Com perfil mais ‘suave’, Flávio Bolsonaro é mais interlocutor do que o irmão Eduardo

Bolsonaro
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Coluna Brasília-DF/ Por Denise Rothenburg

Os filhos de Jair: um morde, o outro assopra

Os irmãos Bolsonaro com mandato no Congresso praticamente já definiram o papel e o estilo de cada um no Legislativo, pelo menos, na primeira fase do governo do pai, o presidente eleito, Jair Bolsonaro. O senador eleito Flávio Bolsonaro chega de forma mais suave, disposto a, primeiro, conhecer o Senado e repetindo a muitos a frase que a coluna ouviu, outro dia, de aliados do presidente eleito: “Pato novo não mergulha fundo”. Eduardo, reeleito deputado por São Paulo, retorna à Câmara dos Deputados cobrando, em entrevista ao SBT, um comandante “mais trator” para dirigir a Casa, o que soou para muitos como um chega pra lá em Rodrigo Maia, portador de um perfil mais moderado.

As particularidades tornam o senador eleito muito mais interlocutor do que o deputado. Há quem aposte, desde já, que os partidos tendem a “empoderar” quem se mostra mais afável e “isolar” quem chega de forma mais agressiva. Se o pai não fizer diferença entre os filhos, os parlamentares farão. Faça sua aposta.

O que mais preocupa I

Atual e futuro governo estão hoje concentrados em evitar a aprovação da chamada pauta-bomba. É esse o tema que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, vai tratar de forma mas alentada com os congressistas esta semana.

O que mais preocupa II

Há duas questões prontas para ir a voto. Uma delas é o veto ao projeto de lei que permitia a volta ao Simples de empresas que não quitaram seus tributos. O futuro governo não deseja a aprovação de nada que agrave a situação fiscal para 2019, um ano que certamente será de sacrifícios.

Doria em circulação

No périplo que fará por Brasília esta semana, o governador eleito de São Paulo, João Doria, terá encontros com outros colegas “novatos”: Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, e Romeu Zema, de Minas Gerais. Há quem diga que se trata de um pé na ação mais nacional.

Amarras para o futuro

Doria planeja se tornar uma espécie de porta-voz dos estados junto ao governo Jair Bolsonaro. Há quem acredite que essa posição pode projetá-lo para, daqui a quatro anos, se for o caso, concorrer à Presidência da República. O fato de ter colocado Gilberto Kassab no Gabinete Civil foi visto como um passo nessa direção.

O conselheiro I/ No entorno de Jair Bolsonaro, há quem aposte que o embaixador Ernesto Fraga Araújo será o assessor internacional do Planalto, assim como o foi Marco Aurélio Garcia para Lula. Porém, o estilo de Araújo está mais para o do empresário Augusto Frederico Schmidt, braço direito de Juscelino Kubistchek.

O conselheiro II/ Schmidt sugeriu a Operação Pan-Americana, um projeto de ajuda no desenvolvimento da América Latina, que JK apresentou ao governo dos Estados Unidos, em 1958.

Não conte com eles/ O PSB não vai se juntar à oposição pura e simples capitaneada pelo PT. Os socialistas fecham essa legislatura com 21 deputados e elegeram 32. Agora, querem uma “oposição propositiva”.

Portos em debate/ A pouco menos de dois meses para o fim do governo, o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Valter Casimiro Silveira (foto), vai abrir, nesta quinta-feira, em Brasília, o 5º Encontro da Associação dos Terminais Portuários Privados, com a missão de explicar aos maiores investidores do setor os desdobramentos do Plano

A fórmula Bolsonaro

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Nas conversas com aqueles que deseja levar para o governo, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, tem feito a seguinte afirmação aos mais reticentes: “Olha: depois, se der errado, você vai ficar com dor na consciência por não ter feito a sua parte pelo Brasil. É a chance que temos, com carta branca para trabalhar”. Assim, quem conversa com ele fica sem jeito de recusar. Quem for para a Saúde, por exemplo, terá o poder de indicar a Fundação Nacional de Saúde, os secretários, os diretores da Agência Nacional de Saúde e da Vigilância Sanitária, sem precisar dar satisfações aos partidos políticos.

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Foi essa a conversa que funcionou com Sérgio Moro, que terá ainda um braço do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sob sua jurisdição para ajudar no combate à corrupção e ao crime organizado. Isso dá ao juiz o poder de avaliar as movimentações financeiras suspeitas. Outros nomes desse porte virão.

