Autor: Denise Rothenburg
O deputado Sílvio Costa foi há pouco ao gabinete do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pedir que ele considerasse a hipótese de colocar o processo de cassação de Eduardo Cunha em votação com um quorum de 320 deputados em plenário. Maia não topou. “Teremos o quorum de 400”, apostou ele. O blog presenciou a conversa. O presidente está confiante na presença maciça de deputados na Casa e não pretende arredar o pé. E ele não deixa de ter razão: Se abre a votação com 320 e há qualquer risco, o PT e o próprio Silvio Costa irão acusá-lo de tentar proteger Cunha. E a posição de Rodrigo, no papel de presidente, é proteger a Câmara. Aliás, a aposta de todos, até dos aliados de Cunha, é pela cassação.
A renúncia do deputado afastado, se vier, também não será suficiente para levar Rodrigo Maia a suspender a sessão de hoje. “A única forma de suspender é não dar quorum para abrir a sessão. E esse quorum já tem. Há meia hora, 308 deputados já haviam ingressado na Casa. para 400, faltavam 92. É muita gente. Porém, a aposta é de que vai dar.
O Festival de Cinema de Brasília, considerado um dos maiores do país, promete se transformar numa repetição do que se viu em Cannes, onde o cineasta Kleber Mendonça Filho, ao lado da atriz Sônia Braga, capitaneou uma manifestação contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Por aqui, a festa do cinema brasileiro começa em 20 de setembro e a ideia em discussão entre diretores e produtores que participam da amostra é, antes da exibição de cada filme, colocar na tela uma cartela com “Fora Temer” e palavras de ordem em defesa da democracia no Brasil. Alguns produtores recusaram a empreitada.
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Vem confusão aí. Embora o direito de manifestação esteja garantido pela Constituição, o festival conta com uma ajuda expressiva do governo federal, inclusive do BNDES, o que pode levar o Tribunal de Contas da União (TCU) a considerar o protesto como “desvio de finalidade”.
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O TCU e os patrocinadores oficiais são considerados o que resta para o governo tentar buscar alguma reação a esses protestos. A Ancine, que poderia atuar, é um colegiado simpático ao PT e torce pelos movimentos contra a gestão Temer. Ali, troca de diretores só em maio de 2017, conforme bem constatou a nota publicada por esta coluna em 22 de maio, sob o título “aparelhos ligados”.
Oi & porteira I
Juarez Quadros assume a Anatel com as bênçãos do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do ex-presidente José Sarney. Tem como missão resolver o problema da Oi e a preservação dos empregos da operadora. Até aí, normal, não fosse a pressão para um perdão de quase R$ 13 bilhões, além de uma ajudinha na casa dos R$ 5 bilhões por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Oi & porteira II
Se o governo salvar a Oi, não terá como negar ajuda a quem mais chegar. Afinal, as dificuldades batem à porta de várias empresas e dos mais variados setores que também geram empregos e são responsáveis pelo sustento de milhares de famílias.
Depois de Dilma…
Em várias capitais, o eleitor parece meio cabreiro em votar naquele nome indicado pelo líder político de plantão. E, mesmo quando o líder é bem avaliado, caso de Eduardo Paes no Rio de Janeiro, o apadrinhado tem que ter algo de bom e relevante para apresentar. São a esses dois fatores que os peemedebistas atribuem o fraco desempenho de Pedro Paulo na última pesquisa Datafolha para prefeito do Rio.
Total clean/ As mulheres dos políticos notaram. A bela primeira-dama, Marcela Temer, compareceu ao sesfile de 7 de setembro sem aquele emaranhado de joias e penduricalhos. A única joia era a aliança de casamento. Foi vista como um exemplo para os tempos de carestia.
Por falar em carestia…/ Muitos do ramo de restaurantes, artes e joias apresentam dificuldades. Qualquer comparação, entretanto, com ramos de lavagem de dinheiro é mera coincidência.
Embaixadores/ Renan Calheiros e Eunício Oliveira conversaram recentemente com o presidente do PSDB, Aécio Neves, em nome do partido. A ordem é acalmar os tucanos e selar a paz. Não é hora de confrontos.
