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Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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Dentro da dinâmica biológica do corpo humano, o coração ocupa posição essencial. Marca de maneira concreta a passagem do tempo. A idade individual torna-se mais fiel quando observada a partir de um dado simples: quantidade de horas em que essa bomba vital permanece ativa desde sua formação ainda no ventre materno.
Considerando um ritmo médio de 75 pulsações por minuto, um corpo com 20 anos carrega no tórax um órgão que já executou suas funções por mais de 175 mil horas. Resultado disso são centenas de milhões de movimentos alternados de contração e relaxamento, garantindo circulação, oxigenação e manutenção da vida.
Medicina bioeletrônica já reconhece que, ao redor do coração, existem conjuntos organizados de neurônios, cada qual desempenhando funções específicas voltadas à preservação da saúde cardíaca. Mesmo com avanços tecnológicos como marcapassos cada vez mais sofisticados, as funções desse órgão ultrapassam a simples mecânica física.
O Coração atua como elo entre matéria e dimensão subjetiva do ser. Sensações, emoções, pressentimentos e estados internos, como angústia ou alegria, são registrados nessa região, manifestando-se como aperto, alívio ou expansão no peito. Dimensão simbólica e espiritual amplia a compreensão do coração para além de sua função fisiológica.
Em diversas tradições antigas e correntes esotéricas, esse órgão é descrito como centro luminoso do ser, responsável por irradiar energia vital, equilíbrio emocional e conexão com planos mais sutis da existência. Não se trata apenas de metáfora poética, mas de uma forma de explicar experiências humanas profundas que escapam à lógica puramente racional.
Nesse entendimento, o coração atua como ponto de convergência entre matéria e espírito, local onde sentimentos ganham densidade e significado.
Místicos de diferentes culturas afirmam que contato com o divino não ocorre prioritariamente pelo pensamento, mas pela vivência interior sentida no peito. Estados como serenidade profunda, compaixão genuína, amor sem condições e sensação de unidade com o todo seriam acessados quando esse centro está desperto e harmonizado. O chamado Chakra do Coração, segundo essas tradições, representa o eixo do equilíbrio emocional.
Dele emanariam qualidades como esperança, confiança, aceitação, empatia, inspiração e entrega sincera à vida. Quando ativo, permitiria que o indivíduo se relacione consigo mesmo e com o mundo de forma mais íntegra e sensível.
Essa visão sugere a existência de dois polos de inteligência no ser humano. Um deles localizado na mente, responsável pela análise, pelo cálculo e pela lógica. Outro situado no tórax, ligado à percepção emocional, à intuição e à capacidade de sentir o outro. Não se trata de oposição, mas de complementaridade. Razão sem sensibilidade torna-se fria e distante; emoção sem discernimento pode perder direção.
Harmonia surge quando mente e coração atuam em sintonia, orientando escolhas mais conscientes e humanas. Linguagem cotidiana preserva essa sabedoria ancestral.
Expressões populares como “não tem coração” ou “coração de pedra” surgem para caracterizar indivíduos incapazes de empatia, afeto ou compaixão. Endurecimento emocional, nessa perspectiva, não é apenas um traço de personalidade, mas um desequilíbrio interno que afeta o próprio sistema cardíaco. Tradições populares e observações empíricas reforçam a ideia de que alegria, leveza e gratidão fortalecem o corpo, enquanto rancor, medo e tristeza prolongada o enfraquecem. Costume antigo afirma que pessoas alegres adoecem menos e vivem mais.
Essa percepção encontra explicação no fato de que alegria não nasce exclusivamente no pensamento abstrato, mas se manifesta fisicamente no peito, influenciando respiração, batimentos e postura diante da vida. Impressões do mundo exterior não são processadas apenas pelo cérebro, mas atravessam o coração, que reage, registra e devolve ao corpo sinais de equilíbrio ou tensão. Emoção e biologia, nesse sentido, caminham juntas.
Desejamos para 2026 estender essa reflexão ao campo coletivo. Que um coração forte pulse no peito daqueles que exercem poder e responsabilidade pública, não apenas como bomba mecânica, mas como centro sensível capaz de orientar decisões justas. Que esse sistema de neurônios cardíacos envie ao cérebro informações livres de ego, vaidade e avareza, estimulando a liberação de estados internos como harmonia, tranquilidade e solidariedade.
Que escolhas não nasçam do endurecimento emocional nem do aperto causado pela ambição desmedida. Que
a razão seja guiada por sensibilidade e que nossas autoridades caminhem lado a lado com humanidade.
A frase que foi pronunciada:
“O que os cidadãos realmente procuram é honestidade, além de um nível mínimo de competência.”
Patrick Lencioni

Dias depois…
Vamos aceitar. O serviço dos Correios sofreu uma queda vertiginosa de qualidade. No dia 22 de dezembro uma encomenda, postada com a promessa de chegada em dois dias pelo preço de R$ 211 ainda não chegou ao destino.