Toque feminino no governo

Jair Bolsonaro foi aconselhado a levar a senadora Ana Amélia Lemos, candidata a vice na chapa de Geraldo Alckmin, para compor o seu governo. Ana Amélia, que ficará sem mandato a partir de fevereiro, é da bancada do agronegócio e surge agora como cotada para a Agricultura. Outro nome, também da bancada feminina, é o da deputada Tereza Cristina, atual presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA). Ele ainda não bateu o martelo, mas já foi avisado por aliados de que é bom ter alguma mulher no primeiro escalão. Ambas estão no radar.

A janela da Previdência

Se for para aprovar alguma coisa dentro da reforma da Previdência, terá que ser antes de 12 de dezembro. Essa é a data marcada para a cirurgia em que o presidente eleito vai recompor o intestino, para que possa estar em condições de tomar posse em 1º de janeiro.

Orçamento em revisão

Paralelamente à reforma previdenciária, os responsáveis pela transição de governo começaram a rever o Orçamento. Estão convencidos de que ou se parte para as parcerias público-privadas, ou não haverá recursos para investimentos.

PT na lida

Os petistas vão colocar todo o seu pessoal se revezando, no plenário da Câmara e em entrevistas às agências internacionais, para passar a ideia de que o convite ao juiz Sérgio Moro foi um “pagamento” pela condenação de Lula. Em tempo: não foi o juiz que prendeu Lula e, sim, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região.

CURTIDAS  

A cotação de Moro I/ O fato de as casas de câmbio em Brasília terem zerado seus estoques de dólares, ontem, conforme noticiou o Blog do Vicente, passou a impressão de algo diretamente relacionado ao anúncio de Sérgio Moro para o Ministério da Justiça. A  princípio, não há relação entre esses dois temas.

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A cotação de Moro II/ Na porta da casa de Bolsonaro, uma senhora desfilava ontem com um boneco Super Moro, nos mesmos moldes do famoso Pixuleco. Era um tal de “nosso herói” para cá, “lindão” para lá. O juiz pensou inclusive em dar entrevista ao lado de Paulo Guedes (foto). Porém, desistiu. Aliás, a presença de Paulo Guedes seria para explicar a parte relativa ao Coaf dentro do Superministério da Justiça e da Segurança Pública.

Por enquanto, eles aguentam/ Parte da vizinhança do presidente eleito, Jair Bolsonaro, está contando os dias para que ele fique definitivamente em Brasília. Nada contra o vizinho ilustre. É que já tem gente cansada da parafernália eletrônica da imprensa na porta do condomínio.

Depois, arranja outro lugar/ Um vizinho que chegava de bicicleta foi direto, quando um jornalista comentou que ele podia se acostumar com aquela movimentação todas as vezes que o presidente estivesse no Rio: “Ele que vá para a base da Marinha, como os outros”.  O problema é que se tem algo que Bolsonaro pretende ser nesse governo é diferente dos antecessores.

Esquerda dividida: PDT e PSB pretendem deixar de lado a hegemonia do PT

PT
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Coluna Brasília-DF/ Por Denise Rothenburg

A disputa da oposição

Enquanto o presidente eleito, Jair Bolsonaro, monta a equipe e conversa com os partidos de centro, os de esquerda se dividem entre o PT e os outros. O bloco capitaneado pelo PDT e PSB pretende deixar de lado a hegemonia petista nesse campo político. Os petistas reclamam de isolamento, mas, pelo andar da carruagem, apesar dos 47 milhões de votos de Fernando Haddad e da eleição da maior bancada, a avaliação geral dos partidos de centro-esquerda é a de que o ciclo do PT está esgotado.

Em tempo: a contar pelo raciocínio dos partidos de centro e centro-direita, essa avaliação de esgotamento do ciclo petista pode ser equivocada. Em conversas reservadas, os caciques dizem que a hora é de ajudar o presidente eleito, Jair Bolsonaro, para que dê tudo certo e o PT não tenha chance de uma volta triunfal em quatro anos.

O Sr. Energia

As estantes vazias ao fundo da sala do professor Luciano de Castro, que leciona na Universidade de Iowa, nos Estados, deram ontem a certeza de que ele já está com tudo pronto para voltar ao Brasil. Ele será o Czar do setor elétrico no governo Jair Bolsonaro. É hoje uma das maiores autoridades brasileiras nesse tema.

Vai dar ruim

Se o juiz Sérgio Moro sair hoje da casa do presidente eleito, Jair Bolsonaro, como futuro ministro da Justiça, há quem aposte que Luiz Inácio Lula da Silva vai deitar e rolar na audiência do próximo dia 14 de novembro e que o magistrado perderá a isenção inerente ao cargo que ocupa.

