Por SAMANTA SALLUM
Entidades que representam o setor produtivo no Rio de Janeiro se reuniram, na tarde de ontem, para unir esforços num movimento em defesa do estado e do retorno à normalidade na região. As federações do Comércio de Bens, Serviços e Turismo; das Indústrias, da Agricultura e Associação Comercial decidiram unificar as ações de contribuição com o governo local e a sociedade civil para reduzir os impactos negativos à imagem do estado.
Um dos efeitos do cenário de guerra entre policiais e criminosos recai sobre o turismo, tanto de lazer como o corporativo, gerado por congressos de categorias profissionais e eventos. “Estaremos unidos em defesa do Rio de Janeiro. Não é de um governo ou de outro. Pois governos passam e nós, empreendedores e entidades representativas, permanecemos. Queremos colaborar para mostrar que não estamos reféns do crime organizado”, disse à coluna o presidente da Fecomércio/RJ, Antonio Queiroz.
Medidas estruturais
Na avaliação do empresário, era necessária uma medida do Estado para reagir à ofensiva das facções. “Mas é preciso ir além. Precisamos de medidas estruturais, para além do confronto entre polícia e criminosos. É preciso uma grande atuação institucional envolvendo o Legislativo, o Judiciário, os governos local e federal, Ministério Público”, destacou Queiroz, que é vice-presidente administrativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Central de monitoramento
A Fecomércio/RJ está realizando algumas parcerias, como a doação de centrais de monitoramento de segurança por câmeras aos batalhões da PM. Depois de Copacabana e do Leblon, será entregue, em 6 de novembro, o da Barra da Tijuca.
O sistema tem acesso à vigilância de câmeras instaladas em estabelecimentos comerciais, integrando esses equipamentos com a rede da PM. “Queremos apoiar as polícias no trabalho por mais segurança. Isso é bom para a população, para os turistas e para as atividades econômicas”, reforçou Queiroz.
O presidente da Fecomércio/DF, José Aparecido Freire, ligou para o colega de federação se solidarizando e oferecendo apoio. “A entidade no Rio de Janeiro vem desenvolvendo um trabalho muito importante, não só com os empresários, mas com toda a sociedade. Todos, como brasileiros, queremos ver o Rio pacificado. E o empresariado faz a sua parte, nunca se omite”, comentou.
Ponto facultativo na CNC
Diante do cenário de tensão no Rio de Janeiro, a Confederação Nacional do Comércio deu ponto facultativo para seus funcionários, ontem. A entidade tem uma sede administrativa no Rio de Janeiro, além da institucional, no DF.
Crime infiltrado em atividades comerciais
O presidente da CNC, José Roberto Tadros, disse à coluna que o cenário de guerra no RJ, visto na terça-feira, tem um efeito “devastador” para o turismo. No entanto, avalia que o governo precisa mesmo endurecer as ações de repressão às facções, pois elas estão entranhadas em diversas atividades comerciais, fazendo concorrência com o comerciante honesto.
“Em vez de sobrecarregar o empresário, que gera emprego, com impostos e obstáculos, os governos devem se concentrar em combater a criminalidade que atua, inclusive, de forma clandestina, em diversas atividades comerciais, com altos lucros. Enquanto isso, o empresário honesto se vê obrigado a fechar seus negócios”, afirmou Tadros.
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