Pacheco inverte prioridades do governo

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No papel de presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) acaba de inverter o cronograma que o governo havia montado para as reformas em 2021. A prioridade do ministro da Economia, Paulo Guedes, era a chamada PEC Emergencial, seguida da reforma administrativa, e a tributária. Tanto é que a proposta governamental sobre a tributária chegou ao Congresso na forma de uma carta de intenções, sem a formatação de um projeto de lei. Na semana passada, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), comentava com amigos que a ordem seria a PEC Emergencial, a reforma administrativa. A reforma tributária ficaria para depois, porque não seria tão tranquilo tratar desse tema na Casa com o autor da proposta, o deputado Baleia Rossi (MDB), e o relator, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) __ aliado do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, que apoiou Baleia Rossi.

Pacheco, que nada tem a ver com a disputa de poder na Câmara baixa, colocou Arthur Lira e Aguinaldo Ribeiro na mesma foto, lado a lado, logo depois da reunião na residência oficial do Senado, onde recebeu Lira e os relatores da tributária, o deputado Aguinaldo Ribeiro e o senador Roberto Rocha. Sem esses problemas políticos de inimizades, nem as arestas que restaram da disputa da Câmara, o presidente do Senado hoje tem mais condições de ocupar o espaço de centro, colocando todos à mesa. Faz política focado nos fatos e não nas intrigas e ressentimentos.

Lira já percebeu esses movimentos e foi direto: ” por sua vez, pediu a Pacheco que fosse instalada logo a Comissão Mista de Orçamento, primordial, porque o Orçamento deste ano não está aprovado. Pacheco concordou com a urgência do tema, mas lembrou que é preciso discutir esse tema com os líderes, ou seja, não dá para instalar ainda esta semana. Quanto às reformas, Lira citou ainda que, “nosso compromisso na Câmara é tratar com rapidez da reforma administrativa e, no Senado, da PEC Emergencial”. Falou ainda que “não vai haver briga entre Câmara e Senado por protagonismo” em relação às reformas.

A frase de Lira foi vista, entretanto, por alguns políticos como alguém que já percebeu que Rodrigo Pacheco não deixará o palco livre para que o presidente da Câmara desfile sozinho. Hoje cedo, Pacheco já ligou para Paulo Guedes, para tratar da PEC Emergencial, da reforma tributária e também da necessidade das questões sociais, leia-se auxílio emergencial. Ficaram de se reunir ainda nesta quinta-feira, no início da noite. O Senado, aliás, já tem sessão de votação hoje à tarde, com dois projetos de lei de conversão (nome que se dá quando há alteração de medidas provisórias), que tratam do acordo para as vacinas contra Covid-19 e ainda, da transferência para a União das ações representativas do capital social das Indústrias Nucleares do Brasil S.A. e da Nuclebras Equipamentos Pesados S.A, de titularidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear.

2022 pesa e PSDB volta ao bloco de Baleia Rossi, mas racha permanece

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As pontes para o futuro falaram mais alto dentro do PSDB e o partido permaneceu no bloco construído por Baleia Rossi e Rodrigo Maia. Mas, o líder Rodrigo de Castro (MG), ligado ao deputado Aécio Neves, ex-candidato a presidente da Republica, é visto como alguém que tentou levar o partido para o Aldo de Arthur Lira. Nas hostes de Baleia Rossi (MDB-SP) comenta-se inclusive ue Rodrigo de Castro já estava com tudo encaminhado, com 17 assinaturas, para mudar de lado na última hora. Afinal, outro integrantes da bancada de Minas Gerais, Domingos Sávio, participou do jantar em apoio a Lira na última sexta-feira. O governador de São Paulo, João Dória, estrilou. Afinal, há uma parceria dos tucanos com o MDB em São Paulo e não seria de bom tom abandonar o barco de Baleia Rossi nessa reta final, como fez o DEM.

O fato de segurar o PSDB no bloco de Baleia Rossi, porém, não apaga as divisões internas. Aécio Neves joga para evitar que João Dória seja o grande líder do partido e possível candidato a presidente da República pelo PSDB. Da mesma forma, ACM Neto joga para escantear Rodrigo Maia rumo a 2022, conforme o leitor do blog já sabe. Bolsonaro está feliz da vida. Enquanto os partidos de centro estiverem divididos, o presidente reinará em paz para compor sua campanha à reeleição sem grandes dissidências na sua fatia do eleitorado.