Marcação de estilo

As idas e vindas do presidente eleito, Jair Bolsonaro, sobre a fusão de ministérios só termina em dezembro. Até lá, as pressões e contrapressões continuam com força total. Há quem diga, inclusive, que essa discussão definirá o estilo: se bater o pé e não mexer em nada, poderá caracterizar autoritarismo. Recuar um pouco, faz parte de um governo marcado pelo diálogo e que aceita quando está errado. Ceder em tudo, entretanto, pode denotar fraqueza. Quem o conhece garante que ele ficará no meio-termo.

Enquanto isso, no STF…

Conforme antecipou a coluna Brasília-DF, o Supremo Tribunal Federal votou unido a favor da liminar da ministra Cármen Lúcia garantindo a liberdade de pensamento e de expressão nas universidades. Todos os atos que vieram nesse sentido, de assegurar a democracia, terão a aprovação geral.

Por falar em democracia…

Bolsonaro aproveitará a viagem a Brasília, na semana que vem, para reforçar a mensagem de paz e harmonia entre os Poderes. Da parte do presidente eleito, a ordem é tirar de cena qualquer vínculo do futuro governo à pecha de fascismo que opositores tentam lhe impor.

Renan na muda/ Reeleito, o senador Renan Calheiros (foto) disse à coluna que, “no momento”, não se coloca para disputar a Presidência do Senado. Como um bom político, primeiro vai sentir o terreno.

Marta na lida/ Embora não tenha se candidatado a um novo mandato, a senadora Marta Suplicy (MDB-SP) está disposta a ajudar Simone Tebet (MDB-MS), caso a líder deseje concorrer ao comando da Casa. Marta mantém uma boa interlocução com parte do PT e dos partidos de oposição.

Enquanto isso, no plenário…/ Chamou a atenção a conversa entre a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o senador Aécio Neves, no plenário. Ambos serão deputados no ano que vem.

Recesso à frente/ O feriadão deve se prolongar para a semana que vem. É que em 7 de novembro termina o prazo para que parlamentares prestem contas dos gastos de campanha. Tem muita gente que será obrigada a ficar no estado para terminar esse serviço.

Equipe de Bolsonaro mapeia universidades para tentar influir na escolha de reitores

Universidades
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Coluna Brasília-DF / Por Denise Rothenburg

Universidades na mira

A equipe de Jair Bolsonaro está mapeando os mandatos dos reitores das universidades federais. A ordem é tentar influir na composição das listas tríplices que saem das comunidades acadêmicas, para que o presidente da República escolha os novos reitores, e não deixar essas instituições como foco de manifestações contra o futuro governo, antes mesmo de o presidente eleito começar a governar.

Quando houve a troca de comando na Universidade de Brasília (UnB), que ontem viveu um novo dia de manifestações contra e a favor de Bolsonaro, o presidente Michel Temer foi aconselhado a não escolher a primeira da lista, Márcia Abrão. Porém, seus principais assessores o aconselharam a não mexer “em casa de marimbondo”. Resta saber, agora, se Bolsonaro, recém-eleito e com a caneta carregada de tinta, adotará a mesma postura. Até aqui, conforme a coluna apurou, ele não decidiu o que fará nessa seara. Mas as datas de substituição dos reitores já estão no radar.

O que o PT separou…

O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para esta quarta-feira o julgamento em plenário da liminar que a ministra Cármen Lúcia concedeu no último sábado, a fim de garantir a livre manifestação nas universidades públicas. A ideia é acolher a decisão da ministra por unanimidade.

…Bolsonaro vai unir

Conforme já foi dito aqui, será a forma de os ministros do STF reforçarem a defesa dos preceitos democráticos. Para um plenário onde os ministros só faltaram partir para os sopapos, a reunião desta quarta-feira promete ser um momento histórico.

O livre mercado vem aí

A Associação Brasileira de Comercializadores de Energia Elétrica (Abraceel) levará uma carta ao governo de transição pedindo o que chamam de “portabilidade da conta de luz”. A ordem é adotar o mesmo que é feito hoje na telefonia. No caso do DF, a distribuição continuaria com a CEB, mas a geradora de energia poderia ser escolhida.

Deixa decantar

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não terá o apoio automático do PSL à reeleição. Afinal, Jair Bolsonaro não quer brigar com aliados de outros partidos que postulam o cargo. A ordem é esperar e ver quem agrega mais apoios. Afinal, se entrar errado nessa disputa, a ampla base que ele espera montar não vai durar seis meses.

