Um no cravo, outra na ferradura

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Foto: perfil oficial do presidente Jair Messias Bolsonaro no Instagram

 

Para retirar o país da maior crise econômica de todos tempos, uma herança verdadeiramente maldita e eivada na corrupção, legada pelos descaminhos de uma esquerda doidivanas, perdida nos descaminhos da egolatria, o presidente Jair Bolsonaro e sua excelente equipe têm empreendido múltiplos esforços, e em várias frentes, em busca do tempo perdido.

Dentro do papel que lhe cabe como chefe do Poder Executivo, Bolsonaro tem acenado tanto à União Europeia, como aos Estados Unidos, cedendo à exigência, buscando acertar os ponteiros internos, para atrair os investimentos tão necessários ao desenvolvimento. Parte desse esforço é feito agora com a reunião dos BRICS, realizada aqui em Brasília. Toda essa empreitada, guiada nos bastidores pela equipe do ministro Paulo Guedes, visa mostrar aos países desenvolvidos que o Brasil tem perseguido, com afinco, um amplo programa de ajustes internos, retirando barreiras e outros entraves burocráticos e protecionistas na tentativa de se apresentar como um país moderno e um parceiro confiável e aberto a negócios.

Uma investida dessa natureza, feita nas mesas de negociações, onde bilhões de dólares estão em jogo, requer, por parte do Brasil, uma transparência inequívoca em todos os contratos, presentes e futuros. E é justamente no quesito translucidez e compliance que o Brasil deixou muito a desejar. De fato, os escândalos de corrupção, seguramente um dos maiores de todo o planeta, emitiram para os países, com os quais o Brasil busca parceria, sinais opostos.

De um lado, o mundo ficou ciente de que havia, internamente, esforços de um setor minoritário do Estado que buscava acabar com as práticas criminosas entranhadas na máquina pública. De outro, ficou também sabendo da existência de um contra-ataque, de forças poderosas que resistiam passar o país a limpo e manter o antigo status quo.

As experiências frustradas, vindas da Itália, com a Operação Mãos Limpas, indicavam que o Brasil seguia num mesmo rumo, com parte da justiça e dos políticos cuidando para enterrar, por aqui também, os esforços para pôr fim a corrupção secular.

Nessa altura dos acontecimentos, o presidente Bolsonaro já percebeu que, caso não desate o nó da economia, o Brasil e ele próprio correm o risco de naufragarem ainda no porto. Possivelmente, o primeiro e talvez maior passo que o Brasil podem dar em direção a uma integração econômica satisfatória e lucrativa com o restante do mundo, seja sua entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 36 países e onde nosso país pleiteia uma vaga com grande empenho. Ocorre que uma missão, denominada Grupo de Trabalho sobre Suborno da própria OCDE, uma espécie de força-tarefa de vanguarda, está em visita agora em Brasília para checar de perto as razões e consequências da medida tomada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, de suspender todas as investigações com base em dados de órgãos de controle como o antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Banco Central e da Receita Federal, sem autorização prévia do próprio STF.

Esse mesmo grupo tomou conhecimento agora de que o próprio Toffoli determinou ao Banco Central o envio de cópia de todos os relatórios de inteligência financeira (RIFs) elaborados nos últimos três anos. Mais de 600 mil dados de pessoas físicas e jurídicas estão em suas mãos, o que, segundo membros do Grupo, pode motivar uma espécie de filtração dessas informações, beneficiando uns em detrimentos de outros à critério apenas dele próprio.

A preocupação desse Grupo da OCDE é que a suspensão de milhares de investigações possa inibir o combate efetivo à corrupção, à lavagem de dinheiro, beneficiando a ação de grupos terroristas e outros criminosos do colarinho branco. Caso essa situação persista, o Grupo de Trabalho sobre Suborno não descarta a aplicação de medidas contra o Brasil, incluindo-o na lista negra. Seriam em vão os esforços do nosso país de se integrar na comunidade econômica internacional um sonho ainda mais distante.

Enquanto o presidente Bolsonaro parece acertar no cravo, incluindo o Brasil em várias rodadas de negociação pelo mundo, a justiça, ou o a própria Suprema Corte, desfere um golpe errado na ferradura.

Para o nosso filósofo de Mondubim, o que um presidente parece fazer com as mãos o outro desfaz com os pés.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis.”

Platão, filósofo e matemático do período clássico da Grécia. 429 a.C.

Charge do Alpino

 

 

Nova Era

Empresas anunciantes se unem pelo desenvolvimento do país contra o “quanto pior, melhor” e suspendem contratos de publicidade com os meios de comunicação que têm se mostrado inerte em relação à divulgação das mudanças positivas feitas para um país melhor. A omissão de notícias, a falta de apoio à vontade popular pelo fim da corrupção ou mesmo programas onde a instituição familiar é atacada são os pontos que têm convencido o encerramento dos contratos.

 

 

Stopover

Em parceria com a TAP, governos do país entrarão no circuito stopover. Trata-se de uma forma para atrair turistas de todo o mundo. Da mesma forma como existe em alguns países da Europa, o stopover dá ao viajante a oportunidade de permanecer no país entre 2 a 5 dias, conhecendo várias regiões sem que precise pagar novas passagens. A intenção é divulgar as praias brasileiras e também o pantanal e cerrado. O governador Ibaneis está animado com a novidade.

Presidente da Embratur, Teté Bezerra, participou da solenidade de lançamento do programa, em Lisboa. Foto: Divulgação/Embratur

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Esta, vale também como argumento para os que querem a volta da capital. E mais: nós temos em reserva, a todo instante, 90.000.000 (noventa milhões mesmo) de litros d’água em estoque para abastecimento da cidade. (Publicado em 06/12/1961)

A cultura na alça de mira das ideologias

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Foto: sede do Ministério da Cultura em 2017 (diariodopoder.com)

 

Ao longo da história humana é possível observar que, dentre todos os elementos que concorreram para a formação e moldagens das diversas civilizações pelo mundo afora, a cultura, sem dúvida alguma, desponta como o principal fator que melhor traduz a alma de um povo, seus costumes, tradições, crenças, seu folclore, enfim, sua própria identidade. Por isso mesmo é que todos os povos que almejaram dominar e conquistar uma outra população e um outro território, anexando pela força outras civilizações, tomavam como primeira iniciativa a destruição da cultura e dos valores imateriais dos conquistados, de forma a atingir, na alma, esses seres apoderados.

