Lugar de Pessoa Idosa é em Todo Lugar

Publicado em Pré-Conferências Livres dos Direitos das Pessoa Idosa DF

Cosette Castro & Vicente Faleiros

Brasília – No mês de conscientização sobre a violência contra as pessoas idosas o  Blog  do Coletivo Filhas da Mãe recebe convidados para refletir coletivamente sobre o tema.

Medo do envelhecimento, preconceito, apagamento social, desafios do mundo digital, cidades não acessíveis e pouco amigáveis,  falta de espaços de convivência e acolhimento comunitários e solidão. Essas são parte das violências cotidianas que as pessoas com 60 anos ou mais enfrentam.

Ao mesmo tempo elas, que representam 23,2% do eleitorado, seguem acreditando na força da participação social e na possibilidade de construir um mundo melhor. Entre elas está o professor  emérito da UnB, Vicente Faleiros, convidado de hoje do Blog.

Vicente Faleiros – ” Pessoas 60+ são 16,18% da população brasileira, perto de 33 milhões, que continuam a contribuir para a sociedade e o Estado. Sustentam filhos e netos, estimulam o consumo, ativam a economia do cuidado que chega a 12% do Produto Interno Bruto (PIB).

Pessoas idosas pagam impostos diretos e/ou indiretos, são cidadãos e cidadãs, fazem história.

Aprenderam, na maioria, a usar de toda tecnologia do Século XX e, parte deles estão ativos na era digital, conforme o perfil comum a toda população.

São diversas as velhices, a depender da renda, da cor da pele, do gênero, da escolaridade, do acesso a aparelhos, do acesso a redes e de autonomia.

O direito de envelhecer com dignidade, direitos e respeito é cláusula pétrea da Constituição Federal e definido no Estatuto da Pessoa Idosa.

A Seguridade Social (Saúde, Assistência Social e Previdência) é fundamental para a cidadania. A Previdência Social é contributiva, portanto intocável, não pode ser apropriada por sonegação e nem por governos para tapar buracos orçamentários.

A informação e o acesso a direitos não podem ficar condicionados ao bel prazer das manobras digitais. Essas manobras impõem dispositivos aleatórios e barreiras a cada surto arbitrário de tecnocratas de plantão aliados do neoliberalismo e do idadismo que cortam direitos.

É direito das pessoas idosas ter cidadania assegurada, renda, saúde, assistência, cuidado, dentre outros. A Previdência Social não pode ser sugada, sendo necessário um novo pacto social para se envelhecer bem.

As chamadas bigtechs e as plataformas digitais governamentais precisam ser inclusivas, respeitando a ética e direitos.

Os governos federal, estaduais e municipais são obrigados ao atendimento presencial acessível para a diversidade e heterogeneidade de uma sociedade desigual como a brasileira.

Há governos estaduais/municipais que contratam “despachantes” digitais paradoxalmente para o digital inacessível para providenciar pagamentos ou direito. Muitos recebem recursos do governo e ainda cobram do cidadão, configurando uma máfia digital.

Cidadania não é ser refém. É ter o serviço e o direito que convém, que assegura a acessibilidade na democracia num contexto de desigualdades, diversidade e heterogeneidade do envelhecimento. Do contrário caímos em um neonazismo do arbítrio do que é a aplicação da lei.”

Esta semana o Coletivo Filhas da Mãe, em parceria com o Fórum Distrital dos Direitos das Pessoas Idosas, estará participando  das pré-conferências preparatórias para a 6a. Conferência Livre dos Direitos das Pessoas Idosas (19/06). O tema deste ano é “Idadismo, Precarização dos Serviços e Desafios do Cuidado”.

As pré-conferências vão ocorrer nos seguintes locais:

– Dia 09, das 9 às 12h30, na Associação de Idosos da Ceilândia (AIC);

– Dia 10, das 13h30 às 16h30, no Centro de Cultura e Desenvolvimento do Paranoá (CEDEP);

– Dia 11, das 8 às 10h30, na Associação Maria Conceição (ASMAC) , no Gama.

Participe! Esperamos você.

 

 

 

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