Nosso Verbo é Esperançar

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A gente cai, levanta, sacode a poeira e a tristeza, e segue em frente

Cosette Castro

Brasília – Não foi fácil levantar da cama na segunda-feira, mas enfrentamos a semana e estamos de pé. Seja em casa cuidando, seja na rua, incentivando o cuidado coletivo.

O texto de hoje é um incentivo às pessoas que cuidam sem remuneração e enfrentam múltiplos desafios. Seja no cuidado familiar, seja no cuidado coletivo.

Não é fácil enfrentar os desafios que vocês estão passando. A sobrecarga física e emocional, a solidão, a saudade ou a sensação de impotência, de não conseguir melhorar a qualidade de vida do familiar querido.

É muito difícil lidar com as demências, com seus sintomas e vivenciar como a síndrome muda totalmente os familiares. E, quanto mais avança, mais radicalmente muda nossas rotinas e a relação com o mundo.

Cuidar de um familiar com demência é um grande desafio. Só quem passou ou passa por isso ou acompanha de perto consegue compreender a dor de encarar a morte a conta gotas do familiar todos os dias.

Há outras dores. Entre elas a dor de não ser reconhecida, de cada dia se distanciar mais da pessoa que nos criou ou com quem fizemos um pacto amoroso para toda vida. É quase uma traição à relação (filial ou amorosa ) que tínhamos até então.

E com o passar dos anos, em alguns casos, a demência pode mostrar seu lado mais cruel, para além do esquecimento. Não somos mais apenas filhas ou parte de um casal.

Somos obrigadas por amor, por dever filial e legalmente a passar a ser cuidadoras sem manual de instrução.

Somos obrigadas por amor e solidariedade a deixar de ser companheira/o/amante para nos tornarmos cuidadoras de maridos. Muitas vezes, os filhos não assumem a sua parte na responsabilidade, morando perto ou longe.

E, outras vezes, não há filhos nem família para dar suporte. Sim, por vezes pode ser cansativo, solitário e assustador.

Embora esse não tenha sido o “combinado” com nossos familiares, uma parte deles ainda está com a gente em olhares, um aperto de mão e um abraço.

Além do cuidado, passamos a ser guardiãs da memória delas e deles. E somos quem vai levar para as outras gerações essa memória.

Somos o ouvido que não escuta mais, a boca que não consegue articular palavras ou frases. Somos as pernas, as mãos e os braços de pessoas que um dia consideramos gigantes, super heroínas ou príncipes.

Não é fácil. Da medo, raiva, frustração e vontade de largar tudo e sair correndo.

Mas não desistimos porque somos muito mais do que isso. Cada pessoa do Coletivo Filhas da Mãe e de outros grupos de apoio é também amor, respeito, resiliência e vida.

Sintam-se abraçadas e abraçados.

PS: Até o fim das eleições não teremos Caminhadas. Voltaremos ao Projeto Caminhantes a partir do dia 08/11, domingo, após o feriado de finados, no Parque Olhos d’Água.

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