Enquanto isso, em São Paulo…/ O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (foto) não se conforma com o seu processo permanecer nas mãos do juiz Sérgio Moro. “Eles querem o meu couro. Mas o meu couro é grosso”, comentou ele, em recente
conversa com um amigo.
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As expressivas manifestações de hoje indicam que o presidente Michel Temer não terá vida fácil. Nas ruas, o PT mostrou que ainda tem poder de mobilização. No Parlamento, o recado da entrevista do presidente Aécio Neves foi cristalino: “Ele precisa fazer uma DR com o PMDB”, disse em entrevista ao Globo. A entrevista e as manifestações mostraram que há insatisfações com esse governo nas duas pontas que disputaram o segundo turno da eleição presidencial de 2014. E Temer não se pode dar ao luxo de ficar espremido entre essas duas forças, atirado aos braços do fisiologismo, marca daquele miolo de partidos que navega ao sabor do governo de plantão __ leia-se PTB, PR, PP e outros menores. Ele precisa dos tucanos.
Obviamente, Aécio não partirá direto para a ruptura. Ainda é cedo para isso. Mas, se nada for feito com a ala do PMDB que largou o PT na última hora e agora quer mandar no governo Temer, a tendência do PSDB será o afastamento. E, nesse ritmo, não sobrará parceiro para as reformas que o país precisa. Temer sabe que não contará com os partidos mais alinhados ao PT para promovê-las. O PT foi para a oposição e de lá só sai quando um dos seus virar governo. A partir de agora, torcerá para que dê tudo errado no governo de Michel Temer, de forma a abrir o caminho para o retorno em 2018.
Temer também sabe que, sem um respiro na economia, as manifestações hoje a cargo do PT, ganharão maior volume na sociedade. E, sem as reformas, esse respiro econômico será menor. E, sem o PSDB, as chances de ter reformas são remotas. Logo, ele hoje não se pode se dar ao luxo de deixar que o aliado escorra pelos dedos. A ordem é agregar e a relação ficou ruim, depois que Renan arquitetou a manutenção dos direitos políticos de Dilma sem avisar o PSDB ou o DEM. Caberá a Temer, focado na economia, recompor esse diálogo, deixando os direitos de Dilma nas mãos do STF.
Veremos o que vem essa semana, quando o presidente terá suas primeiras conversas políticas depois da viagem à China. É importante notar também como se comportará o presidente do Senado, Renan Calheiros, que terminou servindo de pivô do primeiro mal-estar entre o governo e o PSDB. Essa semana dará o tom,.apesar de curta (começa apenas na quarta-feira, com a volta de Temer à cena nacional). Vamos observar.
Nas horas de voo, o presidente Michel Temer, aliados e ministros acertaram que, além das questões econômicas, vão acelerar a reforma política: leia-se cláusula de barreira e fim das coligações para as eleições proporcionais (deputados federais, estaduais e vereadores). A ideia é votar o projeto do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), hoje na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Sem isso, os futuros governos terão dificuldades em administrar qualquer base, seja com viés de direita ou de esquerda.
Melhor impossível I
Integrantes da comitiva de Michel Temer à China avaliam que tudo se encaixou para que a viagem fosse bem positiva tanto sob aspectos internos quanto externos. O bom, sob o aspecto interno, foi ter ficado longe da fogueira acesa com o fatiamento do impeachment.
Melhor impossível II
Sob a ótica internacional, o presidente pôde se apresentar ao mercado externo e mostrar ao mundo que convive bem com a China. No fundo, ficou a imagem de que aquela considerada pelo PT sua maior aliada é, no fundo, uma potência de negócios.
Não foi golpe
A programação de Michel Temer hoje inclui, além do G-20, uma entrevista à imprensa chinesa. A ordem é explicar o processo que fez dele presidente de fato e de direito e, ao mesmo tempo, mostrar que o Brasil é um lugar seguro para investimentos.
Delcídio com a palavra
A propósito da nota publicada ontem, a respeito do comentário de políticos sobre o fato de o ex-senador Delcídio do Amaral abrir a fila de pedidos de fatiamento da cassação, ele responde: “Tenho certeza de que fui protagonista nas mudanças que o povo brasileiro há muito esperava. Sou réu por uma suposta tentativa de obstrução de Justiça. Não tenho conta no exterior, não roubei e não participei de nenhum esquema fraudulento no governo, ao contrário de muitos que hoje posam de ‘éticos’ e ‘cidadãos honestos’. O tempo e a Justiça darão conta deles!”