Certo da vitória no primeiro turno, Lira trata dos outros cargos da Mesa

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Com a liberação das bancadas do DEM e do PSDB, e outros movimentos de última hora, a tendência é Lira ser eleito em primeiro turno hoje, com um “placar de emenda constitucional”, ou seja, acima de 308 votos. Para se eleger em primeiro turno, precisa de 257. Confiante de que terá esse total, Lira trata agora dos outros cargos da Mesa Diretora, atraindo até mesmo alguns integrantes da oposição. Já está certo que Marília Arraes (PT-PE) será candidata avulsa ao cargo que seu partido tiver direito a escolher, no caso, a primeira-secretaria, e o bloco de Lira descarregará os votos para ajudá-la. O mesmo acontecerá em relação ao PSB, onde o candidato deve ser o deputado Júlio Delgado (MG).

Essas candidàturas, estimuladas por Arthur Lira, são vistas como cruciais para que o deputado alagoano conquiste votos tanto no PT, quanto no PSB e seja eleito com o “placar de PEC”, conforme comentam seus aliados.

O plano B de Maia envolve até o PSL

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Prestes a deixar o DEM, Rodrigo Maia não só conversa com partidos alinhados ao seu pensamento, caso do Cidadania e do PSDB, mas abriu diálogo também com o PSL. Isso mesmo: o partido que elegeu Jair Bolsonaro presidente da República e hoje está rachado. Embora o PSL tenha conseguido uma maioria para se aliar a Arthur Lira, a cúpula do partido hoje considera que os bolsonaristas sairão em breve seguindo a decisão de Jair Bolsonaro, que não voltará ao antigo partido. Nesse cenário é que Maia chegaria para reorganizar o PSL e assegurar um partido de 22 a 30 deputados, de bom tamanho para os padrões atuais, em que a pulverização partidária impera.

O PSL é um partido estruturado, que tem fundo partidário para financiar campanhas e tempo de tevê. Ou seja, não seria partir do zero, algo muito mais complicado. Entre os aliados de Maia, o PSL é citado como um espaço de poder que ficará vago e que, se reformado, pode servir para abrigar Maia, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e a senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), irmã de Aguinaldo. A política está dinâmica e 2021 promete muitos rearranjos político-partidários. O momento é de organizar o jogo para 2022.

Derrotado no DEM, Maia deixará a legenda e não descarta criar novo partido

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Depois de desmoralizado por seu partido, Rodrigo Maia comunicou a integrantes do DEM que não tem mais o que fazer ali. Seu destino ainda é incerto, mas está entre o Cidadania e o PSDB e, se possível, um novo partido, que reúna todos aqueles de centro que não querem seguir com Bolsonaro em 2022. A amigos, Maia disse que a decisão estava tomada e “não é coisa de quem está de cabeça quente”.

Maia avalia que o DEM não descarta seguir com Jair Bolsonaro em 2022, caminho que nem Maia, nem seus aliados mais próximos desejam seguir. Ele ainda não escolheu se irá para o Cidadania ou o PSDB, esta ordem. Ele é amigo de Luciano Huck há mais de 20 anos. A perspectiva é ade que, juntos, comecem a construir algo novo rumo a 2022.

O problema de uma nova legenda é tempo. Criar uma nova agremiação dá trabalho, exige coleta de assinaturas. Nem Bolsonaro, com todo a visibilidade e por conseguiu empreender esse projeto. A ideia há alguns meses era fundir o DEM com outras agremiações e acomodar Luciano Huck como potencial candidato. Agora, diante do apoio do DEM a Arthur Lira, a leitura é a de que ACM Neto escancarou as portas para um futuro ao lado de Jair Bolsonaro. Nesse quesito, avaliam os alguns, melhor seguir o o velho ditado: os incomodados que se retirem.

Guerra interna no DEM revela disputa por protagonismo rumo a 2022

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A reunião da executiva do Democratas agora à noite frustrou os planos do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e lhe impôs uma derrota sem precedentes em suas últimas horas como presidente da Casa. Embora a decisão tenha sido não participar de qualquer bloco na disputa pela presidência, a leitura geral dos parlamentares é a de que Rodrigo Maia, enquanto comandante da Câmara, não teve força para levar seu próprio partido a seguir com ele. Ou seja, falhou internamente e, sendo assim, com a bancada dividida ao meio, o presidente da legenda, ACM Neto, concluiu que “qualquer uma das duas decisões, implodiria o partido”.

