Categoria: coluna Brasília-DF
Ao dizer ontem que não pretende mudar ministros antes de votado o processo de impeachment na Câmara, a presidente Dilma Rousseff pode ter assinado a carta para o seu afastamento. Afinal, o governo é conhecido entre os parlamentares como “aquele que não cumpre acordos”. Portanto, das duas, uma: Ou a presidente já tem votos suficientes e pode prescindir dos indecisos que sonhavam com nacos de poder, ou voltou a adotar aquela postura que deputados classificam como “arrogante”. Se for a segunda hipótese, problemas virão.
O que pode atrapalhar isso planos da presidente nesse quesito são as várias vezes em que seu governo fechou acordos que terminou não cumprindo, seja na apreciação de projetos de lei, seja na cessão de cargos. No caso de Michel Temer, todos o vêem como alguém que cumpre acordos.
Contagem diária
O balanço do grupo do PMDB pró-impeachment indicava 323 votos contra a presidente, 40 indecisos. O governo tem 150, porém, certos mesmo, essa contabilidade registrava apenas 126. Os 27 restantes são aqueles que, na avaliação dos peemedebistas, ainda podem mudar para o voto a favor do impeachment. O grupo não cogita mudança naqueles que hoje votam em favor do impeachment.
Apostas em Michel
Os políticos têm certeza de que o plenário do Supremo Tribunal Federal não respaldará a decisão do ministro Marco Aurélio Mello — de determinar à Câmara que abra uma comissão especial para proceder a análise do pedido de impeachment contra Michel Temer. “Não será a primeira vez que Marco Aurélio ficará isolado no pleno”.
Enquanto isso, no TSE…
Nos bastidores da solenidade ontem no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o assunto era o pedido de impeachment de Michel Temer. O ex-presidente José Sarney, que vive auscultando todos os Poderes da República, foi até lá sentir o pulso da Justiça, durante entrega da medalha Assis Brasil.
…os processos caminham
O resumo da ópera foi o de que a hipótese de cassação da chapa Dilma/Temer não está tão morta como gostariam os peemedebistas ligados ao vice-presidente.
Eles queriam
Líderes partidários cogitaram ontem apensar o pedido de impeachment de Michel Temer ao de Dilma Rousseff em tramitação na Câmara. O presidente da Casa, Eduardo Cunha, não quis nem conversa sobre isso.
CURTIDAS
Jucá repaginado/ Há tempos o senador Romero Jucá não se referia a um governo brasileiro na terceira pessoa. Desde os tempos de Fernando Henrique Cardoso, ele tratava os governos como “nós”. Ontem, no histórico pronunciamento sobre a crise no país tratou a administração Dilma Rousseff de “eles”.
É a Zika!/ Fiel escudeiro de Dilma, o deputado Sílvio Costa respondia assim àqueles que ironizavam a história de parlamentar adoecer para não comparecer ao Congresso no dia em que o impeachment estiver em pauta:”No meu Estado tem muita Zika, o sujeito não pode adoecer, é?”
Dias melhores virão!/ amigos do senador Álvaro Dias (PV-PR) tentam ver se emplacam esse slogan para a campanha presidencial do senador.
Royalties/ A turma da Rede não gostou de ver o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) como o protagonista da proposta de antecipar as eleições, que, aliás, cresce em apoios. O senador Randolfe e o deputado Miro Teixeira discutem essa saída há pelo menos um mês.
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Sds
Denise Rothenburg
(61) 9987-1610
Enviada do meu iPad
Advogados e juízes consideram que talvez setores do governo tenham comemorado antes da hora o fato de o julgamento de Lula ter sido mantido no Supremo Tribunal Federal. É que começa a se formar no meio jurídico a concepção de que não foi por causa do ex-presidente que o ministro Teori Zavaski pensou em atrair a competência de foro para o STF e sim em função da presidente Dilma Rousseff. Embora ela não esteja sob investigação direta, as citações da presidente Dilma devem ser apuradas no Supremo.
Lula, dizem os juízes, continua no rol dos mortais. E, em que pesem algumas convicções em contrário até na Suprema Corte, o caso do ex-presidente pode voltar em breve para as mãos do juiz Sérgio Moro, cindindo-se os processos: um para Lula e outro para Dilma, este sim sob foro no Supremo Tribunal Federal, se houver algo a ser apurado. Não é à toa que ministros do governo e defensores da presidente não tiram os olhos do STF.