História de Brasília
Quando o governo pensar em importar sal, mande, antes, ver a vergonha da salina do Canoé, no Aracati, Ceará, que foi comprada para ser fechada. Tinha até linha de trem para transporte interno, e foi fechada criminosamente, para atender a interesses particulares. (Publicada em 13.05.1962)
VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)
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A indústria farmacêutica e os médicos A indústria farmacêutica sabe que a maioria dos médicos tem baixa remuneração e, por isso, os cerca com promessas e muitas outras vantagens tentadoras. Nesse ponto, a questão fica entre receber honorários justos e adequados ou se render e acabar caindo nas armadilhas da mercantilização da saúde.
Também os escândalos nessa área acontecem com muita frequência. Felizmente, para muitos médicos, o mais importante é manter o nome limpo e livre de escândalos. Na prática, o que se observa é que as relações entre médicos e indústria farmacêutica, quando estabelecidas dentro de regras éticas, torna essa parceria indissociável e proveitosa para todos, inclusive para os pacientes. Para tanto, faz-se necessário, mais do que boa vontade. É preciso estabelecer regulamentações que sejam seguidas por todos e cobradas de todos.
Anteriormente, o CFM, preocupado com essa questão, havia elaborado a Resolução 1.939/10, proibindo a distribuição, pelos profissionais, de cupons e cartões de desconto em medicamentos. Mais recentemente, o CFM elaborou a Resolução 2.386/24, publicada no último dia 2, que deverá entrar em vigor em seis meses. Por essa nova resolução, o conselho prevê que o médico que tiver vínculo com a indústria farmacêutica ou que produza insumos e produtos médicos, bem como equipamentos de uso médico exclusivo ou de uso comum com outras profissões, empresas intermediadoras da venda desses produtos, é obrigado a prestar informações ao Conselho Regional de Medicina em que estiver inscrito.
Em entrevistas, debates ou exposição ao público leigo a respeito da medicina e em eventos médicos, o profissional fica obrigado a declarar seus conflitos de interesse. Pela resolução, fica vedado ao médico receber quaisquer benefícios relacionados a medicamentos, órteses, próteses, materiais especiais e equipamentos hospitalares sem registro na Anvisa, exceto para pesquisa e que tenha sido previamente aprovado nos comitês de ética em pesquisa.
Frase que não foi pronunciada:
“A serpente se enrola no bastão. Sempre foi assim. A serpente está sempre em volta aguardando a oportunidade para seduzir, convencer e corromper.”
Dra. Sophia, a sábia

Inocência
Era setembro de 2016, quando o relatório de Fernando Bezerra aumentava a concessão de 20 para 25 anos aos cassinos e bingos. José Serra, à época, defendia que não havia nova riqueza com bingos e cassinos, “já que o jogador estaria tirando dinheiro de outra demanda para jogar.” O texto frisava que era proibida a exploração de jogos por detentores de mandato eletivo, cidadãos condenados por crime contra a ordem tributária, meio ambiente, lavagem de dinheiro de manutenção de empregados em situação análoga à escravidão.

Ação
Mais policiamento à noite, quando as queimadas começam no DF. Pela madrugada, carros de polícia que, raramente eram vistos, hoje, estão por todo lado.