Deixa decantar II

O primeiro teste de Maia, aliás, será a reforma previdenciária, que Bolsonaro pretende começar a votar ainda este ano.

CURTIDAS

O corpo fala/ Quem conhece o presidente eleito, Jair Bolsonaro, e acompanhou as entrevistas dele às redes Record e Globo, ontem à noite, percebeu que ele não consegue disfarçar incômodos. Na Record, o capitão reformado respondeu a perguntas semelhantes, de forma leve. Na Globo, o mal-estar foi percebido no olhar.

Enquanto isso, no PT…/ A nota que Ciro Gomes (foto) divulgou nas redes sociais foi vista como um recado de que, por enquanto, não há clima para o PT formar um bloco com o PDT na Câmara.

… a hora é de curar as feridas/ Porém, não sem disputa interna. Embora muitos deputados tenham se referido a Fernando Haddad como um novo líder no partido, as alas que abrigam nomes como o de José Guimarães e o da atual presidente, Gleisi Hoffmann, não vão abrir espaço de poder.

Muita calma nesta hora/ Quem vê o PT nessa tristeza e o perigo de retomada da disputa interna não deixa de mirar o exemplo do PSDB, que deixou o governo em 2003 e se prepara para viver a sua maior crise interna. Há receio de que o mesmo ocorra com o partido de Lula.

Após condenação, Fraga articula votação do projeto de abuso de autoridade

Abuso de autoridade
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Coluna Brasília-DF / Por Denise Rothenburg

Ministério Público e juízes que se preparem. Parlamentares que foram alvo de condenações e pedidos de abertura de inquérito e indiciamentos ao longo do processo eleitoral voltaram do pleito dispostos a trabalhar para aprovação do projeto de abuso de autoridade ainda este ano. “Eu pedi ao Rodrigo (Maia) que coloque o assunto em pauta”, disse à coluna o deputado Alberto Fraga (DEM-DF).

Fraga sabe do que está falando. A menos de duas semanas do primeiro turno, a Justiça do Distrito Federal condenou o então candidato a governador a quatro anos de prisão em regime semiaberto por prática de crime de concussão — exigência de vantagem indevida em razão do cargo.

De acordo com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), ele exigiu e recebeu R$ 350 mil em propina para assinar contratos entre o GDF e uma cooperativa de micro-ônibus em 2008, quando era secretário de Transportes do governo Arruda. Tucanos, petistas e emedebistas também se viram às voltas com processos no período eleitoral. Se eles se juntarem, aprovam fácil.

DEM, o primeiro a chegar

Antes mesmo de o eleitor ir às urnas escolher o próximo presidente da República, o DEM já aportou com mala e cuia na porta de Jair Bolsonaro, oferecendo a chamada governabilidade em troca da sobrevivência.  Em 1993, quando comprou a candidatura de Fernando Henrique Cardoso como quem adquire um apartamento  “na planta”, o então PFL ofereceu os votos para aprovar o Plano Real. Agora, sem tantos votos assim, oferece o verniz de um presidente da Câmara afeito ao diálogo, Rodrigo Maia.

Melhor pegar

Bolsonaro já foi avisado de que, diante do climão entre o candidato e os ministros do Supremo Tribunal Federal depois das declarações de Eduardo Bolsonaro, o melhor é o PSL apoiar Rodrigo Maia para presidente da Câmara e não criar marola nestes primeiros dois anos. Assim, ganha algum lastro maior no Parlamento enquanto busca fazer pontes com o Judiciário.

Questão de tempo

A nova pesquisa Ibope na cidade de São Paulo, onde Fernando Haddad apareceu com 51% e Jair Bolsonaro, com 49%, deixou os aliados do petista com a impressão de que, se houvesse mais tempo de campanha, seria possível repetir a dose no interior, onde Bolsonaro lidera com folga.

Questão de engajamento

Bolsonaro sentiu o peso da capital paulista. Por isso, cobrou via redes sociais que os deputados do PSL trabalhem por ele, e não por Márcio França ou João Doria. E ainda lembrou que a maioria deles não se elegeria sozinho e só conseguiu o mandato graças ao capitão.

Enquanto isso, na Lapa…/ A grande presença de artistas no “Ato da Virada” promovido pela campanha de Fernando Haddad terminou por reunir mais gente do que o próprio PT esperava. Quem esteve no ato paulistano assegurou que a mobilização no Rio foi muito maior. Ali, a escritora Elisa Lucinda pediu aos presentes que fossem votar no domingo carregando um livro.

