Leviatã na mira da modernidade

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

Talvez motivado por seu gigantismo geográfico, achou por bem, o Brasil, criar um Estado que fizesse par tanto ao seu colosso territorial diverso quanto a sua multiculturalidade, advinda de três continentes e que aqui compuseram a nova raça, sui generis e mestiçada. Passada a fase embrionária da industrialização do pós-guerra, atendidos os requisitos necessários para o desenvolvimento, todos os governos que vieram na sequência, com ou sem democracia, acreditaram ser o estatismo o único meio seguro para o país encontrar o caminho do progresso.

Depois de alguns acertos e muitos erros, ao final de um processo de estatismo que se estendeu até as portas do século XXI, o que restou desse modelo foi a construção de um Ciclope que passou a se alimentar diretamente do sangue dos cidadãos, transformados todos em contribuintes ou, mais precisamente, doadores compulsórios de sangue.

A criação de um Estado dessa envergadura e complexidade obviamente que passaria a exigir mais e mais energia de todos, até a um ponto de autodestruição do modelo. É certo que seguindo numa sequência insensata como essa, em que, à medida em que o Estado cresce, declina, num mesmo ritmo, o índice de desenvolvimento humano da população, chegaria um momento em que um ponto de inflexão, ou de uma virada abrupta, se faria necessário, sob pena de toda uma nação ser engolida pelo gigante.

O que se tem nesse momento é precisamente esse fim de um ciclo de irracionalidades em que o Estado gasta absolutamente tudo o que arrecada para se manter de pé, respirando. É justamente essa retroalimentação contínua do Estado, que exaurindo todos os recursos do país e que torna o Brasil claramente ingovernável do ponto de vista de suas finanças, que precisa ser detida com urgência máxima.

É preciso colocar esse nosso Leviatã inzoneiro sob a mira da modernidade. É sabido que um tal esforço que possa, ao menos, flexibilizar os gastos em educação e saúde, descentralizando os recursos da União, além da extinção de todos os municípios com menos de 5 mil habitantes, cuja a arrecadação seja menor que 10% da receita total, sofrerá, por parte do Congresso, enorme oposição. Basta ver o que foi feito com a reforma da Previdência e com o pacote de segurança que sequer foi apreciado.

A resolução das finanças do Estado, alterando o modelo de gasto público e dando maior poder e recursos para estados e municípios, como reza a Constituição, é o caminho correto para sanear o Tesouro Nacional. O ministro Paulo Guedes e sua equipe têm feito um esforço supra-humano para conduzir o país à modernidade econômica e sabe das dificuldades que terá pela frente para ver aprovadas as três propostas de emenda à Constituição (PECs) ainda em tempo de salvar o país de mais um período de estagnação. Já se sabe de antemão que o novo modelo proposto para as reformas no funcionalismo público é a que irá causar os mais intensos debates dentro do parlamento, em razão de ser também uma das mais necessárias e urgentes para organizar a tão temida e onerosa máquina pública.

O Centrão e o que restou da esquerda já estão em campo bombardeando as propostas, o que é um sinal claro de que o governo está no caminho certo.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“ … a arte do homem… pode fazer um animal artificial…Mais ainda, a arte pode imitar o homem, obra-prima racional da natureza. Pois é justamente uma obra de arte esse grande Leviatã que se denomina coisa pública ou Estado … o qual não é mais do que um homem artificial, embora de estatura muito mais elevada e de força muito maior que a do homem natural, para cuja proteção e defesa foi imaginado. Nele, a soberania é uma alma artificial,pois que dá a vida e o movimento a todo corpo… A recompensa e o castigo… são os seus nervos. A opulência e as riquezas de todos os particulares, a sua força. Salus populi, a salvação do povo, e a sua função… a equidade e as leis são para ele razão e vontade artificiais. A concórdia é a sua saúde, a sedição sua doença, e a guerra civil sua morte. Enfim, os pactos e os contratos que, na origem, presidiram a constituição, agregação e união das partes desse corpo político, assemelham-se ao Fiat ou façamos o homem, pronunciado por Deus na criação.”

Thomas Hobbes, matemático, teórico político e filósofo inglês, em O leviatã, 1651.

