Master chefe político

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

com Circe Cunha e Mamfil

colunadoaricunha@gmail.com;

Charge: padretelmofigueiredo.blogspot.com.br
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         Para um país cuja parcela expressiva da população ainda ronda os limites do mapa da fome soa um tanto quanto surrealista que os diversos grupos que ora se engalfinham em disputas políticas recorram justamente aos nomes de alguns alimentos típicos para dirigir ofensas e impropérios uns aos outros. Na batalha que antepõe pretensos grupos de esquerda e de direita, como se isso contivesse algum sentido claro para esses grupos e para a maioria dos brasileiros, coxinhas e mortadelas se reúnem em seus exércitos distintos e, ao chamado de suas lideranças fantoches, dão início as batalhas campais pelo país afora.

         Nessas refregas sobra bordoada até para a bandeira nacional, tornada, não se sabe exatamente por que, um símbolo que demarca e identifica os pelotões dos coxinhas. Os mortadelas exibem estandartes rubros, bem condizentes com a iguaria feita de embutidos de carne de boi e de porco. Observando na segurança bem armada dos palanques, os generais que comandam esses motins a distância não escondem sua aversão a ambas iguarias, preferindo o canapés fino servido em lautos banquetes e restaurantes requintados.

         Nessa nossa revolução às avessas, os novos sans-culottes, à falta de brioches, vão de sanduíches de mortadela regado a tubaína. Curioso e sintomático também que essa guerra de baixa culinária tenha justamente como chamamento as panelas que retumbavam uníssonas nos centros urbanos sempre que Dilma, a “generala” que rendia saudações à mandioca, aparecia na televisão.

         Aliás, nesse nosso “master chefe” político, as predileções culinárias e etílicas sempre serviram como fronteiras a demarcar territórios e personagens, identificando cada comandante pelo gosto a um acepipe próprio. Mas não se iludam! O consumo de bebidas e guloseimas para esses marechais da política só se realizam diante das luzes das TVs e em meio ao grande público.

         Essa lição foi dada por Jânio Quadros numa época em que o marketing era ficção científica. Naquela ocasião, o candidato histriônico desfilava pelos palanques, carregando, vistosamente, um sanduíche no bolso do paletó, para mostrar sua identificação com o populacho. Engana-se também quem crê que Lula seja um consumidor de cachaça barata. Quem conviveu com o ex-presidente e conhece a variedade de sua polêmica adega sabe que os preços e as marcas de sua coleção etílica é coisa só para grã-fino.

          Enquanto a população perde a cabeça e o estômago numa batalha vã em favor de um e de outro desses glutões políticos, na retaguarda, outros representantes da nação não se acanham nem um pouco em desviar recursos públicos, duramente destinados pelos pagadores de impostos para a compra de merenda escolar. O mais extraordinário nessas pelejas de coxinhas contra mortadelas é que essas batalhas culinárias podem vir a ter um desfecho melancólico com a prisão, que vai se consumando, da maioria desses maestros ou maîtres do atraso.

         Mais curioso ainda é observar que no catre, onde muitos foram e vão parar, as quentinhas servidas aos presos foram também superfaturadas e, portanto, são de baixíssima qualidade. Lição aprendida.

A frase que foi pronunciada:

“Eleições 2018. Cardápio sem suculência.”

Dona Dita

Charge: correiobraziliense.com.br
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SOS

Está instituído o selo MOLA, pela Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. O Selo MOLA se apresenta como reconhecimento formal concedido às entidades sociais, empresas, entidades governamentais e outras instituições que atuarem em parceria com o Hospital São Vicente de Paulo-DF no desenvolvimento de ações que agreguem forças à sua revitalização, impulsionando a melhoria da oferta de assistência em Saúde Mental do Distrito Federal.

Memória

Talvez ninguém lembre do PL transformado na Lei 8.985, sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em fevereiro de 1995, concedendo anistia aos 16 parlamentares, candidatos às eleições gerais, condenados por terem usado a gráfica do Senado ilicitamente com fins eleitorais. Houve a anistia e o mais importante: o ressarcimento aos cofres públicos.

Vale a leitura

Sivirino Com “I” e o Deus da Pedra do Navio, da Editora Chiado. Novela do paraibano-brasiliense que põe o personagem principal discorrendo, nordestinamente, os ensinamentos de deuses, profetas e mestres. Mangar do nome estranho nunca baixou a auto estima. É a fortaleza comum do Nordeste.

Imagem: saraiva.com.br
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Intocáveis

Talvez seja o encontro do Mercosul, mas o fato é que carros pretos, com placas normais e alguns com luz circular no capô voam pela cidade sem respeitar qualquer pardal. Na quinta-feira, por volta das 18h40, foram vários correndo e cortando os outros carros na L4. Na sexta-feira, por volta das 11h55, outro descia a W3 em direção à Bragueto. A velocidade perto do pardal da parte inferior da ponte não foi respeitada. Veja a foto no blog do Ari Cunha.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Agora se sabe porque os moradores do IAPFESP (104 e 304) nunca terão suas superquadras urbanizadas. O Delegado dr. Aracaty foi quem autorizou a construção de casas de alvenaria no canteiro de obras. (Publicado em 20.10.1961)

Fome de política pública que dê autonomia

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ARI CUNHA

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Charge: blogdozebrao.com.br
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         Entre as contradições e singularidades próprias de um país desigual como o nosso, nenhuma característica parece ser mais impactante e escandalosa do que o fato de nos colocarmos hoje na posição de celeiro do mundo, fornecendo quantidades recordes de alimentos para a população do planeta. Ao mesmo tempo assistimos, de mãos atadas, ao regresso de parcela significativa dos brasileiros ao mapa da fome. Segundo o IBGE, em 2017, 25,4% da população do país vivia na linha de pobreza, com menos de US$ 5,5 por dia, que é o valor que o Banco Mundial adota para definir o grau de pobreza de um indivíduo. Nem mesmo a surpreendente produção de 241 milhões de toneladas, atingida agora pelo país, foi capaz de minorar o problema histórico da fome e que deixa mais de 7 milhões de brasileiros sem ter absolutamente nada o que comer e outros 30 milhões em estado de subnutrição crônica.

             Alguns especialistas consideram que a questão central nesse dilema não está na capacidade de produção e sim no acesso, restringido pela baixa renda da população, pelos preços altos de alguns itens da cesta, listados como commodities e cotados em dólar.