… Haddad virou candidato/ Quem acompanha diariamente os discursos do Fernando Haddad saiu com a certeza de que, ali, ele vestiu a camisa de candidato a presidente da República. A mudança se deu depois do discurso de Bolsonaro no domingo, em que o candidato do PSL disse que Haddad seria preso ou exilado.

O contraponto/ O ponto alto do discurso do petista na Lapa foi dizer que, se vencer, não quer ver Bolsonaro “preso, nem exilado”. “Quero que ele viva com saúde para ver o jovem negro na universidade, para ver as mulheres emancipadas, donas de seus destinos, os índios com terras demarcadas, os nordestinos progredindo com água, comida, trabalho e educação. Ele não aprendeu nada em 30 anos, quero que viva pelo menos mais 30 para aprender.!”

A volta de Barbieri/ Derrotado para o Senado em São Paulo, Marcelo Barbieri (foto) foi nomeado assessor especial no Planalto. Ele já está escalado para trabalhar na transição para o futuro governo, a partir de segunda-feira.

Bolsonaro não se mostra disposto a voltar atrás em fala na Paulista

Bolsonaro
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Coluna Brasília-DF / Por Denise Rothenburg

Aliados de Jair Bolsonaro cobraram dele uma advertência ao filho Eduardo, deputado mais votado de São Paulo, depois da divulgação da declaração sobre bastar apenas um soldado e um cabo para fechar o Supremo Tribunal Federal, se o STF viesse a querer impedir a posse de seu pai. O presidenciável prontamente aceitou advertir o filho.

Agora, porém, não voltará atrás nas declarações dadas por telefone aos simpatizantes concentrados na Avenida Paulista no último domingo, quando o próprio candidato falou que “a faxina será muito mais ampla” e que “essa turma, se quiser ficar aqui, terá que se colocar sob a lei de todos nós. Ou vão para fora ou vão para cadeia”, e, ainda, “marginais vermelhos banidos da nossa pátria”.

A ordem no PSL é isolar o PT no Congresso. Se esse isolamento for dentro dos preceitos democráticos, faz parte. Porém, a fala de Bolsonaro, no domingo, deu a entender a muitos congressistas que a democracia está ameaçada. A insegurança tomou conta até mesmo de alguns políticos que simpatizam com o candidato do PSL.

Ato de juristas

A frase do filho de Bolsonaro sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), dita há quatro meses, tirou a classe de advogados e juristas da toca. Os simpáticos ao PT, por exemplo, fazem hoje às 19h um ato pela democracia no Hotel Nacional, em Brasília. Os simpáticos a Jair Bolsonaro se preparam para cobrar do candidato mais declarações contundentes de apreço à democracia.

Bíblia roubada?/ O vídeo que circula na internet com um cidadão segurando a Bíblia entregue a Fernando Haddad em ato de campanha em Fortaleza intrigou o PT. A Bíblia tinha sumido do palco naquela noite. Um assessor havia guardado com os outros presentes, enquanto o candidato discursava e cumprimentava as pessoas no palanque. Agora, que o livro reapareceu como se tivesse sido jogado fora, os petistas acreditam que foi mais uma armação para cima do candidato.

Último esforço/ Fernando Haddad vai hoje ao Rio de Janeiro em busca de algum apoio no estado. Lá, o PT só elegeu Benedita da Silva deputada federal. Se depender dos taxistas, Haddad pregará no deserto. Lá, Bolsonaro reina, e a maioria diz que “o PT já teve a sua chance de governar o país”.

Enquanto isso, em Curitiba…/ Lula não consegue entender por que o partido é tão rejeitado. Porém, avisam os aliados dele, não foi por falta de aviso.

Quem chega quer levantar o Parlamento/ Ao receber seu bottom de deputada federal, Bia Kicis, do PRP, a terceira mais votada no DF, colocou em suas redes sociais que espera ter orgulho de usar o adereço. Faz sentido. Atualmente, a imagem do Congresso está pra lá de desgastada.

Bolsonaro fora da disputa

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Calma, pessoal! É da eleição para presidente da Câmara. Ao receber o apoio da maioria da bancada evangélica, o candidato do PSL disse que, independentemente do resultado da eleição presidencial, pretende desencorajar os deputados estreantes de seu partido a disputarem a eleição para presidente da Câmara. “Pato novo não mergulha fundo”, afirmou, repetindo o ditado popular. A muitos, ficou a impressão de que, se eleito, Bolsonaro vai deixar a disputa correr e, depois, abraçar o vitorioso, de forma a não criar animosidades na largada.