Imagem: pinterest.com

 

 

Mérito

Chegou a hora de reconhecer que a equipe técnica do presidente é espetacular. Tanto a da linha de frente quanto os de outros escalões. Ficam na retaguarda, trabalhando pelo Brasil, sem parar.

Foto: perfil oficial do presidente Bolsonaro no Instagram

 

 

Novidade

O ministro Marcos Pontes – da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – anunciou a criação de 8 laboratórios de inteligência artificial no Brasil que vão desenvolver cidades, indústrias, agro [rural], saúde. A notícia foi dada pelo perfil oficial do presidente Bolsonaro no Instagram.

Imagem: perfil oficial do presidente Bolsonaro no Instagram

 

 

Gestão

Nascida em parceria com o Conselho Federal de Administração, a rádio ADM lança o primeiro podcast sobre os cinco principais desafios da gestão de pessoas no setor público. Com Thiago Bergman, professor da Escola Nacional de Administração Pública e analista do TSE. Acesse pelo link Os 5 Principais Desafios da Gestão de Pessoas.

 

História de Brasília
» A arborização da cidade está sendo prejudicada pelos “paisagistas domésticos”. Das árvores plantadas, mais de cinqüenta já foram roubadas. Exemplo de mau gosto, foi o do ladrão que retirou um flamboyant do jardim da Sorveteria Americana. (Publicado em 6/12/1961)

A inutilidade crescente dos partidos políticos

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ARI CUNHA – In memoriam

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Ainda está a carecer de análises sérias e desapaixonadas sobre os fenômenos que propiciaram a eleição acachapante de Jair Bolsonaro para presidente da República. Pelo menos para que os ditos analistas possam entender o ocorrido à luz da ciência política.

Do ponto de vista da população em geral, não há essa necessidade. Ali, os fenômenos dessa magnitude são encarados como decorrentes de forças naturais que simplesmente ocasionam desgaste de pessoas e ideias ao longo do tempo, o que acabam por favorecer candidatos fora do espectro tradicional. Contudo, para o cidadão mais escolarizado e ligado na intensa movimentação política que tem sacudido o país desde 2005, quando estourou o escândalo do mensalão, esses novos fenômenos, de caráter social e global, necessitam ser melhor entendidos.

De saída sabe-se que muitas foram as causas que concorreram para a vitória de Bolsonaro, muitas, inclusive, já examinadas e reviradas por muitos analistas. Colocados sobre a mesa, os principais fatores que concorreram para a vitória de Bolsonaro podem ser reconhecidos a partir do grau de importância nessas eleições. Para surpresa geral, essa disputa eleitoral mostrou que grande soma de dinheiro, seja em malas, cuecas, apartamentos, caixa dois e outras modalidades ilícitas não tem o condão de se sobrepor à vontade livre das urnas. Outra constatação imediata advinda dessas eleições é que as televisões e os institutos de pesquisa de opinião perderam a antiga força de persuasão. Não se sabe ao certo ainda, mas, ao que parece, os bruxos do marketing político, que até aqui ganhavam fábulas de dinheiro fabricado em seus caldeirões políticos sob medida, estarão desempregados doravante.

De fato, o desencanto da população com os partidos e com a classe política atingiu níveis nunca antes experimentados, levando muitos brasileiros a optar por alternativas fora desses nichos tradicionais.

O que não resta dúvida é que foram justamente os partidos políticos, as instituições que mais perderam prestígio e poder nessas eleições. O motivo salta aos olhos. Transformadas, desde a redemocratização, em verdadeiras empresas do tipo “Tabajara”, os partidos políticos, nem de longe, conseguem atender hoje as demandas democráticas de uma sociedade que evolui muito mais veloz do que esses organismos monolíticos.

 

A frase que foi pronunciada:

“A ideologia instaura uma cisão entre a realidade e os conceitos, arranca as ideias de seu enraizamento orgânico na realidade, e assim petrifica o pensamento para controlar as pessoas.”

Ernesto Araújo, futuro ministro das Relações Exteriores

Charge: ouniversitario.saojeronimo.org

 

No mínimo

Ibram continua em silêncio em relação ao lixo do Paranoá Parque levado pelas águas da chuva até uma nascente no Setor de Mansões do Lago Norte. É preciso que o SLU amplie o projeto papa entulho naquela região para que os moradores descartem material em desuso em local apropriado.