Cortes em estudo
Os estrategistas do vice-presidente Michel Temer estão convictos de que, na hipótese de aprovação do impeachment, não restará ao presidente em exercício outra saída que nao cortar todos os repasses a sindicatos e movimentos sociais. Acredita-se no grupo de Temer que, sem recursos, esses movimentos perderão parte da capacidade de mobilização contra o futuro governo. Esse é mais um motivo que tem levado muitos movimentos às ruas em favor de Dilma.
Por falar em Dilma…
Os cabeças do movimento pró-impeachment acreditam que, na comissão especial, o troca-troca de ministro não surtirá efeito, mas, em plenário a movimentação do governo pode ter resultado. Analistas e estatísticos entendem que Dilma pode ter de 20 a 40 votos de margem para evitar o impeachment.
Viraram cisnes
No rol de políticos do PMDB, há quem diga ter sido apressada a reunião de afastamento do governo. É que, nos partidos médios, onde há maior número de indecisos, o desembarque peemedebista abriu um portal para que os partidos de centro (médios e nanicos) antes tratados como os “patinhos feios” da aliança, ganhassem tapete vermelho no Planalto. Esses partidos viviam reclamando que o PMDB não votava com o governo, mas controlava altos cargos.
Defesa preventiva
Ao encerrar o seminário luso-brasileiro em Lisboa, o ministro Gilmar Mendes lembrou que a criação do Ministério da Defesa no governo Fernando Henrique Cardoso ajudou a evitar que surgissem novas lideranças na caserna e, assim, desestimular ambições de retomada do poder pelos militares.
CURTIDAS
Passado presente/ No lobby de um hotel em Lisboa, um político baiano falava numa roda para quem quisesse ouvir que, nos tempos de Collor, Renato Baiardi, da Odebrecht reclamava da cobrança de propina no valor das obras, mas dizia: “Eu danço confirme a música. Se a gente não dançar conforme a música, não tem obra”. Essa é, na visão de muitos, a realidade do setor da construção civil em solo brasileiro.
Por falar em Collor…/ Deputados que participaram da sessão da Câmara que, em 29 de setembro de 1992, autorizou o processo de impeachment contra Collor, recomendam muito cuidado ao governo na hora de contabilizar votos. O deputado Átila Lins, do Amazonas, comentava dia desses: “Naquele dia, muitos iam para a fila de votação dizendo que eram a favor do governo e, na hora, votaram contra”.
O que é bom para o Brasil…/ Uma comitiva do Tribunal de Justiça da União Europeia virá ao Brasil em setembro para estabelecer um programa de relacionamento entre as cortes brasileira e europeia. Um dos interesses dos europeus é o principio da súmula vinculante, aquela que, quando aprovada por mais de dois terços dos ministros do STF, deve ter o seu entendimento seguido pelas outras instâncias.
Aplicado/ Presidente da Comissão Especial do Impeachment, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), tem passado os fins de semana estudando todas as atas das sessões de votação de todos os processos de impeachment que já passaram pela Casa. Quer se preparar para esfriar os ânimos no dia da votação.
Enviada do meu iPad
Números à parte, a mobilização pró-governo de ontem foi expressiva e não pode ser desprezada, conforme avaliaram até os oposicionistas. O PMDB tirou dali um recado claro: quem assumir o Planalto na hipótese (hoje provável) do impeachment de Dilma Roussef __ leia-se o vice presidente Michel Temer __ terá que lidar com uma oposição ferrenha à porta. O primeiro grito ensaiado pelos petistas é o: “Fora, Cunha”, em referência ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Começa a cristalizar a opinião de que, mesmo com o impeachment, a política não vai acalmar.
Por falar m PMDB…
Parte da cúpula peemedebista voou hoje cedo para São Paulo. Vai acertar os próximos passos diante das manifestações da semana e os ponteiros para a reunião do diretório nacional pós-Páscoa e o que virá a ser, na avaliação de muitos, as bases de um futuro governo Michel Temer. A avaliação é a de que o PMDB, no fundo, já desembarcou. Só falta oficializar.
E o Delcídio, hein?
