cargo, Daiello aceitou e ainda disse que “teria muito prazer em continuar na equipe de Serraglio”. Quem não gostou da conversa foi a turma que estava se movimentando para chefiar a PF, inclusive delegados ligados ao senador Renan Calheiros. Está explicada, pelo menos, em parte, a ira do líder do PMDB no Senado.
Depois de acusar o presidente Michel Temer de ter cedido às chantagens do ex-deputado Eduardo Cunha, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, foi chamado para acompanhar Temer na viagem amanhã ao Nordeste. Renan faz jeito de difícil. “Ainda não decidi. Estou aqui cuidando da composição das comissões técnicas”.
Renan: “Se Padilha não voltar logo, Eduardo Cunha põe Gustavo”
Numa entrevista na sala de café dos senadores, o líder do PMDB, Renan Calheiros, deu a entender que o presidente Michel Temer cedeu à chantagem do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, preso em Curitiba. “Estou apenas analisando os fatos. O governo está patrocinando a remontagem do Centrão, que levou a liderança do governo no Congresso e nomeou o ministro da Justiça. Há 20 dias, o juiz Sérgio Moro defendeu o presidente Michel das chantagens de Cunha. E, agora, em meio ao carnaval, vieram essas mudanças”, disse Renan ao blog. “Padilha deve voltar imediatamente, senão o Eduardo Cunha vai colocar o Gustavo Rocha na cadeira dele”, acrescentou.
Renan contou que disse tudo isso ao ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Wellington Moreira Franco. “Defendi o PSDB que qualifica muito mai so governo do que o Eduardo Cunha”, disse Renan, acrescentando que é preciso separar o PMDB do governo: “Eles (o grupo de Eduardo Cunha) querem tomar conta do governo. Depois, vão investir sobre o partido. Não fico num partido coordenado or Marun”, afirmou Renan, referindo-se ao deputado do PMDB Carlos Marun, que esteve em Curitiba para visitar Eduardo Cunha. “Depois que Marun esteve lá é que isso tudo aconteceu”.
Então Michel cedeu à chantagem? Resposta de Renan: “Eu não disse isso. Estou apenas analisando os fatos”.
O líder do governo no Congresso, deputado federal André Moura (PSC-SE), vai tentar nesta terça-feira um acordo no colégio de líderes para aprovar no plenário da Câmara, sem discussões nas comissões, o projeto de lei que prorroga o prazo para o fim dos lixões no país. A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que a poluição ambiental, decorrente da disposição inadequada de resíduos, é responsável pela morte de dois milhões de crianças em todo o mundo anualmente, incluindo o Brasil. Há mais de 60 anos, conforme a Lei 2.312 de 1954, é proibido jogar lixo a céu aberto no país. Disposta a acabar com o descaso das prefeituras municipais nessa seara, a Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010 estabeleceu que os lixões deveriam ser extintos em 2014. Porém, três anos se passaram e, em vez de trabalhar para resolver o problema, o governo quer que o Congresso empurre esse prazo para 2021, sem qualquer perspectiva de uma solução concreta para o assunto, perpetuando a mentira e a falta de cuidados com a saúde pública e o meio ambiente.
A escolha de Osmar Serraglio (PMDB-PR) para o ministério da Justiça está diretamente relacionada à necessidade do governo contemplar o PMDB e a poderosa bancada ruralista. Vale lembrar que na posse do depurado Nilson Leitão (PSDB-MT) como presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio, o deputado Marcos Montes aproveitou o discurso de despedida da FPA para pedir a nomeação de Serraglio no Ministério da Justiça. Alguns riram, como se Marcos Montes estivesse avançando um sinal na política. Porém, uma expressiva maioria aplaudiu. Temer entendeu o recado. Está cada vez mais claro que, para um governo que ainda não atingiu um nível seguro de apoio popular, o melhor é garantir o Congresso (Leia post abaixo, o texto da coluna Brasilia-DF publicado na edição impressa do Correio de hoje).
Como se não bastassem os problemas de saúde do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, a saída de Geddel Vieira Lima, de Romero Jucá, e o desgaste do ministro da Secretaria Geral da Presidência, Wellington Moreira Franco, agora o governo Temer sofre mais uma baixa. José Serra deixa o cargo por problemas de saúde num momento em que o presidente não tem tantos aliados de peso no primeiro time. Ou melhor, tem, mas a maioria com problemas. Padilha está dividido entre licenças para tratamento de saúde e o governo. Moreira, entre a própria defesa e o Poder Executivo. O caso de Rometo Jucá não é diferente. E Geddel, bem… Continua amigo de Temer, mas totalmente fora de combate.
José Serra funcionava na equipe de Temer como uma ponte entre a política externa e a economia. Respeitado dentro e fora do Brasil, sempre foi visto como alguém que, de dentro do governo, ajudava não só nas funções inerentes ao cargo de chAnceler, como também dedicava um tempo à articulação política com setores do próprio PSDB.
Por enquanto, o secretário-geral do Itamaraty, embaixador Marcos Galvão, assumirá o Ministério de Relações Exteriores. Falta, porém, o pé na articulação política, setor que gera preocupações no Planalto. Ali, o governo precisa de um tratamento intensivo, com tanta dedicação quanto este que Serra fará ao longo dos próximos quatro meses para seus graves problemas de coluna.