A decisão tem reflexos mais profundos. Rodrigo, depois de quatro anos e meio como presidente da Câmara, despontava como um dos principais articuladores do partido rumo a 2022, posição que cabe ao presidente da legenda, ACM Neto. Nesse sentido, a ala governista forçou para cortar as asas do quase ex-presidente da Câmara logo de uma vez. E Neto, no papel de presidente do partido, também terminou nessa posição, porque também não deseja ceder seu espaço de protagonista nos caminhos partidários para o futuro. Porém, para evitar saídas do partido, preferiu ficar oficialmente no meio termo.

Para Rodrigo, entretanto, só o fato de o partido sair do bloco de Baleia Rossi já foi uma derrota sem tamanho nesses quatro anos e meio. Rodrigo o avalista da candidatura do MDB, anunciou o nome de Baleia com direito a foto na porta da residência oficial da Câmara. Esta noite, foi comunicado da decisão de neutralidade do partido por ACM Neto e pelo líder da bancada na Câmara, Efraim Filho.

O presidente da Câmara não participou da reunião da Executiva, uma vez que a tarde de domingo estava certo que o partido não fecharia com Arthur Lira. A turma de Rodrigo entendeu, então, que estava mantido o acordo para composição com Baleia Rossi (MDB-SP). Por isso, entre os mais fieis escudeiros de Rodrigo Maia ficou a sensação de que houve todo um jogo para lhe impor uma derrota. Nos bastidores, o que se diz é que o DEM se vendeu a Arthur Lira e que ACM Neto jogou de forma a garantir o próprio protagonismo na escolha dos caminhos para 2022, de forma a não dividir esse serviço com Rodrigo Maia.

Os reflexos dessa decisão para o DEM só serão sentidos depois da eleição desta segunda-feira, na qual Arthur Lira chega como o favorito, depois de todo um trabalho voltado aos deputados. Ao longo de sua campanha, Lira percorreu todo o país em janeiro, enquanto o governo garantia as emendas extras e alguns cargos.

Da parte de Rodrigo Maia, foi difícil chegar a um nome para concorrer contra o Centrão. Optou-se por Baleia Rossi por ser presidente de partido e garantir os votos do MDB. Uma candidatura de Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) não levaria o PP e Elmar Nascimento (DEM-BA) poderia chegar enfraquecido por ser do mesmo partido de Maia e do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o favorito para o Senado. Seria difícil o DEM conseguir novamente o comando das duas casas. Elmar, porém, não pensava dessa forma e se sentiu traído por Rodrigo Maia.

Essa sucessão de mágoas e o toma-lá-dá-cá do governo em busca de votos para Arthur Lira mexeram com o DEM. O partido deseja ter estrutura para concorrer às eleições do ano que vem, quando não haverá coligações para eleição proporcional. E ficar num grupo que é visto como oposição ao governo não permitirá o derrame de dinheiro de emendas extras nos municípios. E, para completar, tem um grupo que deseja apoiar Bolsonaro na eleição de 2022, caminho que Rodrigo Maia não seguirá. Hoje, Bolsonaro levou a melhor. e aproximou o DEM de seu governo e de Arthur Lira. Mas a tensão interna só vai terminar em 2022. E olhe lá.

O lobby festeja com Lira

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BRUNA LIMA E
DENISE ROTHENBURG

Na disputa para ocupar a cadeira de liderança da Câmara dos Deputados vale tudo. Até mesmo a indicação explícita de parceria com uma consultoria de lobby. A casa onde parlamentares do agro farão um coquetel para Arthur Lira hoje abriga, além do Instituto Brasileiro de Comércio Internacional e Investimentos, a BMJ Consultores Associados, uma empresa dedicada ao lobby, especializada em consolidar relações entre instâncias governamentais e o empresariado. O “coquetel do agro” tem 130 parlamentares confirmados e foi organizado pelos vice-presidentes da Frente Parlamentar do Agro (FPA), Evair de Melo (PP-ES) e Neri Geller e tem 130 parlamentares confirmados.