 

Bem representado

Marcos Linhares, reconduzido na presidência do Sindicato dos Escritores de Brasília, vai criar o Instituto Distrital do Livro. Outra iniciativa é que escritores regionais sejam citados nas provas de vestibular. Há também a ideia de uma criação literária colaborativa na Biblioteca Maria da Conceição Moreira Salles. Veja as fotos da nova diretoria no blog do Ari Cunha.

 

Deu certo

Vale conhecer a simpática loja Bananika, na 205 Norte, bloco C, da arquiteta Priscila Martins Costa. Brinquedos inteligentes, ambiente agradável. O local abriga peças de diversos parceiros com venda colaborativa.

Fotos: facebook.com/lojabananika

 

Para inglês ver

Depois da urna eletrônica, o mais difícil de acreditar nas últimas eleições foi a cota para mulheres. Vale uma pesquisa acadêmica sobre a realidade do assunto. Os conchavos da base dos partidos e a vontade dos chefões das siglas se sobrepõem à qualidade dos candidatos.

 

De graça

Nessa sexta-feira, dia 23, por volta das 18h30, Oliveira das Panelas fará um show com entrada franqueada ao público na antiga Ascade, 610 Sul. A programação é do Sindilegis. O compositor, poeta, cantor e repentista será antecedido no palco por Nonato de Freitas, que fará um breve histórico sobre a cantoria: da Grécia à Serra do Teixeira, na Paraíba. Veja um pouquinho de Oliveira das Panelas no blog do Ari Cunha.

 

Greve

Alimentação dos alunos e limpeza das escolas comprometidas com a falta de pagamento. O GDF garante que o repasse foi feito e que o salário dos funcionários é de responsabilidade das empresas contratadas pelo governo.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Brasília tem tudo para possuir um serviço exemplar de Correios. Basta que o DCT compreenda isto, aumente o número de agências, humanize o trabalho, higienize o ambiente, e modernize a compreensão que os funcionários têm sobre suas atividades. (Publicado em 05.11.1961)

A mais penosa e gratificante das reformas

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ARI CUNHA – In memoriam

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Charge: ambientelegal.com.br

Timing, uma expressão da língua inglesa, ganhou, entre nós, um significado além daquela proposta pela palavra em sua origem. Entre os brasileiros, a expressão passou a significar aquele que age no tempo certo, em sintonia com as demandas do momento. Foi justamente o que aconteceu agora com a eleição de Jair Bolsonaro. Não se sabe se consciente dessa atitude ou não. O fato é que apresentou sua candidatura à presidência mesmo contra todas as probabilidades e contra a previsão dos principais órgãos de pesquisa de opinião e de grande parte da imprensa televisiva, radiofônica e impressa.

Venceu com um discurso direto e sem rodeios, falando exatamente o que os eleitores queriam ouvir naquele momento. Pode ser que os ventos mudem, mas até lá terá feito seu trabalho. Nesse sentido, Bolsonaro teve o timing preciso e se destacou dos demais concorrentes e quase sendo eleito ainda no primeiro turno.

Foto: Patrick Rodrigues / Agencia RBS

Se de certa forma foi uma vitória fácil e de baixo custo, o desafio que terá pela frente será ciclópico. Bolsonaro sabe, e já disse, que se falhar nessa missão, as chances do Partido dos Trabalhadores, ou mais precisamente o lulismo, retornar são imensas e ele voltará ainda mais assanhado e arrasador. O futuro presidente sabe também que serão feitas todas as tentativas possíveis, lícitas ou não, para desestruturar sua gestão nos próximos anos. É do seu conhecimento também que a imensa rejeição ao lulismo, empurrou boa parte do eleitorado ao encontro de sua pregação.

Dos enormes desafios que terá pela frente, um se destaca como o fundamental e que poderá garantir, inclusive, sua reeleição. Trata-se de uma tarefa por demais delicada e que pode acarretar muitas críticas e dissabores, mas que se faz premente, se quisermos, algum dia, ocupar um lugar de destaque no mundo das ciências. Para tanto, terá que contar com a assessoria dos melhores e mais bem preparados auxiliares.