Dessa forma fica evidente que um povo sem essa alma, propiciada pela cultura, torna-se presa fácil para aqueles que desejam dominá-los. Embora reúna em si os mais fortes e duradouros laços a unir um povo, a cultura também é um elemento tênue, capaz de se desmanchar no tempo, quer por ação de uma outra cultura externa, quer, principalmente pela ação e interesse de governos e, principalmente de ideologias. Assim é que toda a vez que se observa a mudança de governo e sobretudo de orientação político-ideológica, o primeiro setor da sociedade a experimentar e a sentir na pele essa mudança de rumo, é justamente a área cultural.

A queima de livros na Alemanha nazista, na Espanha de Franco e de Salazar em Portugal, a perseguição aos artistas e intelectuais na China de Mao, as prisões nos Gulags na União Soviética de Stalin, as censuras e prisões da Ilha dos Castros e muitas outras intimidações e mortes aconteceram tanto por ditadores de direita, como da esquerda política, sempre contra a cultura e seus protagonistas ao longo do tempo de história da humanidade.

Um fato, porém, pode ser destacado: foi somente em países que optaram pelo sistema capitalista que a cultura encontrou os mais livres caminhos para percorrer e florescer. Foi assim na Itália renascentista, no início do capitalismo comercial, em Florença e outros sítios pelo mundo. Tem sido na Europa Ocidental do pós-guerra, nos Estados Unidos e em muitos outros países. Isso demonstra que a liberdade é o melhor mais propício para germinar a semente da cultura. Em países como o nosso, onde tradicionalmente a cultura, produzida no meio urbano, foi, em sua maior parcela, sempre atrelada e alimentada por recursos do Estado, falar em produção de artes independente de governos é sempre uma exceção.

A existência de um ministério da cultura, de uma secretaria de cultura, de fundações ligadas às artes, a existência de museus e outras instituições do estado vinculadas à produção de arte e cultura denotam, no Brasil, o vínculo estreito entre um ente ligado ao governo e à cultura. Desse modo fica difícil falar em cultura e seu fomento, sem mencionar o Estado e o governo. É sob esse viés que tem funcionado todo o sistema de cultura de nosso país, mesmo em seus aspectos ligados ao folclore regional, explorado pelas agências de turismo de cada estado.

Com uma ligação umbilical como essa, não seria espantoso verificar que a mudança de sinais ideológicos da esquerda para a direita, operado com a saída do petismo do poder, dando lugar ao governo de Bolsonaro, necessariamente iria se refletir no mecanismo estatal que fomenta a cultura. Artistas e manifestações de arte ligados ao antigo governo perderam suas fontes originais de financiamento. Do mesmo modo, artistas e obras com viés de direita ou que foram assim taxados, também eram impedidos e até perseguidos pela esquerda no passado.

Infelizmente, tanto para um lado como para o outro, é complicado para qualquer dirigente do Estado liberar o financiamento de obras que, ao fim ao cabo, irão tecer críticas ao seu governo. Posto dessa maneira, fica claro que o inimigo da cultura é a ideologia de plantão. Tanto esquerda como direita são nocivas à produção de artes e cultura. O difícil é explicar e convencer os governos que vêm e vão dessa realidade.

Enquanto a cultura nacional depender das benesses do Estado será assim. É como um menor de idade que vive com os país: tem sua independência atrelada à certos controles, que tolhem a plena liberdade.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Os quadros que eles penduram nos restaurantes não são muito melhores do que a comida servida nos museus.”

Peter de Vries, novelista de Chicago (1910-1993)

Foto: amazon.com

 

 

Lembrança

Dentre as comemorações dos 60 anos de Brasília, os moradores são convidados a escolher a árvore mais bonita da cidade. Era uma paineira maravilhosa que ficava num balão da Vila Planalto e foi eliminada sem a menor necessidade.

Ipê amarelo registrado pelo fotógrafo e morador do Gama, no Distrito Federal, Diney Cordeiro — Foto: Diney Cordeiro/Arquivo pessoal

 

 

Alienação Parental

As advogadas Sandra Vilela e Giselle Groeninga sugerem à imprensa um estudo mais aprofundado no assunto Alienação Parental. Matérias sensacionalistas não ajudam, em nada, milhares de crianças que sofrem esse fenômeno social. “A mídia tem levantado a discussão sem nenhum fundamento legal, trazendo matérias sensacionalistas, surgindo a necessidade urgente de amplo debate acadêmico sobre essa lei”, diz Sandra Vilela. “Tais argumentações acabam por dificultar que se iluminem os pontos a serem aperfeiçoados na lei. E, ainda, a ligação da alienação parental com pedofilia presta um enorme desserviço ao necessário combate dessa prática nefasta”, avalia a psicóloga e advogada Giselle Groeninga. Vejam a seguir um documentário sobre o assunto.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

De mal a pior, o serviço telefônico. Mas, mesmo assim, as estatísticas mostram que a maior demora já verificada, na espera do ruído em Brasília, foi inferior à normal do Rio de Janeiro. (Publicado em 06/12/1961)

Já vai tarde

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Por certo, nenhum motorista brasileiro irá sentir saudades ou a falta do DPVAT (Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), que será extinto a partir de 2020, segundo prevê a medida provisória nº 904, publicada ontem. O seguro, criado em 1974, e que tinha como objetivo a cobertura em casos de morte, invalidez permanente ou assistências médicas por lesões causadas por acidentes de trânsito, era um dos campeões de reclamações, justamente no quesito seguro, sendo por diversas vezes apontado como ineficiente, burocrático e nada transparente. Esse tipo de negócio, entregue há décadas à iniciativa privada era “fiscalizado” pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e vinha seguidamente apresentando problemas pelo grande volume de reclamações feitas pelos segurados. Apenas num levantamento de 2018, foram descobertos 11.898 casos de fraudes, o que colocava a Seguradora Líder no topo de reclamações feitas junto à Susep. Até mesmo o Tribunal de Contas de União (TCU), sempre moroso em seus processos, já havia denunciado que o DPVAT, acumulava milhares de ações judiciais nessa corte, por diversos motivos, principalmente pelo não atendimento de segurado.

Segundo têm publicado alguns jornais, a decisão do presidente Bolsonaro em extinguir o DPVAT e o DPEM, que é o Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Embarcações ou por suas cargas, teria um objetivo político específico de atingir o atual presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), controlador e presidente do conselho de administração da seguradora Excelsior, uma das maiores do Nordeste nesse ramo e credenciada na cobertura do DPVAT.

