Tag: #BancadaRuralista
VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)
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Gigante na produção mundial de grãos e de proteína animal, o Brasil deveria, por conseguinte, assumir também um protagonismo amplo e irrepreensível na defesa de suas riquezas naturais, pois, como se sabe, é da terra e da água que vem toda essa riqueza que estabiliza nossa balança comercial com o restante do planeta.
O chamado agronegócio encontrou no Brasil condições únicas para se tornar o que é e, no entanto, não tem respondido à altura, quando o assunto é evitar que a exploração excessiva leve ao esgotamento irremediável da terra. São extensas áreas que esse tipo de negócio explora com a avidez de máquinas gigantes, sem remorsos e sem se importar com questões como o futuro. Pelo contrário. Quando os empresários desse ramo, normalmente formado por grandes empresas internacionais, ouvem falar em preservação, a primeira ação que adotam é chamar a polícia, para conter o que denominam de ambientalistas lunáticos.
O que é fato inconteste é que o Agronegócio, pela forma e pelo modelo de exploração com que age, é hoje o maior responsável pelo desmatamento ilegal. O aumento sucessivo da produção, com geração de lucros espantosos também para um reduzido número de grandes produtores, implica, necessariamente, na ampliação das áreas a serem utilizadas para o plantio de commodities e para a criação de animais. Quando, a cada ano, o governo anuncia orgulhosamente o aumento da safra, esquece de dizer que por detrás de cada supersafra está o desaparecimento definitivo de florestas nativas, com toda a riqueza biológica que contêm, formadas por espécies que sequer chegamos a conhecer. É o preço do progresso que levou o Brasil a ser o celeiro do mundo, dizem.
Quando não é o gado, a soja, o algodão e o milho, todos derivados de sementes transgênicas e que utilizam pesticidas e outros ditos “defensivos” supervenenosos, proibidos pelo mundo. Homens, plantas e animais, nossa maior floresta sofre com a derrubada de madeira nobre, a exploração do óleo de palma, com a mineração e com a grilagem desenfreada. Todas essas calamidades, cometidas em nome de lucros, deixam um rastro e um passivo incomensurável de prejuízos, acelerando, ainda mais, o processo de aquecimento global e morte da terra.
Por permitimos a devastação, sem precedentes, de nossas riquezas naturais, somos vistos pelo restante do planeta como párias. Nossos produtos, colocados nas prateleiras dos supermercados de todo o mundo, mesmo com preços competitivos, vêm sofrendo um aumento significativo de ações de boicotes, por parte das populações informadas de que esses produtos são obtidos em detrimento do meio ambiente. Estamos, por conseguinte, na contramão do mundo. Não bastasse esse rol de calamidades intencionais e que poderíamos frear, as queimadas frequentes, e cada vez mais intensas, dão um retoque final na destruição de nossas riquezas naturais.
Dados confiáveis esclarecem que, entre os anos 2000 e 2012, cerca de 75% do desmatamento global ocorreram para abrir passagem para o agronegócio, sendo que a maioria dessas derrubadas foram totalmente ilegais e feitas debaixo do nariz das autoridades. Esse é um negócio que movimenta a bagatela de US$ 61 bilhões anuais. Para se ter uma ideia, o aumento do desmatamento na região amazônica cresceu 24%, apenas nos seis primeiros meses deste ano, e foi o maior dos últimos dez anos. Perdemos, naquela região, um campo de futebol por minuto, destruídos ou vilipendiados pela ganância daqueles que buscam lucros fáceis e imediatos.
Cientistas do Brasil e de todo o mundo têm alertado para as consequências da destruição da Amazônia, já em curto prazo. Dentre os muitos malefícios, esses especialistas apontam para o fim do fenômeno dos “rios voadores”, que vêm sofrendo alterações importantes no seu fluxo. Por esses “rios aéreos”, boa parte da umidade da floresta, que viajaria pelo ar, irrigando todo o país, como uma bomba de água natural, trazendo chuvas e resfriamento de grandes áreas, vai deixando de existir, com sérias consequências para todos. As ações para deter a destruição de nossas riquezas ainda são tímidas ou quase inexistentes.
A frase que foi pronunciada:
“Devemos buscar sempre, entre o que nos separa, aquilo que pode nos unir, porque, se queremos viver juntos na divergência, que é um princípio vital da democracia, estamos condenados a nos entender.”
Marco Maciel, ex- senador que completou 80 anos ontem

Estados unidos
Nordeste reclama veementemente sobre a bússola viciada dos programas de esportes televisionados que só aponta para Rio de Janeiro e São Paulo. Brasília que o diga!

Questão humanitária
Aumento do valor de gás durante a pandemia é um abuso injustificável contra o povo. Preparem os bolsos. Empresas aéreas, postos de gasolina, restaurantes, setor imobiliário, hotéis. Quem teve prejuízo durante a pandemia vai se recuperar rapidamente às custas dos consumidores. Isso se o governo não se adiantar.