A delação do senador “fase dois” sai neste fim de semana, numa entrevista à revista Veja. Ele não poupou ninguém e disse que o governo vazava operações da Lava-Jato sob a senha “ventos frios” e “questões indígenas”.
Apostas
Os socialistas apontam hoje pelo menos três candidatos a presidente da República. Em ordem alfabética: Geraldo Alckmin, José Serra e Marina Silva. Outro apontam Ciro Gomes e o próprio Lula.
Serra em movimento I
A saída de Andrea Matarazzo do PSDB foi vista por muitos tucanos como uma indicação de que o senador José Serra pode seguir o mesmo caminho para garantir uma candidatura a presidente da República por outro partido. Aliás, muitos políticos planejam aproveitar o aniversário do senador para dar aquele telefonema de praxe aproveitar para sondar o que representa essa saída de Matarazzo.
Serra em movimento II
O fato de Matarazzo sair antes da prévia demonstra ainda que o senador, candidato a presidente da República por duas vezes, não quis deixar explícito seu tamanho dentro do partido. Matarazzo deve seguir para o PSD de Gilberto Kassab, que, embora atualmente não seja parceiro de José Serra, nunca esteve distante do senador.
Conta de chegada/ Há quem diga que Eduardo Cunha abrirá as sessões para contagem de prazos na comissão do impeachment para que a presidente Dilma Rousseff seja obrigada a entregar sua defesa em 1º de abril, Dia da Mentira.
Por falar em Dilma…/ As olheiras ontem indicam as noites mal-dormidas que ela tem tido ultimamente.
Questão de segurança/ Nos últimos dias, o governador Rodrigo Rollemberg (foto) só foi dormir depois que a Polícia Militar lhe informou que a Esplanada estava vazia. Nesses dias, quase toda a PM ficou mobilizada na Esplanada e o governo local se prepara para avisar ao Planalto que o restante da cidade não pode ficar sem policiamento por causa dos manifestantes.
Inspirado/ Nas redes/ A #VempraDemocracia ocupou o topo dos trending topics do Twitter no Brasil. Sinal de que os apoiadores do governo trabalharam firme para demonstrar força ontem e tentar angariar votos.
Enquanto o PMDB e os partidos tradicionais se preparam para a batalha do impeachment, a Rede, da ex-senadora Marina Silva, vai tentar trazer à baila uma proposta de antecipação das eleições de 2018. A primeira conversa da Rede se deu com o deputado Chico Alencar, do PSol. A ideia em curso é propor uma emenda constitucional para que se faça o recall do mandato da presidente Dilma Rousseff. Se ela for rejeitada pela população — e hoje tudo indica que será —, o país teria nova eleição em 90 dias. Diante da contaminação da linha sucessória, em especial, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha; e o do Senado, Renan Calheiros, a Rede considera que quem vier a assumir o poder no lugar de Dilma Rousseff tem que ter a chancela das urnas. Falta combinar com o PMDB, o maior partido da Casa; o PSDB; o DEM e quem mais chegar.
Cunha no comando
As indicações dos deputados Rogério Rosso (PSD-DF) para presidir a comissão especial do impeachment e de Jovair Arantes (PTB-GO) para relatar foram obra do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O fato de o governo não ter reclamado é sinal de que os aliados de Dilma estão com poder de fogo reduzido na Casa.
Fui…!
As ausências do vice-presidente Michel Temer e do presidente do Senado, Renan Calheiros, à posse dos ministros dissiparam as esperanças de quem considerava possível atrair uma parcela maior do PMDB contra o impeachment. Ficou cristalino que o vice e seus aliados já estão no aquecimento para assumir o poder.
E vou mudar!
Michel Temer tem maturado nos últimos dias que um futuro governo sob seu comando não poderá ser de continuidade, ou seja, terá de renovar propostas e projetos para tentar aglutinar apoios. “Se chegar propondo só a volta da CPMF não atrairá ninguém”, diz um experiente político da oposição.
Agora lascou
Os diálogos de Lula com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) foram considerados pelos próprios petistas como um tiro no pé. “Se Lula queria alguma tábua de salvação ali, perdeu”, comentavam os conhecedores do humor dos ministros da Suprema Corte.