Dados da Susep mostram que a Excelsior detém 2% da Seguradora Líder, consórcio que administra o DPVAT em todo o país. A própria atuação do deputado Luciano Bivar dentro da Câmara dos Deputados indica que, por diversas vezes, esse parlamentar atuou diretamente em benefício dos negócios desse tipo de seguradora.

Num dos projetos apresentado pelo deputado, o PL 7038/2017, ficava estabelecido que o consumidor era impedido de escolher a oficina em que levaria seu carro para conserto. Estabelecia ainda que caberia às seguradoras escolher suas próprias oficinas para reparos dos segurados.

Em longa reportagem apresentada pelo programa televisivo Fantástico, da Rede Globo, apresentado ainda em 2015, mostrava que o montante das fraudes no DPVAT ultrapassava a cifra de R$ 1 bilhão por ano. Segundo apuraram o Ministério Público e a Polícia Federal naquela ocasião, diante de uma total ausência de controle, diversas quadrilhas de fraudadores vinham aplicando golpes sistemáticos no sistema de seguros em todo o país. Protegidos pela certeza de impunidade e pelo próprio mecanismo burocrático dos seguros, esses bandidos deixaram um rastro de prejuízos e mostraram a fragilidade desse tipo de negócio.

Desde que assumiu a Susep, Solange Vieira ficou incomodada com o que viu sobre o DPVAT. Foi até à Câmara e abriu o livro. Duas pessoas importantes nesse processo também são o delegado Marcelo Freitas, que hoje é deputado, e o Promotor do Ministério Público de Minas, Paulo Márcio. Eles fizeram uma pesquisa cirúrgica sobre procedimentos suspeitos e hoje têm toda a justificativa cientificamente comprovada para que o DPVAT deixe de ser o que é. Já vai tarde!

 

Acesse a reportagem no link: Segundo PF e MP, fraudes do DPVAT podem chegar a R$ 1 bilhão ao ano

 

 

 

 

Frase que foi pronunciada:

“O modelo tinha muitos problemas, era ineficiente e havia uma corrupção enorme”.

Solange Vieira, superintendente da Susep, sobre o DPVAT

Foto: revistacobertura.com

 

 

Fala governo

A senadora Soraya Thronicke sugeriu, por projeto, que as emissoras de TV, canais abertos, concessionários públicos, sejam obrigados a transmitir entre 19h e 22h “A imagem do Brasil”. Seriam 18 minutos distribuídos entre notícias do Executivo, Legislativo e Judiciário. A parlamentar pede apoio da população para a aprovação do projeto. Trata-se de mostrar ao povo brasileiro o outro lado das notícias.

Foto: senado.leg

 

 

Torrente

Tem gente querendo saber a razão da 202 Norte alagar daquela forma desproporcional. Também tem gente que descobriu a razão. A tubulação de águas pluviais é usada por moradores de rua como lixeira. Panelas, lonas, pedaços de pau, tudo jogado na galeria no eixinho.

 

 

Ainda

Continua a montanha de lixo em frente ao Drive-in. Já contamos 5 dias.

Foto: Ricardo A (jan de 2017) – tripadvisor.com

 

 

Contrapartida feita

Quando fez o convite aos parlamentares para aparecerem no espaço Evandro Lima para o autógrafo do livro distopia, o senador Paim esclareceu sobre o valor do livro. “Quanto é? Nada! Ou seja, vocês já pagaram com o imposto, por isso eu usei minha cota para publicar o livro. O livro é do cidadão brasileiro.”

Fonte: Senado.gov.br

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

E parece que ficaremos com a segunda hipótese, porque não há líderes políticos. Todo o mundo está calado para ver de que lado fica, na hora da onça beber água. (Publicado em 06/12/1961)

A prioridade em infraestrutura de estradas metálicas

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Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

 

Do montante do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que em 2018 foi de R$ 6,8 trilhões, somente 1,8% foi destinado a investimentos em obras de infraestrutura. Para um país com a continentalidade e a complexidade do Brasil, esse percentual chega a ser irrisório. Especialistas nessa área estimam que seria necessário um investimento da ordem de 6% do PIB somente para dar início às obras necessárias e mais urgentes.

Claro que esses investimentos também podem vir de fontes estrangeiras, mas o importante é que haja projetos executivos bem detalhados, com prazos realistas e segurança jurídica para esses aportes. Até esse ponto há uma unanimidade. Investimentos em logísticas são fundamentais para um país que se pretende exportador de matérias primas. Nesse setor, o Brasil ainda é um vexame. Principalmente em nichos como transportes e estradas.

Estudiosos da história econômica das nações apontam, como fator comum aos países desenvolvidos, o enorme esforço realizado na construção de estradas, principalmente ferrovias. Pouco Antes da independência dos Estados Unidos e do Brasil, esses dois países, descobertos na mesma época, apresentavam o mesmo nível de desenvolvimento. Um dos fatores que impulsionaram os EUA a tomarem a dianteira econômica no continente foi justamente a construção de uma enorme malha ferroviária cruzando todo o país, do Atlântico ao Pacífico, unindo regiões distantes e antes inacessíveis. O Brasil, por razões históricas diversas, sempre retardou a implantação de ferrovias, o que tem custado caro ao desenvolvimento do país. Exceção pode ser feita ao Imperador Dom Pedro II: dos 29 mil quilômetros de ferrovias existentes hoje no país, nada menos do que 10 mil quilômetros foram construídos durante o reinado desse Imperador. Não é por outro motivo que muitos historiadores vêm empreendendo agora um esforço enorme numa releitura do governo desse monarca, (1840-1889) mostrando o quanto o Brasil retrocedeu, política e economicamente com a adoção do modelo importado e açodado de República.

O chamado rodoviarismo teve início justamente no governo republicano de Washington Luís (1926-1930) com o lema “governar é construir estradas”. É desse tempo a construção da primeira rodovia asfaltada do país, ligando Rio de Janeiro à Petrópolis, e a rodovia Rio-São Paulo, sendo seguido, anos depois, por Juscelino Kubitschek (1955-1960), impulsionado pela implantação da indústria automobilística. Em todo o período republicano, as ferrovias foram deixadas de lado ou simplesmente sucateadas. O modal rodoviário representa hoje algo em torno de 60% de todo o transporte realizado no país. São mais de um milhão e meio de rodovias não pavimentadas e cerca de 200 mil asfaltadas, ainda assim em precárias condições de conservação e segurança. Não é preciso dizer que, diante desse quadro, o país não apenas perde competitividade, como produz prejuízos internos pela impossibilidade de escoamento da produção.