Inventário
As últimas pesquisas registradas deixaram o PSol feliz da vida com o desempenho dos candidatos em Belém, Porto Alegre e Cuiabá. A avaliação dos líderes é a de que, se as urnas confirmarem as previsões, o PSol surgirá como o grande herdeiro dos descontentes com o PT.
Vizinhos // As autoridades brasileiras estão no mesmo hotel em que está a cúpula das Nações Unidas. O presidente Michel Temer ficou um andar abaixo do secretário-geral, Ban Ki-moon (foto).
Lá e cá I // Tanto na Rio +20 quanto nas Olimpíadas, muita gente reclamou quando o prefeito da cidade, Eduardo Paes, promoveu um feriadão para aliviar o trânsito. Pois, em Hangzhou, na China, não foi diferente. As férias são raras, mas, desta vez, os moradores tiveram três semanas e incentivos para sair da cidade.
Lá e cá II // Nos caminhos por onde passam os chefes de estado, estão árvores recém-plantadas, algumas, inclusive, escoradas. No Rio de Janeiro, não foram poucas as reclamações por ajustes de última hora.
Enquanto isso, no interior… // No tempo da internet, muitos decretaram a morte dos comícios nas campanhas eleitorais. No interior, porém, onde a campanha é feita de porta em porta, essa modalidade resiste. Dia desses, em Timon (MA), um candidato reuniu 20 mil pessoas. Sinal de que a política ainda guarda os velhos costumes.
O presidente Michel Temer está decidido a não restringir seus encontros políticos aos líderes partidários. Por isso, quando voltar da China, ele vai preparar reuniões com grupos de parlamentares. Os encontros, entretanto, só começarão depois do período eleitoral. A ideia do presidente é saber o que eles pensam sobre as propostas do governo e ouvir sugestões. A avaliação, feita no voo até Xangai, é a de que reunir somente os líderes numa casa tão pulverizada, com 28 partidos, muitas vezes se torna improdutivo.
O presidente pretende, assim, exercitar o velho provérbio chinês, que diz: “Quando dois homens vêm andando pela estrada, cada um com um pão, e, ao se encontrarem, trocarem seus pães, cada um vai embora com um. Se dois homens vêm andando numa estrada, cada um com ideia, e, ao se encontrarem, trocarem as ideias, cada um vai embora com duas”. É por aí.
Aquecimento
O presidente já começou a exercitar esse chamamento aos novos, levando o deputado Altineu Côrtes (PMDB-RJ) e o senador Athaídes (PSDB-TO). Altineu, para quem não se lembra, integrava a CPI do Carf e assinou o requerimento de convocação de Jorge Gerdau Johannpeter. A CPI ficou marcada como um colegiado para constranger empresários.
Meu ódio…
Aliados de Dilma Rousseff estão possessos com a sanção da lei que flexibiliza a edição de decretos para créditos suplementares sem o aval do Congresso. “Dilma foi cassada por isso e agora vão liberar”, comentava um ex-ministro.
…Será sua herança
A lei será mais um tema que vai terminar no Supremo Tribunal Federal. É a política cada vez mais judicializada.
Renan & Romero
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não engoliu a decisão de Romero Jucá (PMDB-RR) de se associar aos tucanos contra o fatiamento da votação do impeachment. Há quem diga que, se Romero não usar 100% de sua elevadíssima capacidade de diálogo, vai dar problema.
Esqueceram-se de mim/ Todo mundo só falou em Eduardo Cunha como possível beneficiário do fatiamento da pena. Mas foi Delcídio do Amaral quem abriu a fila. “Dilma agora poderá compor uma chapa com seu antigo líder: a chave e a cadeia. Se não der, Renan indica os dois para a Petrobras”, ironizava ontem um adversário de ambos numa roda de conversa.
Tudo acaba em samba/ O prefeito de Xangai, Yang Xiong, fez questão de comentar com o presidente Michel Temer sobre a habilidade dos brasileiros no futebol, algo que rendeu o ouro olímpico. “É a carne brasileira e o samba que os deixam fortes”, disse Xiong.