História de Brasília
A cidade de Moreno, em Pernambuco, está para ficar sem prefeito. O vice pediu à Câmara a cassação do mandato do sr. Ney Maranhão, e ninguém sabe o que pode vir a acontecer naquele município. (Publicada em 18/4/1962)
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De acordo com o que diz o Código de Ética e segundo decisão do próprio Conselho Federal de Medicina (CFM), é exigido, tanto do médico quanto por parte da poderosa indústria farmacêutica, que ajam com total transparência e dentro dos princípios éticos que regem o exercício dessas profissões.
Mas o que se observa fora das letras e nas relações, cada vez mais próximas, existentes entre médicos e indústria farmacêutica é um natural — e pouco sério — jogo de interesses. Nessa história, a transformar e a reduzir a saúde num negócio muito lucrativo, há, por parte de ambos, interesses que vão além do que seja correto. Muitos médicos, encantados com as facilidades e os presentes ofertados pela IF, se deixam seduzir, adotando exclusivamente medicamentos, instrumentos e outros produtos dessas empresas, numa relação que passa longe da vista dos pacientes e bem longe ainda do que exigem os princípios éticos.
Quanto mais famoso o médico e as clínicas, mais as diversas indústrias farmacêuticas se acercam deles, com mimos de todo os tipos, incluindo viagens internacionais nos melhores hotéis, com tudo pago, e outros brindes de alto valor, para tê-los cativos de seus produtos. Óbvio que há muitas exceções. Profissionais sérios que não atendem esse tipo de reclame.
Recentemente, a empresa norte-americana INSYS Therapeutics foi condenada, naquele país, por subornar médicos para oferecer remédios elaborados com base em opiáceo, 100 vezes mais potente que a morfina e que provocavam forte dependência nos pacientes.
O Conselho Federal de Medicina vem fazendo, atualmente, o acompanhamento de muitos casos em que as relações entre médicos e a indústria farmacêutica extrapolam o que é permitido em lei. Para o CFM, a resposta a esses casos é dura e sempre a mesma, no sentido de penalizar os profissionais envolvidos. A questão, aqui, é que nessas relações há muito dinheiro envolvido e pressões vindas de todos os lados. Não é segredo para ninguém que a IF pressiona e faz forte lobby não apenas junto aos profissionais de saúde.
Existe uma forte presença da IF junto não somente a políticos influentes, como ao pessoal do Executivo, sobretudo o Ministério da Saúde, onde a sua atuação vem de longa data e com resultados sempre satisfatórios para essas empresas. Há, evidentemente, diversos riscos envolvidos nessas relações, para a população, que, de certa forma, acaba se transformando numa espécie de cobaia para essas indústrias, como afirmam alguns médicos.
Em países em que as leis são duras e aplicadas de imediato, com penalidades pecuniárias e cadeia por longo tempo, essas indústrias agem com maior cautela.
A frase que foi pronunciada:
“O lobby é a segunda profissão mais antiga do mundo.”
Bill Press