Enquanto isso, no Planalto…
A presidente garante em discurso: “A gritaria dos golpistas não vai me tirar do rumo e colocar nosso povo de joelhos”. Mas, internamente, ministros avaliam que as manifestações de 16 de março e as de ontem foram bem mais preocupantes do que as de domingo, porque foram espontâneas. Estão todos inseguros.
[FOTO2]
O jeitão dele…/ O semblante do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (foto), mudou. Há tempos, ele não se mostrava tão feliz, desfilando com uma gravata verde-bandeira. Acredita que, enquanto o impeachment estiver em cena, poderá tratar de se segurar no cargo.
…Não nega/ A aposta dos aliados de Cunha é de que depois do impeachment vem a eleição municipal, e a Câmara ficará esvaziada. Assim, creem os amigos do presidente da Câmara, ele terminará seu mandato no comando da Casa.
Juiz & justiceiro/ Por mais apoios que Sérgio Moro agregue hoje, há uma sensação entre os políticos das mais diversas matizes que o juiz ultrapassou um limite ao expor o diálogo entre Dilma e lula, captado quando a ordem da escuta estava revogada. O estrago político, entretanto, está feito. Só resta ao governo reclamar às instituições competentes.
E o Mauro Lopes, hein?/ Adalclever Lopes, filho do novo ministro da Aviação Civil, não foi à posse ontem no Planalto. Dos ministros do PMDB presentes, o do Turismo, Henrique Eduardo Alves, fez questão de ficar “à paisana”, no meio dos convidados, sem ocupar um dos lugares de destaque. Senadores do PMDB faltaram. Um deles comentava ontem reservadamente que não queria fotos ao lado de Lula.
A luta de Lula
Que ministério que nada. O que o presidente Lula está disposto a discutir no momento é o tema Poder Judiciário. Por isso, reuniões intermináveis com advogados e juristas nos últimos dias. O debate que ele e o PT não enfrentaram no mensalão, quando viram a cúpula partidária na cadeia, o ex-presidente pretende fazer agora no petrolão. Sabe como é: pimenta nos olhos dos outros levou Lula a adiar o tema no passado, para não jogar luz sobre algo incômodo ao PT, especialmente, quando se tratava de temporada eleitoral. Entretanto, neste momento, em que ele próprio, Lula, entra no centro do debate e no risco da prisão, não dá mais para fugir. Ainda que seja um ano eleitoral, é aí que o ex-presidente pretende dispender sua energia.
A malemolência do PMDB
Diante das incertezas sobre o futuro, o PMDB vai ficar hoje com uma pizza metade calabresa, metade mussarela. A ideia de deixar os pedidos de rompimento com o governo para votação daqui a 30 dias é sinal de que o partido ainda não tem segurança sobre o fim do governo Dilma, tampouco confia nos tucanos para lhe ajudar a reorganizar a economia, caso venha o impeachment e Michel Temer assuma o poder. Afinal, todos têm seus planos para 2018.
Por que 30 dias?
Daqui a um mês, calculam os peemedebistas, haverá mais clareza a respeito das conversas deflagradas essa semana com o PSDB sobre as saídas para a crise. De mais a mais, qualquer atitude agora dividiria um partido que quer se mostrar unido para tentar convencer as demais forças políticas de que consegue tocar o barco, se houver um impeachment de Dilma.
Ele sabe
A outra variável que deixa o partido de Michel Temer no lusco-fusco entre governo e oposição é a Lava-Jato. Os peemedebistas estão inseguros sobre o que virá nas delações em curso. Embora Delcídio do Amaral tenha dito a amigos que não mencionou os peemedebistas, outros delatores o fizeram. Ontem mesmo houve mais um pedido de abertura de mais um inquérito contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Risco
Depois de uma nota de promotores e procuradores com críticas ao que chamam de “banalização da prisão preventiva”, acendeu-se um pisca-alerta nos partidos de oposição. Há quem esteja preocupado com a hipótese de Lula se transformar em vítima nesse contexto.
Dilma falante
A entrevista da presidente Dilma Rousseff ontem vai se repetir mais vezes. Ela gostou de falar e voltará a fazê-lo em breve.
CURTIDAS
Walter, o recolhido/ Pouco tem se ouvido do senador Walter Pinheiro (foto), do PT-BA, a respeito da crise política em plenário. Justifica-se: ele está a caminho do PSD do senador Otto Alencar (BA).