Por falar em ouro olímpico…/ Não foi apenas o prefeito de Xangai que parabenizou Temer pelo sucesso do Brasil no futebol olímpico. Maria Estela Kubitschek, filha de JK, mandou ao presidente e ao “seu fiel escudeiro, Tadeu Filippelli”, uma simpática mensagem pelo sucesso dos jogos no Brasil, em especial, a medalha.
…Uma memória/ Maria Estela (foto) se recorda que, em 1958, a primeira Copa do Mundo que o Brasil venceu, “foi de JK e foi um pontapé para grandes conquistas culturais, políticas e econômicas para o Brasil. Como o nosso presidente JK,
o nosso presidente Temer também é pé quente. Com certeza, esse primeiro Ouro Olímpico é o sinal da virada cultural, política e econômica do Brasil”.
No pano de fundo do acordo entre PT e o PMDB de Renan Calheiros para preservar os direitos políticos da presidente Dilma Rousseff destacam-se dois fatores: a vontade de Renan em se reposicionar como o principal interlocutor entre o PMDB e a oposição, deixando o presidente da República na dependência de suas ações; e, de quebra, a tentativa de tirar do PSDB a influência que o partido de Aécio Neves espera ter no novo governo. Ciente do jogo, Temer começou o governo telefonando para Aécio, a fim de esclarecer que não foi responsável pelo acordo. O mesmo fez o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, quando entrou no plenário do Senado, comunicando aos parlamentares do próprio partido, que foram surpreendidos pela decisão. Conseguiram uma trégua, mas não o tratado de paz entre a parcela renanzista do PMDB e os demais aliados.
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O presidente viajou preocupado. Agora, o impeachment vai ao Supremo. E o PT às ruas com o que considera o forte argumento político: se os senadores optaram pela manutenção dos direitos políticos de Dilma, seria sinal de que o impeachment “foi uma injustiça contra uma mulher honesta”. Era tudo o que o PT queria, diante da dificuldade de evitar o afastamento definitivo de Dilma. E conseguiu. Temer só se livrará de risco se fizer a economia caminhar a contento. Esse é hoje seu maior desafio.
Dilma na área
A ex-presidente Dilma Rousseff foi convidada a assumir secretarias de estado em dois governos petistas, o de Camilo Santana, no Ceará; e o de Rui Costa, na Bahia. O objetivo é ajudar Dilma a ficar longe do alcance do juiz Sérgio Moro. A tendência, contam aliados, é aceitar o cargo em solo baiano, justamente, em Salvador, reduto do DEM de ACM Neto, prefeito candidato à reeleição. Que ninguém espere dela a aposentadoria.
Mandados cruzados
Enquanto José Eduardo Cardozo prepara ações para reverter o impeachment, Álvaro Dias, do PV, vai propor que seu partido ingresse com um mandado de segurança para que Dilma perca os direitos políticos.
Aí é que mora o perigo
Em seu pronunciamento, o presidente Temer ofereceu aos investidores segurança jurídica e estabilidade política. Quem entende das coisas em seu governo avisa: “Segurança jurídica está mais fácil do que estabilidade política. Depois de hoje, ele ganhou, mas precisará de muito jeito para acalmar a base”.
Ficou mal
O líder do PMDB, Eunício Oliveira, optou pela abstenção na segunda votação de ontem para não perder votos nos grupos favoráveis ao impeachment. A neutralidade, entretanto, soou entre os tucanos como um sinal de que não dá para confiar em quem não avisa que um acordo desses está em curso.
A gladiadora
Articuladora da manutenção dos direitos políticos de Dilma com Renan Calheiros e ex-ministros que votaram a favor do impeachment, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) avisou a seus colegas de bancada que não vai deixar o partido. Prefere ser expulsa e, ainda que sem partido num primeiro momento, liderar a oposição ao governo de Michel Temer.
CURTIDAS
Quem ri por último/ O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha há tempos não se sentia tão feliz. Chegou a comemorar em casa a perspectiva de manter os direitos políticos. Seus aliados consideram que basta reunir 171 deputados em seu favor.