        Outros analistas do problema enxergam nessa contradição a comprovação mais sólida de que o chamado agronegócio, responsável direto pela produção surpreendente de grãos e proteínas, é, por excelência, um setor concentrador de renda, enriquecendo apenas aqueles indivíduos que dominam esse negócio. Ressalta-se que foi apenas em 2014 que o país conseguiu sair oficialmente do mapa da fome, quando já ostentava, perante o mundo, sua condição de celeiro da humanidade. Indiferentes da realidade de pobreza e fome que assola parte do país, políticos de todas as matizes ideológicas vêm por anos explorando essa situação, não em busca de soluções para o problema, mas tão somente visando tirar proveito próprio de uma e outra situação.

Charge: flogao.com.br
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           Nesse ponto, tanto a bancada ruralista como aqueles que se opõem ao agronegócio falam de um Brasil muito distante de seus gabinetes e que só entram em contato às vésperas das eleições.

          Guaribas, no Piauí, foi o primeiro município do país a receber o Bolsa Família e onde o proselitismo petista armou seu mais vistoso palanque intitulado Fome Zero. Uma década depois, a cidade vive unicamente dos recursos do Bolsa Família e da pouca movimentação do seu comércio local, movido também às custas do crédito que a população local recebe do programa.

         Incrivelmente, a riqueza que sai dos campos em forma de alimentos não foi capaz de alterar o quadro de pobreza que assola as populações vizinhas. 80% da pobreza no país está, segundo o IBGE, concentrada justamente nas áreas rurais, principalmente próximas aos estados do Maranhão, Alagoas, Piauí e Amazonas.

             Mesmo cidades do Sudeste, como Japeri, na Baixada Fluminense, por onde correm os oleodutos da Petrobras, com seu ouro negro, a situação é calamitosa. 90% da população local não possui emprego fixo e vive de pequenos bicos.

A frase que foi pronunciada:

“Essas crianças estão nas ruas porque, no Brasil, ser pobre é estar condenado à marginalidade. Estão nas ruas porque suas famílias foram destruídas. Estão nas ruas porque nos omitimos. Estão nas ruas e estão sendo assassinadas.”

Betinho

Charge: humorpolitico.com.br
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Insegurança

Está tudo tão mudado e violento que uma leitora conta ter recebido um telefonema de uma ordem missionária oferecendo a visita de Nossa Senhora na residência. Ela paga um carnê e foi através dessa ajuda mensal que a freira fez o contato. A resposta foi firme: “Não precisa trazer a imagem. Muito obrigada. Nossa Senhora já está aqui.”

Guará em festa

Tudo certo para a alegria no Parque Ezechias Heringer, no Guará. Liberados os R$75 mil para a festa entre promoção da educação ambiental e ações sustentáveis além do concerto do projeto Parque Cultural, com a Orquestra Sinfônica Itinerante do Teatro Nacional Claudio Santoro, sob a regência do maestro Claudio Cohen. Nesse sábado, a partir das 8h.

Link para mais informações: Projeto Parque Cultural no Parque Ecológico Ezechias Heringer – Guará

Perícia

O Batalhão de Aviação Operacional da PMDF irá receber um boroscópio. O aparelho é importantíssimo e a inspeção de motores de aeronaves exige uma perícia cirúrgica do operador. Trata-se de um aparelho parecido com o usado em endoscopia ou laparoscopia.

Foto: pilotopolicial.com.br
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Hermenêutica

Uma injustiça: estagiários não poderem ter dias de folga concedidos pelo TSE por trabalharem nas eleições. O argumento de que o estágio não gera vínculo empregatício é falho. A folga deve ser dada a quem ajudou o Brasil. Isso sim!

Competência

Volta hoje, da Cidade do México, o coronel George Cajaty Braga, do Corpo de Bombeiros. Ele proferiu palestra no Fórum Undertanding Risk. O militar, que representou o Distrito Federal e o Brasil, tem como bagagem um pós-doutoramento em Tecnologia de Combate a Incêndio, feito no Building and Fire Research Laboratory do National Institute of Standards and Technology, NIST/EUA, e Doutoramento em Física de Estado Sólido, pela Universidade de Brasília.

Foto: bombeiros.go.gov.br
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HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Os moradores do Setor de Residências Econômicas continuam apelando, agora não se sabe mais para quem. Mas é isto: não há um ponto de táxi, não há comércio, não há assistência médica, não há nada. As cobras estão soltas, e ninguém acode a população daquele bairro. (Publicado em 20.10.1961)

Datacracia, os olhos do grande irmão

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ARI CUNHA

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Charge: ambientelegal.com.br
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         Especialistas e pesquisadores de todo o planeta e do Brasil, que ultimamente vêm analisando as possibilidades geradas pelo advento do mundo digital na organização das sociedades, vislumbram, por detrás do enorme sinal de interrogação que vai escondendo a realidade atual, a possibilidade de o mundo atual estar caminhando, a passos largos, ao encontro do Grande Irmão onisciente, conforme delineou George Orwell no romance 1984.

         Para países dominados ainda por um fortíssimo e antigo sistema burocrático, como é o nosso caso, comandado pelo Estado, com o auxílio de cartórios e outras instâncias que sobrevivem justamente da complicação nos trâmites de documentos e processos, a possibilidade de estarmos rumando em direção à uma nova e inusitada forma de governo do tipo Datacracia parece cada vez mais real e inexorável.

         A transformação paulatina da gestão pública em algo tecnocrático, impessoal e dominado por nova burocracia digital, ao dificultar o acesso direto dos cidadãos aos responsáveis pelo governo, poderá retirar dos gestores públicos a responsabilidade por suas ações. Nesse caso, as responsabilidades por qualquer ato lesivo ao cidadão, decorrente da labiríntica burocracia, poderão caber unicamente ao “sistema”, ou seja, a um “ser” virtual, impossível de ser levado fisicamente aos tribunais.

         Para um país como o Brasil, atalhado por uma burocracia endêmica, herdada ainda da fase colonial, as ameaças desse processo de digitalização são ainda maiores e mais preocupantes do que em outras partes do mundo. O antropólogo francês Lévi-Strauss costumava dizer que o Brasil era um caso único de país que passou diretamente da barbárie à decadência, sem conhecer a civilização.