A reforma das universidades públicas é hoje o maior e mais sensível desafio de todos. Já se sabe que o conhecimento científico é um dos principais referenciais de riqueza de uma nação. País rico é aquele que produz hoje ciência e tecnologia. O problema maior nesse caso, e mais urgente, é descontaminar ideologicamente as universidades públicas, livrando-as dos grilhões obtusos de uma esquerda anacrônica, que usa essas instituições como braços avançados de partidos radicais. Deixando claro que há exceções.

Quem visita hoje qualquer universidade pública no país se depara com o caos, com a depredação, com as invasões, com as paralisações constantes dos trabalhos, com alunos semianalfabetos que só sabem repetir refrães gastos e sem sentido.

Foto: aluizioamorim.blogspot.com

Ademais, é preciso reforçar, lembrar e cobrar o fato de que essas instituições são bancadas pelos contribuintes. Obviamente que não se trata aqui de retirar das universidades a pluralidade de pensamento, necessária e fundamental para o desenvolvimento de toda e qualquer ciência. Que não venham com inversão dos sentidos semânticos. Sugestão de leitura: A corrupção da inteligência, de Flávio Gordon.

Quem viaja pelo mundo, e mesmo os estudantes bolsistas, se assusta com a qualidade das universidades estrangeiras, principalmente com a ordem interna adotada pelas reitorias. Não há depredação do patrimônio, não há evasivas para não assistir aulas. Professores e alunos produzem e são constantemente cobrados.

Não surpreende, pois, que esses países ostentem altos níveis de ensino e são detentores da maioria dos prêmios Nobel do mundo. Tristemente, o Brasil, pelo seu tamanho e importância, não sabe o que é e qual a importância dessa premiação.

De saída, uma boa medida seria o estabelecimento de um novo teto salarial, que passaria a ter como referência o salário de um professor ou pesquisador universitário, com dedicação exclusiva e no final de carreira. É um parâmetro justo para quem orientou e instruiu nossas autoridades e líderes.

Quando o país passar a adotar esse novo referencial, as coisas vão mudar, com todos voltando a desejar e respeitar a profissão de educador. Antes, contudo, é preciso fazer uma faxina geral nessas instituições, demitindo e jubilando professores e alunos que não fazem jus ao que recebem. Dispensar aqueles que os contribuintes desembolsam para bancar os privilegiados.

Ou é isso ou continuaremos patinando na lama por mais um século, vendendo milho e soja como feirantes do planeta, isso em pleno século XXI.

 

A frase que foi pronunciada:

“Se então um fim prático deve ser atribuído a um curso universitário, eu digo que é o de treinar bons membros da sociedade… É a educação que dá ao homem uma visão clara e consciente de suas próprias opiniões e julgamentos, uma verdade em desenvolvê-los, uma eloquência em expressá-los e uma força em exortá-los. Ensina-o a ver as coisas como elas são, ir direto ao ponto, desenredar um misto de pensamento para detectar o que é sofista e descartar o que é irrelevante ”.

– John Henry Newman, a ideia de uma universidade

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

PS.: A Embaixada de Israel quer saber a razão do título da nota “Atiradores”, na coluna do dia 04/11/2018. Eu não sei porque o título não foi dado por mim.

E mais: os parafusos da chapa são por conta do proprietário do carro. Então acontece isto: ou a chapa é presa com arame, ou o proprietário do carro terá que procurar o Paraguaio para lhe vender seis parafusos, que custam 60 cruzeiros. (Publicado em 04.11.1961)

O pêndulo

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ARI CUNHA – In memoriam

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Foto: bbc.com/portuguese/brasil
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        Desarmar os espíritos é um bom começo, mas não resolve quando o assunto são interesses humanos em jogo. Nesse sentido, é tão importante desarmar a agressividade dos homens como desarmar e desaparelhar as instituições do Estado, livrando-as da ascendência maléfica de ideologias, sobretudo aquelas que dominaram o país por longos treze anos. Exemplos vindos de toda a parte e em todo o tempo ensinam que os países, ao longo de suas histórias, experimentaram movimentos pendulares na política, ora oscilando numa direção, ora em outra, mas sempre mantendo e obedecendo a direção imposta pela sociedade.