Quem mais amarga prejuízos é justamente o setor que é o carro chefe da economia que é o agronegócio, seguida pela mineração. O problema com a instalação de uma malha ferroviária num país com dimensões como Brasil é que esse tipo de investimento custa caríssimo e exige um longo tempo para finalização das obras. Como em nosso país nenhum grande projeto pode exceder o tempo de mandato de um governo, obras dessa natureza ficam pelo caminho. Para se ter uma ideia dessa defasagem, apenas o Japão, com um território do tamanho de São Paulo, possui mais linhas ferroviárias de que todo o Brasil.

Estudo apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2015 revelou que 61% de toda a carga transportada pelo país é feita por rodovias. Apenas 21% utiliza a malha ferroviária que é muito mais segura, mais barata, transporta mais volume de carga e é eficiente. Com isso, o custo de nossos transportes permanece entre os mais caros do planeta, principalmente quando se trata de grandes volumes que têm de percorrer grandes trechos até os portos ou aos centros consumidores. Basta ver que, enquanto uma carreta transporta 30 toneladas, um trem de tamanho médio, transporta 3 mil toneladas.

Além do transporte de riquezas, as linhas férreas poderiam incrementar o transporte de passageiros ligando uma cidade à outra, trazendo maior riqueza para o setor do turismo. Com uma malha de ferrovias ligando todo o país, especialistas acreditam que o incentivo dado ao comércio, como um todo, seria capaz de criar milhões de empregos num espaço de poucos anos.

Com tantas vantagens desse modelo de transporte, a pergunta que persiste há décadas é por que ele ainda permanece dormitando no fundo das gavetas da burocracia estatal?

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Com o que nós planejamos, a gente tira a participação do modo de transporte ferroviário de 15% para 29% em oito anos”.

Ministro Tarcísio Freitas

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Estes, são os retornistas descarados, que não querem enfrentar uma luta direta e vivem buscando “soluções”. De soluções em soluções é que nós chegamos ao que somos hoje: um país às vésperas de uma revolução, às vésperas de uma ditadura. (Publicado em 06/12/1961)

Tamanho é destino

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Charge do Amarildo

 

Não restam dúvidas de que o século XXI, que teve seu início oficial com a derrubada das Torres Gêmeas em setembro de 2001, já pode ser seguramente considerado um dos mais desafiadores para o futuro de toda a humanidade. As múltiplas questões a serem enfrentadas nesse início de século irão requerer, de todos os países do globo, esforços tão ou mais enérgicos do que aqueles realizados nos períodos das duas grandes guerras mundiais.
        É preciso salientar que nesse trabalho em busca de um prolongamento do futuro da espécie humana sobre o planeta, o Brasil, diferentemente de outras épocas, em que sua participação nos problemas mundiais foram periféricas ou sequer notadas, deverá ocupar lugar de grande importância, não sendo exagerado supor que, nesses grandes desafios que se apresentam, nosso país acabe adquirindo um protagonismo central. Continentalidade é destino e compromisso.
        Talvez esteja, nessa missão que se descortina, a oportunidade de acordar de vez o gigante adormecido em berço esplêndido. Para tanto, e apenas para manter essa questão no âmbito interno, a despeito do crescimento vertiginoso da população mundial versus a degradação do meio ambiente, dentro ainda de um contexto de aquecimento global, que papel caberá ao Brasil para dar sua contribuição efetiva à população no que parece ser a maior encruzilhada já experimentada pelos terráqueos? Eis aqui uma indagação que necessita ser respondida com rapidez e racionalidade necessárias diante da magnitude da questão.
        Obviamente que, seguindo uma sequência lógica e de prioridades, o que se impõe logo de saída é que o Brasil resolva de imediato seus grandes e graves problemas de ordem interna. A começar pela diminuição das flagrantes desigualdades econômicas e sócias existentes, não apenas pelo caminho fácil da distribuição de renda, mas, sobretudo, pela distribuição de oportunidades.
        Resolvido esse primeiro nó, a segunda investida deverá ser feita no campo da modernização da infraestrutura do país, dotando o Brasil continental daquilo que vem sendo adiado por séculos, que é a construção de uma malha moderna e eficaz de ferrovias que esquadrinhe o país de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Sem essas veias de aço, por onde corre o progresso, nada de concreto pode ser alcançado. Para alguns, problemas dessa ordem, que afligem o planeta, não devem constar da agenda de nossos governos que possuem outros planos mais imediatos e com curtíssimo prazo a cumprir.
       No entanto, para aqueles que têm acompanhado os rumos trilhados pela humanidade nesse início de século, mais cedo do que se imagina, o mundo carente e em busca de salvação irá bater à porta do Brasil. Ao se apossar de um imenso e valoroso pedaço do globo terrestre durante a Idade Moderna, os portugueses legaram, talvez sem saber, aos futuros habitantes dessa parte do mundo, um destino e uma missão ciclópica.
        Diante de um planeta que parece arder em chamas, caberá ao gigante gentil e dorminhoco estender a mão ao mundo, dando sentido a sua vastidão de terras.

 

 

 

 

A frase que não foi pronunciada:
Edir Macedo e Lula não têm nada em comum. Mas os seguidores dos dois são idênticos.”
Dona Dita, pensando com a pulga atrás da orelha.

 

 

Sem educação
O processo seletivo interno de tutores da Escola Superior de Magistério da FUNAB (Fundação Universidade Aberta do DF) foi cancelado por força de uma sentença da 7º Vara da Fazenda Pública do DF, originada por Ação Civil Pública apresentada pelo MPDFT, e mantida pelo TJDFT; atualmente este acórdão desafiou recursos aos Tribunais Superiores e aguardam decisão quanto a sua admissibilidade no STJ e STF.

Foto: Reprodução/TV Globo

 

Amigo
Limonge e sua fina pena nos corrige. Joaquim Barbosa não é ex-ministro do STF, mas ministro aposentado da Suprema Corte.

Foto: especiais.gazetadopovo.com

Bandeira branca
Por falar em correção, fomos acusados de não entender nada de Petrobras ao comentar a inércia da estatal diante do derramamento de óleo em 409 praias brasileiras. Talvez não entendamos mesmo. Mas avisamos aos navegantes que ninguém da equipe dessa coluna fez parte da organização daquele leilão fracassado, onde as impressões gerais se resumiram em decepção e competição fraca.