Sono difícil/ As olheiras de Dilma indicam que o batidão diário não está fácil, apesar das pedaladas matinais.
Por falar em pedaladas…/ Nos bastidores do Planalto, esse tema é visto como matéria vencida. Ou seja, na visão palaciana, não será por aí que se conseguirá o impeachment da presidente Dilma.
E o Beto Richa, hein?/ Com a abertura de inquérito para investigar o governador do Paraná, Beto Richa, que é do PSDB, os petistas se preparam para provocar os tucanos na semana que vem no embate congressual.
Diante do pedido de prisão preventiva do ex-presidente Lula, ficou em segundo plano a nova fornada de delações premiadas, capaz de pôr em xeque todas as conversas políticas da quarta-feira em Brasília — tanto as que o petista manteve no sentido de preservar o mandato da presidente Dilma Rousseff, tanto os ensaios feitos por tucanos e peemedebistas desenhando cenários sobre um hipotético afastamento de Dilma.
A contar que seja verdade o pouco que se sabe, virão à baila doações em caixa dois da campanha de 2014, o que reforçará a ação contra a presidente e seu vice, Michel Temer, dentro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Comprovada essa irregularidade, todos os movimentos para assunção de Temer estariam comprometidos. É a Lava Jato mandando no presente e deixando um mar de incertezas sobre o futuro.
Ele sabia
O ex-presidente Lula foi quem sugeriu que o presidente do Senado, Renan Calheiros, buscasse o PSDB para sentir o clima e começar a tentar construir cenários para sair da crise. Uma pergunta foi feita pelos peemedebistas: “Tem saída com Dilma? Se tiver, nos digam”.
Ele já sabia
A resposta dos tucanos, o “fora Dilma”, também já era esperada. A ordem agora é saber com quem se pode contar na hora da verdade, quando o processo de impeachment chegar ao plenário. O que o ex-presidente não esperava era uma prisão preventiva pelo Ministério Público paulista.
Enquanto Dima tiver caneta…
Jorge Picciani não faz segredo de que o filho dele, Leonardo Picciani, líder do partido na Câmara, continua com Dilma até o fim, contra o impeachment, ainda que o PMDB desembarque. Mas na mesma hora completa que o governo Dilma não durará mais 90 dias.
Moro pegou pouco
São, pelo menos, 172 offshores que abrigam recursos de brasileiros no exterior. Até aqui, as apontadas pela Lava Jato não chegam a 10.
CURTIDAS
Corrida da preventiva/ Os integrantes da força-tarefa da Lava-Jato não engoliram o pedido de prisão preventiva de Lula pelo Ministério Público de São Paulo: “Pô, foram na frente da gente”, reagiu um procurador.
Suspense desfeito/ O delegado Márcio Anselmo, que integra a força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba, passou a semana em Brasília. Calma, pessoal! Ele não veio prender ninguém tampouco preparar uma nova condução coercitiva ou prisão preventiva. Estava num curso na Academia Nacional de Polícia.
Valdemar ainda manda/ De tornozeleira e tudo, Valdemar Costa Neto (foto) continua reinando no PR. Com a janela partidária aberta, tratou pessoalmente da filiação de dois deputados: Delegado Waldir, em Goiás, e Christiane Yared, no Paraná. Waldir saiu do PSDB. Yared, do PTN.
Por enquanto, tá pesado/ Os peemedebistas começaram ontem as conversas para a convenção de sábado, de olho na valorização das ações de Michel Temer para presidir o país. Ocorre que, enquanto a Lava-Jato estiver fervendo, difícil os grandes mastros da política içarem a bandeira de Michel, com Eduardo Cunha na garupa..
Que ninguém se surpreenda se, depois dos senadores, Lula vier a buscar a oposição. Seja dentro ou fora do governo, ele assumiu ontem o papel de coordenador da campanha contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, e as conversas com os oposicionistas são inevitáveis mais à frente, quando terminar o périplo pelos partidos da base aliada.
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A ideia é colocar sobre a mesa um programa econômico que possa ser usado como atrativo. O tema, aliás, foi mencionado num artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nada acontece, entretanto, antes do embate do 13 de março nas ruas.