Cassoulet da sorte I/ Quando o avião que leva Temer à China abandonar o espaço aéreo brasileiro, o seu sucessor, Rodrigo Maia, já investido na função de presidente da República, degustará esse prato. A expressão foi usada pelos correligionários de Maia, que assim denominaram a iguaria que ele saboreou no dia em que foi eleito presidente da Câmara.
Cassoulet da sorte II/ O chef napolitano Rosario Tessier, autor da sugestão, foi convocado hoje para repetir a receita num jantar exclusivo (só para 20 pessoas) em homenagem a Maia, que assume pela primeira vez o mais alto posto da nação. Feito de confit de pato, linguiça de javali e bisteca de cordeiro, o prato também leva feijões brancos, que o tornam caldoso e suculento.
O livro da moda/ Muitos senadores que ocuparam a tribuna nos últimos dias carregavam um exemplar de “Elementos de Direito Constitucional”, obra do presidente Michel Temer. Até a nova líder da oposição, Kátia Abreu, ostentava um.
Vida real/ Na sala de café da Câmara, a senhora que trabalha na limpeza fez a seguinte pergunta, quando o aparelho de tevê, sintonizado na TV Senado, registrou o afastamento definitivo da presidente Dilma Rousseff: “Isso quer dizer que o trânsito voltará ao normal?”. Sua preocupação era o ônibus. Nos últimos dois dias, teve que descer na Rodoviária e caminhar até o Congresso.
O andar da carruagem dos aliados da presidente Dilma Rousseff até aqui indica que eles pretendem recorrer ao Supremo Tribunal Federal. O tema está sendo discutido nesse momento. A tendência ganha corpo com fala de Ricardo Lewandowski há pouco, quando ele deixou claro que não está ali como juiz constitucional e que seguia o regimento de forma a tentar evitar um mandado de segurança que possa atrasar o julgamento. Para os petistas, me disseram alguns deles há pouco, ficou a dica.
Com a aprovação do impeachment hoje, o presidente em exercício, Michel Temer, ajustará o foco para baixar a poeira da luta interna em sua base aliada. E a batalha da largada que se desenha no horizonte é pela Presidência da Câmara. O cargo é almejado por tucanos, sonhado pelos integrantes do Democratas e, de quebra, desejado pelo antigo “centrão”, que planeja comandar a Casa, para compensar a derrota de Rogério Rosso para Rodrigo Maia (DEM-RJ).
De todos esses, quem vai jogar com todas as armas de que dispõe é o PSDB. Assim, o partido ficará com o controle da pauta do Congresso, com a vice-presidência da República e terá assento no núcleo duro do governo, onde hoje os tucanos estão à margem. Nessa linha, dizem alguns, Temer terá que decidir: é pegar ou largar. Nunca é demais lembrar que foi a briga pela Presidência da Câmara o estopim da frágil aliança do governo Dilma Rousseff no início de 2015, abrindo caminho à votação de hoje. A missão do governo é não deixar a história se repetir.
Lá e cá
O discurso do senador Aécio Neves em defesa da advogada Janaína Pascoal, ontem pela manhã, assustou os peemedebistas. Foi tão voltado à preservação da instituição Senado que alguns interpretaram como palavras de um pré-candidato a presidente da Casa. Nada disso. O jogo do tucano é apoiar o candidato do PMDB no Senado (Eunício Oliveira) e buscar a reciprocidade para que o PSDB presida a Câmara.
Jogo jogado
Os próprios aliados da presidente Dilma Rousseff comentavam reservadamente, ontem, no fim da tarde, que estavam esgotadas as chances de reverter votos. Eles tentaram ainda levar o senador Davi Alcolumbre, do DEM do Amapá, a votar contra o impedimento da presidente Dilma Rousseff. Mas a ida de Abelardo Lupion para a Itaipu Binacional cortou as esperanças dos petistas.
A disputa de hoje
A ideia dos petistas é apresentar um destaque para votar separadamente a perda dos direitos políticos da presidente Dilma Rousseff por oito anos. Há quem aposte que é aí que o bicho vai pegar.