O coquetel mira consolidar a FPA em torno de Arthur Lira. Como de praxe, a expectativa era de que o evento que irá homenagear o candidato apoiado em peso pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ocorresse na sede da Frente, uma casa alugada no Lago Sul pelo Instituto Pensar Agro (IPA). A casa da FPA está em fase final de uma pequena reforma, mas, ainda que não estivesse, não seria usada para o evento com Lira. Evair, um dos coordenadores da campanha de Lira, disse ao blog que não faria o evento na sede da FPA porque o atual presidente da frente, deputado Sérgio Souza, e o anterior, Alceu Moreira, são do MDB, de Baleia Rossi. “A casa do coquetel de hoje é sede do instituto e da BMJ, tanto é que ambos estão no convite, não tem nada demais, são estruturas distintas”, diz Evair, que preside ainda a frente do comércio internacional, vinculada ao instituto.

A associação com a BMJ, porém, incomoda alguns deputados. A consultoria atende o maior número de empresas no ramo do agronegócio e, para alguns, escancara como os interesses da área usam Lira como mecanismo para fazer rodar projetos de interesse das empresas no Legislativo. Porém, se em determinados períodos, o lobby era algo, escondido, agora, vive às claras, com direito a inclusão no convite oficial do evento. Ninguém poderá dizer que foi desavisado ou que se tratava de algo escondido.

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PSL e DEM embolam acertos de Lira

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A chegada do PSL e a tentativa de parte do DEM de migrar para o bloco em construção por Arthur Lira bagunçou o coreto erguido pelo PP. O PSL quer a primeira -vice, que Lira já havia oferecido ao deputado Marcelo Ramos (PL-AM), que desistiu da candidatura para tender o partido e garantir a vaga de primeiro-vice. Ocorre que, como o PSL é um partido maior, está pedindo o cargo para formalizar o bloco. Nessa situação, Valdemar Costa Neto, comandante do PL, estrilou: Se Lira romper a negociação, o PL terá candidato a presidente da Casa. Pelo menos, essa foi a ameaça inicial.

Para completar, a primeira-secretaria, vaga que Lira acena ao DEM para tentar tirá-lo do bloco de Baleia Rossi, estava reservada para o Republicanos, que também comprou a candidatura de Arthur “na planta” e não aceita ser preterido. Nesses acertos, está ficando muito apertado para Lira acomodar a todos e arrisca provocar algum abalo em seus apoios.

Em tempo: O presidente do DEM, ACM Neto, teve uma conversa hoje cedo com o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, “olho-no-olho” para tentar acertar os ponteiros e buscar um acordo de cavalheiros a fim de preservar a bancada. Neto explicou que tentou segurar os deputados, mas não está conseguindo, porque um pedaço deseja a primeira-secretaria e não quer ser oposição ao governo. Porém, a avaliação geral é a de que ficaria muito feio para o partido como um todo largar o bloco que Rodrigo Maia constrói com o candidato Baleia Rossi, do MDB, e outros partidos, em oposição a Arthur Lira. Maia argumentou que seria a desmoralização completa do partido e não apenas dele (Maia). Até segunda-feira, os bastidores continuarão fervendo.

Vem aí a CPI da Covid-19, prevê Maia

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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, acaba de mencionar que será inevitável uma grande investigação sobre responsabilidades do governo na condução da pandemia. O comentário seresere especialmente à condução do Ministério da Saúde. “Se fosse bom de logística, teria planejado, acompanhado o número de casos, de forma não faltar insumos”, disse ele, referindo-se ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Ele citou inclusive que fatalmente virá uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar responsabilidades. Esse é visto como o caminho mais provável nesse momento. CPIs, vale lembrar, já desaguaram no passado em pedidos de impeachment.

A CPI, entretanto, dependerá de quem será o presidente da Câmara. Arthur Lira tem recebido todo o apoio do governo, que tem esperanças de que o atual líder do PP funcione como uma espécie de blindagem para processos de impeachment e pedidos de CPI. Essa é a primeiro grande briga política de 2021 e será decidida de forma presencial, conforme deliberação da Mesa Diretora. Maia foi voto vencido e fez questão de dizer que não era o momento para colocar os deputados no plenário escolhendo seu presidente. Afinal, são 513 e o ambiente do plenário é fechado.

