No Escurinho da Tela, Mesmo Sem Cinema

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Ana Castro & Cosette Castro

Brasília – Nesta sexta-feira voltamos a falar em filmes. Um assunto relacionado à cultura, arte e autocuidado para o qual sempre abrimos espaço no Blog do Coletivo Filhas da Mãe.

Embora filmes sobre Alzheimer carreguem o peso das demências  e possam ser uma opção assustadora para quem não convive com a doença, também são uma forma de apresentar o tema para aqueles que acabam de  receber o  diagnóstico de que uma pessoa querida  está enferma.

Não é fácil cair de paraquedas no mundo das demências. Em geral,  saímos correndo atrás de informações, muito mais amplas em tempos de internet, particularmente para quem tem acesso à rede e possui alfabetização digital.

Filmes são uma boa opção para amortecer o susto e o impacto da notícia.  Diretores e diretoras utilizam a ficção para refletir sobre os dramas reais causados pelas demências, doenças com tratamento, mas ainda sem cura.

Um dos primeiros filmes sobre Alzheimer chegou ao cinema no começo dos anos 70, nos Estados Unidos.  Se chamava “Meu Pai, um Estranho”, um drama dirigido por Gilbert Canes, que tinha  Gene Hackman no papel principal. E tratava de um jovem professor que se via a frente de um pai com demência. Mas há filmes mais atuais sobre a temática. Há pelo menos outros 17 filmes de diferentes nacionalidades.

Um dos filmes mais  sensíveis sobre Alzheimer completou 20 anos de lançamento este ano e foi filmado na vizinha Argentina.

Trata-se de um  clássico sobre demências: O Filho da Noiva de 2001, dirigido por Juan José Campanella. O filme  mostra na tela o talento de Ricardo Darin, Norma Aleandro e Hector Alterio e as dificuldades de lidar com Alzheimer, entremeado com  muito amor. Embora não  tenha a qualidade digital dos filmes atuais, é uma obra delicada, disponível gratuitamente no link acima.

O mais recente é um filme que já comentamos em texto publicado em março:  Meu Pai, lançado este ano nos Estados Unidos e no circuito internacional.  Trata-se de  um filme complexo que não se preocupa em fazer a audiência compreender o que é delírio e o que é realidade na narrativa.

A  fragmentação do cérebro do paciente e suas confusões são apresentadas no filme e  são apresentada em um crescente. Por esse filme,  Anthony Hopkins recebeu o Oscar de Melhor ator e o diretor,  Florian Zeller,  por melhor roteiro adaptado

Em 20 anos, vários filmes sobre Alzheimer chegaram às telas, que hoje não se limitam mais ao escurinho do cinema, principalmente em tempos de pandemia.

No Brasil, pelo menos três filmes merecem destaque. Em 2017, foi lançado o curta-metragem Minha Mãe, Minha Filha, protagonizado pelas atrizes Eva Wilma e Helena Ranaldi. Eva Vilma, que faleceu em 2021,  já estava envolvida com o tema das demências, como  uma das  madrinhas das campanhas de esclarecimento sobre Parkinson. O curta completo dirigido por diretor Alexandre Estevanato tem  pouco mais de 15 minutos e pode ser assistido aqui.

Em 2018 foi lançado Antes que Eu Me Esqueça,  do diretor Tiago Arakilian, que coloca em cena uma história divertida e humanizada com  o ator José Abreu,  no papel de um juiz aposentado, e seus dois filhos, representados pelos atores  Danton Melo e Letícia Isnard.

No final de 2018, chegou às telas  a  realidade de cinco  famílias da periferia de São Paulo. O documentário Alzheimer na Periferia,  mostra as dificuldades de cuidar pacientes com demências, mas também as redes de cuidado e apoio que se estabelecem.   Dirigido por Albert Klinke, tem argumento de Jorge Felix, professor de gerontologia da USP, e roteiro de Thais Bologna.  O filme está disponível gratuitamente abaixo.

Como  relata o diretor do documentário,  que cresceu na periferia de São Paulo, a rede de proteção social construída pelas famílias chama a atenção. Em áreas mais fragilizadas, as demências são um problema a mais a ser lidado. Em rede,  porque em grupo nos tornamos mais fortes.

Cosette Castro

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