Bala de prata
Integrantes da força-tarefa da Lava-Jato discutiram as consequências políticas da condução coercitiva do ex-presidente Lula. Apenas um deles foi contra e queria indícios mais fortes para pedir logo a prisão do petista. Foi voto vencido, mas deixou uma pista: a força-tarefa ainda não tem essa prova definitiva.
Pasadena, o retorno
Com a suspeita da delação premiada de Delcídio do Amaral, o Tribunal de Contas da União (TCU) volta ao foco por causa do processo de investigação sobre a refinaria de Pasadena. O relator é o ministro Vital do Rêgo, do PMDB de Renan Calheiros.
Herói da resistência I
Lula tem vários motivos para resistir ao tapete vermelho que lhe foi estendido em frente à rampa do Planalto para subir como ministro de Dilma. O primeiro deles é que a família está enroscada na teia da Lava-Jato e não há espaço para todos no gabinete presidencial. Outro é a proteção ao próprio governo: seria colocar a operação dentro do Planalto, que já tem problemas demais para resolver, haja vista a proximidade do processo de impeachment e a crise econômica.
Herói da resistência II
Além desses dois problemas, há um que Lula considera com carinho: seria o reconhecimento público de que ele teme ser preso. E, diz o ditado popular, quem não deve não teme. Se a força-tarefa da Lava-Jato requerer a prisão do ex-presidente, o risco de virar vítima é grande. Isso, aliás, já está no radar dos investigadores.
CURTAS
Coisa antiga/ Circula nas redes sociais reportagem do Jornal Nacional exibida em 2010 sobre a Bancoop, suspeita de desvio de dinheiro da cooperativa para o PT, e ainda reclamações dos mutuários sobre a paralisação das obras do condomínio no Guarujá. À época, Lula foi citado como dono do tríplex. Ao fim, aparece Fátima Bernardes dizendo que o Planalto não quis comentar o assunto.
Porteira aberta/ Aprovada ontem no TRE do Amazonas, a cassação do mandato do governador José Melo desaguará em breve no TSE. Será o primeiro grande teste das ações por abuso de poder político. Inclua-se aí a chapa Dilma-Temer.
Acredite se quiser/ O ex-senador Delcídio do Amaral (foto) mandou avisar ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ue não o citou na delação premiada. Mas a situação é tal ue a desconfiança prevalece diante da palavra.
É o bicho!/ No café da manhã com os senadores de vários partidos da base, Lula ouviu de um deles que ficasse tranquilo em relação ao PSDB: “O que mata jararaca é gavião, tuiuiu e carcará. Tucano só come frutinhas e, se estiver com muita fome, pega filhotes de outras aves”.
No mercado da advocacia, há quem aposte na troca iminente da defesa do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Supremo Tribunal Federal (STF). É que já foi detectada uma certa hostilidade do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o ex-procurador Antônio Fernando de Sousa, hoje advogado de Cunha. A substituição seria apenas no sentido de proteger o cliente.
Climão I
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não deu a menor satisfação ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de que faria hoje uma sessão do Congresso Nacional. A leitura foi a de que a relação entre os dois não está lá essas coisas.
Climão II
O mesmo vale para a relação do PMDB com o presidente da Câmara. Nos bastidores, até aliados de Cunha alegam desconforto com a situação de ter o comandante da Casa réu na Lava-Jato. Se seguir por esse rumo, corre o risco de falar e não ser ouvido pelos seus pares. Por enquanto, ele ainda não passou por esse constrangimento.
Amedrontar para afastar
Os alertas sobre possíveis conflitos nas manifestações previstas para 13 de março, próximo domingo, levaram os oposicionistas a ficarem desconfiados de uma tentativa de esvaziar o movimento. Afinal, é sabido que a oposição só terá fôlego para tratar do impeachment se houver gente na rua para pedir o afastamento da presidente Dilma Rousseff.
Reflexão
“Se vier o apoio ao rompimento, ótimo. Se não vier, pelo menos, faremos o partido refletir a respeito.” Do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), autor de uma moção para que o partido rompa com o governo Dilma Rousseff
Que Lula, que nada!