Foto: exame.abril.com


Futuro próximo
Assuntos importantes serão discutidos pela cúpula dos BRICS, no dia 13. A secretaria executiva da Confederação Nacional da Indústria tratará das parcerias para viabilizar o comércio descomplicado entre o bloco além da regularização de patentes. O diretor de Desenvolvimento Industrial da entidade, Carlos Abijaodi, acredita no sucesso do encontro.

Foto: brics2019.itamaraty.gov

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Mas eu já sei que o senhor está pensando nisto. Pois olhe. O outro lado não dorme. Já há a tese de que o regime parlamentarista só funciona em região demográfica que abranja dez por cento da população do país. (Publicado em 06/12/1961)

O bolo preparado pelo Supremo

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Imagem: g1.globo.com

 

Depois do bolo assado é que se pode saber se a receita estava correta. Assim também vale para a decisão final dada pelo Supremo Tribunal Federal, acabando com a prisão em segunda instância. Os desdobramentos práticos dessa decisão, com a possibilidade de abertura dos presídios e soltura de detentos, incluindo nesse bolo os mais importantes protagonistas dos megaescândalos de corrupção, darão o exato alcance dessa medida.

Em 2014, o ex-ministro Joaquim Barbosa, pouco antes de sua saída do STF, motivada, entre outras razões, pela sequência de ameaças que vinha sofrendo, previa que, num futuro não muito distante daquele ano, no qual muitos mensaleiros de alto coturno foram condenados, haveria a formação de uma maioria de ocasião dentro da Corte para, obviamente, promover retrocessos e manter o antigo status quo. Como bem observado também por colunistas políticos de todo o país, todo esse julgamento, por mais que os ministros tenham dissimulado, tinha um objetivo preciso e oculto, traduzido no fim da Lava-Jato para a soltura oficial de Lula, sob a bênção da própria Justiça que o havia condenado.

Não se pode negar de forma alguma, que nunca antes o bordão “nós contra eles” fez tanto sentido. De fato, a sociedade se mostra claramente dividida sobre essa decisão anacrônica. Uma das questões que se coloca agora é como retroagir todo um país no tempo. Na verdade, o que foi feito com a aprovação da medida, equivale, numa imagem, a retirar a escada do pintor, simbolizado pela Justiça, deixando-o suspenso no ar, seguro apenas pela broxa. A tal da insegurança jurídica, potencializada pela aprovação da Lei contra o Abuso de Autoridade pelo Congresso e, de certa forma, alimentada também pela possibilidade de os políticos utilizarem as verbas bilionárias do fundo partidário para o pagamento de advogados de defesa, é hoje um fator a depor contra a própria Justiça em favorecimento direto aos fora da lei.

Com isso, volta a se organizar a contrarreforma, de olho no passado. Impossível para um observador isento, mesmo dotado do mais alto grau de conhecimento jurídico, não reconhecer que essa decisão, por seu peso político específico, dentro do atual cenário do país, não tenha sido orientada, desde o começo, por viés claramente político.

Os pretensos abusos da Operação Lava-Jato, apontados como desculpa para a marcha à ré na lei, colocam um ponto de interrogação de difícil resposta. A indiferença desse alto tribunal às pesquisas de opinião pública, que apontavam inconteste preferência nacional pela prisão em segunda instância, contrasta abertamente com o fato de que toda a discussão, desde o primeiro dia, foi amplamente contaminada e absorvida pela assombração do chefão petista preso.

A tese marota para que haja a prisão imediata apenas para condenados de crime contra a vida não se sustenta de pé, quando se verifica que a corrupção, como bem lembrou o ministro Barroso em seu voto a favor da prisão em segunda instância: “É um crime violento. Mata na fila do SUS, na falta de leitos, na falta de medicamentos. Mata nas estradas sem manutenção adequada. O fato de o corrupto não ver nos olhos as vítimas que provoca, não o torna menos perigoso”. Por enquanto, melhor ficar apenas de olho no bolo saído do forno, desconfiar, sem levá-lo à boca.

 

 

 

A frase que não foi pronunciada:

“Engraçado. Não estou revoltado. Estou morrendo de vergonha do meu país. Aqui, o certo é errado e o errado é certo. Já nem sei mais como educar meus filhos. Resumindo é isso. Brasil: seja corrupto ou deixe-o.”

Conversa no banco da frente de um ônibus que parou perto do STF

Cartaz na página oficial do MBL no Instagram

 

 

Relaxando

Domingo é dia do Grupo Cultural Azulim. A apresentação da União Charme Dance, Soul Family e Dança Terapia será de 12h as 21h, no Estacionamento da Administração de Sobradinho 2 – Quadra, Ar 13 Conjunto 11, 01 – Sobradinho II. A programação contará com feijoada completa disponível a um preço simbólico de R$ 15 para ajudar com as despesas do Azulim que é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público

 

 

Céu caiu

Um pandemônio previsto com a chegada das chuvas. Tomara que os vídeos amplamente divulgados pelas redes sociais norteiem o governador e equipe para as próximas obras. Não há vazão para água pluvial.

 

 

Movimentação

Quase tudo pronto para receber os chefes de Estados que integram o BRICS nos dias 13 e 14 de novembro. No Senado, discussões sobre riscos e oportunidades durante a visita.

Foto: Alan Santos/PR

 

 

Colarinho branco

Câmara aprova em 2° turno PEC que cria polícias penais. Acabaram de perguntar para quê. É que, apesar da importância da iniciativa, o assunto é mal relacionado ao recente julgamento do STF que relaxa a prisão de quem pode pagar advogados.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O Banco do Brasil, até o fim do ano, terá 999 apartamentos prontos. Mudará, também, mais da metade. E pronto. O resto vem no faro. (Publicado em 06/12/1961)

Cai no abismo a prisão em segunda instância

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Foto: Agência Senado

 

Diversas pesquisas realizadas nas últimas semanas pela FSB, Datafolha e outras fontes mostram de forma clara que a maioria da população brasileira apoia a prisão de condenados após julgamento em segunda instância. Mesmo em pesquisas informais, realizadas de forma empírica entre pessoas de nossos círculos de relações, têm mostrado que para os brasileiros essa medida tem sido um instrumento eficiente, utilizado pela justiça para pôr fim ao ciclo histórico de impunidade e de prescrição de muitos crimes por excessos burocráticos e morosidade dos tribunais.