Discurso de ódio
Tão pacíficos os que pregam o fim do discurso do ódio. Vestidos em pele de cordeiro, querem mesmo é desconstruir tudo o que o governo faz por apenas uma forma: o julgamento. Reparem! Só julgam e destroem. Nada que edifique ou indique alguma ação para o país deslanchar na política, economia e socialmente.
HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Falta, agora, que a comissão nomeada pelo Ministério da Aeronáutica receba o serviço executado, e autoriza o pagamento de fatura final. Acham algumas fontes, que o Ministério ainda não recebeu o serviço, porque o pessoal especializado para conservar os geradores e as luminárias ainda está em treinamento. (Publicado em 12/01/1962)
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Ficasse apenas no discurso retórico de que a agenda ambiental era um estorvo para o crescimento do país, cuja a economia é puxada pelas riquezas produzidas pela agropecuária, o presidente Bolsonaro não teria feito muito diferente do que fizeram seus predecessores. Mas a inexperiência somada à jactância, que lhe é habitual, fez o presidente ir mais além e, numa demonstração de que pretendia se unir aos radicais do agronegócio e com isso angariar simpatias de uma forte bancada dentro do Congresso, partiu para a ação prática. Com isso, promoveu um desmonte significativo em todos os órgãos de controle envolvidos com a questão ambiental, inclusive aqueles ligados aos povos indígenas. Ibama, ICMBio, Funai e outros importantes institutos foram sensivelmente enfraquecidos, esvaziados ou simplesmente extintos.
Uma verdadeira razia foi promovida contra todos os órgãos ligados à agenda de meio ambiente, a maioria, sob o pretexto de que esses organismos de Estado estavam demasiadamente loteados por pessoas e partidos de esquerda. A avaliação, um tanto forçada, seguia, ipsis litteris, as recomendações feitas pelo poderoso lobby do pessoal ligado ao bilionário e pragmático agronegócio. Para essa turma endinheirada e com forte amparo dentro do Legislativo, as investidas legais dos órgãos de controle ligados à proteção do meio ambiente e dos povos indígenas, constantemente, vinham se chocando com os projetos e com as ambições desses grandes pecuaristas, colocando entraves à expansão, sem limites, desse grupo.
As safras recordes, juntamente com a larga produção de proteínas, que colocavam o Brasil como uma potência agropecuária, eram motivos de sobra para colocar o país sob a tutela direta do agronegócio. A própria balança de exportações reforçava a tese de que o agronegócio, que trazia bilhões em divisas para o país, deveria ter primazia sobre toda e qualquer outra estrutura do Estado. A caça às bruxas, promovida nos organismos de controle ambientais ao atender aos interesses desses e de outros grupos que vieram se juntar ao novo governo, deram os resultados esperados internamente e a curto prazo.
Mas o que esse pessoal e o próprio governo não esperavam, e sequer sonhavam, é que além desses resultados imediatos de desmantelamentos dos órgãos de fiscalização do meio ambiente, viessem outras consequências também, até em maior proporção, só que de forma negativa e prejudicial à economia do país. A política ambiental promovida pelo governo, de arrasa terra, fez não só aumentar o desmatamento e as queimadas por todo país, que atingiram níveis de crescimento recorde, como acabaram por chamar atenção do resto do mundo, justamente numa época em que parte da humanidade busca resgatar o que restou do planeta Terra.
Na contramão da história, e tendo pela frente um enorme passivo no meio ambiente, o presidente Bolsonaro corre agora contra o relógio, depois que investidores de todo o mundo começaram a ensaiar a retirada do Brasil do rol de países merecedores de investimentos.
Por outro lado, graças à pressões internas, muitos países, principalmente da Europa, onde o presidente acreditava ter fechado um grande acordo de livre comércio, começaram a rever suas posições e boicotar os produtos made in Brazil. A moratória, proposta agora pelo coordenador do Conselho da Amazônia, vice-presidente Hamilton Mourão, proibindo incêndios, de forma absoluta, por até 120 dias em toda a região da Amazônia e do Pantanal, insere-se num conjunto de medidas, tomadas às pressas, para tentar reverter o verdadeiro estrago promovido pelo atual governo e que colocaram o Brasil na vexaminosa posição de maior vilão mundial do meio ambiente. Há muito, a agenda ambiental ganhou importância em âmbito mundial, e só o atual governo não enxergou essa evidência e agora corre contra o tempo.
A frase que foi pronunciada:
“Os seres viciosos seriam muito fortes, se o mal que levam consigo não bastasse para destruir o seu próprio veneno.”
Albert Delpit, romancista e ator dramático francês

Venezuela 1
Artista, Leda Watson conta, depois de ler a coluna intitulada Aos nossos irmãos venezuelanos, que esteve naquele país para ministrar um curso de gravura, em Caracas, por volta de 1996. Ficou entusiasmada com a Universidade, seus professores, alunos e estrutura funcional. O país parecia de 1º mundo e o curso e a exposição foram um sucesso.

Curiosidade
Ari Cunha, mais ou menos em 1973, deu uma nota sobre uma mulher que tinha sido torturada grávida. Antes de ter sido julgado pelo Superior Tribunal Militar, foi informado pelo então presidente da Venezuela, Rafael Caldera, que aquele país estava de portas abertas para recebe-lo. Definitivamente eram outros tempos.

Sensacional
Veja a seguir várias dicas de filmes sobre parto. Aspectos dos mais diversos abordados. Cada filme com uma linha de pensamento. Desde o parto humanizado até os problemas sustentados por médicos, da rede particular de saúde, em estimular o parto não natural.
Alcance
Chegam, em Alto Paraíso, casos do Covid. A comunidade pacata, que só ouvia falar em pandemia, agora começa a ficar preocupada e atenta às regras de distanciamento e uso de máscaras.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Faça suas compras no comércio de Brasília, mas consulte sempre duas casas antes de se decidir. Há os que exploram, e que você deve punir com sua ausência. (Publicado em11/01/1962)
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Obviedades são como almas de outro mundo. Só são vistas por indivíduos dotados de percepções acima da média, com uma espécie de paranormalidade. São, nesse caso, aquelas pessoas capazes de enxergar além do que parece ser à primeira vista, esmiuçando o objeto com os olhos e as lupas de um especialista. O dramaturgo e jornalista, Nelson Rodrigues (1912-1980), costumava dizer que só os gênios enxergam o óbvio. Ou, em outras palavras, a obviedade é ululante.
Com essa premissa, fica evidente que o período estendido de quarentena fornece somente, àqueles dotados de olhos para enxergar, a oportunidade única de avaliarem, com precisão, o mundo e a sociedade em volta. A virose, ao proporcionar a espetacular chance de uma espécie de retiro espiritual forçado, tem facultado a muitos a experiência de uma revisão do mundo, da humanidade e sobretudo das diversas e intrincadas relações que amarram esses dois sujeitos num destino comum, mas que dá ao planeta a vantagem de naturalmente prescindir dos terráqueos.
O mesmo não se pode dizer da espécie humana, umbilicalmente ligada à Terra e dela totalmente dependente para sobreviver. Espoliada e degradada pelos humanos, há muito o planeta vem emitindo sinais claros de esgotamento do modelo de exploração imposto pela sociedade de consumo. Na realidade, e os constantes alertas de cientistas e ambientalistas vão nesse sentido, o planeta já não consegue mais repor ou renovar os recursos naturais extraídos de modo irracional e, pior, sem quaisquer critérios ou preocupações com as futuras gerações.
Pouco tempo antes de os eventos que conduziram a pandemia de características bíblicas, a agenda mundial vinha se ocupando dos fenômenos do aquecimento global e de todo o stress que o meio ambiente vinha apresentando. Os prognósticos, com base científica, de um futuro sombrio para toda humanidade, caso persistisse o modelo atual de exploração, vinham sendo observados paulatinamente por alguns países mais comprometidos com a agenda ambiental do que outros.
Infelizmente, no rol dos países que passaram a dar pouca importância a essa agenda, o Brasil passou a ser o destaque internacional. Ao contrário dos países desenvolvidos, o Brasil, por força do poderoso lobby do agronegócio e do grande apoio que esse grupo fornece ao atual governo no Legislativo, passou a empreender uma agenda própria, voltada mais para o interesse imediato dessa classe do que ao atendimento de questões ambientalistas.
Para essa turma, que também inclui os extrativistas de minérios e madeiras na Amazônia, o meio ambiente nada rende comparado a outras atividades. É justamente essa agenda suicida que o atual governo resolveu adotar, forçando o Brasil a nadar contra a correnteza mundial e contra as evidências de que o planeta pede socorro. As queimadas na Amazônia, as invasões de terras indígenas e os desmatamentos nunca foram tão intensos como agora. O Alerta tem sido feito tanto por monitoramento de satélites, como por denúncias que não param de chegar.
Aproveitando o período de pandemia e quarentena, quando os brasileiros estão alarmados e aflitos em preservar a própria vida, os habituais depredadores, inclusive bancados com o dinheiro de poderosos grupos estrangeiros, estão agindo livremente, promovendo um saque ao país. O governo, para quem esses grupos são importantes para o “processo de desenvolvimento”, faz vistas grossas, ou seja, não enxerga o óbvio.
A frase que foi pronunciada:
“Se queres provar-nos que és competente em agricultura, não o proves semeando urtigas.”
Georg Christoph Lichtenberg, filósofo, escritor e matemático alemão.