Os protetores de Cunha
Líderes de nove partidos, mesmo cobrados pelo PSol e Rede no plenário da Câmara, se recusaram a assumir o compromisso público de colocar suas bancadas na Casa em 12 de setembro para votar o processo de cassação do ex-presidente Eduardo Cunha. São eles: PMDB, PP, PTB, PR, PSD, SD, PV, PHS e Pros.
Os algozes de Cunha
A ideia dos líderes do Psol, da Rede, do PT, do PDT, do PCdoB e do PSB, que se mobilizam para votar logo a cassação de Cunha, é levar o tema às campanhas de candidatos desses partidos a vereador e prefeito pelo país afora, a fim de constrangê-los e forçar os deputados a dar quórum e votar o processo contra Cunha.
CURTIDAS
Santinho!/ A presidente Dilma Rousseff registrou algumas ausências entre seus apoiadores. Citou textualmente Cid Gomes (foto), nomeado ministro da Educação em seu governo contra tudo e contra todos, inclusive o PT.
Santinhos!/ Também ficou na memória a falta dos governadores do partido: Rui Costa, da Bahia; Wellington Dias, do Piauí; Camilo Santana, do Ceará; e Tião Vianna, do Acre.
Não tem preço/ O choro de José Eduardo Cardozo deixou a presidente Dilma emocionada ontem. Se tem alguém de quem ela não se esquecerá e defenderá sempre que puder é o seu ex-ministro. O mesmo vale para a senadora Kátia Abreu.
De professor para professor/ Cristovam Buarque (PPS-DF) registrou ontem que Dilma repetiu Fidel Castro, que, ao deixar o poder, proclamou que a história o absolveria. Na verdade, lembra o deputado Chico Alencar, do Psol, a frase de Fidel foi dita bem antes de o comandante chegar ao poder, quando foi preso ao liderar o ataque ao quartel de Moncada e condenado a 15 anos de cadeia. “O jovem advogado fez sua própria defesa, memorável, em 1953, na ditadura de Fulgêncio Batista.”
Rádio Câmara em expansão/ Não será por falta de canal que o contribuinte vai deixar de acompanhar o trabalho dos deputados. O deputado José Priante (PMDB-PA), novo secretário de Comunicação da Casa, acaba de emplacar a compra de transmissores a fim de expandir a rede legislativa de rádio e tevê para São Luís, Salvador e… Belém. Sabe como é… Em política, quem faz milagre é o santo de casa.
Nove em cada dez senadores ouvidos pelo blog consideraram que Dilma cumpriu o seu papel nas 14 horas de exposição no Senado. Porém, diante de um colegiado que já está “com a cabeça feita”, o saldo do dia foi o gesto de comparecer ao Parlamento, numa demonstração de apreço ao Legislativo, algo que Dilma raramente demonstrou enquanto comandava o país. Quanto aos votos, que era o que Dilma mais queria, o Senado ficará devendo. O governo Temer calcula ter fechados 59 votos pró-impeachment, podendo chegar a 61. Já o governo Dilma,que obteve 21 na pronúncia do processo, terá, na melhor das hipóteses, 22 votos.
As primeiras horas da presença de Dilma no Parlamento foram consideradas um gol de placa pelo PT. Ela acertou no tom, abordou todos os temas, foi incisiva sem ser arrogante ou agressiva. Ao longo dia, entretanto, Dilma foi ficando cada vez mais Dilma. Como se ainda estivesse com a faca e o queijo do poder nas mãos, o que fazcom que muitos permaneçam refratários.
Os ex-ministros do governo e o presidente do PT,Rui Falcão, ficaram até o último minuto. Lula saiu antes. Iria participar de um ato pró-Dilma. O ex-presidente acompanha, conversa com senadores, ficará ao lado dela, mas também nõ acredita muito em milagres.
Depois de acompanhar a exposição de Dilma ao longo do dia, a cúpula petista praticamente considerou cumprida a sua missão com Dilma. No geral, os petistas querem agora virar essa página e partir para a oposicão. Com a economia em frangalhos, dizem alguns, o melhor mesmo é ficar agora na posição de ataque ao governo em exercício e trabalhar para voltar em 18.
O presidente do Senado, Renan Calheiros, cedeu a sala de audiências da Presidência da Casa para que Dilma Rousseff possa ficar num local mais reservado na hora que chegar ao Senado, na segunda-feira.