Em tempo: Quem não gostou muito dessa conversa sobre Presidência da Câmara foi o coordenador político da campanha, Onyx Lorenzoni (DEM-RS): “Somos um grupo humilde, pequeno e focado na eleição do dia 28. Depois disso, como eu espero e acredito, teremos 60 dias para a montagem do governo. É só após essa fase é que olharemos para a eleição de presidente da Câmara”, disse ele à coluna.

O terceiro turno I

Esses últimos 10 dias até a eleição vão deixar nítido o desenho de que a corrida ao eleitor não termina na noite de 28 de outubro. A contar pelo que disse ontem o senador eleito Jaques Wagner, do PT da Bahia, “o deadline não é 28. Depois, tem a diplomação e, mais tarde, a posse. Tem prefeito que é cassado depois”, afirmou, dando a entender que o PT se prepara para questionar o resultado.

O terceiro turno II

Jair Bolsonaro, do PSL, por sua vez, levanta suspeitas sobre as urnas eletrônicas desde o início da campanha e já declarou em alto e bom som que “pelo movimento que vemos nas ruas, não podemos aceitar resultado diferente da vitória”.

Terceiro turno II

Entre os bolsonaristas, aliás, a preocupação impera. Afinal, eles consideram que o PT é especialista em segundos turnos. Por isso, tanto eles quanto o próprio Haddad juntam munição para embates futuros. E o país que o assista de camarote. Vem por aí um novembro sombrio.

Rodrigo Dias se defende

Indicado para a Anvisa, Rodrigo Dias tem percorrido os gabinetes dos senadores com realizações à frente da Fundação Nacional de Saúde. Quanto à tomada de contas especial sobre irregularidades no órgão aberta pelo Tribunal de Contas da União, informa que foi ele quem levou as suspeitas ao tribunal. Até aqui, seus aliados garantem que ele tem quebrado resistências.

Resta uma/ O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) tira apenas a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) do rol de apoio a Bolsonaro dentro da bancada evangélica.

Café com leite/ Outro que se coloca fora dessa lista é Cabo Daciolo (foto). Ele faz questão de não se apresentar como “bancada evangélica”.

Delgado, o atrevido I/ Ácido em suas críticas ao PT, o ex-deputado petista Paulo Delgado é citado assim entre antigos colegas de partido. Ontem, por exemplo, saiu-se com estas: “O PT, em vez de processar o WhatsApp, deveria processar o Climatempo: quem não previu trovoada foi a meteorologia. A tecnologia anuncia há tempos que essa eleição seria travada nas redes sociais”.

Delgado, o atrevido II/ “O Bolsonaro já tem o primeiro milagre: fez a Manuela comungar no Dia de Nossa Senhora Aparecida.”

PEC que tramita no Congresso pode retirar R$ 1,4 bilhão do Fundo Constitucional do DF

fundo constitucional
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Coluna Brasília-DF / por Denise Rothenburg

Fundo do DF sob ataque

Por pouco o Distrito Federal não perde R$ 1,4 bilhão do Fundo Constitucional a que tem direito. Só não perdeu porque, pouco antes de o texto ir a votação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o deputado Izalci Lucas (PSDB-DF) correu ao plenário e pediu, encarecidamente, que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) não fosse votada. Conseguiu retirar o assunto de pauta, no momento, mas o texto continua por ali. Izalci vai pedir que o autor da PEC, deputado João Campos (GO), retire definitivamente a proposta que passa recursos do fundo aos municípios do Entorno.

Em tempo: não é a primeira nem a última PEC que mira o Fundo Constitucional do DF. Diante da escassez de recursos, é bom a turma do “quadradinho” ficar de olho no fundo, que, este ano, prevê R$ 13,6 bilhões, dos quais R$ 10 bilhões já foram utilizados em saúde, segurança e educação.

 

Temer vai falar

O presidente Michel Temer planeja um pronunciamento para falar das denúncias de propina relacionada ao setor de portos, que resultou em seu indiciamento pela Polícia Federal. Falta decidir apenas o tom.

#Elenão

O relacionamento entre o presidente da República, Michel Temer, e o da Câmara, Rodrigo Maia, vai de mal a pior. A turma ligada ao Planalto não confia mais que Maia vá arquivar nenhuma denúncia contra Temer. Mesmo sem ter tempo para a concessão de licença, a aposta dos palacianos é a de que Maia vai dar andamento a qualquer pedido que venha da PGR.

É por ali

A fim de terminar o mandato sem esse desconforto da licença na Câmara aos 45 minutos do período regulamentar, o presidente cogita enviar emissários à procuradora-geral Raquel Dodge e ao presidente do Supremo Tribunal Federal,
Dias Toffoli.

