Brasil cada vez mais preso à polarização

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Texto publicado por Carlos Alexandre de Souza neste domingo (29/3) — A semana foi marcada por movimentos políticos, com vistas à eleição, que indicam como os atores estão se preparando para a hora da verdade com o eleitor. O episódio que mais chamou a atenção foi a desistência do governador Ratinho Jr., o mais bem pontuado do PSD nas pesquisas eleitorais, de concorrer à Presidência da República. No âmbito da legenda, restou aos governadores Ronaldo Caiado ou Eduardo Leite se apresentarem como candidatura alternativa à eterna polarização que, mais uma vez, desenha-se para as urnas em outubro.

Se há alguns meses falava-se que a direita brasileira despontava com projetos distintos do bolsonarismo, a corrida eleitoral caminha, cada vez mais, para um duelo entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Entre uma reedição do bolsonarismo e a continuidade de um quarto mandato petista, a pergunta que se faz é quando — e se — o país será capaz de trilhar um caminho diverso, com significativos avanços políticos e econômicos.

É verdade que o Brasil escapou de uma ruptura democrática em 2022, e o Supremo Tribunal Federal puniu de forma rigorosa aqueles que rejeitam a ordem constitucional. Mas a crise de credibilidade da Corte, o corporativismo do Congresso, a fadiga de material do lulopetismo e os entraves econômicos não trazem bons augúrios. O país precisa inovar na política em 2026, ou corre o risco de caminhar em círculos.

01 e 03

Presente na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas (EUA), o senador Flávio Bolsonaro reforçou seu papel como representante do legado do pai. Disse ser “Bolsonaro 2.0” e ter recebido a maior missão da vida. Eduardo Bolsonaro foi além: com um celular à mão, disse estar mostrando, ao vivo, o discurso ao pai, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. E anunciou que os próximos senadores eleitos vão “impichar” o ministro Alexandre de Moraes.

Flagrante

Detalhe: Jair Bolsonaro está proibido de acessar as redes sociais, por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Eis uma possível violação das medidas impostas pelo magistrado.

No ninho

O presidente nacional do PSDB, o deputado federal Aécio Neves, ficará de plantão na sede da legenda em Brasília para acompanhar a movimentação dos parlamentares na troca de partidos. A expectativa é de ganhar novas adesões e os tucanos adquirirem mais musculatura. O prazo termina no próximo dia 3, sexta-feira.

Fermento

Até o final da semana passada, o PSDB arregimentou nove novos deputados federais. A bancada subiu para 19 parlamentares — o maior crescimento numérico entre as legendas. Entre eles, o ex-ministro das Comunicações, o maranhense Juscelino Filho, e o cearense Danilo Forte, que regressou ao ninho tucano.

Afiada

Recém-filiada ao PSB e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet já disse a que veio na eleição paulista. Chamou o governo de Tarcísio de Freitas de “absolutamente ingrato”. “Se hoje São Paulo consegue economizar quase R$ 1 bilhão por ano, é porque tem um presidente da República que não olha coloração partidária”, afirmou.

Para cima do gado

Outro que mudou de legenda, mas mantém o estilo é o deputado André Janones. Ele trocou o PT pela Rede Sustentabilidade, segundo ele com três premissas: colaborar para a reeleição de Lula; atuar pelos mais pobres; e “sentar o bambu” nos bolsonaristas. “Vamos para cima”, complementou o porta-voz da legenda, Paulo Lamac.

Fizemos um favor

Ao comentar o julgamento do Supremo Tribunal Federal que afastou a possibilidade de prorrogação da CPMI do INSS, o ministro decano Gilmar Mendes disse que a Corte prestou uma ajuda ao Parlamento. “A intervenção de poder era mandar o Senado prorrogar. Nós dissemos que não podemos nos imiscuir em assuntos do Congresso. Foi uma decisão favorável ao Parlamento, não de intervenção” disse, em seminário em Cuiabá.

Mestre Cuca

Em meio às votações do Supremo, o ministro Gilmar Mendes não deixou de celebrar as mudanças no time do coração, o Santos. Disse, nas redes sociais, que a volta do técnico Cuca ao time de Neymar e companhia “nos enche de entusiasmo e renova a esperança”. O Peixe está na parte de baixo da tabela do Brasileirão, em 16º lugar.

Bate e volta

O marqueteiro do PL, Duda Lima, está concluindo as inserções estaduais do partido, mas faz uma viagem relâmpago a Boston desde quarta-feira. Lima é um dos palestrantes da 12ª edição da Brazil Conference at Harvard & MIT, onde fala sobre marketing político no evento que termina no domingo, na Universidade de Havard Cambridge, Massachussets. O tema central da conferência é O Futuro do Brasil: Transformando Desafios em Progresso. Na segunda-feira, ele retorna a São Paulo.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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