A 6a. Conadipi, as Demências e o Natal

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Cosette Castro & Eliana Graça

Brasília – Faltam dois dias para as comemorações de Natal. Mas nem todas as pessoas conseguem desfrutar das festas. Este é o caso das pessoas com demências, cujas memórias aos poucos vão deixando de existir.

Há outros casos. Pessoas com deficiência (PCD), por exemplo, podem ter dificuldade de aproveitar as festas, seja por problemas de compreensão, seja pelo ruído. O ruído pode ser um problema também para pessoas com demência.

O que parece agradável e divertido para muitas famílias, como conversas, risadas altas e música em tom elevado, pode ser um elemento causador de estresse para pessoas com demências e para PCDs, em especial aquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Um bom presente para essas pessoas é acolher as diferenças com comemorações mais intimistas, sem tanto ruido. Acolher o silêncio ou incluir música ambiente pode ser um presente amoroso para pessoas que nem sempre conseguem comunicar o sofrimento auditivo ou outras dores.

Na última edição do Blog antes do Natal, a convidada é Eliana Magalhães Graça, 76 anos, servidora pública aposentada na carreira de Analista de Políticas Sociais. Atualmente ela trabalha no Ministério das Mulheres, como assistente no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM). Eliana comenta sobre a 6a. Conferência Nacional sobre os Direitos das Pessoas Idosas (6a. Conadipi).

Elliana Graça – “Hoje, sábado, 20/12, acordo com o despertador. Sinto o corpo cansado, mas também sinto uma alegria enorme dentro do coração, com a sensação de ter realizado um sonho.

Sim, ontem (sexta-feira) foi o encerramento da 6ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (6a. Conadipi), um sonho  iniciado em outubro de 2023, quando  comecei a trabalhar na Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (SNDPI). Um sonho interrompido  em outubro de 2024, quando fiz 75 anos e fui aposentada compulsoriamente, ocasião em que fui impedida de continuar trabalhando e sonhando com a Conferência.

Foi um baque enorme, mas não desisti. Fiz minha inscrição para participar da Conferência Distrital dos Direitos da Pessoa Idosa, agora com um outro papel, o de representante da sociedade civil.

Depois de participar dos debates e da formulação de propostas, fui eleita delegada para a 6a. Conadipi. Na sequência, meu nome foi definido como coordenadora da delegação do DF para a etapa nacional. E foi nessa condição que participei e me encantei com tudo que aconteceu nos quatro dias dedicados às discussões do tema “Envelhecimento Multicultural e Democracia: Urgência por Equidade, Direitos e Participação”.

Com muita sabedoria, na Palestra Magna, Alexandre da Silva e Conceição Evaristo conclamaram a todas as pessoas presentes a pensar as questões propostas para a 6a. Conadipi com base nas múltiplas velhices, nas condições desiguais e adversas de se envelhecer em nosso país. E ainda propuseram que não se apontasse somente as deficiências das políticas públicas.

Eles sugeriram que se avançasse em pensar caminhos e formas de superar as dificuldades para melhor atender os direitos das pessoas idosas.

Até o término da plenária final pude perceber que essas orientações foram acolhidas pelo conjunto das pessoas, representantes dos estados e do Distrito Federal, presentes à Conferência. Ainda que isso não eliminasse a existência de divergências, reinava um desejo coletivo de se chegar a uma posição que refletisse o resultado de um bom debate.

Aliado a isso, o clima acolhedor, respeitoso e adequado ao grupo social presente criado pela organização foi definitivo para garantir o avanço na qualidade do debate e das conclusões a que se chegou. (Leia as resoluções e moções aqui).

Ao contrário do que acontece no dia a dia das pessoas idosas, a 6a.Conadipi não se esqueceu de garantir  espaços que atendessem as diferentes necessidades das pessoas delegadas e demais presentes.

Não posso esquecer de citar a maravilha que foi a existência de atividades culturais na Tenda Paulo Freire que propiciaram às pessoas momentos de descontração, aconchego, alegria e boas amizades. Essas são observações que vi nas mensagens de agradecimento de diversas delegações, com as quais concordo.

Esse breve relato, que não esgota a importância do evento, é resultado de uma reflexão pessoal, de um sentimento profundo de compromisso e da crença de que quando sonhamos juntos a realidade acontece.”

Ao completar 06 anos de existência, o  Coletivo Filhas da Mãe segue acreditando na força dos movimentos sociais, na importância das políticas públicas construídas coletivamente, na essencialidade do diálogo e no respeito às diferenças.

Desejamos a você Boas Festas!

Cosette Castro

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