Os cidadãos sabem muito bem que o instituto de protelações e dos recursos infindos só beneficiam aqueles que podem pagar bons e caros advogados e não diz respeito algum à grande maioria dos brasileiros com pendência com a justiça. Obviamente que, para os ministros do Supremo Tribunal Federal, pesquisas como essas, e outras que retratam o desejo da maioria da sociedade sobre um determinado tema de importância geral, possuem peso zero na hora da votação e não induzem nos vereditos de cada um dos juízes.

Inclusive esse tem sido um tema colocado no plenário em diversos momentos, para reafirmar que a pressão das ruas pouco ou nada influi nas decisões do plenário. Esse descolamento da realidade do mundo exterior, ao mesmo tempo em que não incomoda os juízes, deixa os brasileiros em um sobressalto permanente com a possibilidade de ver, de uma hora para outra, a volta ao passado de um Brasil recordista mundial de assassinatos e outros crimes hediondos.

Com razão, a população teme que um possível impedimento de prisão em 2ª instância acabe destruindo uma das maiores conquistas de nossa história recente que foi a deflagração da Operação Lava Jato, quando, pela primeira vez, a população pode assistir à prisão de altos membros do governo, inclusive ex-presidentes assim como a elite do empresariado nacional, todos igualmente julgados, processados, condenados e presos. Ainda para o gaudio da sociedade, houve, também pela primeira vez, a devolução de parte dos recursos desviados nesse que tem sido um dos maiores casos de corrupção do planeta.

O Supremo entender pela volta do trânsito em julgado significa que toda a primeira grande fase da Operação Lava Jato e outras do gênero, voltará a estaca zero, destruindo todo o enorme esforço feito até aqui para acabar com a corrupção sistematizada e entranhada na máquina pública.  Deu no que deu. Mesmo assim  a população parece não estar sozinha nesse seu desejo de acabar com a impunidade das elites. Entidades como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também tem manifestado sua preocupação, alertando que um possível retrocesso no combate à corrupção pode prejudicar não só a imagem do país, mas principalmente a realização de negócios dentro de um ambiente mundial onde o comércio busca cada vez mais negociar dentro de parâmetros de compliance.

A ONG Transparência Brasil também se posicionou a favor da prisão em segunda instância. Para engrossar esse coro mundial e nacional contra a impunidade dos poderosos e em favor do combate à corrupção, um grupo de 42 senadores assinou uma carta endereçada ao ministro Dias Toffoli, presidente do STF, defendendo abertamente a prisão após segunda instância. Para esses parlamentares, essa medida tem sido importantíssima para combater o sentimento de impunidade presente na sociedade, sendo que a revisão desse entendimento deverá provocar grave problema de segurança jurídica.

 

 

 

A frase que não foi pronunciada:

“Nós não somos representantes do povo, por isso não legislamos.”

Algum ministro do STF em pleno pesadelo.

Charge do Cazo

 

 

Trabalhador

Grande expectativa para a noite de autógrafos no lançamento do livro assinado pelo senador Paulo Paim, Tempos de Distopia. Parlamentar respeitado, Paim não para de surpreender. O evento será no Senado, dia 12, terça-feira, no Espaço Cultural Ivandro Cunha Lima. O livro será distribuído. Disse o autor: “Distopia é a vida sem sonhos e sem o belo da existência. É um cenário de incertezas. É a dor da indignidade. São os pesadelos diários da falta de horizonte. São as injustiças que o povo sofre. É o lugar em que a mentira, o ódio e a violência fazem morada”.

 

 

Absurdo

Veja a seguir:  um copo com água filtrada que vai para a caixa d’água e outro com a água que chega da Caesb. A Associação dos Moradores do Trecho 9 está colecionando reclamações sobre o assunto. Podem ser bastante úteis no futuro.

 

 

W3

Em frente à Pioneira da Borracha, na W3 Sul, as calçadas foram refeitas. Imaginem a teoria das janelas quebradas naquela área. Se tudo fosse limpo, conservado, favorecesse a mobilidade, iluminado, com segurança, certamente voltaria a ser um dos principais pontos turísticos da cidade.

Banner: agenciabrasilia.df.gov

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

A mudança da Capital continua no mesmo “chove-não-molha”. Ninguém mais interessado do   que   o   dr.   Felinto   no   caso.   Pois   então, doutor   Felinto, tome   os   apartamentos   não ocupados   pelas   repartições, pegue   os   novos, e   dê   todos   ao   ministério   da Fazenda. (Publicado em 06/12/1961)

Leviatã na mira da modernidade

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

Talvez motivado por seu gigantismo geográfico, achou por bem, o Brasil, criar um Estado que fizesse par tanto ao seu colosso territorial diverso quanto a sua multiculturalidade, advinda de três continentes e que aqui compuseram a nova raça, sui generis e mestiçada. Passada a fase embrionária da industrialização do pós-guerra, atendidos os requisitos necessários para o desenvolvimento, todos os governos que vieram na sequência, com ou sem democracia, acreditaram ser o estatismo o único meio seguro para o país encontrar o caminho do progresso.

Depois de alguns acertos e muitos erros, ao final de um processo de estatismo que se estendeu até as portas do século XXI, o que restou desse modelo foi a construção de um Ciclope que passou a se alimentar diretamente do sangue dos cidadãos, transformados todos em contribuintes ou, mais precisamente, doadores compulsórios de sangue.

A criação de um Estado dessa envergadura e complexidade obviamente que passaria a exigir mais e mais energia de todos, até a um ponto de autodestruição do modelo. É certo que seguindo numa sequência insensata como essa, em que, à medida em que o Estado cresce, declina, num mesmo ritmo, o índice de desenvolvimento humano da população, chegaria um momento em que um ponto de inflexão, ou de uma virada abrupta, se faria necessário, sob pena de toda uma nação ser engolida pelo gigante.

O que se tem nesse momento é precisamente esse fim de um ciclo de irracionalidades em que o Estado gasta absolutamente tudo o que arrecada para se manter de pé, respirando. É justamente essa retroalimentação contínua do Estado, que exaurindo todos os recursos do país e que torna o Brasil claramente ingovernável do ponto de vista de suas finanças, que precisa ser detida com urgência máxima.