Cargos & currículos

A indicação de Rodrigo Sérgio Dias para uma diretoria da Anvisa encontra resistência entre senadores da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, que preferiam alguém que não tivesse qualquer pendência junto ao TCU. Enquanto presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Dias foi um dos nomes chamados ao Tribunal de Contas da União para dar explicações sobre superfaturamento em contratos do órgão. O caso ainda está em julgamento.

 

Façam suas apostas I/ Ninguém arrisca um palpite fechado sobre a eleição para governador de São Paulo, especialmente, depois do empate técnico registrado ontem no Ibope. Enquanto o ex-prefeito João Dória, filiado ao PSDB, mas com os dias contados no partido, cola sua campanha em Jair Bolsonaro, o governador Márcio França (foto) amplia o leque de apoiadores.
O governador tem ao seu lado bolsonaristas, caso do senador eleito Major Olímpio, e socialistas, como a deputada Luiza Erundina.

Façam suas apostas II/ França embasa sua campanha hoje nessa união de personalidades tão diferentes da política. Diz, inclusive, ter a fórmula para se apresentar como aquele que pode unir São Paulo e ajudar a construir a pacificação nacional, se for reeleito. Dória, por sua vez, está centrado no clima anti-PT.

É por aí/ Se a onda Bolsonaro deu uma estancada, a probabilidade será Dória perder força nessa reta final em São Paulo. Para completar, hoje, nem os tucanos fecham com o ex-prefeito.

MDB na muda/ O senador eleito Marcelo Castro (MDB-PI) começou a circular pelo salão azul para “sentir o clima” e voltou estarrecido com o clima de velório. “Ali, foi uma situação inédita. Dos 32 que tentaram a reeleição, só oito voltaram”, constatou.

Frentes versus partidos

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Se eleito presidente da República em 28 de outubro, Jair Bolsonaro pretende substituir o relacionamento com as lideranças partidárias pelo contato direto com as frentes parlamentares. Esse foi um dos principais recados repassados ontem ao comando da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), que levou uma comissão de parlamentares para reafirmar o apoio ao presidenciável. A ordem é discutir propostas com cada frente parlamentar, grupos que, aliás, ganharam mais expressão no Congresso.

Um dos testes de Bolsonaro, se eleito, será conseguir realizar esse projeto. No Congresso, o encaminhamento de votação sempre foi feito pelos líderes partidários. Se as bancadas temáticas quiserem algum poder maior nesse sentido, terão que disputar espaço com os líderes. Será mais uma disputa, entre as tantas que se avizinham para o Parlamento no ano que vem.

UDR perde Agricultura

Jair Bolsonaro aproveitou a conversa com a presidente da Frente Parlamentar de Agricultura (FPA), Tereza Cristina (DEM-MS), e outros integrantes do grupo para reforçar o convite para que, caso seja eleito, eles indiquem alguém do setor para o cargo de ministro da Agricultura,  O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Nabhan Garcia, estava do lado e não esboçou reação.

Projetos em alta

Na conversa com a FPA, entraram na agenda a demarcação de terras indígenas com aprovação do Congresso e uma lei trabalhista específica
para o setor rural.

Pato novo…

A expressiva votação de Major Olímpio para o Senado fez com que alguns de seus aliados pensassem em fazer dele presidente da Casa. Só tem um probleminha: quem elege a maior bancada tem, por tradição, direito ao cargo. Todos que tentaram quebrar isso sofreram sérias consequências no passado.

…Não mergulha fundo
Aqueles que conhecem o funcionamento do Senado temem que a pretensão do Major crie, desde cedo, um clima de animosidade desnecessário com grandes bancadas. Se Bolsonaro for eleito presidente, conforme apontam as pesquisas de ontem, a intenção de alguns para evitar o confronto é buscar um nome mais palatável dentro do próprio MDB, respeitando a tradição.

Curtidas

E o Perillo, hein?/ As apostas dos tucanos são as de que, no ano que vem, outros integrantes do partido podem ter o mesmo destino de Marconi Perillo, preso ao prestar depoimento ontem. É que hoje, o foro privilegiado só vale para atos cometidos no mandato. Em 2019, mesmo quem se reelegeu, estará em outro mandato.

Olímpio 2022/ O apoio do senador eleito Major Olímpio (PSL) e de Paulo Skaf (MDB) ao governador candidato Márcio França está diretamente relacionado ao prazo de validade. França concorre à reeleição, portanto, tem mais quatro anos de governo, deixando menos um concorrente na roda. Se Doria vencer, poderá disputar um novo mandato.

