CNI se manifesta oficialmente “indignada” com Copom

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Entidade que representa a indústria reclamou que decisão de aumentar taxa Selic é baseada em “ruídos passageiros”. Analistas econômicos, no entanto, apontam que é preciso ajuste fiscal do governo para baixar juros

Por Samanta Sallum

A Confederação Nacional da Indústria recebeu “com indignação”, segundo manifesto oficial da entidade, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de aumentar a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual. O movimento foi intensificado, já que banco  subiu o ritmo de aumento em 0,25 ponto percentual frente à reunião anterior.

“Trata-se de mais uma decisão extremamente conservadora da autoridade monetária. Isso porque o nível em que a Selic se encontrava antes da reunião já era mais que suficiente para manter a inflação sob controle. Por isso, essa elevação apenas irá trazer prejuízos desnecessários à atividade econômica, com reflexos negativos em termos de criação de emprego e renda para a população.”

Analistas econômicos, no entanto, apontam que se não vier um pacote de ajuste fiscal, com credibilidade, do governo federal, não haverá estabilização ou redução nas taxa de juros, dólar e inflação. No cenário atual, a XP prevê Selic podendo chegar a 13,25%.

Patamar “excessivo e incompatível”

A CNI reclamou, no entanto, que a decisão do Copom é baseada em “ruídos passageiros” sobre o cenário econômico do país. Segundo a entidade, estes não podem se sobrepor à tendência traçada pelos núcleos de inflação, indicadores que eliminam do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) os itens com preços mais voláteis.

A média dos 5 principais núcleos de inflação no acumulado em 12 meses até setembro foi de 3,8%, enquanto essa média havia registrado 4,3% no acumulado em 12 meses até dezembro de 2023.

Para o setor industrial, a Selic estão  em patamar “excessivo e incompatível” com os elementos que influenciam o quadro inflacionário. A CNI estima que a taxa básica de juros de equilíbrio deveria estar em 8,4% ao ano, considerando a inflação acumulada nos últimos 12 meses.

“A Selic atual está 2,85 pontos percentuais acima do nível necessário para conter a inflação e evitar prejuízo ao crescimento econômico”, argumentou a CNI em manifesto oficial.

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