João Doria tropeça na conjunção

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E João Doria, hem? O governador ficou possesso. A razão: descobriu que livros didáticos com capítulo sobre homossexualidade haviam sido distribuídos nas escolas de São Paulo. Indignado, mandou recolhê-los e tuitou: “Não concordamos e nem aceitamos apologia à ideologia de gêneros”. Ops! Esqueceu de lição aprendida lá na escola primária. A conjunção nem quer dizer e não. Traz embutidinho o e. Compare:

Não estuda e não trabalha. Não estuda nem trabalha.

Não o viu e não o verá. Não o viu nem o verá.

Não concordamos e não aceitamos apologia à ideologia de gêneros. Não concordamos nem aceitamos apologia à ideologia de gêneros.

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A duplinha e nem nunca tem vez? Tem. Em duas construções. Uma: quando não há negativa antes. A outra: quando equivale a e nem mesmo. No caso, dá reforço ou ênfase à declaração: Trabalhava o dia inteiro e nem se lembrava de descansar. Doria escreveu e nem se deu conta do desperdício da conjunção.