*Coluna Brasília-DF publicada neste sábado (22/8) por Denise Rothenburg e Eduarda Esposito

Os percalços eleitorais do presidente Lula vão muito além do caso em que o seu filho, Lulinha, é investigado por tráfico de influência. Se essa nuvem escura se mantiver desgastando a campanha mais à frente, a ponto de refletir na decisão do eleitor em um possível segundo turno, será um problema a mais para levar o cidadão brasileiro a ir votar na segunda rodada. As contas dos especialistas em pesquisas apontam que nos estados mais populosos do Nordeste, região em que Lula tem vantagem, a eleição pode ser decidida em primeiro turno. Estão nessa lista Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco e Piauí, ou seja, algo em torno de 75% dos nordestinos, conforme exposição do CEO da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, no 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro.
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Pau que bate em Chico, bate em Francisco/ Enquanto o CEO da Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, acredita que Flávio Bolsonaro terá a vantagem nessa situação, o CEO da Atlas, André Roman, alerta que, se a abstenção for alta no primeiro turno, isso pode favorecer Lula, por causa do desinteresse dos eleitores mais à direita: “No segundo turno, o Flávio leva vantagem, mas sempre existe a possibilidade de a eleição acabar no primeiro turno por causa da abstenção maior entre eleitores da direita. Também precisamos lembrar que Lula está no patamar de 48% de votos válidos em muitas pesquisas. Então, dependendo da taxa de participação que você assume entre eleitores da direita de forma geral, ele poderia ter uma chance a partir da abstenção no primeiro turno”, argumentou Roman.
Coincidência…
Logo depois de a financista Daniella Marques, coordenadora do projeto de economia de Flávio Bolsonaro, referir-se à proposta de fim da escala 6×1 como “populista e inócua”, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA), escolheram os relatores das propostas de emendas à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 e da segurança pública.
… em política
As falas de Daniella Marques deixaram muita gente no Senado com o receio de que o projeto seja retirado se Flávio Bolsonaro for eleito presidente da República. Por isso, a ordem é correr. Omar Aziz vai conversar com os senadores na próxima semana. A ideia é apresentar seu parecer na semana de esforço concentrado a partir de 31 de agosto. Aziz é favorável ao fim da escala 6×1 e à transição de 60 dias após a promulgação aprovada pela Câmara dos Deputados. Falta combinar a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário.
E as bets, hein?
No 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, o presidente do conselho do grupo Petz/Cobasi, Sérgio Zimerman, foi intensamente aplaudido ao pregar a proibição de 100% de propaganda para as bets, tal e qual o cigarro. E foi além. O consumo paga um imposto de 35% enquanto as bets recolhem 15% de impostos. Logo, o governo deixa de arrecadar mais com o dinheiro que deixa de ir para o consumo e vai para as apostas on-line.
Misoginia, não!
Coordenadora do programa de governo de Flávio Bolsonaro, a financista Daniella Marques foi direta ao mencionar o projeto de lei da misoginia que tramita no Congresso. “Não acredito nesse tipo de lei. Não é com discurso hipócrita e leis inócuas que a gente fica protegida. Já existem leis para ofensas e agressões, e a gente precisa é que sejam efetivas.”
Ganha-ganha/ Os relatores do fim da escala 6×1, Omar Aziz, e da PEC da Segurança, Rogério Carvalho (PT-SE), têm agora a chance de ganhar projeção com temas que calam fundo na vida do cidadão comum. Aziz é candidato a governador, e Carvalho, à reeleição.
Vale para todos/ No 25º Fórum Empresarial Lide, ontem, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu os sigilos das investigações e dos processos de casos em andamento. A defesa da proteção das informações vem após uma série de vazamentos sobre o caso do filho do presidente Lula, o Lulinha, investigado por suspeita de tráfico de influência. Vale também para o caso do financiamento do filme Dark Horse, dinheiro pedido por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro. Na plateia, alguns atentos empresários afirmavam que à luz do sol, porém, é um bom meio de se conhecer pessoas e situações.
Chave de ouro/ Ao fim do evento no Rio de Janeiro, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) recebeu uma homenagem do fundador do Lide, João Doria, e do chairman, João Doria Neto. O parlamentar foi incisivo ao reforçar seu projeto de fim da reeleição; na visão dele, uma proposta pendente para terminar a reforma política. Pacheco não estará no Senado no ano que vem, mas considera importante colocar esse tema na roda em 2027.
A volta aos poucos/ Anfitrião de quase todos os seminários de think-tanks no Rio de Janeiro em 2024 e 2025, quando era governador do estado, Claudio Castro fez questão de comparecer ao encerramento do 25º Fórum Empresarial Lide. Na plateia, acompanhou atentamente a homenagem ao senador Rodrigo Pacheco. Castro, entretanto, faz questão de se manter à margem das discussões políticas. Amigos comentam que ele tem se dedicado à advocacia e à consultoria.