É preciso colocar esse nosso Leviatã inzoneiro sob a mira da modernidade. É sabido que um tal esforço que possa, ao menos, flexibilizar os gastos em educação e saúde, descentralizando os recursos da União, além da extinção de todos os municípios com menos de 5 mil habitantes, cuja a arrecadação seja menor que 10% da receita total, sofrerá, por parte do Congresso, enorme oposição. Basta ver o que foi feito com a reforma da Previdência e com o pacote de segurança que sequer foi apreciado.

A resolução das finanças do Estado, alterando o modelo de gasto público e dando maior poder e recursos para estados e municípios, como reza a Constituição, é o caminho correto para sanear o Tesouro Nacional. O ministro Paulo Guedes e sua equipe têm feito um esforço supra-humano para conduzir o país à modernidade econômica e sabe das dificuldades que terá pela frente para ver aprovadas as três propostas de emenda à Constituição (PECs) ainda em tempo de salvar o país de mais um período de estagnação. Já se sabe de antemão que o novo modelo proposto para as reformas no funcionalismo público é a que irá causar os mais intensos debates dentro do parlamento, em razão de ser também uma das mais necessárias e urgentes para organizar a tão temida e onerosa máquina pública.

O Centrão e o que restou da esquerda já estão em campo bombardeando as propostas, o que é um sinal claro de que o governo está no caminho certo.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“ … a arte do homem… pode fazer um animal artificial…Mais ainda, a arte pode imitar o homem, obra-prima racional da natureza. Pois é justamente uma obra de arte esse grande Leviatã que se denomina coisa pública ou Estado … o qual não é mais do que um homem artificial, embora de estatura muito mais elevada e de força muito maior que a do homem natural, para cuja proteção e defesa foi imaginado. Nele, a soberania é uma alma artificial,pois que dá a vida e o movimento a todo corpo… A recompensa e o castigo… são os seus nervos. A opulência e as riquezas de todos os particulares, a sua força. Salus populi, a salvação do povo, e a sua função… a equidade e as leis são para ele razão e vontade artificiais. A concórdia é a sua saúde, a sedição sua doença, e a guerra civil sua morte. Enfim, os pactos e os contratos que, na origem, presidiram a constituição, agregação e união das partes desse corpo político, assemelham-se ao Fiat ou façamos o homem, pronunciado por Deus na criação.”

Thomas Hobbes, matemático, teórico político e filósofo inglês, em O leviatã, 1651.

Imagem: pinterest.com

 

 

Mérito

Chegou a hora de reconhecer que a equipe técnica do presidente é espetacular. Tanto a da linha de frente quanto os de outros escalões. Ficam na retaguarda, trabalhando pelo Brasil, sem parar.

Foto: perfil oficial do presidente Bolsonaro no Instagram

 

 

Novidade

O ministro Marcos Pontes – da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – anunciou a criação de 8 laboratórios de inteligência artificial no Brasil que vão desenvolver cidades, indústrias, agro [rural], saúde. A notícia foi dada pelo perfil oficial do presidente Bolsonaro no Instagram.

Imagem: perfil oficial do presidente Bolsonaro no Instagram

 

 

Gestão

Nascida em parceria com o Conselho Federal de Administração, a rádio ADM lança o primeiro podcast sobre os cinco principais desafios da gestão de pessoas no setor público. Com Thiago Bergman, professor da Escola Nacional de Administração Pública e analista do TSE. Acesse pelo link Os 5 Principais Desafios da Gestão de Pessoas.

 

História de Brasília
» A arborização da cidade está sendo prejudicada pelos “paisagistas domésticos”. Das árvores plantadas, mais de cinqüenta já foram roubadas. Exemplo de mau gosto, foi o do ladrão que retirou um flamboyant do jardim da Sorveteria Americana. (Publicado em 6/12/1961)

Os pobres homens das terras ricas

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Foto: jornalrondoniavip.com

 

De acordo com um dos últimos dados do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), os estados da região amazônica, possuem, conjuntamente, os mais baixos níveis de qualidade de vida de todo o país. A questão é curiosa já que se trata de uma região onde estão concentradas as maiores fontes de recursos naturais de todo o Brasil. Recursos abundantes como água, minérios diversos, madeira, produtos extrativos, ouro, nióbio, terras raras e diversos outros bens naturais de grande valor comercial em nada têm contribuído para fazer, das populações locais, cidadãos com uma razoável qualidade de vida. Pelo contrário: quanto mais essas regiões são exploradas e exauridas de seus bens, mais a população se vê na condição de pobreza e de esquecimento.

O imbróglio central que pode explicar, em parte, essa contradição na qual brasileiros em situação de miséria caminham sobre as maiores riquezas naturais do país, pode ser entendida muito além do chamado determinismo geográfico, que coloca populações em regiões distantes do poder central, às margens do desenvolvimento. É fato que por séculos a região amazônica vem sendo deixada de lado por todos os governos, não apenas da esfera federal, mas inclusive pela maioria dos próprios governos locais.

O subdesenvolvimento crônico desse conjunto de estados do Norte é testemunha clara dessa incúria secular e depõe contra a maioria dos governos e das autoridades responsáveis por essas unidades da federação. Depois da transamazônica e da criação da Zona Franca de Manaus, dois importantes avanços na infraestrutura da região, ainda em meados do século passado, muito pouco tem sido feito de forma efetiva para elevar o Índice de Desenvolvimento Humano das populações locais.

Para se ter uma pequena ideia, em Breves, na região do Pará, colocada como a capital da Ilha de Marajó, com 92 mil habitantes, 38% das crianças com idade de até cinco anos sofrem de desnutrição crônica. Esse percentual, segundo o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) está acima do índice nacional que é de 13%.

No estado do Pará, nada menos do que 85% das residências não possuem rede de esgoto. Essa deficiência tem contribuído para a mortalidade infantil na região. Apenas como ilustração, em 2016, 2.157 crianças vieram a óbito antes de completar um ano. Muitas famílias nessas regiões têm vivido abaixo da linha de pobreza. Muitas contam com a ajuda de programas como o Bolsa Família para não passar fome.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a região amazônica, onde vive cerca de 9 milhões de crianças, é um dos piores lugares de todo o continente para a infância. Mato Grosso, Tocantins, Maranhão, Roraima, Rondônia, Amazonas, Pará, Amapá e Acre, estados que formam a grande Amazônia Legal, possuem praticamente os mesmos índices de desenvolvimento humano, carecendo de moradias, sistema de educação e saúde regular, saneamento, atendimento adequado aos direitos das crianças. Nessas regiões, a existência do trabalho infantil é uma constante em grande parte dos municípios. Esses brasileiros do Norte, deixados à própria sorte por séculos, sabem que agora o mundo todo está de olho da Amazônia, não exatamente em sua população, que continua explorada por nacionais e estrangeiros, mas em suas riquezas.

