O drama das cadeiras de Sérgio Rodrigues

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Coluna Capital S/A, por Ana Dubeux (interina)

O secretário de Cultura e Economia Criativa, Bartolomeu Rodrigues, está com um problema delicado nas mãos e espera resolvê-lo com a ajuda da sociedade civil. Quando foi feita a reforma do Cine Brasília, em 2014, as cadeiras do designer Sérgio Rodrigues foram substituídas por móveis que atendem os requisitos de acessibilidade exigidos pelos novos tempos. São pelo menos 700 cadeiras e todas elas estão guardadas em um depósito que funciona dentro do Teatro Nacional. A essas 700 se somaram 400 da Sala Martins Penna. Bartô esteve lá ontem para ver. Agora, são 1.100. Quando chegar a vez da Villa Lobos, serão cerca de 2 mil.

Segundo os técnicos da Secretaria, restaurá-las uma a uma não funcionaria porque continuariam sem condições de atender, além de se transformar num trabalho caríssimo, e sabe-se até quando iria.

São cadeiras consideradas inadequadas do ponto de vista de segurança. No entanto, arquitetos argumentam que o problema deveria ser submetido ao Instituto Sérgio Rodrigues para que ele adequasse um projeto às condições técnicas exigidas, preservando a obra do designer. Não são quaisquer peças, são de Sérgio Rodrigues, um dos maiores designers do século 20, convidado por Oscar Niemeyer para fazer a integração arte-arquitetura, por meio do mobiliário em uma cidade tombada como patrimônio cultural da humanidade. Sobrinho de Nelson Rodrigues, Sérgio inventou, a seu modo, o modernismo do mobiliário brasileiro e projetou o nome do país no mundo. E o Iphan autorizou a troca? E, se autorizou, não se preocupou com o destino dos móveis de Sérgio Rodrigues?

E agora, José? Que fazer? A primeira hipótese da Secretaria de Cultura seria leiloar. Outra é doar. Para quem? Para onde?

Bartô pretende levar o assunto em breve para o Conselho de Defesa do Patrimônio (Condepac). “Sei que irão surgir propostas mirabolantes. É aquela historia que disse no debate do Correio desta semana: a cidade envelheceu rapidamente e ninguém estava nem aí quando o mundo já dava sinais de mudança”, reforça.

O pessoal do governo Agnelo Queiroz trocou as cadeiras do Cine Brasília sob a alegação de cumprir normas de segurança. Só não conseguiu dizer para onde iriam. Cabe aos especialistas em patrimônio cultural, aos arquitetos e, talvez, ao Instituto Sérgio Rodrigues, responsável pela obra do designer, ajudarem a resolver o problema.

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