Sempre burocrático
Cartório do 4º ofício, na Asa Norte, quadra 504, anuncia pelo site que é possível fazer agendamento. Ao tentar marcar data e hora, a instrução é que o interessado vá pessoalmente agendar o atendimento no próprio cartório. Chegando lá, recebe um papel para marcar data e hora ou opta por enfrentar a fila.
Ruim
Avaliação dos usuários em relação ao aplicativo do BRB é nota 2. Quem tenta abrir uma conta pelo celular simplesmente não consegue. Como o caso do cartório comentado acima, exige, na realidade, a presença do cliente.
Cidade fantasma
Se, antes da pandemia, andar pelo Setor Comercial Sul já era desolador, aquele mesmo cenário está se estendendo pelas áreas comerciais da cidade. Até um site já foi criado com a lista de restaurantes fechados por toda a cidade. Veja no link Vendo Restaurantes.

Covid-19
Um túnel de ozônio. Foi assim que a fábrica da Klabin resolveu manter seus colaboradores protegidos. Veja a seguir.
Megafone
Comemorações do Dia Internacional da Enfermagem usam o microfone para pedir melhores condições de trabalho. Reconhecimento é bom, mas dar condições no trabalho é fundamental.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA
E vive, também, como sede do governo, como centro convergente do país, como cidade, como comunidade. Antes, quando os blocos não estavam habitados, reclamavam contra a falta de choro de crianças, a falta de cheiro de bife nos corredores. Hoje, os que não querem ver a obra, dizem que a acústica faz com que se ouça o choro da criança vizinha, e há quem reclame contra o cheiro de bifes nos corredores de serviço. (Publicado em 06/01/1962)
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Embora esteja entre os dez países que mais têm contribuído para o aquecimento global, numa posição que varia entre o 6º e 7º colocado, o Brasil pouco ou nada tem feito para melhorar esse desprestigiado ranking. O pior: segundo os cientistas e outros ambientalistas que trabalham na análise de dados colhidos, em tempo real e em todas as partes do planeta, caso o Brasil prossiga nessa marcha da insensatez, voltando-se contra a maioria das recomendações feitas pelos mais prestigiosos centros de pesquisa do mundo, inevitavelmente acabará em rota de colisão com os países desenvolvidos. Com isso, estará comprometendo não apenas sua própria economia, exportadora de produtos in natura, mas, sobretudo, manchando para sempre sua reputação diante de um mundo que clama por bom senso em relação ao meio ambiente. Dessa forma, é preciso que o atual governo comece, desde já, a rever seus compromissos políticos assumidos com a poderosa ala do agronegócio, principalmente sua dependência em relação a uma parcela desse setor que enxerga nas florestas naturais, no Cerrado e em outros biomas apenas um meio de incrementarem os lucros com um agrobusiness do tipo predatório.
Até mesmo a China que era considerada a grande vilã da poluição global vem, há alguns anos, implementando um enorme programa de regeneração ambiental, com a adoção de boas práticas nesse setor, de olho também na possibilidade de melhorar a saúde de sua população e principalmente sua reputação perante o mundo. É justamente essa característica ética, pouco avaliada entre nós que, hoje em dia, mais tem pesado na aceitação de parceiros comerciais. A chamada compliance ambiental está hoje em alta em todo o mundo e diz muito sobre a origem e as condições como determinada foram produzidas e postas à venda. Produtos impregnados de agrotóxicos, ou que derivam da derrubada de matas, ou que foram produzidos com mão-de-obra do tipo escrava ou infantil perdem mercados justamente nos países mais desenvolvidos, onde essas informações são fundamentais para sua aceitação.
As manifestações e protestos ocorridos hoje na sede da embaixada brasileira de Londres, quando centenas de pessoas lançaram tinta vermelha, simbolizando o sangue dos índios e pichando frases como “pare o ecocídio” e outras frases de forte conteúdo, têm se repetido em outras partes do mundo com cada vez mais frequência. O pouco caso que o governo brasileiro vem dando a esses fatos só faz aumentar os protestos e intensifica uma imagem de que o presidente Bolsonaro hoje vai se transformando numa espécie de vilão do meio ambiente.
Essa imagem prejudica não apenas os negócios do Brasil com o restante do mundo, mas, sobretudo, aumenta o descrédito do país como um parceiro confiável. A dedução é básica: quem não respeita seu próprio território da depredação e a sua população com o consumo de produtos contaminados ou produzidos com vistas apenas a enriquecer grandes latifundiários não pode ter, também, qualquer consideração com o restante do globo.
O desdém e a humilhação com que o presidente tem imposto a seu ministério do Exterior, que poderia ajudá-lo a melhorar sua imagem fora do Brasil, começa agora a apresentar seus frutos amargos. Bolsonaro vai a cada dia se tornando, por obra e vontade própria, numa persona non grata num mundo que mudou e que ele insiste em não enxergar.
A frase que foi pronunciada:
“A Terra é o que todos nós temos em comum.”
Wendell Berry, romanista e ativista ambiental norte americano

Urnas
Apenas para que fique registrado: nas urnas disponíveis nas últimas eleições, 73,7 milhões de pessoas, pouco mais de 50% do eleitorado, reclamavam da identificação biométrica. Geralmente os idosos, trabalhadores braçais e pessoas que suam muito nas mãos eram os que mais atrasavam a votação por problemas nas digitais.