Bolsonaristas e trumpistas buscam espaço nas redes sociais

Publicado em coluna Brasília-DF, Política

Coluna Brasília-DF, por Carlos Alexandre de Souza (interino)

A ida de apoiadores do bolsonarismo para outras redes sociais, em resposta às medidas adotadas por gigantes da tecnologia que decidiram limitar a ação de extremistas, após a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, reproduz uma espécie de jogo de gato e rato no mundo virtual. Não faltará espaço para que os simpatizantes de Jair Bolsonaro, Donald Trump ou outros políticos conservadores manifestem suas ideias. As redes sociais permitiram que pessoas, antes dispersas na sociedade real, se aglutinassem na internet a partir de afinidades ideológicas de modo sistemático e seletivo. Nesse novo modelo de associação política estimulada por algoritmos, prevalece o sectarismo, e não o respeito ao próximo, princípio elementar de uma democracia. Está claro que militantes bolsonaristas e trumpistas encontrarão outras maneiras de se manifestar.

A intervenção de empresas como Facebook e Twitter, banindo milhares de usuários de suas redes, constitui uma medida perigosa e tardia. Perigosa porque adota critérios generalistas, entendendo com risco para a sociedade as postagens de milhares de usuários, como uma espécie de tribunal de exceção virtual. E tardia porque, há anos, políticos e simpatizantes de extrema direita atacam, ameaçam e ofendem cidadãos, políticos e instituições, em todo o planeta. Apesar de todos os alertas contra a desinformação e a violência nas redes sociais, a tolerância no mundo virtual tornou-se muito além do aceitável. Até arrombar a porta do Congresso norte-americano.

Antes, tudo bem

Após faturar bilhões, durante anos, com o tráfego gerado por figuras de enorme influência digital como Donald Trump, as megaplataformas decidiram tomar um posicionamento político. Esquecem-se, no entanto, de que o republicano recebeu 74 milhões de votos, incitou uma multidão a afrontar um símbolo da democracia norte-americana e deixou o mundo em calafrios com seu poder político. Se adoradores de Trump e do radicalismo ficaram grandes demais, foi por leniência de gigantes da tecnologia da informação que, sob o verniz de liberdade de expressão, permitiram o ovo da serpente vir ao mundo.

Tribunal virtual

Há um problema evidente em questão. Gigantes de tecnologia não são tribunais. Não representam a Justiça. Tampouco ficam bem ao assumir posição partidária, sob o risco de se imiscuírem no jogo político. Volta-se, então, a questionamentos antigos. Quem controla as redes sociais? Os mecanismos de autorregulação adotados pelas plataformas são suficientes? Cabe a elas o papel de impedir excessos da política? Quem definirá o limite do que pode ou não ser publicado? Quais redes sociais são toleradas, ou não?

STF em campo

Nesse sentido, ganha relevância o inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra atos democráticos urdidos no Brasil. Reconhecido legitimamente como um os pilares do sistema democrático, o Poder Judiciário tem mostrado que a liberdade de expressão não é um direito absoluto; pode configurar crime quando representa uma ameaça à integridade das pessoas e à ordem pública. O STF tomou uma providência que, agora, de maneira equivocada, gigantes da tecnologia procuram adotar.

Pas de deux

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) rebateu os novos ataques do presidente francês, Emmanuel Macron, contra a soja brasileira. Em nota, a entidade informa que a produção brasileira do grão é submetida, desde 2008, a um controle ambiental reconhecido internacionalmente. E que se trata de mais um discurso de Macron para fazer média com os produtores franceses, que recebem generosos subsídios. É mais um capítulo da contenda que pode dificultar a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

Assédio nunca mais

No último domingo, o Conselho de Ética do Cidadania paulista recomendou a expulsão do deputado estadual Fernando Cury, flagrado apalpando o seio da colega Isa Senna, na Assembleia Legislativa de São Paulo. A questão foi encaminhada para o diretório nacional do partido, onde também é dado como certo o voto pela expulsão. A decisão de expelir Cury tem apoio da deputada federal Paula Belmonte (Cidadania-DF). “Não podemos mais permitir esse tipo de atitude. O assédio é inaceitável nas ruas, nos parlamentos, em qualquer lugar.” Cury pode ser alvo, ainda, de uma ação penal e de cassação de mandato.

Siga o dinheiro

A 79ª fase da Operação Lava-Jato, deflagrada ontem (12/1) e batizada de Vernissage, investiga cerca de R$ 12 milhões pagos em propina que envolvem contratos com a Transpetro. Um dos investigados é Márcio Lobão, filho do ex-ministro Edison Lobão. Telas de Volpi, Beatriz Milhazes e Adriana Varejão fazem parte do acervo sob suspeita, segundo o G1.