“Estou convicta de que o reajuste virá”, diz a delegada Mabel de Faria, diretora do DPE

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A diretora do Departamento de Polícia Especializada da Polícia Civil do DF, Mabel de Faria, foi a entrevistada desta segunda-feira do programa CB.Poder. Durante a conversa, transmitida ao vivo pela TV Brasília, a delegada falou sobre algumas das grandes operações realizadas pela corporação este ano, como a que desvendou um golpe envolvendo esquema de pirâmide com a moeda virtual Kriptacoin, e a que prendeu a Máfia dos Concursos.

Mabel de Faria também repercutiu a mobilização de policiais civis em defesa da paridade de reajuste com a Polícia Federal. O governo interrompeu as negociações, o que gerou uma grande insatisfação na categoria. “Estou convicta que esse reajuste virá. É uma recomposição salarial justa, legítima e histórica. Temos policiais em situação financeira muito complicada”, explicou a delegada. “Temos que aliar o trabalho intelectual de busca da prova, ao trabalho de campo. A profissão pressupõe exposição ao risco das nossas vidas e a preservação das vidas alheias. É uma atribuição complexa”, justificou. “Acredito que, nesse contexto, o governador vai se sensibilizar”, acrescentou.

A diretora do DPE falou sobre a força política dos policiais civis, que historicamente elegem uma bancada de representantes no Congresso Nacional e na Câmara Legislativa. “O efetivo da Polícia Civil do DF é formador de opinião, pela qualidade do trabalho, e acaba, de uma forma ou de outra, tendo influência no resultado de eleições”, comentou.

A delegada declarou ser contra a redução da maioridade penal, em debate no Congresso Nacional. Para Mabel de Faria, a mudança não traria benefícios na redução da violência. “Não entendo que diminuir a maioridade penal resolva, não é o caminho que acho adequado”, justificou.

Crime da 113 Sul

Responsável pelas investigações do crime da 113, quando esteve à frente da Delegacia de Homicídios, Mabel de Faria comentou sobre a expectativa em torno do julgamento de Adriana Vilela, acusada de ser a mandante do assassinato dos pais. O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, a mulher dele, Maria Villela, além de uma funcionária da casa, Francisca Nascimento Silva, foram mortos em 28 de agosto de 2009.

“Não tenho dúvida de que as provas são muito consistentes para a condenação de Adriana Vilela, de que ela foi a mandante, e esteve dentro do apartamento durante as execuções. Mas existe um sistema de recursos na Justiça e ela está se valendo disso”, explicou a delegada. “Mas haverá esse momento, não sei se estarei aqui, se estarei aposentada, o fato é que acreditamos, sim, na Justiça”, acrescentou Mabel.

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

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