Cosette Castro
Brasília – Esta semana tive a honra de participar de uma reunião que contou com Janja, a 1a. Dama do Brasil, e centenas de outras mulheres incríveis.
A 1ª. Dama estava acompanhada de ministras e deputadas. Elas foram escutar mulheres que representam diferentes movimentos sociais. Lá estavam mulheres da cidade, do campo, quilombolas, indígenas, ribeirinhas, pescadoras, da periferia, representantes de crianças e adolescentes, mulheres jovens. Mulheres negras. Mulheres com deficiência. Feministas. Mulheres de diferentes religiões. E nós, mulheres cuidadoras familiares sem remuneração e mulheres envelhecentes, com 50 anos ou mais e mulheres 60+.
Com o salão lotado, elas falaram, em 02 minutos, sobre suas realidades e sobre o Brasil que desejam construir juntas.
Eu, que escrevo e falo sobre cuidado invisível e sem remuneração das mulheres, sobre políticas públicas de cuidado e sobre envelhecimento, ouvi mulheres falando sobre a centralidade do cuidado na sustentação da vida. Lá estavam pelo menos outras 04 mulheres representantes do Comitê Estratégico do Plano Nacional de Cuidados (comigo éramos 05).
Mas não havia ninguém que estivesse representando as mulheres idosas. Como Co-Coordenadora do Coletivo Filhas da Mãe e Co-Coordenadora do Fórum Nacional das Mulheres Envelhecentes (50+) e das Mulheres Idosas, me aproximei da mesa e pedi espaço para falar.
Houve um estranhamento inicial. Como se as mulheres 60+ por estarem espalhadas em diferentes movimentos sociais não precisassem ter espaço de fala. Como se fôssemos diluídas, quase apagadas. Mas não… Eu, com meu 1,55m fiquei na fila esperando. E quase me surpreendi ao escutar que era a vez da representante das mulheres idosas falar. 02 minutos.
Segue abaixo as breves reflexões que, espero, tenham contribuído para que, representantes do governo e dos diferentes movimentos sociais, levem em conta que nós, mulheres com 60 anos ou mais, seguimos cuidando gratuitamente até, pelo menos os 80 anos. Às vezes, até mais. Mas, ainda assim, participamos da vida pública porque queremos construir juntas uma Sociedade do Cuidado.
“(…) Somos 36 milhões de pessoas idosas no país, segundo o IBGE (2026). 54% são mulheres. As pessoas idosas representam 23,2% do eleitorado e merecem ser escutadas. Queremos participar.
Precisamos falar sobre a feminização
– do envelhecimento
– da pobreza
– do endividamento
e a exaustão pela sobrecarga física e mental pelo trabalho de cuidado gratuito e invisível realizado todos os dias.
Precisamos falar da violência doméstica contra mulheres idosas, para além da violência física e psicológica, do sequestro do cartão do banco com aposentadoria ou benefício, ou do sequestro dos celulares, que isola e amplia a solidão da mulher idosa.
Precisamos falar das mulheres 60+ que sofrem violência sexual de filhos e netos e que não denunciam por vergonha e/ou falta de opção.
Somos um país em processo de envelhecimento. Pessoas idosas não podem ser consideras um gasto. Precisamos ter orçamento decente e robusto para políticas públicas e uma vida digna.
São as mulheres que sustentam este país com o trabalho de cuidado invisível, mas são as mulheres idosas que sustentam há muito mais tempo. Não somos um peso, mas carregamos peso. E várias tentativas de apagamento social todos os dias. Somos mulheres vivas. Queremos dar beijo na boca, rir e transar.
Envelhecer não é vergonha. Há diferentes tipos de velhices e realidades. São as mulheres que criam redes de apoio e redes de afeto. Queremos respeito, visibilidade e, entre outras coisas, casas comunitárias para combater a solidão. Nós temos orgulho de ter um presidente de 80 anos”.
Um país soberano é um país que cuida. Eu adoraria ter sido a autora da frase do título de hoje. Mas não sou. Quem disse isso (na mesma noite do relato acima) foi Thelma Melo, conselheira tutelar e assistente social no Distrito Federal. Um país soberano é um país que cuida ao longo da vida e é um Estado que se corresponsabiliza pelo cuidado.
PS: Quer conhecer as propostas das mulheres idosas? Faça contato com a gente.
PS 2: Neste domingo, dia 24, vamos caminhar na Ermida D. Bosco. Encontro às 8h30, em frente à administração. Esperamos você.
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