Por Samanta Sallum
A indústria brasileira monitora, com atenção, as atualizações na política comercial dos Estados Unidos diante dos anúncios sobre tarifas e comércio recíproco feitos pelo presidente norte-americano Donald Trump. Os EUA são o principal parceiro da indústria de transformação brasileira e ocupam o primeiro lugar no ranking de comércio de serviços e investimentos diretos no país. O valor efetivamente pago nas importações vindas de lá foi quatro vezes menor do que a tarifa nominal de 11,2% que o Brasil assumiu como compromisso na Organização Mundial do Comércio (OMC).
A entrada de produtos norte-americanos no Brasil estava sujeita a uma tarifa de importação real de 2,7% em 2023. A diferença entre a tarifa efetiva aplicada pelo Brasil às importações dos EUA e a tarifa nominal ocorre devido ao uso de regimes aduaneiros especiais, como drawback e ex-tarifário.
O levantamento é da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e indica que produtos como motores e máquinas não elétricas, adubos e fertilizantes químicos, óleos combustíveis de petróleo e gás natural não têm a incidência de tarifas.
US$ 159,5 bilhões
Valor, entre 2019 e 2024, das vendas da indústria de transformação brasileira para o mercado norte-americano.
Superávit dos EUA
O relacionamento bilateral também é positivo para os Estudos Unidos, que mantêm um superavit expressivo nas transações com o Brasil. Nos últimos cinco anos, os EUA acumularam um superavit de US$ 58,3 bilhões no comércio bilateral de bens e de serviços entre 2019 e 2024. O Brasil se destaca pelo saldo positivo para os EUA, ao contrário de países como China, Canadá, México, além da União Europeia, com os quais os norte-americanos enfrentam deficit.
Defesa da relação bilateral
“Empenharemos esforços para dialogar com o governo brasileiro e o governo americano, para conciliar os interesses dos setores produtivos e demonstrar que o relacionamento bilateral é altamente positivo para ambos os países”, afirmou Ricardo Alban, presidente da CNI, à coluna. “A CNI continuará trabalhando para manter a melhor relação comercial com os EUA, que são o principal destino dos produtos manufaturados do Brasil.
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