          No nosso caso, apanhados de surpresa por um mundo em processo rápido de informatização digital, corremos o risco de adentrarmos, totalmente despreparados, numa nova era, comandada por programas de computadores, sem antes termos resolvidos o problema histórico da burocracia onerosa. E para não renunciarmos nem uma coisa, nem outra, ao invés de eliminarmos, pura e simplesmente todo e qualquer traço de burocracia, vamos em busca de digitalizar a burocracia existente, dano nova vida e nova dinâmica aos diversos cartórios. Com isso, estamos turbinando uma atividade predadora que já deveríamos ter eliminado há muito tempo, dando nova vida a um sistema parasitário que se beneficia há séculos do descaso do Estado, de quem é sócio na criação de dificuldades e na venda de facilidades.

      A datacracia, que seria um governo comandado das profundezas do oceano digital, aliada aos traços, já conhecidos de casos sequenciais de corrupção avassaladora, poderia produzir entre nós uma espécie de Frankenstein tão sui generis com extremo perigo para os cidadãos.

         Aliás, o próprio status de cidadão com todos os seus direitos e deveres, conforme conhecemos hoje, deixaria de existir, substituído por um código sequencial de algoritmos, só inteligível por máquinas sofisticadas, instaladas nas nuvens distantes. Nesse caso, nada, nem as leis, de nada serviria.

A frase que foi pronunciada:

“Num tempo de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário.”

George Orwell

Charge: anf.org.br
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Chão batido

Em 1969, a campanha em Brasília era para que cada morador contribuísse com o jardim da quadra. Hoje não aparece um deputado distrital com a ideia de transformar em lei a obrigatoriedade de cada quadra, cada condomínio ter uma horta e um pomar. Pelo contrário. Quando os moradores se reúnem para uma iniciativa como essa, aparece um síndico como o da 216 norte e cimenta tudo.

Foto: xapuri.info
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Absurdo

Cidade administrativa, Brasília é movimentada por concursos públicos. As bibliotecas da cidade são uma vergonha. Estacionamentos sem segurança, furtos dentro das próprias salas de estudo são comuns. A biblioteca da UnB, a mais procurada, continua fechada.

Foto: crb1.org.br (Felipe Menezes)
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Xô

Por falar nisso, os alunos do “Baixo IRA” (Índice de Rendimento Acadêmico) da UnB, que gostam de paralisações, levaram um susto no Departamento de Agronomia. Foram escorraçados de lá pelos estudantes do “Alto IRA” que estão ali para estudar.

Foto: facebook.com/studentsforlibertybrasil
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Que bom

No Mangai do Shopping ID, turistas saíam com altos elogios ao atendimento da Érica e do Rafael.

Foto: ryqueza.com.br
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SMLN

Região com o valor do IPTU altíssimo não tem retorno pelo alto preço dos serviços. A água chega com a cor de lama, e a energia desaparece no meio da tarde sem qualquer explicação. Verificar se há descontos nas contas pelo ocorrido é perda de tempo.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Caixa Econômica o que, Pedro. O dr. Felinto foi da Casa da Moeda! Corrija, Arnaldo, por favor. Saiu toda errada, a notícia de ontem. Não precisa repetir. (Publicado em 20.10.1961)

Pular de alegria quando o governo investe bem. Isso deveria ser o Carnaval.

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ARI CUNHA

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Charge: http://midianews.com.br/charges
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          É mais do que sabido que o dinheiro público, de fato, não existe. Ele é apenas tomado do contribuinte, que não tem como escapar do leão da receita, para os cofres do Estado. Desse ponto escoa para onde os políticos, que estão ocupando cargos no governo, determinam. A partir desse ponto a escolha de onde aplicar esses recursos, que crescem a cada ano, passa a depender do grau de comprometimento do governo com a bancada que vai lhe dar apoio, dentro da lógica perversa de governo de coalizão e com a proximidade das eleições.

        É preciso notar ainda que a meio do caminho, boa parte dessa bolada irá ser consumida com o funcionamento da gigantesca e burocrática máquina administrativa. Somente para manter essa engrenagem fabulosa o GDF chega a consumir mais de 81% de suas receitas com a folha de pagamento do funcionalismo. Sobra pouco para investir e menos ainda para manter em bom funcionamento as áreas mais prioritárias e sensíveis da capital.

       Com a queda na arrecadação, provocada pela crise econômica, os recursos para atender a população ficaram ainda minguados. Com isso é preciso maior rigor ainda na hora de escolher para onde vai o dinheiro do brasiliense. Com a chegada do carnaval tem aumentado o número de cidadãos que reclamam da intenção anunciada pelo do GDF de aplicar R$ 5 milhões nas festas de Momo este ano, o dobro do que foi gasto no ano passado.

         A polêmica faz sentido e, apesar da tradição, de ser uma festa popular, que já faz pare da nossa cultura e outras justificativas, o contribuinte que reclama desse tipo de “repasse” para blocos carnavalescos e outras atividades dessa festa, tem razão quando observa postos de saúde fechados por falta de medicamentos ou de profissionais.

         Pela lógica, enquanto faltar um esparadrapo que seja nos estabelecimentos públicos de saúde, não há razão para aplicar dinheiro do cidadão em folguedos, sejam eles tradicionais ou não. O renascimento do verdadeiro carnaval vem acontecendo em várias cidades país afora, com a volta dos blocos de rua, espontâneos e mais democráticos e isso tem atraído cada vez mais foliões. O que compete ao Estado é dar segurança e bom atendimento nos hospitais durante as festividades.

         Em 2016 e, em boa hora, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que eventos com potencial lucrativo ou que possam atrair investimento privado passassem a ser impedidos de receber recursos da Lei Rouanet. Acontece com o carnaval o que acontece com o cinema nacional. Jorge Furtado, cineasta e um dos fundadores da Casa do Cinema de Porto Alegre ao reconhecer que o cinema brasileiro é feito basicamente com o dinheiro público, afirmou: “Com o dinheiro de um curta se faz quatro casas populares, com o dinheiro de um longa dá para fazer um hospital. Cinema, no Brasil, é feito para ricos com dinheiro dos pobres”.

         A autêntica festa popular, renascida com os blocos de rua, comprova que a maior alegria do folião é saber que o seu dinheiro está sendo empregado onde é realmente necessário e urgente. Só assim ele e toda a sua família podem brincar em paz e quem sabe retornarem para a casa sãos e salvos.