Novidades
Por falar em biometria, foi prometido pelo Conselho Nacional de Justiça que a Bahia e Alagoas adotariam um projeto piloto para implementar a biometria em presídios. A prática contribuiria para a identificação de todas as informações do interno e estimularia a criação do banco nacional digital para criminosos que sofrem processos de execução criminal.

Suporte
É do senador Randolfe Rodrigues a ideia de criar um seguro para artesãos. Em caso de desemprego, receberiam um salário mínimo até conseguir se recolocar financeiramente.

Mistério
Estranhamente, o permanganato de potássio desapareceu das farmácias. Muitas fórmulas simples, eficientes e baratas não interessam mais aos laboratórios.

Nos detalhes
Em 10 dias, no dia 24, na Livraria Cultura do Casa Park, às 19h, será o lançamento do livro assinado por Bruno Ramalho “livra-me, poesia”. Sem maiúsculas, simplesmente porque é nas coisas simples, minúsculas, que a poesia nasce.

Criação
Leda Watson celebra 50 Anos de Gravura, no espaço Cult PaulOOctavio, dia 17 às 10h30, entre a 208/209 Norte. Algumas de suas imagens parecem trazer o inconsciente veladamente.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Tome o uísque nacional, que não dá dor de cabeça nem mal-estar. E mais: pedindo nacional, é mais barato. Pedindo estrangeiro, você paga mais caro, e toma mesmo é o nacional. (Publicado em 28/11/1961)
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Nessa quinta-feira, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou um importante relatório, onde cientistas de várias partes do mundo e em diversas áreas do conhecimento concluem que o desmatamento e a atividade agropecuária estão entre os maiores responsáveis pela emissão de gases do efeito estufa, responsáveis diretos pelo chamado aquecimento global.
De acordo com esse documento, 23% das emissões desses gases, ou mais de um quinto de todos poluentes ambientais, são gerados apenas nessas duas atividades. Com isso, o planeta vai perdendo a capacidade de absorver cada vez menos CO², que se concentra na atmosfera, impedindo que o calor se dissipe, o que provoca o aumento na temperatura em toda a Terra.
Para os cientistas, é importante que haja um controle em âmbito mundial com a participação conjunta de todos os países para que a redução de emissões desses poluentes possa impedir, a tempo, uma séria crise climática onde todos, sem exceção, sofrerão os efeitos. Apesar do mutismo do atual governo e de sua clara posição em favor do agronegócio e da expansão das fronteiras agropecuárias, esse novo documento, lá fora, irá aumentar a pressão de muitos países sobre o Brasil.
A importância econômica atribuída pelo governo federal ao agronegócio, juntamente com o aumento visível do desmatamento em enormes áreas do País, vem paulatinamente transformando o presidente Bolsonaro no maior vilão atual do meio ambiente. O pior é que suas declarações intempestivas não ajudam a melhorar essa avaliação. Com isso, o que pode ocorrer, no médio prazo, é um embargo dos países importadores de grande parte da produção nacional de grãos e carne.
A preocupação dos cientistas é que tanto a diminuição da cobertura verde natural do planeta, como a utilização constante das terras para um plantio do tipo industrial, acabe por afetar e diminuir a capacidade dos solos de se regenerarem, deixando-os esgotados, o que abriria o caminho para a desertificação de largas porções de terras.
O desmatamento é também um problema sério e que o atual governo tenta driblar com a demissão de cientistas, como ocorreu agora no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Para os cientistas, a perda na capacidade de fotossíntese, ocasionada pelo desmatamento crescente, irá aumentar, a níveis alarmantes, a concentração de CO² no planeta. O alerta do IPCC, que em nosso país, tem tido, por razões óbvias, pouca divulgação, afirma que a exploração dos recursos naturais do planeta já alcançou patamares sem precedente em toda a história humana, com as atividades dos terráqueos afetando mais de 70% de toda a superfície terrestre.
Desse total explorado, afirmam os ambientalistas, um quarto dessas áreas, está a caminho da degradação irreversível. Dessa forma, o empobrecimento dos solos, reduzindo sua capacidade de absorver carbono, irá afetar diretamente a produção de alimentos num futuro próximo, o que poderá gerar grandes ciclos de fome e de desabastecimento.
O cenário pintado pelos cientistas, embora tenebroso e realístico, com base em dados concretos, deveria merecer maior atenção de nosso governo, não apenas porque nosso país está no centro das atenções mundiais, mas, sobretudo, em razão de que esse é um problema que ameaça diretamente nossa espécie.
A frase que foi pronunciada:
“Se eu te disser a origem, você não vai acreditar na fonte, se eu revelar a fonte, você vai duvidar do autor.”
Sir Hob, embaixador inglês do século XVI, no Sacro Império Romano e na Flandres.
Para cobrar
Vamos ver como será o cumprimento da promessa do subsecretário de Integração de Ações Sociais sobre a “fábrica de empregos”, promessa do governo em profissionalizar alunos de baixa renda e prepará-los para o mercado de trabalho.

Balaio de gatos
Parece que ainda não é definitivo, mas o TTNorte é um descalabro em matéria de trânsito. Carros que precisam virar à esquerda de repente se deparam com a interrupção da via, curvas onde os motoristas disputam lugar colocando em perigo as motos que ultrapassam de repente.