O que preocupa os congressistas hoje é a delação de Delcídio do Amaral. Isso porque a situação está complicada: senadores acreditam que não têm como deixar de condená-lo. E, nesse caso, Delcídio não terá nada a perder, reforçando as suspeitas da força-tarefa sobre vários políticos com mandato. É isso que mais tira o sono de alguns senadores e vários deputados.
Direto ao ponto
Diante da polêmica a respeito da nomeação do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, os palacianos comentavam que era o único nome neutro à disposição. Se a indicação for derrubada na Justiça, o jeito vai ser carimbar a pasta com um nome do PT de carteirinha. Wadih Damus está no páreo.
Ainda tem muito chão pela frente…/ A reportagem do Fantástico que apresentou a prateleira da fase 31 da Lava-Jato assustou os políticos. É sinal de que ainda vem muita coisa por aí e também que os detentores de mandato eletivo não estão fora da roda dos mandados de busca e apreensão.
Cochilo/ Dentro do próprio PT, há quem considere que o partido deveria ter arcado com as despesas de deslocamento da presidente Dilma Rousseff para São Bernardo no último sábado, quando ela visitou o ex-presidente Lula. Afinal, não era uma visita de estado e sim a solidariedade pessoal e partidária.
Périplo/ Os ministros que têm alguma responsabilidade, ainda que periférica, com as Olimpíadas vão passar pelo Rio de Janeiro esta semana e na próxima. A maratona termina em 18 de março numa reunião geral, com a presença da presidente Dilma Rousseff.
Firme?/ Quando o ministro Gilberto Kassab (foto) declara que seu partido está “firme”com a presidente Dilma, os deputados garantem que metade já foi embora.
8 de Março/ Se não fosse tanta crise, até que dava para comemorar.
A condução coercitiva de Lula fez com que cada partido tomasse o seu rumo e outros se dividissem. A nota oficial do PSB, por exemplo, colocando-se de vez na oposição, causou mal-estar entre filiados. A bancada do Senado, mais afeita à continuidade de uma amizade com os petistas, divulgou outra, criticando a condução coercitiva. PMDB, conforme já dito aqui, manteve-se em silêncio, enquanto o PSol, saído de uma costela petista, não fechou totalmente com os partidos de oposição que pedem o impeachment de Dilma. Nem Marina Silva, da Rede, o fez. O 4 de março, se era para testar como se comportam os atores da política, deixou claro que Lula, certo ou errado, ainda detém poder de incendiar a militância de seu partido e tem amigos entre os adversários.
PMDB em desembarque
Os peemedebistas voaram mais cedo neste fim de semana para Brasília a fim de avaliar a crise. Entre eles, há quem diga que não há mais como segurar a presidente Dilma. A mesma avaliação é feita para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
Onde mora o perigo I
A possibilidade de ver sua mulher, Cláudia, na rede do juiz Sérgio Moro deixou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, em pânico. Se ele obrigou Lula a depor, pode fazer o mesmo com a primeira-dama da Câmara e a filha.
Onde mora o perigo II
Quando Eduardo Cunha se sente acuado, ele desconta na pauta da Casa. Mas, com a família em risco, há quem aposte na renúncia. Desdobramentos virão.
Operação Uruguai
Do Paraná, quem vê Ciro Gomes candidato a presidente da República pede que ele vá devagar com o andor. Dario Galvão, da Galvão Engenharia, detentora de obras no Ceará, está na fila das delações premiadas.
Coutinho na corda bamba
O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, entrou na mira dos dirigentes de seu partido, o PSB. Se ele for arrolado no petrolão, terá que deixar a legenda. Os socialistas querem distância dessa confusão.
Pegou/ Os peemedebistas só se referem ao ministro da Saúde, Marcelo Castro (foto) como Marcelo Zikastro. Enquanto tiver mosquito se reproduzindo por aí, é assim que ele será chamado.
Aloprou/ Depois do vídeo gravado pela deputada Jandira Feghali no diretório do PT em São Paulo, ela vem sendo chamada de “aloprada” pelos petistas. É aquele em que, ao fundo, Lula conversava ao telefone, segundo ela disse, com a presidente Dilma. Ou alguém fez alguma montagem com um timbre parecido com a voz do ex-presidente, ou ele mandou mesmo a força-tarefa da Lava-Jato enfiar o processo dele (Lula) “naquele lugar”. Em tempo: se os petistas estão reclamando, é um sinal de que, talvez, seja verdade.