A frase que foi pronunciada:

“Mas nós dançamos no silêncio/ Choramos no carnaval,/ Não vemos graça nas gracinhas da TV/ Morremos de rir no horário eleitoral…”

Engenheiros do Hawaii

Charge: ivancabral.com
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Prata da Casa

Alexandre Dias, fundador do Instituto Piano Brasileiro e pesquisador concedeu uma entrevista para a Revista Concerto. Trata-se de valioso material para quem gosta de música e história. Dias resgata preciosidades da música brasileira e disponibiliza em seu canal no youtube. Vale conhecer.

Agenda

Por falar em música, no dia 6 de fevereiro a orquestra sinfônica do Teatro Nacional vai estrear uma sinfonia indiana no Brasil em homenagem aos 70 anos de independência daquele país. Dr. L Subramaniam, compositor da “The Indian Symphony” deve estar presente. O concerto será no cine Brasília. Quem está preparando o coro é o maestro Eldom Soares.

Saúde

Trabalho sério desenvolvido com os funcionários da Maternidade no Sudoeste do Hospital Brasília. Desde a enfermagem, nutricionistas, pessoal da limpeza. Todos entram no quarto, se identificam, dizem porque estão ali. Atendem com respeito e dedicação. É realmente um ganho para os pacientes.

Moradia comunitária

Com o envelhecimento da população brasileira há a adaptação de iniciativas estrangeiras como cohousing. Trata-se de uma vila construída entre amigos que decidem envelhecer juntos. Uma pesquisa com 200 moradores em cohousing mostrou economia de custo por mês de no mínimo US $ 200 por família, chegando em alguns até uma economia de mais de US $ 2.000.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Dos contribuintes de Institutos em Brasília, os que mais sofrem são os do IAPI. Têm que ser atendidos no Hospital da Cidade Livre, e só são aceitos no Distrital quando se trata de caso urgente, e com autorização do hospital do Instituto. (Publicado em 12.10.1961)

Pano de fundo

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ARI CUNHA

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Charge: desigualdadeacmt.tumblr.com/
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              Forem amarradas as pontas algumas das principais variáveis que caracterizam o Brasil hoje, fica mais fácil entender não só o desenrolar do processo político mas até o que virá a seguir. Dessa forma não seria lugar comum afirmar que o pano de fundo atual irá ditar o que teremos em termos de eleição para este ano.

              Antes de tudo é preciso ressaltar que o principal problema do país, caracterizado pela desigualdade social e de renda, definitivamente continua sem resolução, apesar da propaganda massiva feita nos últimos anos por governos pretensamente ligados as massas. O Brasil segue, segundo Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), levantado pelas Nações Unidas, como o décimo país mais desigual do planeta. Não é pouca coisa. Temos em nossa companhia países como o Haiti, Zâmbia, Paraguai e outros.

         É com características negativas e históricas como essas que podemos entender, o perfil da maioria das candidaturas postas à apreciação do eleitor. Se formos ligar essa realidade ao fato de que é justamente em países desiguais que as teses e os candidatos populistas mais prosperam, temos que o Brasil do século XXI ainda é um prato cheio para o lançamento e para crescimento de populistas de qualquer vertente política, seja de esquerda ou de direita.

        Em comum, candidatos com esse perfil, sabem explorar muito bem aspectos da desigualdade social e econômica, quer usando-a para demonizar tudo em volta, como faz o candidato do tipo vingador, quer se apresentando como única alternativa ao caos, como gosta de se apresentar o candidato do tipo salvador. Obviamente que nenhum, nem outro tem a menor ideia do que fazer, logo após as eleições.

        Esse pano de fundo explica porque candidatos, aparentemente tão diferentes, como Lula e Bolsonaro prosseguem ainda surfando na preferência nacional, segundo números mostrados pelos principais órgãos de pesquisa de opinião do país.

         Desde os anos trinta do século passado, a fórmula que resulta no populismo encontra guarida entre os brasileiros. Este fato se explica também porque a boa parte da nação já percebeu que as instituições do Estado, todas elas, parecem funcionar apenas para atender aos reclames dos estamentos de cima da pirâmide social, deixando a base larga, desamparada e à mercê de destino incerto.

            Escolas, hospitais, segurança, moradia, transportes, seguridade, justiça ou seja lá quais serviços prestados pelo Estado, não atendem as necessidades da população de baixa renda. A janela que se abre para o cidadão alterar essa realidade de abandono é dada pelas eleições cíclicas. É nesse momento que entram em cena os candidatos que sabem explorar essas carências do Estado.

         Colocando-se acima dos partidos e da instituições, populistas de todas as matizes se apresentam como alternativa e contra “a tudo que está aí” e é assim que todos logram êxito, décadas após décadas, enquanto as péssimas condições sociais e de renda persistirem, pois é em cima da miséria que candidatos como Lula e Bolsonaro armam seus palanques ou palcos.

A frase que foi pronunciada:

“Esse ignóbil Baile de Máscaras se chama sociedade.”

Stendhal, escritor francês.

E agora?

    Na conta da Caesb há a indicação Água/esgoto para descrever o custo da prestação de serviço de abastecimento de água e de esgotamento sanitário.

   Há também uma taxa paga pelos consumidores criada pela Lei Complementar nº 711 de 13 de setembro de 2005, ou seja, há 13 anos os consumidores pagam para que a Caesb fiscalize o uso dos recursos hídricos. Além disso o texto explicativo esclarece que há a cobrança da TFS, uma taxa de fiscalização sobre serviços públicos de abastecimento de água e esgoto. Resumindo, o nosso leitor que mora no SHDB QL 32 contradiz com provas o que respondeu a Caesb sobre a cobrança de taxa de esgoto para quem tem fossa. A conta do consumidor foi postada no blog do Ari Cunha.

Vai entender

Biblioteca do Paranoá fechada em plenas férias. Não seria um ótimo momento para estimular a meninada à leitura?

Lucro & Prejuízo

Acontece sempre de uma hora para outra. No IMP Concursos da Asa Sul, na SGAS 603, há um contraste. Enquanto lá dentro ótimos professores dão aulas consistentes, do lado de fora uma quadrilha age há vários anos roubando os pneus dos carros dos estudantes. Nos dois estacionamentos. Ao chegar no carro, quatro rodas roubadas. Seria uma consideração inestimável a quem paga o curso ter, no mínimo, o patrimônio resguardado.