Agenda
Com o patrocínio do FAC, o livro e exposição em Cordel, que tratam sobre rotina de profissionais da enfermagem, serão apresentados ao público a partir de 15 de agosto, quinta-feira, às 18h, no Ernesto Cafés Especiais (115 Sul). Já no dia 20 do mês, terça-feira, ela segue para o Restaurante Carpe Diem (104 Sul). Por lá, o livro será lançado às 19h. O lançamento é um evento livre para todos os públicos.
Visita
Recebemos a visita de Teikichi Kikuchi, velho amigo de Ari Cunha que, entre lágrimas e risos, nos contou as aventuras nos bons tempos de Brasília.
HISTÓRIA DE BRASÍLIA
A Caixa Econômica de Brasília está desenvolvendo todo o esforço possível, para aprontar o protocolo de financiamento de residências e casas comerciais da Asa Norte, para os comerciantes que se mudaram da Cidade Livre. (Publicado em 28/11/1961)
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Nesses últimos meses, tem sido pesada a carga de artilharia voltada contra o governo Bolsonaro, vinda praticamente de todos os ambientalistas, com destaque para os defensores do meio ambiente nos países desenvolvidos. Lá fora, essa carga tem sido maior devido à exposição contínua de denúncias em foros internacionais e na imprensa, talvez por conta do grande interesse que esse tema possui junto as populações desses países, assustadas com as visíveis consequências que as mudanças climáticas têm ocasionado em todo o planeta.
Os constantes alertas feitos por renomados cientistas, biólogos e todos aqueles que estudam essas mudanças no clima, alertando para um eminente e irreversível aquecimento em todo o globo terrestre, são, cada vez mais, levados a sério pela população, que, por sua vez, pressiona seus representantes políticos no sentido de adotarem medidas de proteção interna e externa.
Pressionados pelo peso da opinião pública, líderes de muitos países da Europa se veem obrigados a adotar medidas contra todos aqueles parceiros econômicos que não estão respeitando as novas regras de combate à poluição e de preservação do meio ambiente. Nesse rol de países que têm sido acusados diuturnamente de desrespeito, as boas práticas de conservação o Brasil têm sido o destaque, ocupando quase todas as manchetes nos noticiários diários sobre essa questão.
Tão intensas e sérias se tornaram essas campanhas no exterior que hoje já é possível afirmar que o governo Bolsonaro vem se transformando numa espécie de vilão ambiental em escala planetária. O pior é que aquelas pessoas e órgãos que deveriam cuidar para melhorar essa imagem, nada têm feito dentro e fora do país. Declarações desastradas do próprio presidente e de alguns de seus assessores diretos nessa questão, como o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não só não têm ajudado a esclarecer esse assunto, como têm jogado mais lenha nessa fogueira.
Nesse sentido, de nada adianta o governo contestar metodologias de checagem de desmatamento de órgãos como o Inpe. Ao redor do planeta, circulam, constantemente, dezenas de satélites com as mais avançadas tecnologias de monitoramento ótico, oferecendo, em tempo real, a situação da derrubada de matas na Amazônia e em outros pontos do mundo. Deixando se levar pelo discurso soberbo do agronegócio nacional, o governo Bolsonaro vai vendo sua imagem se diluindo e com ela a credibilidade do Brasil, quanto a importantíssima questão ambiental. Os assassinatos recentes de lideranças Wajãpi e o périplo mundial feito por caciques como Raoní têm elevado o tom de críticas contra a política excessivamente leniente do Brasil na questão da preservação do meio ambiente.
Estudiosos do clima reunidos agora em Genebra, no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, prometem arregimentar forças contra o descaso das autoridades brasileiras nessa questão, apresentando nosso modelo de agronegócio como um sistema suicida e insustentável. Com isso, crescem, num ritmo geométrico, as pressões internacionais para que todos os países adotem medidas que impeçam, a tempo, a inviabilização de nosso planeta. Nessa questão crucial, o atual governo, por mais que ofereça evasivas ao problema, terá que adotar medidas concretas, sob pena de não poder, inclusive, circular livremente pelo mundo.
A frase que foi pronunciada:
“Eles destruíram as suas terras e agora querem controlar as nossas? Nós temos diamantes, temos ouro, pedras preciosas saindo de forma ilegal (…)”
Governador Coronel Marcos Rocha, no Rondônia ao Vivo

Governo Federal
Estudos quase no final em relação ao Bolsa Família. A ideia é evoluir e bancar um programa de treinamento técnico para os beneficiários do programa. Pela pesquisa, seriam 13 milhões de famílias beneficiadas. Até dezembro, a novidade será divulgada.

SXSW
Em março de 2020, artistas de Brasília poderão participar do festival norte-americano South by Southwest. Tracy Mann foi convidada a orientar músicos, cineastas e projetos de economia criativa para participar do evento ano que vem.