       No Brasil, essa dinâmica não é diferente e segue exatamente os anseios expressos pela maioria dos cidadãos. Analisando o tema do ponto de vista dessas alternâncias entre sístoles e diástoles ou entre o inspirar e expirar, é fato que em decorrência de marcos puramente históricos, advindos de nossa formação sui generis, é possível detectar na sociedade brasileira, em todos os patamares da pirâmide social, a presença de um forte elemento conservador. É preciso, no entanto, esclarecer que o termo conservador aqui não significa, como muitos teóricos da esquerda gostam de pregar, algo atrasado ou parado no tempo.

       O termo se liga muito mais a preservação daquilo que os brasileiros emprestam um valor simbólico, fundamental até para a existência de cada um, como é o caso da família, da preservação da vida, da religião e de outros elementos que sempre estiveram presentes na vida do cidadão comum, seja ele rico ou pobre, branco ou não. O que está acontecendo agora, com a provável eleição de Jair Bolsonaro, começou a ser preparado quatro anos atrás, com a eleição para o Congresso da maior bancada conservadora em meio século. Levantamentos feitos pelo Ibope há dois anos passados mostravam que 54% dos brasileiros de todas as classes expressavam posições conservadoras em relação a temas como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo, maioridade penal, pena de morte e outros temas relevantes.

      Obviamente que alterações de curso, dentro do tecido social, como é o caso do aumento extraordinário dos índices de violência, fizeram a população mudar radicalmente de posição, considerando, pela primeira vez, tanto a pena de morte como a prisão perpétua para crimes hediondos, como única saída possível para consertar o país. A possível eleição de Bolsonaro vem justamente nessa onda de conservadorismo, adormecida desde 1964.

         Para os analistas, a grande questão será como os conservadores, que puseram agora a cara na janela, irão tratar da questão da desigualdade social histórica, de forma a fazer valer esses valores, principalmente quanto a agenda liberal de diminuição do Estado e o fim de privilégios há muito enraizados em nossa nação.

        O saudoso Betinho costumava dizer que democracia não combina com fome e desigualdades. Nesse caso, se os conservadores conseguirem, de fato, reduzir esses abismos existentes no país entre pobres e ricos, conseguirão se manter no poder. Caso contrário, o pêndulo irá seguir seu caminho, oscilando para o outro lado.

A frase que foi pronunciada:

“O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter.”

(Cláudio Abramo)

Cesáreas

Parto cesariana sem necessidade, indução a evitar a amamentação, mutilação e outros problemas enfrentados pelas mulheres enquanto são vulneráveis. Depois de várias discussões sobre o assunto, em todas as instancias dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, o máximo feito até agora sobre o assunto é a intenção de ajudar municípios do país a executar metas fixadas pelo Ministério da Saúde.

Charge do Juliano Henning
Charge do Juliano Henning

Conveniência

Esse problema está diretamente relacionado à decisão médica. Dados do Ministério da Saúde apontam que 40% dos partos feitos na rede pública são cesarianas, enquanto nos hospitais particulares este número sobe para 80%. É muito mais conveniente para o médico agendar o parto do que ser surpreendido com chamados fora de hora. Mas é ético?

E mais

Médicos particulares cobram por volta de R$ 5.000,00 para acompanhar o parto normal com a assistência de doula.

Em tempo

Debatidas no 32º Congresso Mundial da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), as altas taxas de cesáreas. Em entrevista à Agência Brasil, o diretor da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Corintio Mariani Neto, apontou a necessidade de adotar equipes multiprofissionais que atendam pacientes para o parto normal. Essa equipe teria a enfermeira obstétrica e a obstetriz. Só em casos de intercorrência o médico seria chamado.

Cartaz: odiariocarioca.com
Cartaz: odiariocarioca.com

Científico

Um estudo apresentado pelos profissionais da Argentina e Suíça. Luz Gibbons, José M. Belizán, Jeremy A Lauer, Ana P. Betrán, Mario Merialdi e Fernando Althabe mostram os números globais e custos adicionais necessários para cesarianas desnecessárias. Não poderia ser diferente. O Brasil ocupa o 1º lugar no ranking. Leia os detalhes da pesquisa no blog do Ari Cunha.

Link de acesso à pesquisa: The Global Numbers and Costs of Additionally Needed and Unnecessary Caesarean Sections Performed per Year: Overuse as a Barrier to Universal Coverage

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

A razão da ausência do sr. Sette Câmara em Brasília não se deve a negligência do novo prefeito, mas ao governo. (Publicado em 02.11.1961)