Só para lembrar

Roberto Jefferson. Foi corajoso em dar o primeiro rasgo na cortina que escondia escândalos de corrupção na política. Agora, Lupcínio Rodrigues deixou seu olho roxo. Novamente.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

As chuvas chegaram no dia seguinte à escolha do Prefeito. Brasília teve duas satisfações ao mesmo tempo. (Publicado em 12.10.1961)

Políticas públicas não acompanham o envelhecimento da população brasileira

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ARI CUNHA

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Charge: pt.linkedin.com/pulse/envelhecimento-populacional-cuidado-e-cidadania-velhos-marques
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         Com o envelhecimento em ritmo acelerado da população brasileira, problemas relativos ao atendimento especial que essa parcela da sociedade requer e que em  países da Europa levaram mais de um século para serem equacionados terão por aqui que receber um tratamento mais ligeiro e imediato, o que pode implicar em erros e soluções imediatistas e insatisfatórias. É senso comum que o Estado, diante de um desafio de enormes proporções, não esta absolutamente preparado para atender. As carências nesta área começam pelo desenho urbano de nossas ruas e avenidas, flagrantemente inadequadas para a circulação, com segurança desse novo contingente. Com relação aos transportes públicos a situação é ainda mais complicada. Nossos veículos de transporte de massa não são adaptados  a acolher satisfatoriamente nossos idosos, levando e trazendo uma população que necessita cuidados especiais. Segundo pesquisa do IBGE a população brasileira com 60 anos ou mais alcançará 66.5 milhões até a metade desse século. Trata-se de um número fantástico.

         Com isso as políticas públicas terão que sofrer profundas mudanças na saúde, na assistência social e na previdência. A legislação, como um todo, também deverá sofrer alterações de monta para se adaptar aos novos tempos. Sem políticas claras nem eficazes para enfrentar a nova realidade demográfica, o Estado brasileiro necessita adotar, urgentemente, um conjunto de medidas que visem, ao menos, tornar a vida dessas pessoas um pouco menos sofrida. Pesquisadores alertam para o fato de que a faixa da população que mais cresce hoje no país é composta por indivíduos com média de 80 anos ou mais. Definitivamente, e todos disso sabem, não temos cidades adaptadas para atender as necessidades especiais dessa faixa etária.

              Mais do que qualquer outro desafio que temos pela frente, e o Brasil tem muitos, a questão do idoso não pode ser adiada e empurrada para gestões futuras. Para um Estado que tem sido, desde a sua origem, um ingrato com seus cidadãos contribuintes, arrancando deles muito mais do que dá em troca, a tarefa que se apresenta agora é gigantesca.

          Como preparar, em tão pouco tempo, um país inteiro para receber os idosos, numa etapa da vida em que naturalmente as pessoas se tornam mais dependentes e frágeis, em que aumentam os cuidados com a saúde, com a locomoção, o pronto atendimento, a moradia, a segurança, a previdência. Brasília por seu desenho urbano moderno pode com mais facilidades que outros estados da federação ser adaptada para acolher os idosos que chegam com mais dignidade, proporcionando uma vida de segurança para todos. A questão mais urgente é que até o momento não se observam alterações significativas sendo realizadas para esses novos tempos que se avizinham.

               A impressão é de que as autoridades ainda não acordaram para um tempo que definitivamente já chegou.

A frase que foi pronunciada:

“O descontentamento é o primeiro passo na evolução de um homem ou de uma nação.”

Oscar Wilde, sem saber que no Brasil a piada é a chave da inércia.

Resposta

A Caesb esclarece que são equivocadas as informações divulgadas na coluna Ari Cunha, sábado (06/01), sobre o sistema de esgotamento sanitário no Lago Sul e sobre cobrança indevida de tarifa de esgotos sem que o cliente tenha esse benefício. A Caesb só cobra tarifa de esgotos nos locais onde o serviço já foi liberado para utilização dos moradores. Mesmo assim, a Companhia concede um prazo de trinta dias, depois da comunicação para que o cliente faça a interligação da sua rede interna à rede de coleta de esgotos da Caesb.

E continua

Quanto à situação do serviço de esgotamento sanitário no Lago Sul, informamos que o bairro é atendido por esse benefício, com exceção apenas para as QI e QL de 26 a 29, que estão em obra e serão interligadas ao sistema ainda neste semestre. A Caesb precisa ser informada sobre qualquer irregularidade ou erro na distribuição e cobrança dos seus serviços pelo telefone 115, pelo site da Companhia (www.caesb.df.gov.br) ou por meios de seus escritórios de atendimento.

Crime

Nullum crimen nulla poena sine praevia lege penale. Outro tipo de furto que passa sem o conhecimento dos contribuintes brasileiros é o furto aos dutos de movimentação de combustíveis. Um novo Projeto de Lei tramita na Câmara dos Deputados tipificando esse tipo de crime. Na verdade, há uma lei que define os crimes contra a ordem econômica, mas a intenção é tipificar e punir o crime.

Maldade

Na Internet corre uma pergunta intrigante. A transmissão de cargo para os novos eleitos será com faixas ou com tornozeleiras eletrônicas?

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Com efeito, o Departamento de Parques e Jardins está com a razão, porque não adianta preparar jardim para seis meses do ano, somente, enquanto nos demais, o sol acabará com tudo. (Publicado em 12.10.1961)

Monocultura, latifúndio e trabalho escravo. O tripé do atraso

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colunadoaricunha@gmail.com;
com Circe Cunha e Mamfil

Imagem: sites.google.com/site/profmarciodemedeiros
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      Em qualquer direção que se trafegue pelas cercanias do Distrito Federal é possível avistar imensas monoculturas de milho, soja, algodão ou eucaliptos, plantados em latifúndios, que por sua amplidão, chegam a equivaler, em tamanho territorial, a alguns países da Europa. São lavouras gigantescas, que integram a chamada agricultura de commodities, na qual o Brasil desponta como potência mundial.

      Para alguns desavisados trata-se de uma verdadeira riqueza em forma de biomassa, que gera muitos dividendos para o país e ajuda na balança de exportações. O que muita gente nem suspeita é que as monoculturas, mesmo trazendo divisas para o país, geram imensas riquezas para os proprietários dessas lavouras e para a indústria de fertilizantes e defensivos envolvida diretamente nesses ciclos. De resto, o que essas monoculturas deixam de passivo, principalmente com relação ao meio ambiente e às populações do campo, que não participam desse ciclo de riqueza e por ela são expulsos de suas terras, são de tal monta, que chega a ser surpreendente que ainda haja um enorme e conivente silêncio sobre essas atividades.