Só resta torcer
Circula pela cidade a informação de que já está aprovada a privatização do Estádio Mané Garrincha, do Ginásio Nilson Nelson e do Complexo Aquático Cláudio Coutinho. Pelos próximos 35 anos, o consórcio Arena BSB assumirá a gestão do complexo. Por enquanto, o GDF e o grupo administrarão em parceria por seis meses.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Como, no regime parlamentarista, é o parlamento que elege o presidente, concordamos com a eleição para deputado e senador. É um ponto de vista particular, sem nenhuma pretensão, que defendemos por amor a Brasília. (Publicado em 26/11/1961)
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É bom o governo ir colocando em prática logo todas as providências acertadas com os negociadores europeus durante os acordos de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A esperança de que esses tratados possam agregar mais US$ 10 bilhões às exportações do Brasil para a União Europeia, e outros bilhões num futuro próximo, não serão tão fáceis de serem implementados como acreditam e propagam alguns otimistas dentro do governo. Obviamente que se trata de um acordo que pode fazer o Mercosul renascer das cinzas, dando fôlego também à economia estagnada de nosso país.
É preciso lembrar que a maioria das cláusulas contidas nesses acordos precisam ser aprovadas, primeiramente, pelo parlamento de cada país e é aí que mora o perigo. O que resultará das negociações políticas dentro de cada um dos parlamentos na Europa é ainda uma incógnita e dependerá não só das eleições que ocorrerão nesses países, com a formação de maiorias dentro desses parlamentos, como da pressão de grupos de interesse interno, formado por agricultores, ONGs e defensores do meio ambiente e outros de cunho nacionalista.
Ambientalistas europeus, que não veem esses acordos com bons olhos, formam um grupo coeso e forte politicamente e costumam ter suas decisões acatadas pelos governos de muitos desses países signatários. A preocupação com os efeitos do aquecimento global e outras questões ligadas ao ambiente do planeta nesses países possuem um peso político considerável e são capazes de derrotar ou eleger candidatos, dando novo rumo a esses tratados.
A bancada verde, tanto do Reino Unido, como da Alemanha e da França, já vem se mobilizando para dificultar a aprovação desses acordos na sua totalidade por desconfiar de ações, por parte do Brasil, principalmente, em combater e punir os casos de desmatamento, do uso de agrotóxicos perigosos, a invasão de terras indígenas, a poluição de rios e outros temas ligados ao meio ambiente. Para piorar essa situação, as esquerdas europeias, municiadas ou açuladas pelos seus correligionários da América do Sul e do Brasil, estão realizando uma verdadeira maratona para melar esses acordos, com base em vieses ideológicos.
Outra barreira considerável para o deslanche desse tratado, como pretende o Mercosul e o Brasil, vem de setores da economia daquele continente, temerosos de perderem seus incentivos e terem ainda que concorrer com produtos de origem e qualidade duvidosas. Ambientalistas dos dois continentes temem que esses acordos acelerem, ainda mais, o processo de desmatamento no Brasil para o alargamento das fronteiras agropecuárias. Nesse sentido, pouco podem fazer as campanhas de publicidade do governo mostrando que o Brasil respeita o meio ambiente, uma vez que o monitoramento hoje desse processo é feito por sofisticados satélites e por alta tecnologia que pode, em tempo real, mostrar a derrubada de matas virgens, queimadas e outros ataques à natureza.
Diante de um quadro de dificuldades dessa magnitude, ou o governo muda seu discurso e prática com relação ao meio ambiente ou perde a oportunidade de fazer valer um grande tratado, vantajoso não só para a economia, mas que pode dar novo e definitivo rumo à questão da preservação do meio ambiente, que já é hoje considerada em todo o mundo o maior patrimônio de um país.
A frase que foi pronunciada:
“Denúncias cheias de nada.”
Ministro Sergio Moro sobre a lenga-lenga da oposição.

Novidade
Importantes projetos em votação no Senado. Um deles, o PLS 392/2016, autoriza o saque do FGTS nos casos em que a demissão for pedida pelo empregado. O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço é direito do trabalhador, não do patrão.

Invasões
Sobre a decisão da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor, que está analisando um projeto sobre o “marketing invasivo”, há o aplicativo TrueCaller, que forma uma rede de consumidores que informam quando se trata de ligações por spam. O aplicativo é bastante simples. Os parlamentares discutem providências para bloquear essas ligações. Tudo o que se puder somar para frear essa forma irritante de marketing é valido.

Divulgação
A Fundação Estudar está com as inscrições abertas e gratuitas para LIDERA, evento anual da organização sem fins lucrativos e que reúne alguns dos principais nomes da transformação no Brasil. Já estão confirmados o professor da Universidade de Harvard, palestrante internacional e autor dos livros “Pipeline da Liderança” e “Execução”, Ram Charan, além de Angela Duckworth, autora de “Garra” e professora da Universidade da Pensilvânia, e do técnico Bernardinho. Mais detalhes a seguir.
–> O evento, que acontece no dia 5 de agosto, será transmitido pela internet. Na oportunidade, a Fundação Estudar também apresenta os bolsistas aprovados no Programa de Líderes 2019. Os interessados em participar devem se inscrever até o dia 15 de julho pelo link: LIDERA ESTUDAR.
HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Outra da festa: os que trataram do elefante que divertia a gurizada, maltrataram demais o animal, que ficou ensanguentado. (Publicado em 24/11/1961)
VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)
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Quando alguns brasileiros começaram a descobrir a vastidão e complexidade dessas áreas, os estrangeiros, com apoio imediato do governo, já estavam derrubando e queimando as árvores torcidas do bioma, expulsando e matando os animais para o estabelecimento de grandes latifúndios para o plantio de monoculturas como a soja.
Ao se posicionar hoje como o maior produtor mundial desse produto, exportado em sua grande parte para a China, com faturamento de mais de 25 bilhões de dólares anuais, o Brasil deixou de lado, definitivamente, sua preocupação com questões de biomas, meio ambiente e outros assuntos de preservação, consideradas pelo governo e pelo pessoal do agrobusiness como discussões menores e sem retorno econômico.
Dessa feita, a soja e a pecuária respondem hoje como os principais responsáveis pelo desmatamento nessa região, que ainda prossegue, sem limite, dentro da perspectiva de expansão contínua da chamada fronteira agrícola. Chega a ser penoso constatar que os maiores esforços contra essa destruição contínua do Cerrado vêm também por parte de pessoas e Organizações Não-Governamentais do exterior, acostumados com esse tipo de luta.
Internamente, parece que ainda não despertamos para essa calamidade que vai ocorrendo bem debaixo de nossos pés. Não se vê o assunto nas TVs ou jornais, não se vêm debates, nem movimentos populares contra essa destruição paulatina de nossas riquezas. Não é por outra razão que apenas 5% das multas referentes a desmatamento e outras contravenções ambientais são efetivamente pagas.
Também não chega a ser surpresa o fato de que não se conhece nenhum desses destruidores do meio ambiente presos ou cumprindo qualquer pena. Mesmo aqueles grandes produtores, que são flagrados desmatando ou mantendo trabalhadores em condições análogas à escravidão, são devidamente penalizados, o que faz supor um conluio de forças muito maior do que podemos imaginar.
Grandes empresas de alimentos do mundo como a Walmart, Unilever, Nestlé, Danone, Kellogg’s e outras 60 importantes marcas de nutrientes, reuniram-se para formar um conglomerado ainda mais gigantesco denominado Consumer Goods Forum (CGF) e exercem pressão sobre tudo e todos, com suspeitas de impor regras e, em muitos casos, com suposto descumprimento das legislações que vão contra seus interesses. Mesmo apelos e manifestos embasados, como feitos agora por um conjunto de mais de 600 cientistas de todo o mundo, para que a União Europeia não compre alimentos que não sejam devidamente certificados e com compromissos com o meio ambiente, têm sido respeitados ou levados à sério.
É preciso entender, de uma vez por todas, que o Cerrado, com seus 2 milhões de Km², ou 25% do território nacional, e onde nascem as três maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata), reclama maior interesse por parte das autoridades e dos legisladores. Outro fator de indiscutível importância é que nove em cada dez brasileiros consomem eletricidade gerada com as águas do cerrado, que geram metade da energia produzida no país.
Não se entende, pois, que, sendo um dos biomas mais ricos do planeta, o Cerrado continue a ser também um dos mais ameaçados e desprezados pelos seguidos governos, que só enxergam nessa região o fator lucro imediato, sem maiores esforços que não vão deixar à livre exploração. É uma pena e um crime.
A frase que foi pronunciada:
“Nem tudo o que é torto é errado. Veja as pernas do Garrincha e as árvores do cerrado.”
Nicolas Behr, poeta da nossa terra

