Caso Ana Rita: Reviravolta nas investigações sobre crime que mobilizou meio político

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ANA MARIA CAMPOS

A Polícia Civil do Distrito Federal desvendou as circunstâncias da morte da estudante Ana Rita Graziela Rodrigues da Silva, de 21 anos, na serralheria da família no Núcleo Bandeirante, ocorrida em outubro do ano passado.

Apontado inicialmente como latrocínio, para roubar um telefone celular, o crime envolve uma trama intrincada. Investigação da Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRF) indicou que houve, na verdade, um assassinato por encomenda executado por integrantes de um grupo de extermínio com atuação no Distrito Federal e no Entorno.

O alvo era a mãe de Ana Rita, Gilvana Teles, que bateu na porta de políticos do Distrito Federal para cobrar empenho da Polícia Civil na elucidação do caso. Informações de depoimentos prestados pela própria Gilvana, no entanto, nunca se confirmaram e acabaram tumultuando as investigações. Os criminosos teriam sido contratados por um ex-companheiro dela, Yuri Germano Tavares de Brito.

O inquérito, intitulado Operação Hannah, apontou que o mandante do crime pagou R$ 10 mil pela execução de Gilvana, mas os assassinos se confundiram na hora do crime, pela semelhança de mãe e filha, e fizeram disparos na cabeça de Ana Rita.

Na carona dos políticos

Gilvana Teles, mãe de Ana Rita, foi recebida em novembro do ano passado pela então secretária de Segurança Pública e Paz Social, Márcia de Alencar, e procurou deputados, como Celina Leão (PPS), para reclamar de uma suposta demora no desfecho do caso.

Na ocasião, Márcia declarou que pediria um reforço da Polícia Militar nas investigações. O episódio foi explorado politicamente contra a Operação Legalidade, deflagrada como movimento pela paridade dos salários da Polícia Civil aos da Polícia Federal. Motivo: a ocorrência foi registrada na 29ª Delegacia de Polícia, no Riacho Fundo, que estava sem delegado titular em decorrência das mudanças provocadas pelo embate entre a categoria e o Palácio do Buriti.

Mas a investigação seguiu, sob sigilo, sob a condução do delegado Fernando Cesar Costa, na Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRF), com várias medidas de quebra de sigilos autorizadas pela Justiça.

Três crimes, um grupo de extermínio

Ao investigar o episódio, a DRF acabou esbarrando em outros dois crimes de repercussão que teriam sido praticados pelo mesmo grupo de extermínio.

Três suspeitos podem ter se envolvido na execução do jornalista João Miranda do Carmo e do pastor Paulino Rodrigues da Silva, em Santo Antônio do Descoberto. Os crimes por encomenda. As informações levantadas pela Polícia Civil do DF serão compartilhadas com a Polícia Civil de Goiás. Cinco suspeitos estão presos e dois, foragidos.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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