      De fato, o que representa riqueza para uns poucos vem sendo denunciado por ambientalistas e cientistas como um desastre de proporções ciclópicas e que já mostram seus efeitos perversos e, em alguns casos irreversíveis. Antes de tudo é preciso compreender que o destino dado às áreas do cerrado que cercam a capital a do país, será o mesmo. Brasília e seu entorno tem destinos comuns. O que for feito à um, trará efeitos sobre o outro. Não há futuros distintos no caso específico da monocultura do eucalipto, uma espécie alienígena, importada da Austrália nos anos setenta, dentro de um programa errático de reflorestamento. Estudos recentes comprovam a ligação direta dessa cultura com a escassez hídrica no cerrado, principalmente nas regiões mais ao Norte.

      Depois de cinco décadas de sua introdução, a monocultura de eucalipto já demonstrou seu potencial sobre o fenômeno da desertificação do cerrado. Estudos científicos realizados por ambientalistas mineiros vem comprovando que as imensas plantações dessa espécie, utilizada nas indústrias siderúrgicas da região, vem afetando diretamente a recarga dos aquíferos dessas áreas. Da média histórica de precipitação pluviométrica, em torno de 1 mil milímetros/ano, o eucalipto consome sozinho 800 milímetros. Como o Cerrado precisa de 500 milímetros, há um deficit anual de 300 milímetros. Em consequência rios e córregos da região vem apresentando a cada ano uma diminuição em seus volumes.

      Pelo estudo fica evidenciado que de 2013 para cá a situação nas bacias dos rios São Francisco e Jequitinhonha vem se agravando, afetando mais de 270 municípios da região que passaram a enfrentar situações frequentes de emergência.

      Estudiosos do problema tem alertado para conter o avanço dessa cultura, pedindo a proibição total de abertura de novas áreas de cultivo e o monitoramento constante dos níveis dos lençóis freáticos da região. Passados quinhentos anos continuamos a insistir no plantio de monoculturas, cultivadas em grandes latifúndios, com a diferença de que hoje a mão-de-obra escrava foi substituída pelo boia fria, uma espécie de escravo moderno.

      Para quem conhece um pouco de história do Brasil, sabe que esse tripé, formado pela monocultura, latifúndio e trabalho escravo se constituiu na base de nossa economia e do nosso atraso, pelo visto, eterno.

A frase que foi pronunciada:

“A inveja é um atestado de inferioridade.”

Napoleão Bonaparte

Carta do leitor

Recentemente entrou em vigor uma lei que condena o motorista alcoolizado a prisão. Esqueceram que não existem vagas para bandidos nas penitenciárias brasileiras. As prisões estão super lotadas com ladrões, assassinos, estupradores etc. Agora então é que a coisa vai complicar para o cidadão pagador de impostos… Quem você acha que o governo vai querer prender? Alguém que tem que pagar uma multa de aproximadamente R$ 3 mil reais para o faturol governamental ou um assassino que custará um absurdo às contas públicas? Breve nas cadeias apenas motoristas! Bandidos, assassinos e ladrões à solta por falta de espaço e pelo faturol! Ray Netto

Sem reguladora

Nosso leitor José Rabello concluiu que não temos energia solar em número suficiente no Brasil, para que tenhamos as tarifas vermelhas. O consumidor em desvantagem, o que faz valorizar as ações das elétricas nas bolsas. Rabello ilustrou a frase: O pior é que, no Brasil, quando se trata de consumidor, um dia é da caça, e o outro da pesca. Quem consome é sempre o alvo de ataque.

Sugestão de pauta

A situação do lote atrás da SHIN QL 2 do conjunto 7 merece uma matéria com imagem. O abandono do local, com restos de obra, mato alto e água acumulada são ameaças constantes aos moradores da área.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

As chuvas já começaram e os jardins de Brasília ainda não estão preparados. É que o Departamento de Parques e Jardins diz que só fará jardins onde houver água, e o Departamento de Água e Esgotos não tomou conhecimento disto. (Publicado em 12.10.1961)

A real ameaça a Segurança Nacional

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

Desde 1960
colunadoaricunha@gmail.com;
com Circe Cunha e Mamfil

Imagem: substantivoplural.com.br
Imagem: substantivoplural.com.br

      Durante todo o tempo em que os militares exerceram o controle do país e, principalmente, após a publicação do Decreto-Lei 314, de março de 1967, que definia os crimes contra o regime, era comum escutar, aqui e ali, a expressão doutrina de segurança nacional. Naquela ocasião, os militares brasileiros, em face do controle do Estado, possibilitada pela revolução de 1964, passaram a identificar como inimigos internos do país todos os indivíduos, ou grupos, que buscavam, sob a influência da então poderosa União Soviética e da China, desestabilizar o regime, com base na difusão de ideologias de orientação comunista.

      Eram outros os tempos e os objetivos do governo. Vivia-se o auge do período da Guerra Fria que, praticamente, dividia o mundo em dois polos antagônicos. De um lado, o capitalismo do Ocidente e, de outro, o socialismo, ou capitalismo de Estado. Cada um, carregado de contradições e críticas de toda ordem.

      No meio de ambos os lados, vivia uma imensa população, na maioria, alheia aos matizes ideológicos, muito mais centrada em entender e participar de um mundo que estava ardendo e virando de cabeça para baixo.

     A revolução que essas pessoas perseguiam e ansiavam era a de costumes, da pílula, da minissaia, da rebeldia contra os modelos de educação e outras verdadeiras revoluções, muito distantes e distintas daquelas propostas por governos. Quaisquer governos.

      Quem vivia do lado da cortina de ferro dos países do Pacto de Varsóvia queria mesmo era passar para o lado dos países da Otan. O pessoal de esquerda, que vivia dentro do mundo capitalista, desejava transformar o Ocidente em algo parecido com o Oriente, desde que pudesse manter o estilo de vida.

      Alheios aos governos de linha-dura, o que a juventude pretendia, dos dois lados da fronteira política, naqueles distantes dias, era um mundo de paz e amor. Quem viveu naqueles loucos anos 1960, mesmo sob forte doutrinação imposta pelos governos da ocasião, almejava um Estado que nenhum dos lados poderia oferecer, principalmente nos regimes de orientação comunista.