Solidariedade
Tudo preparado para hoje, no Olinda Bar e Restaurante, do Romão, na 202 sul, às 21h. Jomaci Dantas e Valdenor Almeida irão além da cantoria popular nordestina, desfrutando dos presentes, que participarão dando dicas para as composições improvisadas. Jomaci, o poeta Lola, usará a arrecadação feita no local para seu tratamento médico.
Descuido
Mais bueiros sem tampa fazendo vítimas. Dessa vez, na SCRLN 706, onde estacionam os carros. A foto está a seguir.
Homenagem
Bem lembrado por Malu Mestrinho. Um vídeo de Neusa França postado no YouTube pelo Instituto Brasileiro do Piano, liderado por Alexandre Dias, pesquisador e ex-aluno da pianista. Confira a seguir.
Representação
Representando o Brasil, o Coral do Senado fará parte do Festival de Coros Misatango em Berlim. O concerto será na Sala de Música de Câmara da Filarmônica de Berlim. Outras apresentações serão estendidas a Portugal, antes da volta. Toda a viagem é paga pelos próprios participantes.
Amor eterno
José Borges Mundim, falecido há anos, não parou de fazer piadas nem na própria lápide. Mandou gravarem “Vivi todo arranhado, mas não larguei a minha gata”. Dona Leontina, que obedeceu a ordem do velho, ria lembrando do passado e chorava pensando no futuro. Até que chegou a hora. E ela, confiou à filha a sua última frase no planeta Terra: “Pois é. A sua gata chegou e seu descanso eterno acabou, José.”
História de Brasília
Na partida, o aparelho foi obrigado a uma reversão violenta para poder sair de sobre os calços. Com a reversão, provocou forte deslocamento de ar que foi atingir em cheio a antiga estação presidencial, destelhando-a completamente. (Publicada em 04.04.1962)
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Com a Revolução Industrial, veio a sociedade de consumo e com ela o marketing, que nada produz e, mesmo assim, converteu-se na alma, a dar vida a todo e qualquer negócio. De tanto ser valorizado, neste mundo consumista em que estamos metidos, o marketing, ou a propaganda, tornou-se maior e mais importante até do que o produto que anuncia.
Como um papel de embrulho luxuoso, esse apelo imediato e insistente ao consumo esconde hoje, em seu conteúdo, exatamente o que não anuncia, numa armadilha pronta a capturar consumidores incautos e famintos. No Livro Sagrado, poderia muito bem ser representado pela alegoria do sepulcro caiado, a camuflar o engano. Em tudo, o marketing lança sua fumaça ilusória.
De perfume, passando por carros, roupas, comidas e até hospitais particulares. Tudo ao alcance de todos. No caso de hospitais particulares, abundantes na capital, onde a renda média da população, que vive nas áreas do Plano Piloto, é uma das mais altas do país, é fácil encontrá-los em cada canto, cada um oferecendo de remodelação estética completa até a vida plena eterna repleta de saúde. O problema com esse tipo de oferta mágica, à disposição de bolsos dispostos a pagarem os altos custos de atendimento, é que, uma vez retirado o papel de embrulho e examinado, bem de perto, o que esses estabelecimentos têm a oferecer, de fato, fica a impressão de que estamos sendo enganados da mesma forma que acontece em muitas igrejas neopentecostais, onde uma vaga no céu é vendida aos crentes, sem recibo e livre de impostos.
Quem adentra nesses moderníssimos templos da saúde, erguidos com os requintes de uma arquitetura que é somente uma fachada oca, equipados com os móveis da última feira de design de Milão, quadros chamativos e caros pendurados em cada recanto, jardins internos, salas de descanso, serviço de cafeteria, televisores e tudo o que o mundo do entretenimento poder oferecer, fica a sensação de que está adentrando num hotel de luxo e não em um estabelecimento que vende serviços de saúde.
Nesses ambientes, a união entre técnicos em instalação hospitalares e decoradores faz o impossível para que o paciente, agora transformado em cliente, não perceba a diferença entre estar em um ambiente de hospedagem e uma casa de saúde. A intenção talvez seja essa mesma. A ilusão propiciada pelo marketing da saúde começa a se esvair logo na primeira consulta, quando o paciente-cliente se depara com médicos que mais se assemelham a crianças, recém-saídos das muitas faculdades, também particulares, que se espalharam por todo o país nesses últimos anos.
Justiça seja feita. Com raríssimas exceções, esses encantadores hospitais não apresentam um corpo clínico de primeira linha, com doutores e currículos à altura da arquitetura desses portentos edifícios. O mundo vem abaixo com a bateria de exames pedidos a encarecer os serviços de diagnóstico. A pouca empatia entre médicos noviços e pacientes é logo notada. Aqueles médicos de cabelos brancos e ar cansado, que já perambularam por hospitais públicos por anos, e cuja a experiência faz a diferença, simplesmente não existem. Tudo é novo e embrulhado em papel de seda a esconder o que importa.
Por conta dos nomes estrelados que se apresentam como proprietários dessas joias, a fiscalização dos órgãos de controle da saúde jamais é vista. Talvez por conta desse simples fato, os hospitais de fachada têm se proliferado na capital, mais do que as viroses. A questão é que a maior parte são apenas cenários, com fachadas modernas, como papel de embrulho em caixa vazia.
A frase que foi pronunciada:
“O género humano assemelha-se a uma pirâmide cujo vértice – um homem, o primeiro homem – se esconde nas alturas quase inacessíveis de sessenta séculos sobrepostos uns aos outros, e cuja base, de miríades de indivíduos, poisa no abismo incomensurável de um futuro desconhecido.”
Alexandre Herculano, poeta português, historiador e jornalista

Presente
Veja, no blog do Ari Cunha, a cartilha elaborada pela Fiocruz e pelo Ministério da Saúde para ser distribuída pelo WhatsApp aos amigos, como presente virtual. Recebemos da leitora Ana Paula Cunha Machado.




Diplomada
Laice Miranda Machado comemora o bom desempenho obtido no curso “A Defesa Nacional e o Poder Legislativo”, promovido pela Escola Superior de Guerra.
Pauta
É hoje que o famoso chef Dudu Camargo vai participar da campanha “Nosso Natal 2020”, para crianças e adolescentes da Instituição Batuíra, localizada em Ceilândia Norte. A primeira-dama, Mayara Noronha Rocha, foi a catalisadora da ação que é coordenada pela Subchefia de Políticas Sociais e da Primeira Infância.

Ontem
Interpretando JK, o ator João Campos já comemora o episódio pronto e disponível das Histórias de Brasília nas plataformas digitais. Vamos conhecer o passado da nossa cidade. Veja no link Primeira radionovela sobre Brasília estreia nesta quinta (17/12).

HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Por mais um mês ficará, ainda, interrompida a pista do Eixo Monumental do lado da Câmara. E que estão construindo o túnel que ligará ao novo anexo do Congresso. (Publicado em 20/01/1962)