Reformas
Enfim, a W3 está passando por uma revisão. Calçadas que vão favorecer a mobilidade, limpeza e arrumação geral. Brasília precisa de pelo menos um lugar onde os cadeirantes e idosos possam circular com segurança. É uma homenagem singela a quem construiu a cidade.
Vida
Arte no metrô. Que notícia boa saber que entre a Estação Central e a Estação da 102 Sul, as paredes estão servindo para mostrar arte. Artistas do DF e de diversos estados mostram a arte em sintonia com a tecnologia. São as cidades inteligentes que já chegaram nos países mais ricos. Aos poucos, Brasília vai se rendendo. Sem discutir o mérito, a projeção áudio visual em 3D usada em edifícios já é realidade pelo mundo, enquanto na capital do país é novidade.

Constatação
Domingo Pet Day. Um dia exclusivo dedicado aos Pets no Eixão. Há quem diga que a solidão dos seres humanos aumenta e os bichos de estimação, que não cobram, não têm maus dias, estão sempre solícitos, são a melhor companhia. O que sei, é que vi cair lágrimas dos olhos de uma maranhense recém-chegada em Brasília quando viu que animais têm plano de saúde.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Não façam, entretanto, exceções. Cortem todos os telefones dos relapsos pagadores e, assim, os que pagam em dia terão maior número de linhas, e o DTUI, por sua vez, disporá de mais dinheiro para a aquisição de material. (Publicado em 23/11/1961)
A última fronteira agrícola será também nosso grande e árido deserto
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Quem vive nas metrópoles do Centro Oeste brasileiro, cidades modernas, como Brasília, Goiânia, Palmas, Campo Grande e outras de igual importância, com milhões de habitantes e todo o tipo de progresso urbano, não possui a mínima ideia do que está ocorrendo ao redor, nos imensos campos destinados às atividades agroindustriais e que praticamente ilham essas comunidades
Cercadas por imensos latifúndios de monoculturas por todos os lados, cuja a produção é quase totalmente destinada ao mercado externo, essas dezenas de cidades, que nas últimas décadas têm experimentado um sensível crescimento ou inchaço demográfico, vão, aos poucos, sentido os efeitos diretos e nefastos dessas atividades econômicas realizadas, unicamente, objetivando lucros máximos e imediatos a seus proprietários.
Com isso, a cada período de estiagem nessas regiões, mais e mais seus habitantes vão sofrendo longos meses de racionamento de água, seguidos de fortes ondas de calor, o que é agravado ainda pelas seguidas queimadas, tornando o ar irrespirável e com prejuízos à saúde de todos.
Rios e outros cursos d’águas, que anteriormente corriam durante todo o ano, agora desaparecem durante a seca, deixando apenas um rastro de areia e pedras, apontando para um futuro de escassez e aridez para todos.
Incrivelmente, esse parece ser um assunto tabu nessas regiões. Ninguém discute as causas desses fenômenos, nenhuma escola ou universidade parece disposta a levar esse debate adiante. Fala-se em progresso econômico. Mas a que preço? O poder de pressão do agronegócio não se limita apenas ao Congresso, onde reúne uma bancada barulhenta e disposta a tudo. Também no campo os grandes latifúndios assustam os pequenos fazendeiros que já perceberam a força desses gigantes, muitos dos quais estrangeiros, que não medem esforços para impor suas vontades.
Os movimentos nacionais que se contrapõem ao poderio dessas multinacionais de alimentos ainda são muito incipientes entre nós e normalmente não são, sequer, ouvidos pelas autoridades. Os desmatamentos contínuos, a dizimação de espécies animais e vegetais, o envenenamento dos solos e a desidratação dos cursos de água não abala essa gente que age protegida por uma legislação claudicante e benéfica a quem produz, não importando como e a que custo.
Preocupante é saber que a própria Constituição de 88 em seu art. 225, parágrafo 4º, define como patrimônio nacional a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, O Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira, deixando de fora todo o importantíssimo Bioma Cerrado. Atentem senadores e deputados ao detalhe! Façam o que é preciso ser feito para proteger toda essa terra e essa gente. A Carta Magna deixou enormes brechas por onde penetram esses devastadores das riquezas naturais do país, travestidos de grandes produtores.
A menor proteção legal, juntamente com o poder de lobby dos produtores, tem provocado estragos irreversíveis nesse bioma e que só serão devidamente avaliados quando toda essa região entrar num processo de desertificação sem controle. Aí será tarde demais e possivelmente seus responsáveis já estarão fora do alcance de qualquer lei ou autoridade.
Cientistas já comprovaram que o Cerrado é a savana mais biodiversa do planeta, contendo 5% das plantas e animais da Terra, inclusive 4.800 espécies que só ocorrem nessa parte do mundo. O problema com esse bioma único é que ele, apesar da variedade e grandeza, é também um dos mais sensíveis e contrários à intervenção humana. Por não conhecer adequadamente ainda todo o funcionamento desse complexo sistema, a intromissão humana causa estragos de difícil recuperação.
Experimentos com plantas e animais demonstram a dificuldade de reproduzi-los em condições fora de seu meio ambiente natural. As poucas experiências feitas até agora, por pesquisadores isolados e com escassos recursos, demonstram que há ainda um imenso e variado campo desconhecido sobre esse sistema. Infelizmente, a descoberta dessa riqueza natural e delicada só começou a aparecer quando o boom das matérias-primas e das commodities já estavam atraindo grandes investimentos, principalmente do exterior.
A frase que foi pronunciada:
“Enquanto a esquerda esperneia deixando de votar inclusive no que defendia, enquanto a direita calcula cada passo, o Brasil aguarda para saber que destino tomar: de volta ao passado ou direto para o futuro. Unir para governar é o pensamento de quem age pelo país, e não por ideologias.”
Dona Dita, enquanto vê a banda passar.