      O Brasil, naquele período, era um país ainda mais periférico do que é hoje, visto pelo restante do planeta como um mundo longínquo e exótico. A impressão internacional do país era dada apenas pelo então cartão-postal representado pelo belo Rio de Janeiro. O resto era visto ainda como um imenso continente selvagem, desabitado e sem importância.

   Brasília despertava apenas interesse entre alguns intelectuais e arquitetos curiosos com nossa versão de modernismo urbano. Enquanto o regime de plantão lutava para que o país não descambasse para um modelo tipo Cuba, o que a juventude queria e copiava era o modelo americano, suas modas e seus trejeitos.

       Revoluções por essas bandas, conforme desenhado pelos estrategistas de farda, não tinham chances de vingar. O mundo pretendido pela juventude daquele tempo, em ambos os regimes, passava longe das pretensões dos políticos e dos militares. Embora fosse chique falar em socialismo com um copo de uísque na mão, o que a base da pirâmide social queria era subir na vida e desfrutar também do luxo capitalista. Entrar em filas gigantescas com tíquetes fornecidos pelo Estado para comprar pão e leite racionados era uma realidade que os brasileiros não conheciam, mas era a mesma miséria de sempre, vista através de lentes comunistas. O mundo que esses regimes acenavam e podiam oferecer estava bem distante daquilo que sonhava o grosso da população.

       Olhando hoje o que resultou nossa curta experiência de um país governado, segundo os dogmas da esquerda, dá para imaginar o que se passou pela cabeça daquelas pessoas que assistiram à queda do muro de Berlim. Regimes são bons apenas para aqueles poucos que estão dentro do sistema, para a chamada nomenklatura. Para o restante, fica apenas o desejo de que tudo termine o quanto antes.

    Olhando por cima dos ombros, para esse mundo distante, quando os diversos governos criavam inimigos imaginários apenas para se manter no poder, é que começamos a nos dar conta de que os verdadeiros inimigos do Estado, representados hoje pela corrupção e pelo crime organizado, se tornaram uma realidade presente e uma ameaça concreta a todos nós brasileiros. Essa é, de fato, a real ameaça à segurança nacional.

A frase que foi pronunciada

“— Eu sou da área. Vou avisar ao Meio Quilo que você me assaltou. — Que isso, irmão? Foi mal, toma tudo aí. Vê se não tá faltando nada!”

Malemolência de um carioca que passeava na beira da praia e evitou um assalto só por conhecer o nome do bandido que controlava a região.

Lembrança de Brasília

BSB Memo traz estampas em camisetas que só os candangos entendem. “Pega o Eixão, depois o Eixinho, faz a tesourinha e sobe no balão”. A marca foi criada por Thatiana Dunice e Raffael Innecco e é sucesso.

Incrível

No C.A. 2 do Lago Norte, na saída, em uma placa Premium Corporate, há o maior absurdo de engenharia de trânsito da cidade. É preciso sair pela contramão para não colidir com o carro.

História de Brasília

O Senado ainda não tomou conhecimento da indicação do sr. Sette Câmara para a Prefeitura do Distrito Federal. Tanto assim que, ontem à tarde, os senadores ainda estavam votando a indicação do sr. Sette Câmara para a embaixada brasileira em Genebra. (Publicado em 12/10/1961)

Ganância gera repúdio

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

Desde 1960
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com Circe Cunha e Mamfil

Foto: icetran.org.br
Foto: icetran.org.br

     Ganância, já dizia o filósofo de Mondubim, leva ao egoísmo e o egoísmo à solidão. Está sendo muito festejada pelos proprietários dos shoppings e principalmente pelos arrendatários de estacionamentos nesses centros de comércio, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em acolher Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) impetrada por uma tal Associação Nacional de Estacionamentos Urbanos (Abrapark), declarando ilegal a Lei 4.067/2007 que estabelecia gratuidade no pagamento de estacionamentos dos shoppings no Distrito Federal aos veículos de pessoas idosas e com deficiência. O que, à primeira vista poderia ser compreendido como uma conquista da livre iniciativa contra o poder regulador do Estado, é, na verdade, uma vitória vazia de humanidade e de grandeza que expõe, como, nenhum outro exemplo, a ganância desmedida desses falsos empresários que veem na vantagem dessa pequena batalha, um modo de aumentar seus já altos lucros.

       Cegos com o brilho falso dessas poucas moedas, nossos empresários insistem em caminhar na contramão de seus pares dos países do primeiro mundo que já perceberam que por detrás de uma marca, de um produto ou de uma empresa estão as contrapartidas éticas, humanas e sociais disponibilizadas por elas.

      Questões como fidelização dos clientes e respeito dos consumidores, fundamentais hoje para a sobrevivência de uma empresa a longo prazo, estão intimamente ligadas ao comportamento ético dessas companhias e compõem o perfil do moderno empreendedor. Portanto, soa anacrônico e primitivo, principalmente numa sociedade em que o número de idosos aumenta a cada dia, que se comemore uma decisão, instigada unicamente pelo desejo à riqueza e ao acumulo de riqueza.

      Os altíssimos preços cobrados nos estacionamentos desses centros de comércio, a muito tempo vem sendo alvo constantes de reclamações dos consumidores. Isso porque diante de um sinistro muitos se eximem da responsabilidade, mesmo cobrando uma exorbitância.

       Se de um lado trazem gordos lucros à esses empresários, de outro espanta uma multidão de clientes que resistem em ser espoliados de forma abusiva. Para os poucos idosos que dispõem de ânimo para frequentar estes estabelecimentos, a gratuidade era vista como uma forma generosa de atraí-los com segurança para esses locais, onde, não raro acabavam gastando alguns bons trocados.

      Soa ainda mais dissimulada a decisão dos controladores dos shoppings em esperar os movimentos frenéticos de compra de fim de ano para por em prática uma medida que já havia sido anunciada em novembro último, numa demonstração de oportunismo e que ofende não só a turma de cabelos brancos, como os milhares de deficientes que vivem nessa cidade. O que pode acontecer, daqui para frente, é que algum shopping vá contra essa corrente de ganância e estabeleça gratuidade para esses clientes, chamando para si boa parte desses consumidores desprestigiados por outros comerciantes. É um mínimo de esperança.

A frase que foi pronunciada:

“O pior é que aqui no Brasil, quando se trata de consumidor um dia é da caça outro da pesca. Quem consome é sempre o alvo de ataque.”

