Assinatura de posse de Nelson de Souza na presidência do BRB em 28 de novembro de 2025
Por SAMANTA SALLUM
O Governo do Distrito Federal (GDF) está fazendo um inventário patrimonial com objetivo de identificar de onde podem vir recursos para o aporte financeiro necessário ao BRB. O GDF é acionista controlador do banco, e se movimenta internamente para garantir a capitalização da instituição financeira, com o prejuízo causado pelas operações junto ao banco Master.
A coluna apurou que um dos caminhos seria pegar empréstimo com o Fundo Garantidor de Créditos; e oferecer ações do GDF em outras empresas de seu controle como garantia, na operação. Entre elas, Terracap, Caesb e CEB.
O valor de quanto será necessário ainda não está definido oficialmente. Mas há estimativas de que chegue a R$ 5 bilhões.
Uma coisa é certa: o GDF tem extenso patrimônio e pode socorrer o BRB sem ter que mexer no orçamento direto. Isso que faz o novo presidente do banco, Nelson de Souza, ter a convicção para repetir em suas declarações oficiais que o “banco não vai quebrar”.
Para usar açoēs de empresas como a CEB, seria necessário que a Câmara Legislativa do DF aprovasse uma autorização ao governo local por lei distrital. Os contornos do escândalo que reforçam as denúncias de gestão fraudulenta do BRB para beneficiar o Master deixam o cenário mais complicado para o referendo do legislativo local.
Há outras opções para obter recursos de aporte ao BRB, como parcerias com instituições do setor privado. Por orientação do governador Ibaneis Rocha e de Nelson de Souza, as áreas técnicas do GDF e do BRB estão formulando caminhos para o aporte financeiro.
Comparação com ajuda federal aos Correios de R$ 10 bi
O secretário de Economia do GDF, Daniel Izaias, chegou a citar as empresas como exemplo da robustez de patrimônio do DF em entrevista exclusiva ao programa CB Poder, dias atrás. Ele não entrou em detalhes de como seria, na prática, esse plano de ação. Mas comparou a possível a ajuda a que o governo federal realizou aos Correios, com previsão de repasse de R$ 10 bilhões.
Apesar de a oposição a Ibaneis exigir a responsabilização das autoridades envolvidas e punição pelas operações do BRB com o banco Master, que incluem CPI e até impeachment, ninguém quer ver o banco quebrar. E, assim, é possível que o GDF faça um apelo para que a Câmara Legislativa ajude na solução.
Corrida contra o tempo
O BRB corre contra o tempo em busca por aporte de capital para garantir solidez. O Banco Central demandou do BRB um plano de reforço patrimonial. Se, de um lado, o presidente da instituição financeira, Nelson de Souza, está em São Paulo tentando vender ativos recebidos pelo banco Master (terrenos e ações em grupos de restaurantes), o acionista controlador, o Governo do Distrito Federal, também se movimenta para ajudar.
Quem analisa de forma pragmática, e pela ótica financeira, não acredita em uma federalização iminente. A federalização partiria de um acordo entre governos estaduais e o federal, em que a União socorre a instituição financeira incorporando-a, por exemplo, ao Banco do Brasil, como ocorreu com o Banespa e outros bancos públicos na época do Proer.
Divergência política
Os analistas apontam que a crise do BRB tem solução viável. E o que está inflando ainda mais a gravidade da situação é a questão politica: a divergência entre os governos local e federal. O que faz o presidente Lula, por enquanto, não estender a mão, e tampouco o governador Ibaneis a estender a dele em pedido de socorro. Por isso, o caminho da solução local e interna entre GDF e BRB pode ser a mais forte no momento.
Há também, no histórico de socorros do governo federal a instituições financeiras no passado, a dos bancos PanAmericano, de Silvio Santos, e Votorantim, de Antônio Ermirio de Moraes. O governo federal ajudou as instituições em operações com parcerias do setor privado.
Entidades do setor produtivo do DF como Sinduscon, Ademi e Asbraco se manifestarem em apoio ao BRB com “sinal de confiança de de que a instituição tem condições de se manter sólida.”
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