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Daciolo é fofo/ O deputado Cabo Daciolo (Patri-RJ) fez sucesso ontem num café à tarde, em Brasília, simpático a todos que fizeram questão de ir cumprimentá-lo. “Paixx!”, dizia ele a todos. A quem quis saber quem ele apoiará no segundo turno, Daciolo dizia apenas que continuava na campanha de desconfiança da urna eletrônica.

Ordem à tropa/ A vantagem nas pesquisas fez o comando de campanha de Jair Bolsonaro entrar num esforço para manter a mobilização. Entre seus aliados, ninguém esquece que o PT ganhou quatro eleições no segundo turno, sendo que a última delas, a de 2014, a divisão do país era muito parecida com a atual.

Cláusula de desempenho deve fazer PSL superar PT na Câmara

PSL
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PSL avançará para 70 deputados

Interessado em comandar a Câmara dos Deputados no ano que vem, independentemente do resultado da eleição presidencial, o PSL de Jair Bolsonaro quer aproveitar a cláusula de desempenho para atrair aqueles parlamentares eleitos por partidos de centro direita que não cumpriram a regra — 1,5% dos votos para deputado federal no país, com 1% em pelo menos nove unidades da federação. Os alvos prioritários serão Patriota, PMN, PTC, PHS e PRP (o partido do general Mourão), que somam 20 deputados eleitos. Se Bolsonaro vencer a eleição presidencial, o objetivo será cumprido com mais facilidade.

Veja aqui a distribuição da Câmara antes da aplicação da cláusula de desempenho

A legislação permite que deputados de partidos que não cumpriram a cláusula de desempenho mudem de legenda sem serem acusados de quebra da fidelidade partidária. É aí que a turma do PSL vai agir. Em tempo: o PT terá mais dificuldade em atrair os partidos com viés de esquerda que não cumpriram a nova regra. A Rede, por exemplo, não quer desaparecer ingressando no PT. A direita, mais pragmática, pode suplantar os petistas em número de deputados.

Tucanos em guerra

A reunião do PSDB, ontem, em Brasília, deixou claro que João Doria terá praticamente dois adversários na disputa pelo governo estadual: o governador-candidato Márcio França (PSB) e um pedaço expressivo do próprio partido.
O PSDB não perdoa a aproximação do
ex-prefeito da capital com Jair Bolsonaro ainda no primeiro turno, meio que deixando Geraldo Alckmin à deriva
na reta final.

Estranho no ninho

A decisão pela neutralidade do partido nesse segundo turno da eleição presidencial deixou claro que Doria não tem maioria na Comissão Executiva Nacional no partido, nem pretende se render ao candidato a governador.
O PSDB estadual se prepara para dar mais espaço ao prefeito Bruno Covas, com quem, aliás, Doria se desentendeu logo
que assumiu a prefeitura.

Acelera, aí!

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) começará a percorrer o Congresso para pedir que os parlamentares aprovem ainda este ano o novo programa para o setor, o Rota 2030. É que, até o momento, o setor automotivo não tem a menor ideia do que os dois finalistas da eleição presidencial farão em prol da manutenção dos empregos nessa área. Até aqui, as propostas foram muito genéricas.

O poder de Josué

A menção ao empresário Josué Gomes, filho do ex-presidente José de Alencar, como possível ministro da Fazenda de um governo petista é uma tentativa de obter votos em Minas Gerais, onde o governador Fernando Pimentel terminou fora do segundo turno e a ex-presidente Dilma Rousseff perdeu feio a vaga para o Senado.

Tsunami/ A quem pergunta para o senador Valdir Raupp (foto) o que houve para o MDB perder tantas vagas no Senado de uma lapada só, ele explica: “Não foi o MDB. O Jorge Vianna perdeu no Acre. Foi uma onda. E nos últimos dias”.

Anotem esse nome/ A líder do MDB no Senado, Simone Tebet (MDB-MS), desponta como um possível nome para presidir o Sendo, caso Renan Calheiros não consiga agregar votos em outros partidos.

Despedidas/ Na tribuna do Senado, Hélio José quase chorou e, nas entrelinhas, culpou o povo por ter perdido a eleição. Nos bastidores, outros senadores comentavam que, para quem era suplente e ficou quatro anos no mandato, a reclamação foi um exagero.

Quórum baixo/ Que ninguém conte com o Congresso cheio nos próximos dias. Com o feriado da sexta-feira e o segundo turno em vários estados, muitos vão aproveitar para tirar umas férias, pelo menos esta semana.