Você Já Praticou Autocuidado Hoje?

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Ana Castro & Cosette Castro

Brasília  – Pensar autocuidado entre pessoas que mal têm tempo de se olhar no espelho enquanto cuidam de um familiar, pode até parecer piada.

No caso do Coletivo Filhas da Mãe, acreditamos que autocuidado é uma questão de sobrevivência. E por isso,  escrevemos sobre autocuidado como um mantra.

Uma repetição necessária. Imprescindível para a saúde física e mental.

É preciso falar, escrever e comentar todos os dias para que ninguém esqueça. Autocuidado é o direito básico de todos os seres humanos. Mas nem todos sabem como passar da teoria para prática.

Uma boa analogia é o  uso da máscara de oxigênio do avião. Quando elas caem, primeiro a gente se salva. E para isso, é preciso  colocar a máscara  de oxigênio em si mesma primeiro. Depois ajuda a colocar a máscara nos demais.

Em algumas famílias, falar de autocuidado é até ofensivo. É escutado como  sinônimo de egoísmo. Neste momento é preciso atenção. É preciso respirar, parar e observar.

Pensar em si e  se cuidar é diferente de SÓ pensar em si. É diferente de viver olhando para o próprio umbigo sem olhar e levar em conta as pessoas a sua volta. Quem olha apenas para si não tem tempo de olhar pros outros. A não ser quando precisa da outra pessoa.

Quem cuida de um ou mais familiares  com demências pode cair no outro extremo. Não encontrar (nem buscar) tempo para olhar pra si. A prioridade passa a ser o outro. As necessidades do outro. As fragilidades do outro.

Esse contínuo apagamento de si mesma por amor, devoção ou agradecimento a um familiar  enfermo costuma ter consequências físicas e emocionais.

Sem autocuidado, o corpo e as emoções vão se manifestando a sua maneira. Isso  pode  ocorrer  na forma de compulsões e  sobrepeso. Ou ao contrário,  pela perda de peso.

Outras manifestações, sinais de que algo não está bem, podem acontecer. Seja através  da insônia, da (pre)ocupação, do aumento do consumo de açúcar, do choro “sem motivo”,  do pensamento repetitivo, das crises ansiosas ou da  gastrite.

Falta energia para a cuidadora, que “doa” sua energia para o outro. Nestes casos, voltar ao centro é essencial. Com pequenos passos e coisas simples.

É possível começar observando o novo dia particularmente se a insônia bateu na porta durante à noite.

Ou encontrar espaço para tomar um pouco de sol. Só você, mais ninguém. Tirar um  momento para dar uma volta no prédio, na quadra ou mais além. Colocar os pés na grama. Quem sabe parar um momento e ligar para uma amiga?

Autocuidado também tem seu valor hora do banho. Demorar um pouco mais. Passar creme em todo corpo. E não apenas no corpo do familiar doente para evitar escaras. O seu corpo também necessita amorosidade e carinho.

Esta semana, o Coletivo participou da  campanha Papo de Mestre da Federação Brasileira das Associações de Alzheimer (FEBRAZ). O projeto, em forma de card, é ofertar reflexão sobre a questão das demências. O tema escolhido (veja foto) foi o autocuidado e o cuidado. Seguimos escolhendo  a prevenção, a aposta na saúde e na qualidade de vida.

Cosette Castro

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