Pão e Circo
Nota do leitor Renato Prestes: “Nos dias dos jogos da seleção brasileira masculina na Copa do Mundo, servidores públicos são dispensados. Nos jogos da seleção feminina, essa benesse não ocorre. Situação que deixa bem explícita que não há tratamento igualitário entre homens e mulheres, conforme impôs a Constituição de 1988.” O ideal seria não ter dispensa do trabalho para assistir jogo de futebol, o que é um absurdo em si (nota da coluna).

HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Uma solução para o DTUI: se falta dinheiro, que sejam cobradas todas as contas atrasadas. Para que os relapsos paguem, bastará que se desligue o telefone, e todos correrão ao guichê do Banco do Brasil. (Publicado em 23/11/1961)
Um futuro árido aguarda os defensores de um agronegócio feito a todo custo
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No intuito de querer agradar a chamada bancada ruralista e assim obter maior apoio no parlamento e em atendimento também ao poderoso lobby do agronegócio, o atual governo vai, aos poucos, se emaranhando na questão ambiental pela porta dos fundos, repetindo o mantra e as estratégias desse setor que, de maneira duvidosa, coloca a questão da preservação e do respeito ao meio ambiente como entrave a ser vencido para o pleno desenvolvimento desse setor. Ao apontar a manutenção do riquíssimo e delicado bioma nacional como inimigos a serem derrotados para a plena expansão do agronegócio, seus autores vão, aos poucos, não só capturando todo governo para esse enredo trágico, como colocando em sério risco todo esse patrimônio natural de forma irreversível. Pelo o que se tem observado em todo o planeta em decorrência das alterações climáticas severas, não será de todo exagerado supor que, ali mais adiante, esse governo e outros, com a mesma tendência em relação às questões de preservação, venham se sentar no banco dos réus, acusados de crimes graves contra o meio ambiente.
A miopia que faz com que os ruralistas e grandes produtores não enxerguem a possibilidade da coexistência pacífica e harmoniosa entre agronegócio e a preservação do meio ambiente pode vir a antecipar a decadência e a ruína desse importante setor da nossa economia, colocado, perante o mundo, como agente ativo de destruição do planeta, tendo, também, seus produtos rejeitados pela comunidade de países importadores.
Nesse momento, um grupo de mais de 600 cientistas de todo o mundo estão pressionando as lideranças da União Europeia para que deixem de comprar todos os itens produzidos pelo agronegócio brasileiros que não possuam certificado válido de que foram obtidos com respeito ao meio ambiente.
O desmonte de algumas estruturas de combate e controle aos desmatamentos, assim como a afrouxamento de muitas leis de preservação podem, em princípio, favorecer algumas estratégias políticas do atual governo, mas poderá, ao fim do processo, servir de provas de crimes que estão sendo perpetrados por gente gananciosa, pragmática e pouco ilustrada, que se move apenas em busca de lucros máximos.
Aos poucos, a bancada ruralista vem se articulando para inserir no Código Florestal mais de trinta novas emendas flexibilizando regras para permitir o aumento de desmatamento em até 5 milhões de hectares de florestas, atrasando ainda o reflorestamento de outros 4 milhões de hectares de áreas já desmatadas.
A frase que foi pronunciada:
“A agricultura foi a primeira ocupação do homem e, como abrange toda a terra, é a base de todas as outras indústrias.”
Edward W. Stewart, político irlandês

Divulgação
Sesc divulga a iniciativa nacional no combate à fome e desperdício de alimentos. Mesa Brasil Sesc é o nome do programa. São diferentes personagens entre os doadores e as instituições que são assistidas. Em Brasília os números ainda são tímidos.

Pelo país
Em 2018, o projeto doou 37 mil toneladas de alimentos e atendeu 1,5 milhão de pessoas por dia a pessoas em situação de vulnerabilidade em uma perspectiva de inclusão social. O Programa de Segurança Alimentar e Nutricional é baseado em ações educativas e de distribuição de alimentos excedentes. Na prática, o Mesa Brasil Sesc busca onde sobra e entrega onde falta. De um lado, contribui para a diminuição do desperdício, e de outro reduz a condição de insegurança alimentar de crianças, jovens, adultos e idosos. Em ambos os polos desse percurso, as estratégias de mobilização e as ações educativas incentivam a solidariedade e o desenvolvimento comunitário.

Estratégias
São duas, as frentes do programa: o banco de alimentos e a colheita urbana. No primeiro, o trabalho é realizado por meio da busca de alimentos que estejam fora de padrões definidos para comercialização por produtores, supermercados, atacadistas e outros agentes. Esses produtos são armazenados em espaços próprios e distribuídos para entidades sociais. Já a colheita urbana é feita diariamente, com a coleta de alimentos frescos, produtos hortifrutigranjeiros e alimentos industrializados, que são distribuídos de forma imediata, sem estoque, por sua característica de perecibilidade.
Conexão
Os produtos arrecadados são direcionados a aproximadamente 6.000 entidades cadastradas. Para realização deste trabalho, o Mesa Brasil Sesc conta com a parceria de empresas doadoras, atualmente mais de 3,3 mil, entre estabelecimentos comerciais, indústrias alimentícias e empresas de serviços. Também participam desta rede de solidariedade cerca de 380 voluntários, que atuam em atividades como seleção e armazenamento de alimentos, ações educativas e captação de recursos.
Na prática
Paralelo ao trabalho de coleta e distribuição de alimentos, o programa oferece atividades como cursos, oficinas e palestras, para difusão de conhecimentos, troca de informações e experiências junto aos profissionais, voluntários e beneficiários das entidades sociais, bem como às empresas doadoras. Tais ações educativas têm como objetivo promover a alimentação adequada, a reeducação alimentar e fortalecer as instituições assistidas.
HISTÓRIA DE BRASÍLIA
A numeração das quadras da W-3 ainda não foi modificada, o que deveria ter sido feito há muito tempo. Há um plano do dr. Vasco que facilita muito a identificação das quadras, mas ainda não foi utilizado. (Publicado em 22/11/1961)







