Há gestos, como o cuidado, que sustentam o mundo
Cosette Castro & Natália Duarte
Brasília – No dia em que se comemora o Dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, e o dia das crianças, o tema do Blog é o voto como cuidado coletivo.
O texto de hoje foi escrito pela professora e pesquisadora da UnB , Natalia Duarte, que faz parte da coordenação do Coletivo Filhas da Mãe.
Natália Duarte – “Há gestos que não se veem, mas sustentam o mundo. O cuidado é um deles. Na semana passada, Cosette e eu participamos do programa Karingana, com Renata Parreira, para falar sobre eleições e perspectivas do cuidado.
Foi uma conversa que reafirmou algo essencial: cuidar é um ato político, um compromisso com a vida em todas as suas formas. E é cuidado coletivo. Saiba mais no link do programa. Link aqui.
O Coletivo Filhas da Mãe nasceu em 2019 dessa convicção. O cuidado precisa ser compartilhado, reconhecido e valorizado. Cuidar também é tomar decisões.
Neste mês, por exemplo, decidimos suspender nossas caminhadas dominicais nos parques de Brasília e do Distrito Federal. E iniciamos uma caminhada presencial, mas também virtual, simbólica e potente: a caminhada pelo voto das mulheres 70+.
Aos 70 anos ou mais, nós, mulheres, seguimos cuidando. E quem cuida não pode deixar de votar porque além de cuidar, também necessita de direitos sociais e proteção.
Votar é escolher o caminho do cuidado na sociedade, é afirmar que o tempo vivido traz sabedoria e responsabilidade social.
O cuidado não é apenas um gesto íntimo. É também a escolha entre ter política pública de cuidados para todas as pessoas. Ou não.
Além do ato de votar, aparentemente individual, mas com profundas consequencias sociais, é fundamental que todos os poderes da República, Executivo, Legislativo e Judiciário, assumam sua parte na corresponsabilidade no cuidado coletivo. É essencial para a construção da Sociedade do Cuidado.
É hora de parar e olhar para as propostas dos candidatos com atenção.
E ver quem garante aposentadoria digna e com reajustes reais, recursos e trabalhadores suficientes para oferecer políticas sociais dignas e efetivas, financiamento para a política de cuidados, redução dos juros que sufocam famílias endividadas e incentivo a iniciativas comunitárias. Entre eles, centros dia, espaços culturais intergeracionais, lugares onde o cuidado se transforma em encontro.
O Brasil precisa de políticas criativas e sensíveis que reconheçam o cuidado como força produtiva e como direito, como determina a Política Nacional de Cuidados. Sabemos fazê-las, somos um povo diverso, com a cultura mais rica e criativa que existe.
Por isso, escolha o candidato que não considera o cuidado como gasto, mas investimento na população e na humanidade.”
Nesta edição, o Coletivo Filhas da Mãe convida todas as cuidadoras do país, sejam as cuidadoras familiares que trabalham sem remuneração, sejam as cuidadoras profissionais, a votarem pelo cuidado.
As cuidadoras são mulheres que cuidam de si e dos outros, em uma grande rede de apoio, às vezes invisível. Elas também merecem receber cuidado coletivo.
Convidamos a votar por quem defende a corresponsabilidade nas famílias, em especial os homens, na comunidade, nas empresas e no Estado no cuidado coletivo de quem necessita cuidados e de quem cuida.
Convidamos a votar, como lembra Natália Duarte, pela continuidade da vida em sua forma mais generosa. Votem para impedir opressões, preconceitos e violências, como o corte no financiamento de políticas públicas que protegem a população.
No Coletivo Filhas da Mãe seguiremos defendendo políticas públicas que sustentem o cuidado como eixo da vida e da democracia, porque cuidar também é escolher. E escolher é um gesto de amor político.
Hoje, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e das crianças, lembramos que o cuidado também é espiritual e cultural.
As crianças são o bem mais precioso de qualquer sociedade e a devoção à padroeira do Brasil nos inspira a cuidar, proteger, nutrir e garantir que elas cresçam em um país que valorize a vida em segurança e um futuro com dignidade.
Nossa Senhora Aparecida, como lembra Natália Duarte nos ensina que cuidar também é acolher, é lutar por justiça e por futuro. Assim, como mães, irmãs, filhas, netas, companheiras e cuidadoras, seguimos guiadas por essa força que nos convoca a não desistir. E, apesar dos desafios, a seguir esperançando todos os dias.
Independente da idade, vote por uma Sociedade do Cuidado.

