Eleitores de Arruda podem definir se haverá segundo turno

Publicado em CB.Poder

Coluna Eixo Capital, publicada na sábado, 26 de setembro de 2026, por Ana Maria Campos

Uma análise dos dados da última rodada da pesquisa Correio-Opinião Inteligência Política, divulgada na última quarta-feira, indica o seguinte cenário: 6,5% dos votos de José Roberto Arruda (PSD) estão voando. Esta é a diferença calculada entre os votos de quem não sabia em quem votar ou optavam pelo nulo nos sondagens com e sem Arruda. As intenções de votos em Arruda se dividem entre todos os demais candidatos. Ganham Celina Leão (PP), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB). Mas alguns eleitores, provavelmente os mais leais a Arruda, ficam sem rumo. E a opção deles, a depender do caminho, pode levar a eleição ou não para o segundo turno. Lembrando que a margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

R$ 3,3 milhões para a campanha

José Roberto Arruda (PSD) declarou à Justiça Eleitoral ter recebido R$ 3.315.000 para a campanha. Desse montante, R$ 3 milhões foram uma doação da direção nacional do PSD. Duas outras contribuições significativas partiram do vice na chapa, Luiz Pitiman (PSD), no valor de R$ 130 mil, e do candidato ao Senado, Ronaldo Fonseca (PSD), de R$ 175 mil. Arruda investiu recursos públicos — dos fundos partidário e eleitoral — numa campanha que não prosperou. Mas, pela legislação eleitoral, não é obrigado a devolver o dinheiro. Mas deverá prestar contas e essas informações serão avaliadas pelo TRE-DF. Até o momento, ele já justificou R$ 2.326.132,44 em gastos. As maiores despesas, segundo declaração da campanha, foram para o Facebook (R$ 220 mil), com serviços de marketing (R$150 mil) e com advocacia (R$ 100 mil). A maior parcela dos recursos foi destinada a pagamento de pessoal que atuou na campanha.

Um outro lado do político

Candidata ao governo, a deputada Paula Belmonte (PSDB) divulgou, ontem, nas redes sociais, um vídeo de solidariedade a Arruda pela recusa da Justiça ao registro da candidatura dele ao Palácio do Buriti. Foi em tom carinhoso: “Há mais de um ano passei a ter conversas frequentes com Arruda, um governador que fez história em Brasília. Meus poucos anos na política me ensinaram a conhecer as pessoas além do que elas aparecem em público. Por trás de um político existe um ser humano com suas dores, com seus sonhos, com suas preocupações”, afirmou. E acrescentou: “A decisão da Justiça que o afastou da disputa pelo GDF não apaga toda a história que o Arruda construiu em Brasília em mais de 30 anos de vida pública. Nessas conversas, conheci o Arruda sofrido por mais de uma década de disputas judiciais. Conheci o Arruda pai que acorda cedo para levar as duas filhas mais novas ao colégio. Conheci o Arruda que arrasta milhares de brasilienses que o admiram por tudo o que ele fez por Brasília”.

Mágoa

Pessoas muito próximas de Arruda comentaram que não gostaram das postagens de Kiko Caputo (PSD) e Ricardo Cappelli (PSB) ainda no dia da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o registro da candidatura do ex-governador do DF. O sentimento foi de que nem esperaram esfriar, não esperaram a posição dele e falaram direto aos eleitores. Mas o próprio Arruda está bem tranquilo e sereno.

Contra Celina

Arruda planeja gravar vídeos nas redes sociais pedindo que seus eleitores não votem em Celina Leão (PP). Não deve escolher nenhum candidato, mas torce pelo segundo turno.

Apoio declarado a Flávio Bolsonaro

Apesar da candidatura de Romeu Zema (Novo), Sebastião Coelho, do mesmo partido, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. Ele afirma que existe uma chance de vitória do filho de Jair Bolsonaro sem precisar passar por uma disputa de segundo turno com Lula. “As demais candidaturas, algumas não andam e outras são nocivas”, justificou.

Michelle puxa Bia

A pesquisa Correio-Opinião Inteligência Política aponta um dado a ser analisado na disputa ao Senado. Entre os eleitores da deputada Bia Kicis (PL), que aparece em terceiro lugar com 30% das intenções de votos, 20,6% são aqueles que têm um candidato ou candidata da preferência e votam em um segundo nome pelas regras eleitorais para renovação de dois terços do Senado. Ou seja, Bia deve estar na lista de eleitores de Michelle Bolsonaro (PL). A ex-primeira-dama tem 34,4% no primeiro voto e 10% no segundo. Bia depende, para vencer a eleição, do poder de convencimento da companheiro de chapa.

Celina deve eleger bancada ampla

Na consulta espontânea para deputado distrital, desta quarta rodada da pesquisa Correio-Opinião Inteligência Política, entre os 30 primeiros colocados a distribuição dos partidos é a seguinte: PP-União: 6 candidatos; Republicanos: 5; PT-PV-PCdoB: 4; PL: 3; Mobiliza: 3; PDT: 2; ; MDB: 3; PSOL: 1; Podemos: 1; PSD: 1; e Avante: 1. A conta é fundamental para avaliar o tamanho das bancadas. Desses, 21 são da coligação de Celina Leão, 7 da frente que apoia Leandro Grass, e 2 que apoiavam a candidatura de Arruda.

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