Dona Dita, sobre a cobrança para idosos nos shoppings

Saneamento

Mais uma notícia bem lembrada pelo nosso leitor Álvaro Costa. Acreditem ou não, IDH mais alto do Brasil, Lago Sul em Brasília, bairro nobre, não recebe o item mais básico de um saneamento público. Não há rede de esgotos. Apesar disso, a cobrança está lá. Bem descrita na conta.

O resultado é o uso obrigatório de fossas contribuindo sobremaneira para a contaminação do lençol freático, e disseminação de doenças infectocontagiosas prevalentes em áreas contaminadas. Pior que a negligência, imprudência e imperícia do governo é a absoluta falta de mobilização da comunidade prejudicada no sentido de pressionar as autoridades públicas para a solução definitiva deste absurdo social.

No Rio é um orgulho ver o bloco passar em frente à própria casa. Aqui em Brasília de tantas reclamações os blocos de carnaval vão se reunir no estádio Mané Garrincha, Setor Bancário Norte, Sul, ginásio Nilson Nelson e por aí vão. Bem longe das janelas.

Cilada

Votado como o mais criativo vírus enviado por e-mail é um perigo. A mensagem diz: “Confira seu contracheque”. Em tempos de vacas magras os desavisados abrem sem titubear. Daí o estrago é grande.

Consume dor

Na padaria Pão de Ouro a funcionária do caixa vociferava com um cliente porque ele não tinha trocado. Essa obrigação é dos comerciantes, não dos consumidores.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Os contribuintes do Iapetc estão reclamando que sempre que procuram o dentista do Instituto, encontram à porta do gabinete, uma plaquinha com a informação de que não há anestesia. (Publicado em 12.10.1961)

Mais cobranças sem contrapartidas

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

Desde 1960
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com Circe Cunha e Mamfil

Foto: jornaldebrasilia.com.br
Foto: jornaldebrasilia.com.br

     Leis e salsichas continuam, séculos depois, sendo feitas com os mesmos ingredientes estranhos e indigestos. No Distrito Federal, a profusão e as trapalhadas na confecção de instrumentos legais, por suas bizarrices, fazem parte do anedotário local. Com a emancipação política da capital, uma fantástica fábrica de salsichas foi instalada no Palácio do Buriti e na Câmara Legislativa, passando a produzir, em ritmo febril, leis, códigos, preceitos, regulamentações e outras regras diversas, boa parte visando ou a engordar os cofres do governo ou a trazer benefícios diretos e indiretos aos políticos locais.

    Da população, tornada alvo da profusão de novas leis, vieram os muitos recursos para atender à avalanche de novos diplomas legais. Dentro dos pacotes de medidas, editadas a torto e a direito, o que chama a atenção é a intenção do GDF em estabelecer, por decreto, o estacionamento rotativo pago nas áreas centrais da capital.

      Praticamente, em todas as vagas públicas situadas dentro do perímetro urbano da cidade serão cobradas por hora de estacionamento. Para uma metrópole, com uma média de 55 carros para cada 100 habitantes, onde 1,7 milhão de veículos circulam para cima e para baixo todos os dias, deverá render uma verdadeira fortuna aos cofres públicos.

   Isso sem falar dos impostos, taxas e multas cobradas a cada minuto pelos órgãos fiscalizadores de trânsito espalhados pelos quatro cantos da cidade. Assim, a cada dia, fica impraticável circular de automóvel por Brasília. Note-se que a capital foi concebida exatamente em cima da noção, corrente à época, de que o corpo do brasiliense, ao contrário do senso comum, se dividia em cabeça, troncos e rodas.

    Interessante e sintomático é notar que medidas como essa chegam muito antes de se pensar em transporte público de qualidade, tipo metrô de superfície ou VLT. O pior é que a iniciativa ainda virá revestida de justificativa despropositada e seletiva. Pela intenção, contida no projeto do GDF, 50% do dinheiro arrecadado pela exploração das vagas serão destinados ao Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev).

   É preciso lembrar que esses espaços públicos foram construídos com os recursos de todos os brasilienses indistintamente, servidores ou não, não sendo justo que apenas uma categoria venha a se beneficiar agora da exploração das áreas.

       Urbanistas e outros entendidos em projetos e ordenamentos das cidades, há muito tempo, alertam aos governos para a necessidade da instalação de transportes públicos eficientes. Somente um sistema de qualidade poderá reverter o caos no trânsito. Isso é ponto pacífico. Querer inventar a roda quadrada para tapar rombos em institutos com medidas dessa natureza é andar sem sair do lugar. Ao dobrar a esquina, intenções desse tipo, inexoravelmente, vão trombar de frente com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), agregando mais um instrumento legal à coleção do anedotário local.

 

 

A frase que foi pronunciada

“As únicas coisas que evoluem por vontade própria em uma organização são a desordem, o atrito e o mau desempenho.”

Peter Drucker

Ao leitor

Agora ficou mais fácil para os nossos leitores participarem do Blog do Ari Cunha. Basta preencher, por meio do Blog do Ari Cunha e participar sem que seja necessário fornecer mais dados. Essa coluna é a voz de Brasília. Faça valer!

Novidade

Será criado o Cadastro Nacional de Inclusão da Pessoa Idosa. Trata-se de um banco de dados com as informações dos dados obtidos em censos relacionados a essa faixa da população. Dados georreferenciados, além de permitirem a identificação e a caracterização socioeconômica das pessoas idosas, registrarão as políticas públicas adotadas nas regiões para esse segmento da população.

Solução

Perde toda a credibilidade a Caesb quando nega que a qualidade da água esteja ruim. Com as redes sociais, centenas de vídeos foram gravados mostrando a água barrenta ou branca de tanto cloro. Só há uma forma de a comunidade brasiliense acreditar que a qualidade é boa. Colocar os altos funcionários da Caesb para beber a água em pelo menos 10 residências de consumidores do DF que estejam reclamando da qualidade do líquido.

Silêncio

A Mega da Virada novamente é alvo de desconfiança. Quem tem a caixa-preta sobre o assunto é o senador Álvaro Dias. Já falou em plenário várias vezes sobre essa trama. Mas, como é fonte de dinheiro, o escândalo não sai da caixa.

História de Brasília

Não está agradando aos credores da Novacap, o critério adotado pela companhia para o pagamento das dívidas. O sacrifício dos grandes credores em benefício dos pequenos, tem deixado muitas firmas em dificuldades. (Publicado em 12/10/1961)