 

 

 

A frase que não foi pronunciada:

“Consumo, logo existo.”

Diria o filósofo René Descartes, se vivesse em nosso tempo.

Charge do Cláudio Aleixo

 

 

Ação

Um dos pontos da proposta entregue pelo presidente Bolsonaro ao Congresso foi a incorporação, pelo município vizinho, do município com menos de 5.000 habitantes. Outra iniciativa é restringir a criação de novas cidades. Se for aceita pelos parlamentares, pode equilibrar a situação das contas no setor público.

 

 

Eu vi

Um dia atrás do outro. No último dia de outubro, um motoqueiro que responde por aplicativos de comida corria pela L4, antes de entrar na ponte JK. Nem deu tempo de os motoristas se recuperarem do susto pela velocidade do rapaz. Poucos metros depois de entrar na ponte JK, foi acidentado.

Em 16 de janeiro, um motociclista de 36 anos morreu na Ponte JK: 63 vítimas de janeiro a setembro (Foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

 

 

No dia seguinte

A mesma coisa. Uma pressa descabida de outro motoqueiro que também levava alimento colocava a segurança e a própria vida em segundo plano. Resultado: mal passou pelo Varjão, espatifou-se no asfalto. Como não há freios impostos pelos donos dos estabelecimentos, acidentes desse tipo são rotina há um bom tempo.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Brasília precisa do Código Tributário, da Lei de Isenção de Imposto de Renda, das verbas do Orçamento da República, e a pessoa indicada para tratar do assunto é o nosso senador. As conversas políticas em torno da queda, ou não do Gabinete, que fiquem para os outros, que são muitos! (Publicado em 03/12/1961)

Brasil informal

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Foto: jornalismo.iesb

 

Quem caminha costumeiramente pelo centro das capitais do país já pode verificar que, a cada dia que passa, aumenta o número de vendedores ambulantes comercializando todo o tipo de produto. Em cada canto da cidade, essa impressão é real e traduz um quadro de empobrecimento geral da população. Esse fenômeno demonstra que esse não é um problema local, mas resulta do encolhimento de renda geral de mais de 50% das famílias brasileiras. São, segundo demonstra estudo divulgado no final de outubro pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), mais de 104 milhões de pessoas vivendo com uma média de apenas R$ 413,00 mensal, ou menos da metade de um salário mínimo atual. O problema aumenta de proporção quando a mesma pesquisa informa que 5% da população brasileira, ou 10,4 milhões de pessoas, sobrevivem com R$ 51,00 ao mês. Por esses números, é possível saber que a renda desses mais pobres encolheu 3,8% desde 2017. Na contramão desse empobrecimento sistemático, o estudo mostra que a renda da população mais rica, estimada em 1% dos brasileiros, cresceu 8,2%, aumentando ainda mais o fosso entre ricos e pobres.

Esse desequilíbrio de renda, ou mais precisamente essa concentração de renda, é um dos indicadores que coloca o Brasil como um dos campeões mundiais em desigualdade e um dos fatores que inibe o crescimento horizontal e harmônico da economia. Num país em que os pobres vão ficando cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos, a desigualdade assustadora acaba se transformando num entrave para um crescimento durável não só dos números da economia, mas adentram por outros fatores de ordem social e política.

Induzem instabilidades de toda a ordem, marginalizando parte significativa da população, retardando o progresso equânime, gerando o processo de favelização, da criminalidade e da violência, obrigando aqueles de maior renda a viverem enclausurados em condomínios superfortificados. Colocado entre os dez primeiros no ranking da desigualdade econômica em todo o mundo, o Brasil reflete exatamente esse cenário com suas cidades principais cercadas de favelas miseráveis por todos os lados, com alto índice de violência e agora invadidas por centenas de milhares de vendedores ambulantes e de pedintes, o que naturalmente contribui para tornar nossas metrópoles verdadeiras feiras ao ar livre, perigosas, sujas, malcuidadas e urbanamente incontroláveis.

A deterioração da qualidade de vida dos habitantes das grandes cidades brasileiras possui suas raízes justamente nesse desequilíbrio brutal de renda. Depois de longos períodos de recessão e estagnação da economia, esse cenário que já era caótico piorou. O aumento do desemprego, jogando no olho da rua mais quase 13 milhões de pessoas, vem contribuindo para o aumento da informalidade, destruindo assim a capacidade de o Estado recolher impostos que, em tese, serviriam para minorar essa situação, obrigando a economia a entrar num ciclo fechado onde a miséria acabando criando mais miséria.

Para se ter uma ideia das dimensões desse problema, os números indicam que 41,5% dos trabalhadores brasileiros vivem na informalidade, ou seja, seis em cada dez pessoas, vivem à margem, se virando por conta própria, num processo de descolamento total entre o cidadão e o Estado. Em qualquer outro país do planeta, esse mecanismo é a receita certa para um fracasso definitivo e incontornável a longo prazo.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Enquanto algumas pessoas inspiram, outras conspiram!”

Ernest Agyemang Yeboah, professor e escritor ganaense

Foto: Amazon

 

 

Crueldade

Enquanto a humanização se espalha pelos hospitais, escolas e empresas, o aeroporto de Brasília vislumbra o lucro mais do que qualquer coisa. É assim que as pessoas veem. Com a obra no estacionamento, os carros ficam longe do desembarque. Cardíacos, idosos, hipertensos não têm mais condições de aguardar um ente querido chegar de viagem. Além da distância, não há mais nenhuma cadeira no saguão do desembarque.

Foto: bsb.aero

 

 

Cães

Em sintonia com a iniciativa de diversos hospitais, clínicas, casas de idosos pelo mundo, que adotaram o contato com animais como parte da recuperação de seus internos, em Brasília, amanhã, na UDF, a psicóloga Maria Lima e a veterinária Vanessa Spagnolo proferirão palestra sobre os benefícios psicológicos e fisiológicos na interação com os cães.  Veja o cartaz do evento a seguir.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O comodismo das rodas amigas, das viagens internacionais, das conversas ao pé da orelha, do endeusamento dos que querem explorar, é que provoca o desgaste popular que todos os homens políticos temem. (Publicado em 03/12/1961)