Coluna Eixo Capital, publicada na domingo, 27 de setembro de 2026, por Ana Maria Campos
Não faltam nesta campanha candidatos que se apresentam com bandeiras voltadas à defesa dos animais. Com tantos temas importantes relacionados aos seres humanos, essa pode parecer uma luta de segundo plano, mas a verdade é que, cada vez mais, os pets estão se tornando parte das famílias, parceiros de vida e até companheiros nas horas difíceis. Veja alguns dos candidatos que se preocupam com esse tema:
Vanessa Bicho (PT)
Candidata a deputada federal, Vanessa Negrini, conhecida como Vanessa Bicho, foi diretora do Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, cargo criado nesta gestão do governo Lula. Tem um longo trabalho de defesa dos animais e pretende ampliar, caso seja eleita.
Ju dos Tigrados (PV)
Na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados, Juliana Fernandes, conhecida como Ju dos Tigrados, é ativista na defesa dos pets. Ela ganhou projeção quando liderou as denúncias que resultaram na prisão de um psicólogo suspeito de torturar e matar dezenas de gatos (em sua maioria de pelagem tigrada) no Distrito Federal.
Roberio Negreiros (Podemos)
Em busca do quarto mandato de deputado distrital, Rogério Negreiros tem se voltado para a proteção animal e aprovou leis relacionadas ao tema. Uma delas torna obrigatória a prestação imediata de socorro por motoristas, motociclistas ou ciclistas que atropelarem animais em vias públicas do DF.
Daniel Donizet (MDB)
O deputado distrital Daniel Donizet, que agora busca um mandato de federal, sempre teve a proteção animal como bandeira política. Ele é autor de 23 leis voltadas à proteção animal, entre elas a que cria o Código de Direitos dos Animais do DF, a maior do Brasil e a que proíbe acorrentamento de animais.
Ricardo Vale (PT)
O deputado distrital Ricardo Vale, que está no terceiro mandato, entrou nessa seara e apresentou vários projetos sobre o tema. Ele é autor da lei que garante proteção legal aos animais comunitários e segurança jurídica para os cuidadores voluntários no DF. Entre os projetos, a proposta de concessão de desconto de até 30% no IPTU para quem adotar animais em situação de rua.
Rodrigo Dias (PSB)
Presidente do PSB-DF, Rodrigo Dias defende políticas públicas para combater maus-tratos de animais. São medidas como fortalecimento da delegacia voltada ao tema, ampliação do disque-denúncia e criação de casas de abrigo para animais resgatados.
Lací Marinho (União)
Laci Marinho de Araújo, ex-sargento do Exército brasileiro que ficou conhecido nacionalmente em 2008 ao se tornar um dos primeiros militares a assumir publicamente um relacionamento homoafetivo dentro das Forças Armadas, tornou-se um defensor da causa animal. Ele foi chefe de Proteção Animal da Secretaria de Segurança Pública do DF na gestão de Sandro Avelar.
Veterinário Wilson Grassi (Democrata)
Na disputa presidencial, a causa da defesa dos bichos tem um representante direto: o veterinário Wilson Grassi. Ele é de São Paulo onde construiu sua carreira como empresário e veterinário, área que atua há mais de três décadas. Wilson é o responsável pela implementação do primeiro hospital público para pets do
Brasil e tem uma rede de clínicas veterinárias de baixo custo.
Lula
Neste mandato, o presidente Lula deu visibilidade à causa animal, ao aparecer em fotos ao lado de duas cachorrinhas. Ele criou na atual gestão o Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com politicas públicas voltadas ao tema.
Os pets ganharam importância ainda na posse, quando a primeira-dama Janja Lula da Silva subiu a rampa do Palácio do Planalto com a cachorrinha Resistência.
Defensor dos pets na Paraíba
Carlos Gustavo Gomes de Oliveira, conhecido politicamente como Guga Pet (PP) construiu sua trajetória pública com atuação, principalmente, nas políticas de cuidado e proteção animal. Atualmente vereador de João Pessoa, Guga foi reeleito em 2024 como parlamentar municipal mais votado da história da capital paraibana. Ao longo de seus mandatos, o parlamentar passou a ter a causa animal como uma de suas principais bandeiras. Entre as normas de sua autoria, estão legislações relacionadas ao combate aos maus-tratos, bem-estar animal, atendimento e proteção de cães e gatos. A Câmara Municipal registra diversas iniciativas legislativas apresentadas por Guga Pet nessa área. Ele liderou o movimento Paraíba Contra Maus-Tratos, que participa de ações de resgate, fiscalização, conscientização e proteção animal em diferentes municípios paraibanos. Agora, ele concorre a deputado federal.
Diferenças entre o caso Arruda e Eduardo Cunha
Apesar da derrota de José Roberto Arruda (PSD) na tentativa de se beneficiar da Lei Complementar 219/2025 que alterou a Lei da Ficha Limpa, o mentor das novas regras, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (Republicanos-MG), pode ter um resultado diferente. É que ele teve o registro negado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) por inconstitucionalidade da nova lei, originada de um projeto de lei apresentado pela filha de Cunha, a deputada federal Dani Cunha (PL-RJ).
Lei vigente
Ao julgar o caso de Arruda, o TSE declarou que, enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) não julgar a ação que contesta o nova lei, essa permanece em vigor. Se prevalecer esse entendimento, Cunha poderá concorrer. O relator do recurso do ex-deputado é o ministro Floriano de Azevedo Marques, que abriu a divergência a favor de Arruda, contra o entendimento de Dias Toffoli. A diferença ente os dois processos é que, no caso de Arruda, a nova lei foi considerada vigente, porém sem aplicação na situação jurídica do ex-governador. Ao analisar o pedido de registro de Eduardo Cunha, o TSE vai analisar se o TRE-DF acertou ao negar o registro por inconstitucionalidade. Nesse caso, o processo voltará ao TRE-MG, para análise de todos os aspectos.
Lula e as sandálias da humildade
Um discurso que poderia sair mais ressentido, e por tabela, agressivo, chegou a assombrar a equipe de Lula horas antes do jantar do presidente com os empresários na noite de sexta (25/09), em São Paulo. Qual o quê! Lula calçou as sandálias da humildade do começo ao fim da fala de quase 20 minutos para cerca de 500 empresários — um número acima das expectativas dos próprios organizadores. Como um prefeito de cidade de interior, pediu votos, apelando para a confiança no governo e prometendo crescimento econômico com política fiscal sem descuidar de ações sociais. O clima positivo foi construído ao longo dos discursos da noite. Falaram ministros, como o da Fazenda, Dario Durigan, empresários, banqueiros e os presidentes da Caixa, Carlos Viera, do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e do BNDES, Aloizio Mercadante. O orador anterior a Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, preparou a plateia para o desfecho da noite. Se não virou votos, Lula conseguiu mostrar que o faro político continua em dia.