O crime compensa?/ Amigos de Lula se perguntam: os operadores, entre eles, Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa, estão todos em casa, cumprindo penas modestas e se preparando para gastar o dinheiro que mantiveram escondido. Isso é justo?
A lei é para todos? / Outra é a seguinte: outros, entretanto, só pelo fato de terem foro privilegiado, continuam por aí, como se nada tivesse acontecido. Isso é justo? Pelo que se vê de março, e dos impropérios mútuos ditos nos bastidores, a crise só tende a piorar.
Primeiros passos
O programa partidário do PMDB que vai ao ar hoje à noite foi lido no meio político como uma espécie de “pode tirar a Dilma que a gente segura”. Entretanto, a mesma oposição que acalenta o sonho de afastar a presidente e o PT do poder não sente firmeza nos peemedebistas por causa do envolvimento de caciques do partido na Lava-Jato, nem confia no tamanho desse grupo que desfilará na tevê se colocando como a saída para a crise.
Enquanto o PMDB não demonstrar unidade além da telinha, o programa de hoje será apenas um passo. Mas, em política, não restam dúvidas: o mesmo PMDB que tentou caminhar na direção do impeachment no ano passado voltou a andar.
Jefferson, o retorno?
O ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou o esquema do mensalão, cruzou os dedos ontem, quando seu pedido de indulto saiu das mãos do ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso para que o Ministério Público se pronuncie.
Movimentos partidários
A janela para troca de partido começou a animar os pré-candidatos a prefeito. Na Bahia, é dada como certa a saída de Walter Pinheiro do PT para o PSD do vice-governador, Otto Alencar, a fim de garantir a vaga para concorrer à prefeitura contra ACM Neto, candidato à reeleição.
Cunha e o PP
A eleição de Aguinaldo Ribeiro para líder do PP mediante acordo com Cacá Leão teve o dedo do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e do presidente do partido, Ciro Nogueira. Cacá era o preferido do Planalto. Aguinaldo, embora também seja simpatizante do governo Dilma, do qual foi ministro, é mais ligado aos dois.
Cunha e seus adversários
O deputado Marquezan Júnior (PSDB-RS), que integra o Conselho de Ética da Câmara e votou a favor do processo de cassação do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no primeiro parecer, perdeu a relatoria do projeto que fixa o teto do funcionalismo. O comandante da Câmara tirou o projeto da comissão e designou como novo relator o deputado Ricardo Barros.
Cunha e os juízes
A votação do teto, entretanto, é considerada difícil por causa da resistência dos juízes ao texto. E, sabe como é: no meio desse climão da Lava-Jato e da onda de investigações que sacode a política, ninguém quer brigar com a turma da Justiça.
Marun Vandré I
Desta os petistas não vão gostar. Numa confraternização ontem, em Brasília, o deputado Carlos Marun (foto), do PMDB de Mato Grosso, tem uma nova versão da música que virou símbolo da luta contra a ditadura militar nos anos 1960. O refrão de “para não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, ficou assim: “Vem, vamos pra rua/ pôr pra fora o PT/ E o Lula e a Dilma junto/ Que é pro Brasil renascer”.
Marun Vandré II
Marun não parou aí. Sobre a música de Vandré, e a estrofe “nas escolas, nas ruas, campos, construções”, ficou assim “O Brasil está chorando/E precisa de nós/ É preciso lutar/ Nossa arma é a nossa voz/ Nas escolas, indústrias, campo, construções,/ caminhando e cantando esse nosso refrão/ Vem, vamos pra rua (…)”.
Discurso do momento
O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, já havia citado em entrevistas que questões internas contribuíram para a crise econômica e agora incluiu em pronunciamentos. Apesar do cuidado para não melindrar seu partido, o PT, ele não tapa o sol com a peneira. No seminário Dialogar para Liderar, promovido pelo Correio Braziliense, chegou a receber alguns aplausos ao fazer esse reconhecimento.
Carona no Moro
O programa do PMDB que vai ao ar hoje à noite apresentará os 12 pré-candidatos a prefeito de capital pelo partido e, no embalo de Sérgio Moro, pretende lembrar: “Em outubro, o juiz é você!”.

